A Eternidade Pokemon
2 Enfurecido
Seu coração acelerava cada vez mais rápido a cada passo dado em direção à saída da cidade. Tinham acabado de alcançar a placa que decretava: “Seja bem-vindo à cidade de Raion” quando tomou coragem. Respirou fundo e voltou-se ao Alakazam, que voltava após ter cumprido a sua promessa de avisar a avó da menina:
–Alam, você não vai comigo na aventura....
Essas palavras o deixaram furioso. Eles se conheciam desde que ela tinha 10 anos! Ela o treinou esse tempo todo! Como agora ela diz que ele não iria participar? Que não podia ir junto?
–Alam...
–Eu vou junto.
–Para que?
–Te ajudar.
–Você não irá me obedecer....
Os dois respiravam cada vez mais fundo. Controlavam a sua vontade de chorar e gritar um com o outro.
–Claro que irei.
–Mentiroso.
Os objetos ao redor tremiam. Logo, levitavam e giravam em círculos. Ambos estavam de cabeça baixa, pararam de falar. O sol começou a surgir no horizonte, o vento rugia. Alam não aguentou, voltou seus olhos para Aria para gritar com ela quando percebeu: ela chorava ao ponto de não conseguir falar direito. Balbuciava alguma coisa, um pedido de desculpas. Os objetos caíram com rapidez ao chão. Ele nunca a tinha visto chorar daquela forma. De certa maneira, ele sentia-se mal; era tão difícil para ela quanto era para ele. Sem jeito, o Alakazam deu as costas para a treinadora.
–Vou estar no laboratório, caso precise de mim...
Não conseguiu terminar a frase, a treinadora o tinha abraçado forte.
–De...Des...Desculpa!- procurava dizer entre lágrimas. Alam procurou conforta-lhe fazendo um carinho no topo de sua cabeça.
–Calma...
–É que... que... eu ain...ainda não estou pronta para... para...
–Eu pedi calma, não pedi? Então, está tudo bem. Vou estar no laboratório esperando que você me chame.- Com isso dito, o alakazam saiu do abraço e voltou pelo mesmo caminho o qual tinha vindo. Aria o fitou, esperando naquele mesmo ponto, enxugando as suas lágrimas até perdê-lo de vista e partir para a sua própria aventura.
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Eram 6 da manhã. Já tinha andado um bom pedaço do caminho que levava de Raion até a cidade mais próxima: Daisu. Era uma cidade pequena, mas continuava sendo referência entre a população do continente, especialmente Raion pois lá havia o Coliseu, onde ocorre a Liga Pokémon; alguns de seus ilustres moradores eram os Campeões e a elite 4. O edifício é monumental: ocupava a região central da cidade inteira. Ou pelo menos, foi o que Aria tinha ouvido. Sempre que algum de seus colegas voltava de lá, não parava de dizer maravilhas e histórias. Quando era pequena, o seu sonho era visitar o local, mas a frágil saúde de sua avó nunca ajudou. Parou por um instante, ela pensava em seu irmão, na sua avó, em Leo e no Alam.
–Será... será que eu fiz a coisa certa?- se perguntava. Levou a mão ao bolso direito de sua bermuda, segurou a pokébola de Flame logo abaixo de seu nariz. A pokémon a olhava enquanto a treinadora respirava fundo. Fechou os olhos por um instante. Suspirou, não conseguia responder a sua própria pergunta. Sentou-se no chão, apoiando a cabeça por baixo, seus braços sobre as pernas ao mesmo tempo que segurava a pokébola.
–E agora? O que eu faço? Eu devia seguir estrada mas.... ARGNN!!!! NÃO.CONSIGO.DEIXAR.ESSA.PREOCUPAÇÃO.DE.LADO! UGNNNNN!!!- Ela liberou Flame de sua “casa”.- O QUE EU FAÇO?????- perguntou para o pokémon. A charmander pensou, olhou para o lado e apontou para uma pequena moita.
–Tá, uma moita. E o que nós fazemos?- retrucou a treinadora. Elas se encararam durante um tempo, Flame demonstrava insatisfação e raiva enquanto Aria não estava entendendo. A atenção de ambas mudou de foco quando da grama apareceu uma mankey. Esta estava muito machucada mas incrivelmente conseguia andar. Logo atrás dela, um enorme primeape enfurecido. Ele a agarrou, jogou-a no chão e começou a socá-la. Ela procurava de defender da melhor forma possível mas não conseguia; desmaiou depois do décimo soco.
–Flame, use scratch no primeape! Vamos chamar a atenção dele para tira-la de lá!- Ordenou a treinadora. A fêmea de lagarto logo se pôs a obedecer e atacou o pokémon lutador. O golpe foi diretamente no olho direito deste, a dor o fez largar a lutadora e partir em um estado de raiva desenfreada para cima da charmander. Enquanto Aria ia resgatar a mankey, Flame procurava desviar e atacar o oponente.
