Notas iniciais
Uma vez minha amiga Kelly me perguntou se eu poderia fazer uma fanfic sobre o Pyramid Head. Bem, fiz algo pequeno e básico, simples.

Silent Hill, Prisão Toluca.

Chovia muito aquele dia. Nada de anormal dos demais dias daquela época. Era novembro e a névoa dava lugar ás chuvas frias que vinham antes da neve. Os pinheiros se debatiam de um lado para o outro, como se estivessem tentando escapar antes que o período mais frio chegasse.

Nesta época, as coisas estavam sempre muito tristes. A chuva não dava trégua nem para os nossos sentimentos. Acabamos por ficar sempre retraídos em nossa solidão. A nossa tristeza nos escravizando e nossa abstinência nos fazendo de marionetes. Precisamos sempre de um motivo para continuar.

E motivos são coisas que eu não tenho. Eu sei que dizem que, o que eu faço, é o bem; que eu livro a alma dos corruptos e salvo a alma dos inocentes. Mesmo fazendo isso pelo caminho errado e do jeito mais cruel. Mas talvez eu tenha nascido para isso. Talvez meu destino já esteja traçado. Eu não queria fazer isso afinal.

Essa coisa terrível, matando pessoas. Este não sou eu.

Quantas pessoas eu fiz sofrer ou simplesmente matei por que recebi ordens. E se aquelas pessoas não tiveram culpa de nada? Eu não sou o herói, não sou como as fadas das crônicas que minha avó contava quando eu era criança, que sempre ajudam para o bem. Eu era maligno. Obedecia a regras absurdas, de generais sem sentimentos. Eu tinha que obedecer, era meu trabalho, matar.

Para eles, isso é o bem, eu faço o correto.

Mas eu sinto que é terrível. Que é errado.

Eu sou uma pessoa sã, que está à beira de um precipício. Eu sou ponta de laça que obedece ordens de pessoas que se importam apenas com o dinheiro. Eu já tive uma família, já tive uma casa, e não posso mais deixar isso me seduzir para que continue me levando a fazer isto. Só que quando eu me olho no espelho, eu enxergo o que realmente sou. Eu gosto.

Por isso eu não posso ser uma boa pessoa.

Por isso sei que sou essa fada negra, obscura, do mal.

Por que no fundo eu sei que eu faço é errado, mas eu gosto. Sinto prazer. Sigo ordens, mas se eu quiser eu faço por vontade própria.

Mas isso já foi longe demais. E antes que eu cometa atos tão vis novamente, eu preciso dar um fim nisso. Ao menos eu sei como parar.

Essa lança não fará danos ao meu corpo. Mas libertará minha alma, de mim, e de todos que me envolvem. Chegou a hora de me libertar. É a hora do meu próprio julgamento. Seja ele qual for. É a hora de eu pagar pelas coisas ruins que fiz. É a hora de eu sentir como eles se sentiram quando eu os executei.

Posicionado no meio do pátio, com a lança atravessada no meu peito, a chuva parou e eu pude ver o céu azul que tinha me abandonado quando eu era alguém. Senti o calor dos raios do sol na minha pele e o sangue continuou pingando como uma presa abatida no açougue.

Com amor, Jimmy Stone.

FIM.

Última Edição: 11/05/2017 — A L C Alves.

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!