A Escolhida
10 Capítulo 10
Notas iniciais
Boa leitura!:)
Sighisoara — Transilvânia, 18/06/1.031
A lua crescente brilhava em todo o seu esplendor quando o choro estridente de um bebê ecoou por quase todo o castelo de Cullen, anunciando a chegada do herdeiro tão esperado. Conde Lantus Cullen levantou-se de seu banco, seguido por alguns familiares e amigos –Nasceu! –alguém gritou –Um viva ao herdeiro de Lantus –em seguida houve gritos de euforia e então formou-se uma pequena fila a frente dele, porque todos ali queriam parabenizá-lo.
–Senhor Conde? –a escrava chamou-lhe, mas devido ao intenso burburinho, ela não foi ouvida. Pigarreou –Senhor Conde? –pronunciou agora em tom mais alto e o puxou de leve pela manga da camisa.
Lantus virou-se para trás e seus olhos verdes fitaram a escrava –Raluca?!
–A senhora Condessa deseja vos vê-lo neste momento.
–Meus sinceros votos de felicidades com a chegada de vosso herdeiro varão, senhor Conde. –a parteira felicitou-o no corredor, assim que saiu dos aposentos da Condessa.
–Varão? -ele abriu um meio sorriso -Obrigado! –agradeceu, abrindo a porta do quarto – Maellim?!
–Ele nasceu Lantus -a voz de sua mulher soou frágil -Nosso pequeno Edward nasceu.
Os olhos sagazes do vampiro avermelharam-se de imediato e então ele fitou Cosmin na semi escuridão, a escrava humana sentada na cadeira de balanço ao lado. Ela segurava o bebê em um braço e o outro, mantinha o pulso aberto sobre a boquinha dele, alimentando-o. -E vós? Como estás?
–Sinto-me um tanto fraca.
Lantus aproximou-se rapidamente de Elizabeth, mordeu o próprio pulso e colocou-o nos lábios de sua fêmea –Bebas –beijou-lhe o topo da cabeça e fechou os olhos. As cores dos dermoglifos em seu pescoço variavam entre o cobre e o coral. Cores de intensa felicidade -... Bebas o quanto precisares, meu amor.
Nesse momento o burburinho das pessoas no térreo cessou para depois, gritos de pavor ecoarem por todo o castelo –O que foste isso? –Elizabeth desvencilhou os lábios do pulso do macho.
Lantus aproximou-se da porta, que foi escancarada por uma Raluca toda ensanguentada -Humanos, meu senhor! –gritou com voz sufocada. Tinha uma estaca fincada em seu peito -... Humanos armados! –completou, caindo nos braços dele.
Elizabeth deu um grito e levantou-se num salto juntamente com Cosmin –O bebê! –com suas presas arreganhadas, Lantus gritou-lhe enquanto colocava a fiel escrava, morta, no corredor –Escondam o bebê! –cerrou a porta do quarto. A escrava imediatamente saiu em disparada com o pequeno Edward nos braços em direção a uma falsa porta –Vós também Elizab... –a porta foi arrombada violentamente e uma estaca atravessada pelas costas de Lantus, na altura de seu coração.
–NÃAO! –antes que Elizabeth se aproximasse, o corpo do macho transformou-se em cinzas –Lantus, meu amor...
Ao tocar as cinzas com a mão esquerda, a diminuta marca em forma de uma estrela de cinco pontas que havia entre o polegar e o indicador de Elizabeth, ficou em evidência –A marca... A marca das humanas procriadoras dessas bestas alienígenas –gritou um dos algozes –... Precisamos exterminar todas elas –apontou para ela -... Matem-na.
Elizabeth levantou-se e ao virar-se, sentiu um objeto pontiagudo atravessar-lhe o peito. O veneno contido na ponta da flecha logo entrou em sua corrente sanguínea e então uma dor lancinante irradiou-lhe por todo o corpo, fazendo suas veias arderem como lavas de fogo.
–Edward –sussurrou, cambaleante. Outra flecha envenenada transpassou seu lado direito, perfurando-lhe o pulmão -... Meu f-filho. –e então caiu ao chão, sem vida.
