A Exilada
30 Sorye Igei Ton!
Quando Yasuo viu aquele colosso monstruoso rompendo as linhas demacianas, ele soube que o ser não seria destruído facilmente. Não se parecia em nada com um homem comum. Era gigante e tinha a pele acinzentada. Os olhos ainda possuíam uma tonalidade vermelha e o homem carregava um machado gigante consigo.
— Que diabrura é essa...? — O samurai perguntou a si mesmo, observando o gigante assassinando a retaguarda do exército local.
Não encontrou Riven, no meio da multidão. Aquilo o deixou um pouco tenso. Não podia perder ela novamente. — Acalme-se, Yasuo... — Disse para si mesmo, apertando o cabo da espada com força excessiva. — Riven é Riven... Ela não morrerá facilmente... — Estava numa batalha, e era hora de começar a se comportar como um soldado de verdade. Algo que não tinha feita nas praias de Ionia.
O próximo golpe do gigante explodiu contra o chão, jogando demacianos para todos os lados.
— Vermes inúteis! — Ele gritou, o sangue quente escorrendo do machado. — Seu número não importa! Vou matar todos vocês! — E parecia realmente preparado para aquilo. As lanças e espadas que o atingiam pareciam não causar qualquer efeito no colosso, que continuava avançando.
— Está tudo bem! — Yasuo chamou a atenção dos soldados que o rodeavam. Eram cerca de vinte, e estavam apavorados. Yasuo sabia que não podiam perder tantos homens lutando contra aquele monstro. Se ele havia se lançado até o fundo do exército demaciano, sozinho, provavelmente sabia o que estava fazendo. Seria uma missão quase impossível, matá-lo.
— Quem diabos é você? — O colosso perguntou, atento à figurava que ousava o desafiar.
— Yasuo, de Ionia. — O samurai lhe apontou a katana. — Com quem eu luto?
— Rá! — Ele gargalhou, erguendo o machado. — Com Sion. O colosso morto-vivo, seu imbecil! Que nunca foi derrotado, e nunca o será! Enfrente seu destino! — A arma atingiu o chão, jogando pedras para todos os lados.
Yasuo precisou pular para longe, para escapar do raio do impacto, e ainda assim se machucou contra o chão.
"Merda! Esse imbecil é muito forte!", o rapaz pensou, se levantando. Precisava tirá-lo dali. Levá-lo para um lugar afastado. Ter um ser como aquele lutando no meio de seu exército era muito perigoso. Ele tinha um poder de destruição em área massivo.
— Você só pode matar o que pode pegar, seu trouxa. — Ele provocou, começando a correr para longe do portão principal.
O lado bom no plano de Yasuo: Ele deu certo.
Como o espadachim havia planejado, Sion iniciou sua perseguição, esquecendo o exército demaciano.
O lado ruim: Ele não contava com a velocidade do colosso.
"Parece um trem de carga", foi a melhor comparação que conseguiu fazer em sua mente. Sion corria em sua direção à altíssima velocidade, envolvido por uma aura vermelha que o transformava em uma espécie de meteoro em rota de colisão.
O gigante lhe deu uma ombrada com força, que empurrou Yasuo contra a parede mais próxima, fazendo-o arrebentá-la.
— Porra... — O homem gemeu, estirado no chão de uma casa demaciana. Ela estava completamente vazia, após a evacuação dos civis. — Que filho da puta... — Yasuo tentou se levantar, com dificuldade. Cada centímetro de seu corpo parecia estar se dissolvendo, após o impacto. Havia sangue também, no chão. Seu sangue. Embora Yasuo não soubesse exatamente de que parte do seu corpo ele estava escorrendo.
— Você me trouxe para um lugar onde está sozinho! — Sion vociferou, chutando a porta com força e a arrombando. — Acha que tem alguma chance contra mim? Eu não posso morrer, seu tolo!
— Isso é o que vamos ver... — Yasuo sussurrou, se colocando em posição de combate. Aparentemente fugir dele era impossível. Em compensação, seu exército estava seguro, por hora.
Tudo que Yasuo precisava fazer era derrotá-lo.
