A Escolhida
7 Capítulo 6
Notas iniciais
–Bom dia, madame! –Tânya saudou da porta do quarto –Mandastes me chamar?
–Bom dia, querida! –Carmem pousou sua xícara no pires –Venha... Acompanhe-me em meu desjejum, sim? -Tânya, ainda trajada com sua camisola e seu penhoar vermelho, se dirigiu até a mesa e sentou-se. Serviu-se de uma xícara de chá e sorveu-o logo em seguida. –Preciso de um favor vosso. –pegou uma torrada e beliscou-a -O vosso protetor... Lorde Stwart ... Ele trabalha num ramo um tanto perigoso não é mesmo? –desviou o olhar para a sacada –Como é mesmo?... Hum... Tráfico de mulheres, isso mesmo. –deu um amável sorriso, diante da súbita palidez de Tânya –Não se preocupes querida –colocou a mão em seu braço -... Esse será o nosso segredinho.
–O que desejas de Mylorde, Madame?
Carmem terminou de tomar seu chá –Muito simples... Eu quero venderuma moça para o seu comércio... Por um preço digamos assim... Razoável. –fez uma pausa -Não é tão linda quanto à irmã, mas –espalmou a mão no ar -... É pura, intocada. Tenho certeza que ele terá um grande lucro vendendo-a.
Tânya arqueou uma sobrancelha –Essa moça é — um sorriso maldoso brotou em seus lábios pintados de carmim –... A loira forasteira?
Carmem limpou os lábios e levantou-se –Diga-o que estou aguardando sua visita ainda esta noite, para tratarmos disso.
–Angela –Bella limpou a garganta –Vós nascestes em aqui, em Sighisoara?
–Nascer aqui eu não nasci, Milayde –a criada respondeu, enquanto arrumava-lhe a mesa do café da manhã -... Porém, vim para cá ainda bebê com meus pais.
–Vossos pais?
–Sim... Eles morreram quando eu ainda era criança. Primeiro meu pai e logo em seguida minha mãe.
–Humm... Então tu conheces todos por aqui.
Angela deu um discreto sorriso –Sim, Milayde.
Bella sentou-se à mesa –Por um acaso tu conheces ou já vistes alguém –um leve rubor tingiu suas faces -... Algum... Lorde –“-Como é mesmo o sobrenome?” –... Hã -... Lorde Edward...
Angela, que colocava a jarra de suco na bandeja, levantou o rosto em direção à Bella e aspirou o ar com força –Conde Edward C-Cullen. –ofegou.
–Conde?! –Bella franziu a testa –Lorde Cullen é Conde? -“... — Isabella... Tu que sempre fostes o meu mais lindo sonho... Minha condessa...”. –então suas feições iluminaram-se –Tu tens razão –abriu um largo sorriso -... É ele mesmo... Conde Edward Cullen.
–Oh, Deus! -a bandeja que estava nas mãos de Angela caiu, estatelando-se no chão juntamente com a jarra de suco –Oh! –abaixou-se rapidamente –P-Pedoe-me, M-Milayde. -sussurrou, suas mãos tremiam ao juntar os cacos espalhados pelo assoalho de madeira.
–Angela –Bella abaixou-se também -... Tu conheces ou já escutaste falar sobre Conde Cullen? –esperou que a criada dissesse algo, porém a mesma não pronunciou nenhuma palavra. Seu nervosismo era visível, suas mãos tremiam descontroladamente, denunciando-a. Era óbvio que ela o conhecia –Onde o acho?... Por favor, me digas?
A criada parou o que estava fazendo e agarrou os pulsos de Bella –Não o procures, Milayde. –seus olhos negros estavam arregalados -Nunca –pegou a bandeja cheia de cacos e levantou-se -... Nunca. –completou, saindo rapidamente do quarto.
–Bom dia, Lorde MacCarthy!
–Bom dia, Madame! –Emmet beijou a mão estendida a sua frente –Como vós estás?
–Estava bem –os olhos passearam pelos lábios perfeitos do rapaz -... Agora estou ótima! –sorriu com os olhos agora presos em seu tórax desenvolvido –Hã... Queira sentar-se, Mylorde. –disse por fim, sentando-se no sofá à frente. -Então –colocou as mãos elegantemente sobre o colo -... A que devo a honra de vossa visita?
Emmet sorriu –Vim ter notícias de Milayde Swan.
Carmem arqueou uma sobrancelha –Bella?!
–Sim... Posso vê-la?
... –Não... Não sei. –uma das criadas respondeu aos cochichos –O que terá sábado, além –abriu um sorriso -... Do esperado?
–Um leilão, Melynda. –disse a outra, sem notar a chegada de Rosalie –E sabes quem será leiloada?
–Não acredito, Dianna –Melynda colocou a mão na boca, a fim de segurar um risinho -... A forasteira dos olhos azuis?
–Isso mesmo. Lady Isabella Swan –pronunciou o nome com um certo desdém -... Será leiloada pela sua pureza.