Atrás da parede falsa o pequeno Edward, que dormia tranquilo nos braços de Cosmin, estremeceu com os urros de vitória bradados pelos humanos.
Grossas lágrimas deslizaram em torrentes pelo rosto da escrava humana, pois sabia de antemão que um futuro difícil e perigoso os aguardava do lado de fora. Acarinhou a face rosada do bebê, sabendo que se tornara a tutora do único sobrevivente da espécie. –E agora, meu pequeno Conde Edward? –soluçou –O que será se ti?... O que será de nós?
Sighisoara — Transilvânia, tempos atuais...
01:05 hrs
Os olhos sagazes de Edward observavam ao longe, o movimento de fim de noite na única e mísera cafeteria da cidadela. Havia apenas dois machos humanos no local e um deles era o dono do estabelecimento, o qual descartou de imediato. Era noite de lua cheia e apesar de não saber especificamente a quem estava caçando, não iria derramar sangue de um inocente.
–Tenha uma boa noite, Lorde Winchester! –o proprietário disse ao rapaz –“Err... Conheço dois deles... Lorde Paul Johnson e Lorde George Winchester.” –o ódio e o rancor por aquela raça transbordaram-se em seu peito, fazendo com que seus caninos despontassem de imediato –“-Então és tu.”
–Boa noite para o senhor também. –ele respondeu, sem olhar para trás.
–Tenhas muito cuidado... Hoje é noite de lua cheia. –Edward escutou o outro humano alertar-lhe em vão. Então, como o predador que se tornou por quase um milênio, ele seguiu a sua presa com passos precisos e silenciosos.
A certa distância, o humano atravessou a rua -Sam, Sam... Achas mesmo que eu acredito nessas crendices antigas? –o animal em Edward sentiu que era o momento de dar o bote, então seu passo tornou-se audível. –Eu não... –virou-se para trás –Q-Quem está aí? –em uma velocidade extrema, o vampiro já se encontrava do outro lado, bem atrás do rapaz. Levantou a cabeça e fitou o céu estrelado, enquanto seus olhos tornavam-se rubros. A força de seu pensamento, aliada ao poder que obtinha durante as noites de lua cheia, criaram um repentino e denso nevoeiro. Das longas presas de Edward gotejavam suas saliva, ele realmente parecia um animal ou talvez um ser de outro mundo. Aproximou-se de sua presa, que sentia o perigo latente até mesmo na respiração cadenciada de seu possível predador. George então virou-se num impulso –AAAHHHH! –o grito carregado de horror ecoou por parte de Sighisoara.
Paralisado pela forte descarga de adrenalina, George ficou olhando-o por um tempo. O animal a uma polegada de distância possuía aproximadamente um e noventa tanto de altura, quanto de envergadura. Tirando as longas presas e os olhos rubros, todo o resto do corpo era perfeitamente humano. Trajava roupas muito antigas e por cima uma capa negra –“-Céus!” –ele podia sentir o hálito daquela besta, mentolada, bater contra o próprio rosto. Talvez por instinto de sobrevivência, ele tomou uma difícil decisão –“-Fugir, fugir.”. Então ele iniciou um movimento com a perna esquerda e o simples ato fez com que a fera lançasse-o a alguns metros a frente com apenas um tapa.
Meio grogue devido à queda, George tentou se apoiar sobre os antebraços, mas foi impedido pela besta que se jogou sobre ele –Q-Quem és tu?... O que q-queres de mim? –suas perguntas não passaram de um mero sussurro.
–De ti –a fera vociferou, levantando-se e trazendo consigo o rapaz com o pescoço preso entre seus dedos -... De ti eu quero apenas os vossos olhos –levantou-o bem alto, acima da própria cabeça -...E –baixou o olhar em direção ao órgão genital de sua presa.
Horrorizado e praticamente sem ar, George arregalou os olhos -NÃAO! –gritou com voz esganiçada enquanto sacudia debilmente as pernas –P-Por que?
–Porque vós profanastes minha fêmea... Olhando-a... Cobiçando-a.
–Q-Que fêmea?
–Lady Isabella Swan.
George franziu a testa ao lembrar-se de como desejou a afilhada de Madame Louvèr assim que colocara os olhos em cima dela –NÃAO!...
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