— Morra, seu verme! — Sion o atacou. Uma machadada precisa, de cima abaixo. Perfeitamente em cima do samurai. O tipo de erro que somente uma criança cometeria.
Yasuo rolou no segundo final, evitando o golpe. E avançou contra Sion, se aproveitando da pouca agilidade de seu machado imenso.
Uma estocada precisa, diretamente no rosto do coloso. A katarna entrou por seu nariz e saiu pela nuca, atravessando a cabeça dele completamente.
Yasuo sorriu, observando o sangue dele escorrer. Havia acabado.
Não.
O punho de Sion o atingiu no queixo, com uma força extrema. Yasuo gemeu, zonzo, caindo no chão.
— Eu já lhe disse uma vez, verme! E vou dizer novamente! — Sion agarrou o cabo da espada do rapaz e a arrancou de seu rosto, criando um buraco ensaguentado em sua face. Ele não parecia senti-lo. — Eu não posso morrer! Eu sou imortal! Você não tem qualquer chance contra mim! — Ele arremessou a katana muito longe dali, deixando o samurai, além de zonzo, desarmado.
Yasuo se arrastou para fora da casa, tentando correr. Precisava de uma nova arma. Precisava de um plano. Precisava de tempo.
Sion somente gargalhou, caminhando atrás da presa. Ele não tinha qualquer pressa. Sabia que Yasuo não conseguiria escapar. Queria desfrutar daquilo um pouco.
— Deixe eu lhe mostrar uma coisa, homenzinho! — Sion o agarrou pelos cabelos. Estavam perto de um lugar que Sion queria visitar. Que Sion queria visitar a muito tempo. — Sabe quem matou Jarvan? O Jarvan original? O mais rei de Demácia? — Sion arrastou Yasuo para dentro do cemitério demaciano. Não demorou muito tempo para achar a ala dos heróis. — Leia o nome! Leia o maldito nome! — Arremessou Yasuo com força sobre a maior lápide ali presente.
Yasuo gemeu de dor, deitado na placa metálica. Estava sobre o túmulo de pedra do Rei Jarvan I, segundo as inscrições ali. "Morto honrosamente em combate por Sion."
O colosso gargalhou.
— Está vendo? É meu destino pisar em Demácia. Matei Jarvan há quase 100 anos. Mas naquela época eu era um humano comum. Eu possuía fraquezas. Hoje não! Hoje ninguém pode me deter! — Ele ergueu o machado. — Primeiro você. Depois os soldados comuns. E por último o Rei Jarvan IV. Vou pisar em todos vocês como vermes!
Yasuo não estava mais tão zonzo quanto antes. O murro de Sion o tirara da realidade por alguns minutos, mas a sua consciência já havia voltado. E embora estivesse com o corpo completamente dolorido, não tinha ferimentos mortais. Ao menos não ainda. Se aquele gorducho imaginava que ia acabar daquele jeito, ele estava muito enganado.
Yasuo concentrou-se, naquele momento. No vento. Sabia que só a magia podia salvá-lo.
— MORRA, SEU VERME! — O golpe de Sion desceu.
Yasuo tentou algo que nunca havia feito até então. Criar uma parede de vento sólida o suficiente para bloquear um ataque massivo como aquele.
Funcionou. Embora não perfeitamente. O machado conseguiu penetrar a parede, embora não em linha, como Sion desejava. Ele deslizou para o lado, quase trinta centímetros.
O golpe que aceitaria Yasuo no meio, dividindo-o em duas metades iguais, foi dado precisamente sobre seu ombros esquerdo.
— AHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH! — O espadachim gritou de dor enquanto seu membro era amputado na hora.
A lâmina do colosso não parou por ai. Ela arrebentou, também, o túmulo do rei destruído.
Irritado ao ver o esqueleto de Jarvan I, Sion empurrou Yasuo de cima do túmulo e desceu um novo golpe, estraçalhando os ossos empoeirados do antigo rei. O golpe teve tamanha ira e potência que destruiu completamente o túmulo, jogando pedra para todo lado.