–Continue Flame! Você está indo bem!- Disse incentivando. Com a pokémon desacordado em mãos, pensava no que seria melhor fazer.- Eu devo capturar ela? Usar uma poção e deixá-la fugir? Meu Arceus, o que eu faço?- Resolveu restaurar sua saúde, já que os machucados se mostraram muito piores do que o esperado. Pegou o liquido de dentro da bolsa e espirrou-o na pokémon. Sentindo-se melhor, esta recobrou a consciência. Como se ainda estivesse sendo atacada, a mankey começou a gritar desesperada, chamando a atenção do primeape, que largou a sua caçada à charmander e foi correndo atacar a treinadora e o seu alvo original. Instintivamente, Aria curvou seu corpo para proteger o pokémon ferido e esperava o ataque. Ouvia os urros enfurecidos vindo em sua direção, os passos de sua parceira junto que algumas palavras.
–Oberon, intercepte o ataque!- Alguém ordenou. Um grande Serperior apareceu e se pôs entre os dois, recebendo o golpe como se fosse nada. Com a cauda, bateu em seu agressor, mandando-o para longe. Ferido, este último fugiu mata a dentro. Flame, ainda preocupada, foi ajudar sua treinadora, que tremia e chorava junto com a pokémon lutador.
–Ei, você está bem?- Perguntou o desconhecido, se aproximando. A gigante cobra de grama tambem tentou chegar perto mas a charmander não deixou, silvando para ele de forma agressiva. Assim que Aria levantou os olhos, deu de cara com um rapaz, uns dois anos mais velho que ela. Este sorria calmamente enquanto tirava uma mecha de cabelo da frente do rosto da jovem enquanto o encarava.
–Então, qual é o seu nome?- Perguntou.
–Aria. Obrigada pelo o que você fez, achei que eu e ela iriamos morrer.
–Não há de que.- respondeu sorrindo ainda mais.- Tenho um acampamento montado a alguns metros daqui, gostaria de ir para lá para vocês descansem?
Aria aceitou sua proposta e o seguiu até o acampamento, com a charmander, desconfiada, andando ao seu lado e a mankey, já mais calma, em seu colo.
–E você? Qual é o seu nome?- Perguntou.
–Pode me chamar de Ink se quiser.
–Ink?
–É que eu não gosto muito do meu nome então insisto para que me chamem pelo apelido.
–Ah!
Quando chegaram, foram recebidos por um golem e uma gothitelle.
–Sven, Sophia. Peguem os medicamentos.- Os dois obedeceram prontamente seu treinador. A pokémon psiquica foi em direção a jovem e lhe entregou um frasco de remédio enquanto o outro tinha trabalho com a fêmea de fogo. Flame não deixava o golem chegar perto, procurando atacá-lo toda vez que este se movia.
–Flame, chega de ser teimosa e deixe eles te ajudarem!- ordenou a moça ao mesmo tempo que espirrava o liquido curativo na fêmea de lutador. Obedeceu, mesmo que a contragosto. Chegou a silvar uma vez ou outra para o pokémon de pedra mas nada muito ameaçador, estava cansada demais pra voltar a fazer alguma coisa. Depois do tratamento, voltou ao lado de sua treinadora e pediu para voltar para a pokébola. Enquanto Aria procurava em sua bolsa, a charmander deu uma olhada em volta: os pokémons de Ink pareciam muito bem treinados, e este não parecia ameaçador; na pior das hipóteses, ela podia sair de seu cantinho ao forçar a tranca.
–Ai,ai. Cadê?- Resmungava. O rapaz apenas ria suavemente da cena, a pokémon de fogo não gostou muito da reação eu voltou-se ao outro treinador com uma expressão de dar medo. Ele continuou a rir e foi mexer em seu bolso.
–É isso que você está procurando, não é? Estava no chão, eu recolhi durante o ataque.- E jogou o objeto para a moça. Enquanto colocava a sua parceira para descansar, olhou para a pokémon selvagem. Esta estava “pendurada” na barra de sua bermuda, encarando-a com seus olhos castanhos.
–Acho que ela gostaria de ir com você.
–Hãn?- perguntou, distraida.
–Ela...Eu acho que ela quer te agradecer pelo que fez sendo a sua pokémon agora.
Aria olhou para o rapaz, depois olhou para a mankey, em um completo silêncio. Tomando coragem, perguntou para a lutadora:
–Você gostaria de participar da minha jornada?- A pokémon escondeu seu rosto, envergonhada. Olhou para Ink e depois para a treinadora. Respondeu da melhor maneira que pôde: abraçou a moça, falando em sua própria língua. Esta começou a sorrir novamente, seus olhos vermelhos brilhavam de uma forma única, o que impressionou o moço. Aria foi procurar uma pokébola vaga em sua bolsa para a mankey, quando reparou que Ink a encarava.
–O...O que foi?
–Hãn?
–Nada. Só estou reparando como você se parece com um amigo meu no inicio da jornada dele...
–Sério? O que aconteceu com ele?
–Virou campeão do continente onde vive.
Seu rosto se iluminou ao ouvir aquilo. Ele não sabia se era possível ela sorrir mais, mas ela conseguiu. O rapaz até sentiu um fraco rubor em seu rosto.
–Obrigada por ter nos salvado do primeape. -Disse Aria,tirando Ink de seu transe. Esboçando um largo sorriso, este respondeu:
–De nada.
Notas finais
COMO EU QUERO SER UMA ESCRITORA ASSIM?
Bem, esse cap ainda pode sofrer alguma alteração aqui e acolá mas acho que no geral ficou bom. ^^
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