A Essência do Amor 2 Eloise & Derick
8 Revelações
O clima no andar da presidência era tão gélido que parecia capaz de cristalizar as essências nos frascos. Marianne Lâfrer — ou simplesmente a mulher que Richard tentou apagar da memória — estava de pé diante da mesa do filho. Ela não pedia dinheiro, não pedia poder; seus olhos apenas buscavam um perdão que Richard não parecia disposto a fabricar.
— Eu já disse, Marianne — a voz de Richard era uma lâmina de aço. — O contrato de Derick está assinado. Sua vida financeira está resolvida. Não há mais nada a ser dito. Você fez sua escolha há quarenta anos.
— Eu não escolhi te deixar, Richard. Eu escolhi que você vivesse — ela sussurrou, a voz embargada. — Olhe para este império... eu sabia que você chegaria aqui.
— Você me deixou no escuro para que eu pudesse ver a luz? — Richard soltou uma risada amarga. — Saia, por favor. Eu tenho uma empresa para gerir.
Ele não percebeu que a porta lateral estava entreaberta. Eloise, que vinha trazer os relatórios de custos da Linha Aurora, estava paralisada no corredor. O que ela ouviu não foram apenas palavras, foram as peças do quebra-cabeça de sua vida se encaixando com um estalo violento. Derick não era um estranho. Derick era... seu tio.
Ignorando o protocolo, Eloise empurrou a porta e entrou na sala. Richard levantou-se, surpreso pela interrupção, mas antes que pudesse dar uma ordem, viu o rosto da filha. Eloise não estava brava. Seus olhos castanhos, tão parecidos com os de Elara, brilhavam com uma compreensão profunda.
Ela caminhou direto até Marianne, ignorando a tensão do pai.
— Então é por isso que o jardim dele é tão especial — disse Eloise, com um sorriso doce e triste ao mesmo tempo. — O talento não veio do nada. Veio de você.
Marianne olhou para a jovem loira à sua frente. Viu nela a elegância de Richard, mas uma doçura que o filho nunca se permitiu ter.
— Você deve ser a Eloise — Marianne murmurou, as mãos trêmulas subindo ao rosto. — Você é... linda.
Richard bateu a mão na mesa, a paciência se esgotando.
— Eloise, saia agora. Este assunto não lhe diz respeito.
— Diz respeito a mim sim, pai! — ela rebateu, virando-se para ele com uma firmeza que o fez recuar um passo. — Você passou a vida me ensinando que a Lâfrer & Jones é sobre legado e raízes. Como você pode ignorar a sua própria raiz?
Eloise voltou-se para Marianne e segurou suas mãos. Eram mãos calejadas, quentes, reais.
— Eu escutei tudo, pai. E eu não vou deixar que você cometa o mesmo erro de se isolar de novo.
Richard sentiu o impacto. Ele olhou para a filha, depois para a mãe. O silêncio durou uma eternidade. O orgulho dele estava lutando contra a verdade nua e crua que Eloise acabara de escancarar.
— Richard... — Elara apareceu na porta, tendo seguido a filha. Ela colocou a mão no ombro do marido, o toque suave que sempre o trazia de volta. — Deixe o gelo derreter. Pela Eloise. Pelo Derick. Por você.
Richard suspirou, o peso de décadas de mágoa parecendo curvar seus ombros pela primeira vez. Ele olhou para Eloise, que ainda segurava as mãos de Marianne.
— Eloise... — Richard começou, a voz rouca, finalmente cedendo. — Esta é Marianne. Sua... sua avó.
O título soou estranho na boca dele, mas ao pronunciá-lo, algo na sala mudou. Marianne soluçou, abraçando Eloise, enquanto Richard desviava o olhar, tentando esconder a primeira lágrima que escapava.
O segredo estava fora do frasco. Agora, o império teria que aprender a lidar com uma fragrância que não estava nos planos: a da família reencontrada.
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