Yasuo sentia uma dor terrível, mas se colocou em pé. Não tinha mais o braço esquerdo, e seu ombros sangrava sem parar. Parecia que a esperança estava por fio, enquanto olhava Sion, sem ter ideia de como poderia derrotar oponente tão formidável.
Sentiu um chamado, quase no momento seguinte. Yasuo procurou a origem do som, que se assemelhava muito com uma vibração. O som vinha da espada.
Ela estava ali, largada no chão, emitindo uma energia azulada. Sion não parecia poder vê-la, enquanto distribuía uma série de novos golpes furiosos contra as cinzas do antigo rei.
"A espada do rei!", Yasuo percebeu. A espada do rei que havia sido destruído por aquela monstruosidade. Clamando por vingança.
Yasuo a empunhou na hora.
— Sion... Uma luta só acaba quando um dos combatentes está morto... — Yasuo o chamou, com a voz fraca. — Me enfrente! — O desafiou, erguendo a lâmina azulada.
Sion o fitou, claramente surpreso. Depois riu.
— Então a enterraram com o corpo... Não importa. Já te derrotei uma vez nas mãos de um homem melhor! Posso lhe derrotar novamente.
Yasuo o acharia louco por estar falando com uma espada, se a arma não estivesse o incitando, dentro de sua cabeça, a liquidar Sion agora mesmo.
Mas sabia que a arma poderia ferí-lo. O que colocava a batalha em um outro patamar.
— Vamos terminar isso! — Sion avançou, seu machado em punho.
Yasuo ia queimar toda sua energia naquele momento. Independente do resultado. Sion também daria tudo si.
Os golpes foram trocados com violência. Yasuo não podia disputar em força com o colosso, mas era infinitamente mais ágil. Desviava as machadadas e pincelava sua pele cinza com a lâmina. E a cada novo grito do gigante sabia que estava obtendo progresso.
"Eu vou suprimir sua dor! Mas você precisa acabar com ele agora!", a espada gritou dentro da cabeça de Yasuo. Ele sentiu realmente, o ombro se tranquilizando. Quase como se houvesse sido anestesiado.
— Ainda há algum truque em sua cartola? Ou já me mostrou tudo que tinha? — Yasuo sorriu, girando a lâmina nas mãos.
Sion, por outro lado, já havia perdido a graça há muito tempo. Não estava acostumado a lutar sentindo dor. A ser ferido.
— Cale a boca, seu verme! Você está mais acabado que eu! E não tem mais nada para me mostrar!
— É ai que você se engana... Na verdade eu tenho uma técnica que ninguém nunca viu... Você vai ser o primeiro...
Perder para Fiora daquele jeito havia incomodado muito o samurai. Então treinou secretamente todos os dias, em busca de algo que pudesse deter, ou ao menos enfrentar a Valsa da Lâmina.
Sion ia ser seu maior teste.
— MORRA, VERME! — O colosso investiu novamente, a energia vermelha o envolvendo mais uma vez.
"Agora! Mate-o agora. MATE-O AGORA!"
A ponta da espada fez um arco no ar, criando imediatamente um tornado gigante. Yasuo sentia o sangue escorrendo por seu nariz. Jamais havia utilizado tamanha energia.
Sion tentou atravessar o tornado, e por mais que sua força fosse incrível, o colosso não pôde resistir, e foi arrastado para o ar.
"Agora!"
Yasuo praticamente foi arrastado junto pelo vento, que o colocou na melhor posição possível, enquanto o alvo era completamente pressionado dentro do turbilhão eólico.
— Sorye Igei Ton! — Ele gritou, em sua língua nativa, enquanto aplicava três golpes precisos no colosso, perfurando-o na cabeça, no pescoço e no coração com a espada sagrada.
Quando o tornado terminou, Yasuo pulou para longe, arfando.
— Não pode ser... — Sion gemeu, com a voz irreconhecível. — Eu não posso ser derrotado... — Ele lutou, tentando se levantar. — Eu sou imortal...
— Prepare o inferno para mim... — Yasuo arfou, o observando. O sangue em seu braço havia coagulado. A espada estava completamente silenciosa e seu brilho havia desparecido.
Sion lhe deu um último olhar de ódio, antes de, pela última vez, morrer.
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