Notas iniciais
Desculpa a demora e.e xD

Riven acordou tensa, com a respiração pesada. Yasuo abriu os olhos, fitando-a devagar. Ambos estavam nus e suados. Haviam tido uma noite anterior bastante intensa. Entretanto, ao contrário dos outros dias, Riven não conseguiu dormir bem.

– O que houve? — Ele perguntou, ainda bocejando.

– Mais pesadelos... — Ela rolou na cama, virando o rosto para o outro lado.

Yasuo a abraçou, beijando sua nuca.

– Ei... Não fica assim...

A loira curvou o braço, com um sorriso tímido, acariciando os cabelos volumosos dele.

– Eu não estou com medo...

– Você vai vencer ela. Tenho certeza. — Ele disse, lhe beijando novamente.

Riven enfrentaria Shyvana naquele dia. Fazia exatos um mês que estava em Demácia, e o dia do duelo finalmente chegara. Não sabia o que esperar daquilo. A Meia-Dragão era extremamente poderosa, segundo todos os demacianos. E Riven tinha total consciência de que ela não viria apenas para um duelo comum. Shyvana tentaria matá-la. Riven havia nascido em Noxus. Se perdesse no duelo, que representava uma prova, não seria aceita como demaciana. A trégua acabaria e ele seria vista definitivamente como uma guerreira da nação inimiga. Sabia que seria condenada a pena de morte, se perdesse. Não que Shyvana deixasse a situação chegar aquele ponto, o que seria melhor, na verdade. Morrer com uma espada na mão contra um grande oponente lhe parecia muito mais atraente que uma execução cruel e fria.

Não, não estava preocupada com nada daquilo.

– Você não mudou de ideia, não é? — Perguntou, com a voz embargada.

Yasuo respirou pesado, de modo lento. Depostiou uma sequência de beijos pelas costas da garota, do pescoço até quase à bunda. Era claro que não queria falar sobre aquilo.

– Hazhor Lonkar foi morto por alguém... e eu preciso descobrir quem foi o assassino. Eu fiz uma promessa para meu irmão, no dia que o matei. — Fez com que Riven olhasse para ela. — E você sabe... como é a promessa a um irmão, quando você lhe tira a vida.

Riven mordeu o lábio inferior, se lembrando de Katarina. O que havia prometido a ela mesmo?Não era nem capaz de lembrar. Todos os seus pensamentos estavam voltados para a partida iminente de Yasuo.

Entendia os motivos do rapaz, na verdade. Se Riven vencesse a luta, graças ao acordo que havia feito com Jarvan, os dois seriam integrados ao exército de Demácia e participariam ativamente da luta contra Noxus. Uma vez estando no exército, Yasuo seria obrigado a abandonar por um bom tempo, sua busca. E se a pista já estava fraca, naquele momento... Não poderia simplesmente desertar, ou colocaria não só a sua situação em risco, como também a da loira. Ao mesmo tempo, se Riven perdesse, Demácia o entregaria prontamente para Ionia, aonde ele seria executado por um crime que não havia cometido. Qualquer que fosse o fim daquele duelo, Yasuo não tinha o controle sobre seu próprio destino.

Aquele dia, também, era a melhor oportunidade de fuga do rapaz. Todos os guardas estavam desatentos consigo. As atenções eram todas em Riven. Se ele fosse rápido o suficiente, conseguiria escapar.

– Eu não quero ficar sozinha... não de novo... — Riven disse, dengosa.

– Então largue isso para lá e venha comigo.

– Não posso... — Ela sussurrou, lembrando-se das promessas que havia feito. Todos os demacianos, de certa forma, depositaram suas esperança em si, e até mesmo o anjo, que lhe deixara viver para findar aquela guerra. Também prometera a si mesmo.

– Nós dois estamos lutando, meu amor. — Yasuo a fez virar para si. — Nos amamos, mas nenhum de nós está disposto a deixar sua luta de lato. — Ele a beijou muito intensamente, e Riven correspondeu, entrelaçando seus dedos nos cabelos longos dele. — Vai ver... — Ele se levantou, rompendo preguiçosamente o contato dos lábios. — Nossa história de amor não foi feita para essa existência.

Riven fungou, o observando entrar no banheiro.

– Então... — Sentiu um aperto no coração. — Esse é mesmo o fim?

Era difícil acreditar naquilo. Ainda que entendesse o lado de Yasuo, sentia-se muito mal. Ele dizia lhe amar, mas estava disposto a partir algumas horas antes dela enfrentar a própria morte numa arena, cercada de pessoas dispostas a lhe matar.

– Riven... por favor... eu estou muito cansado para discutir.

– Não estamos discutindo. Eu só... não consigo acreditar realmente que você vai me deixar nesse momento.

– Eu não vou te esperar mais. — Ele disse, virando-se para ela. — Chegou a hora de eu partir. Deixar esse lugar profano para trás. Demácia! Como odeio essa cidade! — Ele cuspiu pela janela. — Não fui feito para esse cárcere privado. Minha alma é livre.

– Eu iria com você... — Ela sussurrou. — Se prometesse que pararíamos com isso tudo. Só eu e você. Para longe de Demácia, Noxus, Ionia.... — Olhou-o nos olhos. — Eu seguiria você para um lugar distante. Sem dor, sem tristeza.

Ele balançou negativamente a cabeça.

– Eu não vou quebrar minha promessa. — Disse, inflexível, enquanto vestia suas roupas. — Vou achar o assassino d Hazhor. E matá-lo com minhas próprias mãos. E depois, quando eu provar minha inocência...

– Ai você me procura! — Riven deixou um sorriso escarnecedor se estampar em seu rosto, enquanto os olhos se enchiam de lágrimas. Sabia que era o fim. Só não conseguia acreditar naquilo.

– Desculpe a decepção... — Ele disse, terminando de se vestir.

Riven o olhou, dos pés da cabeça. Era incrível como ele era bonito. E mais incrível ainda era como se sentia, quando estava perto dela. A garota nunca fora do tipo sonhadora. Estava muito mais para guerreira. Jamais havia se apaixonado, antes de Yasuo, e duvidava que fosse voltar a se sentir daquele jeto, por quem quer que fosse.

– Yasuo... — Ela fungou, passando a mão nos olhos. — Boa sorte.

O rapaz se aproximou dela e lhe deu um abraço apertado. Riven não resistiu. Escondeu o rosto no pescoço dele e chorou. Chorou como uma criança.

– Não chora... não chora... — Ele pediu, sussurrando. — Vai da certo... para nós dois... E no fim... vai que conseguimos nos reencontrar? Ambos realizados?

A garota fungou, sem negar ou confirmar nada daquilo. Apenas queria que ele ficasse ali. Que lhe apoiasse. O amor de sua vida. O homem que havia escolhido. Riven sabia que aquilo estava acontecendo, mas não conseguia acreditar. Yasuo sentia o coração muito pesado.

Ainda assim, engolindo a dor, virou as costas e partiu, sem olhar para trás.

Notas finais
Reviews?