– Até que enfim te achei Bens- Vozes obsorveram por completo seus pensamentos, se infiltrando por sua mente.- Achei que sua mãe lhe esconderia melhor, garotinho.
Aquelas vozes pareciam querer explodir seu cérebro, sua cabeça pulsava como se fosse uma bomba prestes a estourar tudo. Suas mãos apertavam-na como se tentasse amenizar a dor angustiante.
– Achei que fosse forte, Bens- sua voz perfurou sua mente como uma adaga em brasa- Mas é claro que Laura não lhe enfiaria no mundo dela.
A cada vez que uma sílaba era proferida era como se uma escuridão o engolisse cada vez mais.
– WILLIAN- Uma voz distante soou.- WILLIAN.
O garoto levantou os olhos, com a visão turva, pode ver uma silhueta humana, muito grande, arrombar a janela, ainda inteira, e a mesma se estilhaçar no chão em chamas.
–Perles- Rugiu a voz, e Willian caiu de joelhos no chão com gritos agoniantes.
A silhueta enorme pareceu paralisar aos olhos de Willian, a única coisa que se destacava na escuridão eram seus olhos amarelos intensos, como o sol.
Um gesto brusco e devastador da criatura que torturava Willian uma explosão vermelha atingiu o peito da enorme sombra. Um grito se engasgou na garganta de Willian, os olhos começavam a lacrimejar.
A criatura se virou para Willian novamente, agora levando consigo um sorriso repleto de maldade, seus caninos afiados pareceram se destacar entre o outros, os olhos faíscantes.
Willian suava frio, não conseguia desviar dos olhos torturantes e hipnotizantes da criatura maligna a sua frente. A luz das chamas iluminavam seu corpo coberto por pelos arrepiados e sujos de sangue, seu rosto... Era.... Um LOBO?
Nem deu tempo de concluir seus pensamentos e uma madeira em chamas atingiu a cabeça do lobo o fazendo cambalear para o lado mas quando seu corpo tocou as chamas ele se esvaiu em uma fumaça roxeada que se apoderou por todo local apagando as chamas brutalmente. Os olhos de Willian já não enxergavam mais nada.
– Willian.Willian....WILLIAN.
A voz ja estava distante, assim como um ponto de luz ao fundo de uma imensa escuridão. Os olhos do garoto captaram um unico vulto escuro antes de se fechar pesadamente.

A janela aberta do quarto deixava os raios do sol de inverno iluminar o garoto esparramado na cama, ao lado de enormes aparelhos ruídosos, com fios que se conectavam a sua pele pálida. Os seus olhos estavam fechados em um sono profundo afogado em sonhos:
" Seus pés ja estavam doendo, tentava correr até um ponto luminoso no fim da imensa escuridão que se encontrava, porém a mesma parecia nunca chegar, sempre se afastando como se estivesse enganando o garoto. Tentou correr outra denovo mais a luz já não estava mais lá.
Bateu o pé em frustração.
– MAIS QUE MERDA.- Gritou, pode ver o eco de sua voz iluminar o caminho que havia percorrido, como uma fumaça luminosa.
Um estalo lhe chamou atenção, quando se virou: lá estava ela, brilhante, hipnotzante e ...a um passo dele. Quando se livrou da distancia entre eles sentiu a luz lhe engolir sem pudor algum"
O som de sua respiração pesada encheu o quarto. Seus olhos assustados fitavam a luz que teimava em piscar a cada segundo, o barulho chato do ventilador se juntava ao toque calmo da melodia que soava leve no quarto.
Suas mãos se fecharam em volta do pano fino do lençol mas parou o ato quando percebeu dois olhos grandes e alaranjados o fitarem curiosamente, seu grito estridente soou por todo o quarto fazendo a criatura gritar junto.
– O que...!!??
Seu rosto se contorceu em Espanto e admiração enquanto observava a pequena criatura se aproximar. Seus pezinhos cobertos por uma bota aborrotada marrom, como a de arqueiros medievais,obtinham passos apreenssivos, sua pele era um verde musgo e que combinavam com seu cabelo branco espetado para todos os lados. Um elfo. Já tinho lido algo sobre eles nos livros antigos da escola.
– Desculpe, senhor Bens- A vozinha alegre e elétrica juntou-se com sua reverencia, como se comprimentasse um rei super renomado.- Não foi minha intensão assusta-lo.
– Vo...cê é u-um...?- A pergunta se perdeu, como se uma lufada de vento a tivesse levado para longe.
– Um elfo, senhor- Sorriu, mostrando seus dentes alinhados e incrivelmente brancos- Sou o vice-presidente da tribo de elfos da colina Sul e estou encarregado ensinar-lhe sobre tudo e todos.
O garoto abriu e fechou a boca várias vezes, mas não emitiu som algum.
– Senhor?