Um barulho de vidro se quebrando interrompeu a conversa e as duas olharam para trás –O que v-vós dissestes? –Rosalie perguntou num fio de voz, pálida como se fosse feita de cera.
–N-Nada. –assustadas, as duas criadas responderam juntas.
Com apenas três passadas, Rosalie agarrou Dianna pelo colarinho do vestido, sujeitando-a contra a parede –O que vós dissestes? –o sangue de sua mão machucada pelos cacos de vidro, maculou o avental branco da criada –O que vós dissestes, sua....
Emmet estava na janela totalmente absorto, quando um suave aroma de menta invadiu-lhe as narinas –Bom dia, Mylorde! –virou-se de imediato, deparando-se com Bella no pé da escada.
Aproximou-se e o odor tornou-se mais forte –Bom dia, Milayde! –sorriu e beijou-lhe a mão. -Vejo que tens grande facilidade de cicatrização –fitou-lhe por um tempo o corte já seco na testa -... Como passastes a noite?
–Bem... Muito bem, Mylorde. –apontou-lhe com a mão o sofá e sentou-se na poltrona -Eu tomei as gotas que Lorde Brandon receitou e –“-Me esperes, Formosa.”–Bella virou o rosto em direção à janela, em direção ao sussurro-... E...
Uma suave coceira surgiu em seu pescoço e os olhos perspicazes de Emmet acompanharam a trajetória de sua mão captando assim, dois quase que imperceptíveis furinhos em fase de cicatrização logo abaixo da maçã do rosto, entre a garganta e o ouvido. –“-Com certeza estão vinculados... Por isso o odor.” –constatou. –E? –perguntou.
Bella voltou a atenção –E? –franziu a testa, totalmente perdida –Perdoe-me, Mylorde... Sobre o que conversávamos?
Emmet sorriu –Queria apenas saber como passastes a noite Milayde, mas ao que tudo indica... Passastes muito bem, não é mesmo?
–Oh, sim... É certo que –olhou-o nos olhos e ruborizou-se ao lembrar do sonho que tivera –... A-As gotas tiveram efeito imediato e eu adormeci logo em seguida –disparou a falar -... Dormi a noite inteira como –parou para tomar fôlego -... Como um anjo.
–Bom, então –o rapaz levantou-se -... Devo-me ir.
–Agradeço a gentileza de vossa parte Mylorde, em vir me ver.
–Até mais –beijou-lhe a mão estendida para depois colocar o chapéu -... Milayde.
–Até mais.
–Sua o quê? –curiosos, os criados começavam a se apinhar para assistir a discussão que se seguia acalorada na cozinha. Dianna, sujeitada por Rosalie, tinha um sorriso nos lábios cheio de escárnio –Que eu e todo o restante dos criados saibam, tu não estás em melhor condição que nós. Tu não passas de uma criada e vossa irmã –soltou um risinho -... Vossa irmã será leiloada sim e depois... Só Deus o s...
A bofetada que recebeu no rosto, a fez calar de imediato e consequentemente perder o equilíbrio e cair sentada –Retire o que dissestes! –Rosalie gritou possessa –Retire o que dissestes!
–Hei... Hei! –a Sra. Lewis gritou, batendo palmas e abrindo caminho entre os criados. Parou no meio a uma rodinha, olhou a criada ainda sentada no chão e depois para Rosalie que tinha o semblante fechado –Mas que desordem é essa?
–Foi ela quem começou senhora. –Dianna apontou para Rosalie com os olhos arregalados –E-Eu apenas vos disse para não ultrapassar a porta de acesso e ela... E-Ela... Avançou-me.
–MENTIRAA! –Rosalie partiu para cima da criada –Diga a verdade, sua...
–Hei! –a governanta agarrou-a pelo braço –O que pensas em fazer?... Queres que eu chames a Madame para vos enxotar daqui?
–E-Ela –Rosalie gaguejou ofegante -... Ela –seus olhos começaram a arder -... É verdade que haverá um l-leilão –fez um bico -... E que o prêmio será m-minha irmã?
Sra. Lewis arqueou uma sobrancelha e um sorriso cínico brotou em seus lábios finos –Então é isso, criada? –fez uma pausa –O motivo dessa balbúrdia toda na minha cozinha é o prêmio do leilão.
–Oh! –as lágrimas começaram a rolar pelas faces avermelhadas de Rosalie –E-Então –colocou a mão na boca para abafar um soluço -... Então é verdade.
Rebecca apenas sacudiu a cabeça e sorriu.
Rosalie olhou a todos ali presentes e então soltando um soluço dolorido, correu porta afora.
Após ter se despedido de Bella, Emmet desceu os degraus da varanda e já estava alcançando o charafariz quando colidiu com alguém. Antes que a pessoa caísse, ele a segurou pelos braços –Oh! –a moça ofegou, fitando-o nos olhos -... P-Perdoe-me, Mylorde!
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