A Fórmula da Magia
6 Irmãos Perdidos
Notas iniciais
Na manhã seguinte Johny me acordou dizendo que tínhamos visitas na ilha. Logo pensei na noite anterior quando avistei alguma coisa se aproximando, será que era aquilo?
Levantei-me e o segui. Ele parecia aflito como se "visitas" não fosse uma coisa boa.
– Johny, o que está acontecendo?- perguntei começando a ficar preocupada.
– Clarissa, "visitas" não são coisas boas, pessoas vêm á Terra do Nunca á procura de magia. Não seria tão ruim se não quisessem enfrentar Pan, mas como isso sempre acontece não é muito agradável receber visitas.
Pensei naquilo. Tinha sentido, mas uma coisa eu não entendia: Por que iriam querer enfrentar Pan? Mas não perguntei isso, provavelmente a resposta não seria das melhores.
Johny me levou até a praia e então eu vi um Navio Pirata. O que significava aquilo? De lá saiu uma mulher com cabelos loiros ondulados, um homem de cabelos negros e olhos azuis com um... gancho na mão? Está bem, eu estava ficando louca já. Um garoto com cabelos castanhos que parentava ter uns 12 anos, uma garota com cabelos loiros e olhos cinzas... iguais aos de Johny e uma garota com um vestido de princesa (como?), cabelos ruivos e olhos verdes.
– Olá terráqueos- disse a garota com vestido de princesa
– Olá princesa ET- soltou alguém do meio de nós, e todos riram, menos a ‘’Princesa ET".
– Tente ser normal Cindy- falou o garoto de cabelos castanhos
– Mas eu sou normal- disse a Princesa ET indignada(eu sei, o nome dela é Cindy, mas eu gostei desse apelido)
Fiquei observando a garota de olhos cinzas, ela era surpreendentemente parecida com Johny. Ela ficou parada ao lado da Princesa ET e depois me encarou. Como eu gostava de desafios eu a encarei também, e ficamos nos encarando por uns 5 minutos até que ela percebeu que não iria desistir e olhar para o outro lado. Vi ela cutucar o garoto de cabelos castanhos que correu os olhos pelo pessoal até me avistar. Ele também me encarou e eu encarei de volta, mas ele não ficou no jogo de "Quem encara por mais tempo".
Passado esse momento "encara ou não encara" a garota de cabelos loiros veio em minha direção determinada.
– Oi, você poderia vir aqui comigo rapidinho?- perguntou
–Ahn...- pensei uns 5 segundos- está bem
Ela me conduziu até onde estavam os tripulantes da nave mãe (sim, eu vou levar essa brincadeira de Princesa ET adiante) e todos me encararam, okay... eu gostava de encarar as pessoas mas 5 pessoas me encarando ao mesmo tempo não era legal.
– Bom – começou a dizer o garoto de olhos castanhos- só temos uma pergunta á lhe fazer, se não se importar é claro.
– Tudo bem, eu acho- respondi
– Seu nome, por um acaso, é Clarissa?
– Ahn... sim, mas por que¿ — como assim ele sabia meu nome?- E como você sabe meu nome?
Ele me fitou com os olhos arregalados e eu senti um medo repentino, por que tanta surpresa?
– Clarissa, eu sou Henry, seu irmão.
Eu já estava até me acostumando com a ideia de viver em uma ilha com garotos perdidos e Peter Pan (por mais louco que isso fosse), até eu descobrir que tinha um irmão.
Foi um choque de 1000 volts. Três dias atrás eu estava em um orfanato em que eu vivi desde que nasci e agora eu tinha um irmão, provavelmente uma mãe, um pai, uma família. Johny havia sumido para dentro da mata á um tempo, mas eu só percebi isso depois que Henry se apresentou. Talvez porque naquela hora eu precisava me apoiar em algo, literalmente, pois eu quase caí pra trás naquela hora.
A garota de cabelos loiros veio em minha direção.
– Aquele garoto, que estava com você, onde ele está?- me perguntou.
– Eu... não sei, também gostaria de saber- falei e percebi que minha voz estava abalada.
– Ah... okay
– Mas se quiser, eu posso procurar ele, com sua ajuda- falei antes que ela se afastasse, eu precisava sair dali e tomar um ar.
– Claro! – ela disse animada, percebeu isso e depois voltou ao normal disfarçadamente- Claro, te acompanho
E então entramos mata adentro.
– Seu nome, qual é?
– Que falta de educação a minha, é Annabeth, prazer- ela respondeu.
– Prazer, meu nome você já deve saber
– Pois é
– Você... conhece o Johny?- ela não parecia conhecer ele, mas se estava procurando ele devia saber quem era, isso era óbvio.
– Ah, não- disse simplesmente.
– Como assim?- Como assim ela estava procurando o Johny e nem o conhecia¿- Você está procurando alguém que você nem conhece? Não entendi
– É complicado
– Coisas complicadas são as melhores
– Você não vai desistir vai?
– Não- e senti que ali estava brotando uma amizade.
Annabeth caminhava ao meu lado e começou a falar.
– Bom... Você já deve ter percebido que coisas anormais passaram a ser normais depois que você veio parar aqui, certo? -assenti, aquilo era verdade- Então não vai achar meio louco a minha história, pelo menos eu acho. Eu sou uma semideusa, meio humana e meio deusa, meu pai é humano e minha mãe é uma deusa da mitologia grega. Ela é Atena, a deusa da sabedoria. E eu recebi uma profecia de que teria que procurar um meio-irmão filho de Atena que estaria na Terra do Nunca, e depois que conheci a Emma a mulher de cabelos loiros, o Gancho que você já deve saber quem é, o Henry seu irmão e a Cindy a garota vestida de princesa, vim parar aqui, e por um acaso esse meu irmão é o Johny.
– Nossa, que doido- fiquei um tempo procesando aquilo- então... o Johny é seu irmão? Puxa, hoje é o dia dos irmãos perdidos hein?
Ela riu e eu fiz o mesmo. Percebi que aquela vida maluca era bem mais divertida do que aquela vida chata que eu tinha no orfanato, pela primeira vez eu me sentia normal em algum lugar.
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