A Esposa Perfeita

1 A garota que precisava sobreviver


Notas iniciais
Oi, meus amores! 💍✨ Essa história faz parte do desafio “Operação: A Mentira Perfeita”, então vocês já podem esperar MUITO drama, segredos, tensão e um romance construído em cima de uma mentira que vai sair do controle… Essa é uma versão alternativa do universo de Crepúsculo, sem elementos sobrenaturais, focada em um cenário mais realista, com conflitos emocionais, familiares e empresariais. Aqui a gente tem: 👉 casamento por contrato 👉 convivência forçada 👉 rivalidade 👉 e um segredo que muda tudo Espero que vocês se envolvam, sofram, se apeguem… e principalmente: torçam pela mentira tanto quanto pelos personagens. Boa leitura !

A música era alta demais, grave demais, viva demais, e ainda assim, não conseguia abafar o cansaço que se acumulava nos ossos de Isabella Swan como um peso invisível, constante, impossível de ignorar. As luzes da boate piscavam em tons de azul e roxo, cortando o ambiente em flashes intermitentes que transformavam tudo em fragmentos: corpos dançando, risadas exageradas, copos sendo erguidos, mãos se tocando sem permissão. O cheiro de álcool barato misturado com perfume doce e suor pairava no ar, denso, quase sufocante. Era um lugar onde as pessoas iam para esquecer… mas Bella estava ali justamente porque não podia se dar ao luxo de esquecer.

Atrás do balcão, seus movimentos eram rápidos, precisos, quase automáticos. Garrafas sendo abertas, líquidos sendo misturados, gelo batendo contra o vidro, tudo feito com uma eficiência que vinha da repetição, da necessidade, da sobrevivência. Seus cabelos castanhos, presos de forma descuidada em um coque baixo, deixavam escapar alguns fios soltos que grudavam em sua pele devido ao calor. Os olhos, de um castanho profundo e cansado, observavam tudo ao redor com atenção constante, como se estivesse sempre esperando algo dar errado. E talvez estivesse.

Bella não era o tipo de pessoa que pertencia àquele ambiente. Havia algo nela, na forma como evitava olhares prolongados, na maneira como mantinha uma certa distância emocional mesmo quando sorria, que denunciava isso. Sua beleza não era gritante ou exagerada, mas havia uma delicadeza natural em seus traços, algo suave que contrastava com a dureza da vida que levava. E naquela noite, como em tantas outras, ela estava ali apenas por um motivo: precisava de dinheiro.

Muito dinheiro.

— Bella, você tá viva aí ou já morreu em pé? — a voz de Rosalie surgiu ao seu lado, carregada de um sarcasmo leve, quase carinhoso, enquanto se apoiava no balcão com um sorriso de canto.

Rosalie era o oposto de Bella em quase tudo. Seus cabelos loiros, longos e perfeitamente alinhados, refletiam as luzes da boate como fios de ouro líquido. Seus olhos eram frios, avaliadores, mas havia um brilho protetor ali quando se tratava de Bella. Seu corpo era esculpido com confiança, cada movimento calculado, cada expressão carregada de intenção. Ela sabia exatamente o efeito que causava nas pessoas, e usava isso sem culpa.

Bella soltou um pequeno suspiro, terminando de preparar uma bebida antes de responder.

— Ainda tô aqui… infelizmente — disse, com um meio sorriso cansado, deslizando o copo pelo balcão para um cliente que mal a olhou ao pegar.

Rosalie observou a amiga por um momento mais longo do que o habitual, inclinando levemente a cabeça, como se estivesse tentando enxergar além da superfície.

— Você dormiu alguma coisa hoje?

Bella hesitou. Um segundo. Dois.

— Dormir é superestimado — respondeu, tentando soar leve, mas sua voz carregava uma fadiga que não podia ser escondida completamente.

Rosalie estreitou os olhos, cruzando os braços.

— Bella…

— Eu tô bem, Rosie — interrompeu rapidamente, já sabendo o que viria a seguir — É só… uma fase.

Mas não era uma fase. Rosalie sabia disso. Bella sabia disso. E o silêncio que se instalou entre as duas por um breve momento dizia mais do que qualquer palavra poderia dizer.

Porque havia algo mais ali, algo que Bella não falava e que a estava consumindo aos poucos.

Do outro lado da cidade, longe das luzes pulsantes da boate, o ambiente era outro completamente diferente.

Silencioso.

Controlado.

Frio.

O escritório de Edward Cullen era amplo, moderno e impecavelmente organizado. As paredes de vidro ofereciam uma vista privilegiada da cidade, iluminada pela noite, enquanto a mesa de madeira escura permanecia quase intocável, com apenas alguns documentos cuidadosamente alinhados sobre ela. Tudo naquele espaço refletia ordem, disciplina e poder.

