A Essência do Amor

21 Uma linda surpresa


Dois anos haviam transformado a Lâfrer & Jones em um nome que evocava não apenas luxo, mas alma e integridade. Elara, agora uma figura pública prestigiada, era o rosto de uma nova geração de empresárias: firme nas negociações, mas com um jeito meigo e genuíno que desarmava até os investidores mais agressivos. Ela não precisava mais de armaduras de gelo; sua competência e sua história eram sua maior força.

​Após uma maratona de dois meses em conferências e inaugurações de filiais pela Europa e Ásia, a saudade entre ela e Richard havia atingido o limite.

​Naquela noite, Richard estava na sala da cobertura, olhando para as luzes de São Paulo, quando o celular vibrou. Era uma chamada de vídeo de Elara.

​— Richard? — a voz dela soou doce, com um brilho diferente no olhar. — Eu tenho uma surpresa para você. Mas preciso que você faça uma coisa. Fique no meio da sala e feche os olhos. Agora.

​Richard riu, achando que era algum jogo romântico à distância.

​— Elara, eu sinto sua falta, não quero fechar os olhos, quero te ver.

​— Por favor, confia em mim. Fecha os olhos e não abra até eu mandar.

​Ele obedeceu, sentindo o coração acelerar. O silêncio do apartamento foi quebrado pelo som suave da porta de entrada se abrindo. Ele ouviu o clique dos saltos dela no chão, mas permaneceu imóvel, com um sorriso intrigado no rosto. O perfume de Elise — que ela agora usava como sua marca registrada — inundou o ambiente, aproximando-se dele.

​Elara parou bem na frente dele. Ela estava radiante, com o rosto levemente mais arredondado e uma aura de paz que o deixou tonto mesmo de olhos fechados.

​— Pode abrir agora — sussurrou ela.

​Richard abriu os olhos e o fôlego lhe escapou. Elara estava ali, em carne e osso, mas havia algo diferente. Ela pegou a mão dele, com uma delicadeza infinita, e a guiou lentamente até repousar sobre o seu ventre.

​Sob o tecido do vestido de seda, Richard sentiu uma saliência firme e arredondada. Sua mão, acostumada a segurar frascos de cristal e relatórios de poder, tremeu ao sentir aquela curva nova e sagrada.

​— Eu estou de quatro meses, Richard — disse ela, com lágrimas de alegria transbordando. — Eu queria te contar pessoalmente. Nós vamos ter um bebê.

​Richard ficou estático por um segundo, os olhos arregalados, processando a magnitude daquelas palavras. O homem que um dia achou que morreria sozinho em um escritório de mármore agora sentia a vida pulsando sob a palma de sua mão.

​— Um bebê... — ele murmurou, a voz falhando completamente. — Nosso?

​— Nosso — confirmou ela, rindo entre as lágrimas. — O melhor projeto que já criamos juntos.

​Richard a puxou para um abraço que parecia querer fundir suas almas, beijando-lhe o rosto, a testa e, finalmente, ajoelhando-se para beijar o ventre dela com uma reverência que nunca dedicara a nada no mundo. Ele chorou de soluçar, uma liberação final de todos os anos de solidão, enquanto Elara acariciava seus cabelos.

​Naquela noite, o império de cosméticos parecia pequeno diante da imensidão daquela nova vida. Eles comemoraram com um jantar silencioso, trocando planos que não envolviam ações ou patentes, mas nomes, berços e o futuro. Richard sabia que, se Elise fora o perfume da memória, aquele filho seria a fragrância da esperança — o capítulo final de uma redenção que começara com uma briga no laboratório e terminara no milagre da família que ambos, um dia, julgaram nunca merecer.