A Fênix do Olimpo - Livro da Morte
1 Prólogo
Notas iniciais
PRÓLOGO
A primeira coisa que precisa saber é: essa é uma história do tipo que começa pelo fim. Se, por um breve instante, você desejar ser como eu, pare de ler imediatamente. É uma daquelas histórias que tem tudo para ter um final trágico, como o Titanic, porque essa é a história do fim do mundo. Sabe aquele momento em que você se vê numa situação perigosa e pensa instantaneamente em um palavrão de cinco letras que começa com F?
Então, a situação é a seguinte, deve ter pelo menos um milhão de monstros nos cercando. A nossa única esperança é encontrar o escolhido e desejar que ele possa nos salvar, só que não acreditamos que isso vá acontecer. Muitos morreram em combate, todos já chegaram ao seu limite, a luta já estava perdida antes mesmo de começar. Tudo ao nosso redor foi destruído, há fogo em várias partes e tem muito sangue derramado, sangue inocente. Os deuses? Se estiverem vivos não ajudarão, não estão nem ligando, apenas vão esperar e ver seus filhos morrerem por eles.
Não sei como isso termina, mas sei como começou.
***
O início vem de um lugar, talvez tão antigo quanto a própria Grécia. Bem vindo á πουθενά, é eu sei, é um nome estranho, nunca tive curiosidade de saber o que significa. O nome da minha ilha é grego, sim, uma ilha. Por aqui a chamamos apenas de cidade perfeita.
Ela é enorme, tem cerca de 10 milhões de habitantes, muitos prédios e algumas construções antigas. Vamos por partes.
Toda a ilha é cercada por muros de 10 metros. O outro lado é chamado além das fronteiras. Já disse que é proibido ir lá? Quase não da para ver, ficam longe de tudo, e é praticamente impossível chegar lá.
É divido em quatro regiões: a cidade, as praias, as montanhas e a floresta. A cidade é quase metade da ilha. Cheio de construções enormes, lojas e, claro, pessoas. Uma vez vi uma foto de um lugar chamado Nova York, é bem parecido, só que menos bagunçado e acho que maior um pouco. Fica no centro da ilha, tem muitos prédios, muitos mesmo, de tamanhos, formatos e cores diferentes. Todos eles tem nomes. Imagine-se em uma biblioteca, com todos aqueles livros em ordem alfabética e numérica, é assim. Só tem quatro escolas por toda a ilha, a que estudo é a melhor (temos troféus par aprovar), do tamanho de um castelo medieval, no estilo grego, e uma única Universidade.
Ao Sul e ao Norte ficam as praias. São bem grandes, uma é o oposto da outra. O que tem lá não é exatamente o mar, por causa dos muros, de onde sai aquela água ninguém sabe ao certo. Tenho sempre a impressão de que tudo ali fora planejado e construído detalhadamente por alguém. No Sul, as águas são claras e tranquilas, com brisa leve e coqueiros. Gosto de ir pra lá quando quero relaxar, está quase sempre vazia. No Norte, tem ondas altas, está sempre cheia de surfistas, vendedores, barracas de praia, lojinhas e cabanas onde vivem alguns adolescentes.
No Leste fica a floresta, escura, fria, fechada e grande, com centenas de espécies distintas de plantas e animais, extremamente longe de tudo e todos, menos da energia elétrica. Eu já disse que é onde moro com a Sra. McGullie? Somos as únicas, como se fosse preciso mais um motivo para as pessoas me acharem esquisita e não gostarem de mim. Minha casa é um enorme casarão. Há cômodos em que não posso entrar, é proibido. Essa é, a propósito, a palavra que mais ouço. Eu vou correndo pra escola, adoro correr, então até que não é tão ruim. Amo a natureza, o escuro da noite e o barulho da cachoeira que tem aqui perto, sempre que posso passo horas lá ou simplesmente olhando para as estrelas, são milhares, tão grandes e brilhantes.
Lá para o oeste há cavernas. Devem ter dezenas, escuras, úmidas e assustadoramente silenciosas. Ficam nas montanhas, é bem longe, alto e frio. Quilômetros de gigantescas montanhas de pedras geladas.