Assim como ele.

Edward estava de pé, próximo à janela, com uma das mãos apoiada no bolso da calça social e a outra segurando um copo de whisky que ele não havia tocado desde que serviu. Seus cabelos de um tom castanho acobreado estavam levemente desalinhados, como se ele tivesse passado a mão por eles várias vezes, um raro sinal de inquietação. Seus olhos verdes, intensos e calculistas, observavam a cidade abaixo, mas não estavam realmente vendo nada.

Ele estava pensando.

E pensar, para Edward Cullen, nunca era algo simples.

— Você não pode continuar ignorando isso — a voz de Emmett McCartney rompeu o silêncio com uma naturalidade quase irritante, como se estivesse completamente confortável em um ambiente que claramente não lhe pertencia tanto quanto pertencia a Edward.

Sentado de forma relaxada em uma das poltronas, Emmett contrastava completamente com a rigidez do amigo. Alto, de porte forte, com um sorriso fácil e um olhar sempre atento, ele tinha uma presença que preenchia qualquer espaço sem esforço. Seus olhos eram vivos, inteligentes, e perigosamente perceptivos.

Edward não se virou.

— Eu não estou ignorando — respondeu, sua voz baixa, controlada — Eu estou avaliando.

Emmett soltou uma risada curta.

— Avaliando? — repetiu, inclinando-se para frente, apoiando os cotovelos nos joelhos — O conselho já está avaliando você, Edward. E não é com a mesma paciência.

Silêncio.

Pesado.

— Seu histórico recente não ajuda — continuou Emmett, mais sério agora — E o Jasper tá só esperando você cometer mais um erro pra passar na sua frente.

O nome foi o suficiente para tensionar o ar.

Edward virou-se lentamente, seus olhos encontrando os de Emmett com uma intensidade que fazia qualquer outra pessoa recuar.

— Jasper não vai assumir nada que é meu.

— Então começa a agir como alguém que merece o cargo — retrucou Emmett, sem recuar, sem medo — Porque, no momento, você não parece alguém confiável o suficiente aos olhos deles.

Aquelas palavras não eram novas. Edward já as havia ouvido antes, em reuniões, em olhares, em silêncios carregados. Mas ouvi-las de Emmett… era diferente. Porque Emmett não mentia para ele.

Nunca.

Edward passou a mão pelos cabelos, respirando fundo, como se estivesse tentando conter algo maior dentro de si.

— E qual é a sua solução? — perguntou, finalmente, com um tom que misturava irritação e curiosidade — Porque eu imagino que você não veio até aqui só pra repetir o óbvio.

Emmett sorriu lentamente, como alguém que já tinha pensado em tudo.

— Na verdade… eu vim exatamente pra resolver o seu problema.

Edward arqueou levemente uma sobrancelha, cruzando os braços.

— Isso deve ser interessante.

Emmett se levantou, caminhando pelo escritório com passos tranquilos, quase despreocupados, mas havia intenção em cada movimento.

— Você precisa de estabilidade — começou — Precisa parecer… sólido. Confiável. Previsível.

Edward observava em silêncio.

— E, sinceramente? — continuou Emmett, parando diante dele — Nada grita mais “estabilidade” do que um homem casado.

O silêncio que se seguiu foi diferente.

Mais denso.

Mais perigoso.

Edward o encarou por alguns segundos, como se estivesse avaliando se aquilo era uma piada.

— Não — disse, seco.

Emmett soltou uma risada baixa.

— Você nem deixou eu terminar.

— Eu não preciso — retrucou Edward — Isso não é uma solução.

— Não? — Emmett inclinou levemente a cabeça — Porque, do ponto de vista deles, é perfeita.

Edward desviou o olhar por um breve instante, pensativo.

— E quem, exatamente, você sugere que eu… encontre? — perguntou, com um leve sarcasmo — Uma candidata perfeita tirada de onde?

Foi então que o sorriso de Emmett mudou.

Ficou mais sutil.

Mais calculado.

— Eu já encontrei — disse, simplesmente.

E naquele momento, sem que Edward soubesse…em algum lugar da cidade, Bella Swan continuava servindo drinks, sem imaginar que sua vida estava prestes a mudar de uma forma irreversível.

Porque, às vezes…a mentira perfeita não começa com uma escolha. Ela começa com a necessidade e Bella precisava sobreviver.

Notas finais
E aí… vocês já estão confiando nessa solução do Emmett? 😏 Quero MUITO saber o que vocês estão achando, teorias, surtos, tudo! Porque essa história… só está começando. Não esqueçam de comentar e favoritar, isso ajuda MUITO no desafio 🖤✨ Até o próximo capítulo… (e cuidado com as mentiras 👀)