A Essência do Amor 2 Eloise & Derick
15 A Fragrância do Sacrifício
A atmosfera na mansão Lâfrer, que deveria ser de celebração pós-casamento, tornou-se densa e sufocante. O segredo que Eloise tentou enterrar em Nova York acabara de explodir nos corredores de mármore, derrubando a última fachada de perfeição da família.
No escritório de carvalho, Elara fechou a porta com força. Richard estava de pé junto à janela, segurando um copo de uísque, mas não bebia. Ele parecia uma estátua de gelo prestes a rachar.
— Richard, eu estive com ela. Ela vai para Nova York. Ela não aguenta mais, ela o ama de uma forma que está destruindo a alma dela — Elara desabafou, a voz trêmula.
Richard suspirou, um som pesado e cansado.
— Você acha que eu não notei, Elara? Eu sou o pai dela. Eu vi como os olhos dela brilhavam na estufa... e vi como o Derick olhava para ela antes daquela revelação no jardim da Marianne. O Derick também a amava, Elara. Ele se casou com a Suzana para tentar se curar, para tentar ser o "irmão correto" que eu esperava que ele fosse. Ele escolheu a moral em vez do sangue, mas o sentimento... esse não se apaga com um contrato de casamento.
O que eles não sabiam é que Suzana estava parada no corredor, com a mão na maçaneta, prestes a entrar para agradecer pela festa. As palavras de Richard entraram nela como estilhaços de vidro. Ela não era a "alma gêmea" do prodígio botânico; ela era o anteparo, a cura paliativa para um amor proibido.
Sem bater, Suzana empurrou a porta. O rosto estava pálido, mas os olhos brilhavam com uma fúria ferida. Ela não disse nada a Richard ou Elara; apenas atravessou o corredor em direção à ala onde Derick estava desfazendo as malas da lua de mel.
O Confronto no Quarto
Ela entrou no quarto e bateu a porta com tanta força que um dos frascos de ensaio de Derick caiu e quebrou, espalhando um cheiro doce de jasmim pelo ar.
— Então eu sou o seu plano B, Derick? — Suzana disparou, a voz cortante. — Eu sou a "doutora conveniente" que você usou para fugir do que sente pela sua sobrinha?
Derick virou-se, paralisado.
— Suzana, do que você está falando? Eu te amo, nós acabamos de casar...
— Não minta para mim! — ela gritou, as lágrimas de humilhação escorrendo. — Eu ouvi o Richard. Eu ouvi sobre o "amor de tio" que você tentou sufocar comigo. Eu não fui feita para ser substituta de ninguém, muito menos da herdeira Jones! Eu deveria ir embora agora mesmo, sumir da vida de vocês e desse império de mentiras!
Derick deu um passo à frente, mas ela recuou, encostando-se na parede. O silêncio que se seguiu foi quebrado pelo soluço dela.
— Eu sairia por aquela porta agora... se eu pudesse — Suzana sussurrou, a voz subitamente fraca, levando a mão ao ventre ainda plano. — Mas eu não posso. Eu estou grávida, Derick.
Derick estacou. O mundo pareceu parar. O homem que sonhava em criar vida através das plantas agora via a vida real cobrando o preço de suas escolhas.
— Grávida? — ele murmurou, o coração em frangalhos.
— Sim. Um filho seu. Um Lâfrer. — Suzana limpou o rosto com as costas da mão, recuperando uma dignidade amarga. — Eu vou ficar. Vou ser a esposa perfeita diante das câmeras e da sua mãe, Marianne. Mas saiba de uma coisa: a partir de hoje, você vai viver com o peso de saber que o nosso filho é fruto de um refúgio, não de uma verdade. E a Eloise... ela pode ir para Nova York, mas ela sempre estará entre nós dois, como o cheiro desse perfume quebrado no chão.
Derick sentou-se na beira da cama, escondendo o rosto nas mãos. A "Essência do Amor" havia se tornado um veneno complexo. Ele tinha o irmão de volta, tinha um filho a caminho, mas perdera a única pessoa que falava a língua da sua alma.
Fale com o autor