– Onde estou?- Foi a única pergunta que lhe veio a mente em meio as outras que pareciam estar em uma briga sem fim.
O pequeno elfo pareceu relaxar, como se esperasse uma pergunta mais dificil.
– O senhor esta na "Academia de Magos da América Latina", mas é mais fácil abreviado, AMAL.
Foi como se um clarão tomasse conta da mente de Willian, deixando de lado todas as perguntas não feitas, todas suas preocupações.
– Magos? não, não pode ser- Negou incrédulo- eu não sou um mago, vocês se enganaram.
O elfo pareceu não acreditar nas palavras do garotos espantado em sua frente, como se ele tivesse batido a cabeça em algum lugar antes de chegar ali.
– É filho de Laura Amy Bens, certo?
– É...
– Então você é um mago, senhor- Sorriu largamente com seus grandes olhos laranjas brilhando.
A cabeça de Willian girava, parecia que estava sonhando, um sonho lúcido e um tanto quanto estranho.
– O que minha mãe tem haver com isso?- Estava começando a raciocinar direito com as perguntas vindo a tona, como foguetes em alta velocidade.
– Não sou eu quem vai lhe responder, senhor- Balançou seu dedinho verde, o mandando segui-lo- Tenho coisas a mostrar-lhe, a nossa carona está passando.
Willian fazia um tremendo esforço para segui-lo, apesar de seu pequeno, ele até que andava rápido demais para seus pézinhos do tamanho de bloco de notas. Ele parecia saber direitinho por onde andar, com postura de um soldado bem treinado.
O garoto admirava cada detalhe dos corredores por onde andava, as paredes pretas que eram perseguidas por uma litra azul neon, o chão espelhado com vidro preto, era como estar a vários anos á frente.
– Eu...Ainda não sei seu nome- Expôs o garoto.
– Pode me chamar de Bill, senhor- O elfo respondeu virando seus grandes olhos brilhosos para o garoto ao seu lado, que ainda se esforçava para alcançar os pezinhos rápidos de Bill.
– Bill!!- exclamou surpreso- O mesmo nome do duende do livro "Salve a Vida".
O elfo pareceu se incomodar com a afirmação de Willian, e aumentou seus passos deixando o garoto Sorrindo para trás.
– O que foi?- Sua mão alcançou o ombro fino do elfo, e pode ver seus olhos lacrimejantes sendo refletidos no vidro do chão.-Eu... Eu falei algo errado, descul...
– Não, não foi nada- Começou a limpar desesperadamente as lágrimas cristalinas que caiam pelo seu rosto sem permissão.- é só que aqui, os duendes não são muito amigáveis, ah deixa pra lá... Bom chegamos.
Estendeu seus longos dedos da mão até um painel pequeno, azul turquesa, e uma linha holográfica pareceu estudar sua pequena mão ligeiramante. Um rangido estrondoso de engrenagem cortou com brutalidade o silêncio do corredor, e a grande porta de bronze, de desenhos de batalhas esculpidos perfeitamente, se abriu lentamente revelando uma tempestade assustadora.
– Droga!!- Exclamou o elfo com irritação.
Willian se agachou para ficar da altura exata do pequeno ser verde:
– Para onde a gente vai, Bill?
O elfo logo levantou sua mãozinha na altura dos olhos do garoto, em pedido para que se calasse, e olhava fixamente para as grandes gotas que batiam e se desformavam nos grossos galhos das árvores, estas que não estavam cobertas pelas nuvens baixas.
– Onde estamos??- Perguntou, exasperado, ja imaginando a resposta.
– No Monte das duas caras- Respondeu sem olhar para Willian.
Em menos de um segundo o rosto de Bill se iluminou em um sorriso largo e agarrou a mão de Willian.
– Nossa carona chegou!- Falou em tom alto, quase sendo abafado pelo barulho da chuva.
Willian apertou os olhos, na esperança de enxergar algo no meio de tantas neblina.
– Eu não estou vendo!
– Calma!- Bill gritou e em segundos depois apontou, eufórico, para um ponto distante- Ali!!! Vem, ele só fica um minuto em cada ponto.
Os olhos de Wilian bateram exatamente onde Bill apontava e logo a frente o que, aparentemente, parecia ser um micro-ônibus laranja. Sentiu um puxão em sua mão e logo o automóvel foi se aproximando cada vez mais e ganhando forma em meio as árvores e os pingos grossos da chuva que faziam um barulho estrondoso na lataria laranja.
– O que é isso?- Gritou Willian desviando de várias arvores que surgiam de repente da neblina.
– É um micro-flash- A voz de Bill soou mais a frente.- Quando entrarmos você verá porque.
Um ronco alto de motor cortou o barulho da chuva e Bill o puxou para andar mais rápido. Logo quando chegaram ao micro-flash a visão voltou ao normal, era como se uma cúpula de vidro o cercasse não deixando nem a chuva e nem a neblina atingissem a lataria laranja de detalhes pratas brilhantes.