As construções antigas, em homenagem aos deuses gregos e romanos, se localizam no centro da cidade e da ilha, quase como se tudo tivesse sido construído ao redor. É como uma praça bem grande, com areia e grama perfeitamente distribuídas. Imagine se alguém tivesse a ideia de construir uma nova cidade de Atenas exatamente como deveria ser na época, exceto por ser bem menor, tudo novo e em perfeito estado. É meu segundo lugar favorito, perde apenas para uma árvore tão alta que é possível ver toda a ilha do topo.
Uma coisa muito importante, existem um milhão de regras e você tem que cumprir todas. Não jogue lixo no chão, não ultrapasse o limite de velocidade, não saia de casa a noite, não, não e não. Não se pode sair da ilha, nunca. A pior de todas é o toque de recolher. A partir das 22 horas ninguém sai de casa. É horrível, eu sei. Muita gente já tentou fugir e nunca mais foi visto. Nos disseram que ninguém nunca conseguiu fugir, aconteceram... outras coisas. Algum lugar dentro da minha mente sabia o que tinha acontecido. Eles foram pegos e depois... tenho até medo de pensar nisso.
Uma coisa que sempre me irritou é que durante noventa e cinco por cento do ano a cidade é coberta com uma neblina intensa. Nunca chove e nem neva, o que não quer dizer que isso cause algum problema climático. De alguma forma nunca tivemos problemas, com nada, é tudo perfeito demais. Nada de ruim ou estranho acontece. Acidentes de carro algumas vezes ao ano. Catástrofes naturais, nunca. Assassinatos estão diminuindo progressivamente, já estamos quase no meio do ano e ainda não aconteceu nenhum. As pessoas costumam morrer de velhice, poucas por doenças, também tem poucos filhos, por opção. Não existem pessoas vivendo nas ruas. A maioria são ricas, ninguém passa fome. É considerada a cidade perfeita. Como eu disse, parece que alguém planejou tudo isso. As drogas são permitidas em festas, entretanto não são tão fortes e tudo é muito controlado. Na verdade, tudo aqui é controlado, como se fosse uma ditadura militar. Eu já vi inúmeras câmeras de vigilância, mas parece que sou a única que percebeu, por isso sempre achei que tinha algo errado.
Eu sou Samantha Miller, tenho 13 anos, hoje é a véspera do meu aniversário. Não conheci os meus pais, eles me abandonaram quando eu nasci, os odeio por isso. Cresci com a Sra. McGullie, ela não é a minha mãe, isso sempre foi deixado claro. Também sempre soube que havia um segredo que era guardado de mim. Ela sempre diz: "não faça nada de perigoso", "seja inteligente, não forte" e claro, "há uma grande diferença entre ser corajosa e querer ser uma heroína. "Não seja um herói, eles sempre morrem no fim da história". Como se, por insanidade, fosse lutar numa guerra um dia. Ouço história greco-romanas desde pequena, sou fascinada. Aprendi a ler com 5 anos e não parei mais. Só que tenho dislexia, isso quer dizer que demoro muito pra aprender qualquer coisa que esteja escrita.
Eu sou magra, não muito, não tenho músculos aparentes, embora consiga subir na corda na aula de ginástica mais rápido que qualquer um. Sou loira, de cabelos entre lisos e rebeldes que vão até abaixo do meu ombro. Devo ter 1,60 metros e pele clara. Meus olhos são violetas, literalmente violetas, não gosto deles porque já me causaram problemas, então sempre uso óculos escuros. Tenho uma pulseira de ouro e bronze com 26 pingentes referentes aos deuses greco-romanos, um para cada forma divina, tenho desde sempre. Meus favoritos são o cavalo, a águia, a coruja e o Cerberus, que são, respectivamente, Poseidon, Zeus, Atena e Hades ou Netuno, Júpiter, Minerva e Plutão.
Vamos começar com a história. É muito importante que saiba de uma coisa, a minha vida é meio chata, pelo menos era. Eu não sabia ainda que tudo estava prestes a mudar. Tudo começou nessa manhã.
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