– Bill!?- Um outro elfo, mais alto e enrrugado, apareceu no vidro da porta sorrindo.- O que faz por esses terrenos? Não é mais seguro, babaca.
– Bom dia pra você também Réthn- Bill respondeu com irritação visível na voz- Abra logo essa porta.
– OK, irritadinho,- Pressionou um botão verde ao lado da porta e a mesma se abriu rapidamente.- Só não suje o chão, ninguém merece ficar ouvindo Querrin falando no nosso ouvido.
Bill logo puxou o garoto para dentro do micro-flash. Willian logo teve que abaixar a cabeça para evitar bate-la no teto do pequeno corredorzinho de veludo vermelho que levava a uma porta maior de mármore reluzente e, quando essa foi aberta, Willian teve que reprimir um berro surpreso e Bill puxou a manga de sua blusa.
– Eles podem ser bastante intimidadores, mas são gente boa- Sussurou- Olá sra. Yansei.
Uma senhora de cabelos brancos brilhosos e olhos vermelhos intensos, com pele escamosa, deu um pequeno aceno sem emoção alguma. Porém, ela era a única "normal" ali.
– Bill?- murmurou apreensivo, enquanto todos os pares de olhos lhe encaravam com curiosidade- O que são eles? Onde a gente ta?
– Calma, senhor, venha aqui, irei lhe explicar- Bill apontou duas cadeiras vazias no fim do ônibus.
Willian, sem hesitar, paraticamente correu para as cadeiras apontadas, e pode sentir o peso de todos os olhos em cima de si. Quando se sentou na aconchegante poltrona sentiu Bill pular em cima da outra.
– Agora me explica, por favor- Balbuciou sem desprender os olhos da criatura que o observava mais a frente, parecia com fome.- Pra onde a gente ta indo?
– Para a Ilha de Gorvt- murmurou entusiasmado chamando a atenção de alguns passageiros.
– Uma ILHA??- Berrou assustado chamando atenção dos passageiros.
– Bill, quer fazer esse seu amigo humano calar a boca?- A voz grossa de um homem gordo e barbudo, era um...ciclope.
– Desculpe Edu- Olhou para Willian, que não tirava os olhos do ciclope- Olha, senhor, não é só uma ilha, normal, é um centro de treinamento e escola para Magos...
– Para- A confusão estava estampada em seus olhos- Quer dizer que todos aqui... São magos?
– Não, não- Apressou-se a negar vendo a confusão na cabeça do garoto- Eles fazem parte do Campeonato de MMA mágico, estão aqui em grupo, mas os magos ficam na Ilha de Gorvt para aperfeiçoar seus poderes.
– O que a gente aprende na AMAL?- Virou-se, com o entusiasmo transbordando de seus olhos.
– Mágica, o senhor vai adorar a AMAL, tem muita coisa a aprender sobre nosso elemento.
Bill sorriu e logo bateu sua pequena mão ta testa, bagunçando seu cabelo branco.
– Ah... Laura deixou algo para você, uma caixa engraçada, ninguém nunca ousou abri-la.- Informou sério.
– O que minha mãe tem haver com isso?- Seu semblante ficou sério de uma hora pra outra ao ouvir o nome de sua mãe- Lá na casa, quando ela foi incendiada, aquela criatura me disse algo sobre minha mãe, não me lembro muito, até aquela sombra de olhos amarelos me salvar.
Fez uma careta ao ter que lembrar de toda dor agoniante que sentira quando aquela voz soava estridente na sua cabeça.
– Laura Amy Bens- Sorriu, sonhador- Era uma mulher muito doce, guerreira, sempre lutou pela AMAL, já que o fundador foi seu ta-ta-ta-ta-tara-Vô Chen Bens, sua mãe era a rainha dos magos da AMAL, e muito respeitada no mundo todo, até...até se meter no meio de uma história, que ninguem conseguiu desvendar.
– Co-como ela foi morta?- Uma lágrima cristalizada rolou sobre seu rosto pálido, seus olhos viajavam nos do elfo, a procura de resposta.
– Ela tinha 1 mês depois que pegou aquele maldito livro, e não conseguiu cumprir um enigma- Soluçou- Ela pediu para cuidarmos de você 3 dias antes do acidente, foi por pouco que você não morreu, se não fosse o Marcelo...
– O QUE?- Gritou, nem ligou para os olhares assustados e irritados que lançaram-lhe.
– Isso mesmo, Willian, eu te salvei daquele acidente e daquela casa em chamas- A voz de dedém de Marcelo soou atrás do garoto.
Os olhos do garoto procuraram com fúria explícita o homem, e logo se chocaram fazendo o ar pesar.
– Oi, Willian.

Notas finais
comentem!! desculpa os erros, não revisei.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.