A Escolhida

3 Capítulo 3 - Estranhos acontecimentos


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Fui correndo para casa, pois eu queria passar o resto do dia com meus irmãos.Ao abrir a porta de casa, mamãe estava sentada no chão com Adam, Louise e Justin fazendo algo que parecia uma pintura.

-Mãe, o que está fazendo? – perguntei, colocando minha bolsa e as chaves de casa em cima da mesa.

-Ah, oi meu amor. Nós estamos fazendo um quadro. Eu acho – respondeu ela. – Como foi a aula?

-Preferia ter evitado tudo. Mas e ai, posso me juntar a vocês?

-Claro, Sophie. Nossa pintura vai ficar linda! – disse Louise.

-Ah, vai sim – falei.

Eu me juntei a eles e começamos a pintar uma pintura moderna. Para falar a verdade, era uma pintura abstrata que estava ficando bonita, eu acho.

-Olha Sophie, tem tinta aqui – falou Justin apontando o pincel para a minha blusa.

-Onde? – perguntei, olhando para a blusa no mesmo momento em que ele respingou tinta nela. Todos começaram a rir, e começamos uma guerra de tinta no meio da sala. É claro que mamãe Scarlett iria limpar tudo quando acabasse.

Acabada a guerra de tinta, eu fui tomar banho e depois eu teria que dar banho nos meus irmãos, já que minha mãe iria limpar a sala. Belo aniversário que estou tendo.

O jantar foi silencioso. Scarlett estava pensativa e meus irmãos estavam em silêncio sabe-se lá por que.

-Mãe, vou dormir. Meu dia foi muito agitado hoje. Boa noite – falei, indo para o quarto. – Boa noite, meus bebês.

-Boa noite, Sophie – disseram todos.

Eu realmente estava muito cansada. Naquele exato momento, eu poderia estar morta estraçalhada no meio da floresta, mas sobrevivi graças a um ato de loucura. Duas matilhas de lobos vindo para cima de mim. O que foi aquilo? Bom, deixei isso para refletir depois e fui dormir.

Enquanto dormia, imagens de um grupo de garotos iam e vinham nos meus sonhos. Quem eram eles? De onde eles eram e o que aquilo significava? Minha mente estava muito confusa.

Acordei no meio da noite suando frio. Tinha tido um pesadelo horrível, onde eu voltava à floresta e as matilhas de lobos estavam lá novamente. E a cena ficava se repetindo cada vez mais. Foi horrível.

Tentei voltar a dormir duas vezes e não consegui, só executei a ação com sucesso após ir beber água e observar a lua, mesmo com uivos vindo à tona na minha cabeça.

De manhã, minha mãe foi no meu quarto para me acordar, pois o despertador havia tocado e eu não havia acordado. Tinha dormido muito mal.

-Filha, acorde! Já são 8:00. Você está atrasada para o colégio – disse ela.

-Mãe, tem certeza que eu tenho que ir hoje? Eu não estou muito bem – falei.

-Claro que tenho! Tanto é que Erik está na sala lhe esperando. Ele ficou preocupado, já que você não passou na casa dele mais cedo.

-Ai mãe, diz pra ele que eu já vou me levantar e daqui a pouco estou lá.

-Ok. Mas não demore viu!

Quando ela saiu do meu quarto, eu enfiei a cabeça debaixo do travesseiro para dormir de novo. Mas alguém abriu a porta.

-Sophie? Posso entrar? – perguntou Erik, entrando no meu quarto.

-Erik? – falei, com sono. – Entre.

-Tá tudo bem? Você parece muito cansada. O que houve?

-Se eu te contar, você não vai acreditar. Então, é melhor eu me trocar para ir para o colégio. Pode esperar na sala só um minutinho?

-Claro. Só não demore. Já estamos muito atrasados.

-Ok.

Me arrastei para fora da cama, pois já devia ser umas 8:30. Troquei de roupa e fui correndo para a sala.

-Vamos Erik? – falei.

-Vamos. Tchau, Dna. Scarlett.

-Tchau mãe. Daqui a pouco as crianças acordam. Beijos.

-Tchau gente. Tomem cuidado – falou mamãe.

Indo para o colégio, eu fiquei o tempo todo olhando para os lados, para onde tinha floresta.

-Sophie, o que você tem hoje? – perguntou Erik.

-Bom, vamos dizer que ontem depois da escola coisas estranhas aconteceram.

-Tipo...?

-Tipo duas matilhas de lobos vindo para cima de mim no meio da floresta escura. Minha vida por um fio, mas tive a brilhante idéia de sair correndo. Depois eu fui pintar um quadro com tinta guache com meus irmãos e minha mãe. Tinha como meu dia ter sido mais estranho?

-Duas matilhas de lobos indo para cima de você? Como assim, Sophie?

-Hm, vamos dizer que eles eram lobos meio que grandes.

-Isso está muito estranho. Sério.

-Mas enfim. Você foi pegar o que sua mãe queria?

-Sim. E realmente era no fim do mundo.

Chegando ao estacionamento do colégio, um novo grupo de garotos que passavam por ali parou para me olhar e começaram a “fofocar”. Isso foi extremamente estranho.

-Sophie, você conhece aqueles garotos?

-Eles estavam no meu sonho... Enfim. Vamos sair daqui.

De repente, um dos garotos se aproximou de nós e disse:

-Desculpe, mas você é Sophie McQueen? – perguntou o garoto.

-Sim, sou eu. Desculpe-me, mas, quem é você? – perguntei.

-Ontem você estava na floresta perto daqui, não foi? – perguntou ele.

-Sim, eu estava. Agora pode me informar quem é você?

-Hm, ninguém. Muito obrigado.

Aquilo tinha sido realmente muito estranho. E quem era ele? O que ele pretendia fazer com aquelas perguntas e respostas? Bom, isso eu esperava saber em breve.

-Erik, vamos embora daqui. Eu realmente fiquei com medo deles.

-Ok. Mas eu ainda não entendi o que você estava fazendo na floresta ontem.

-Eu me distrai e acabei me perdendo, que coisa.

Foi quando o milagroso sinal tocou. É em um momento como esses que eu adoro ir para a aula de biologia.

-Tchau, Erik. Nos vemos na saída.

-Ta certo. Tchau.

E começou mais um dia horroroso de aula. Eu juro como tudo o que eu queria era sair do colégio.

Na hora da saída, Erik esperava-me na frente do meu armário.

-E ai gatinha! Vem sempre aqui?

-Idiota. Deixa de palhaçada e vamos embora.

-Ta bom, vamos.

Saímos rindo do colégio.

-Sophie, onde foi que tudo aquilo rolou?

-Foi aqui perto. Quer ir lá?

-Se você não se importar, quero.

Fomos andando até a parte em que eu tinha me perdido. Eu não me incomodava em ir até lá, mas eu ainda tinha medo.

-Olha Sophie, você não precisa fazer isso, sério.

-Erik, eu quero fazer isso. Eu não posso ficar com medo para o resto da vida. Aliás, eu não estou com medo. Agora vamos.

Entramos na floresta. Eu não estava com muito medo, mas ainda estava hesitante quanto a isso.

Comecei a escutar passos outra vez.

-Ah não, de novo não.

-Sophie, o que foi?

-Esses passos. Eu os ouvi antes de quase ser atacada.

-Vamos embora.

-Não. Eu não vou viver presa em um pesadelo.

-Sophie, vamos embora!

-Não! – gritei.

Então os lobos enormes começaram a aparecer novamente, e começaram a rosnar para nós.

-Sophie...

Erik estava começando a se contorcer.

-Erik! Você ta bem?!

Ele começou a mostrar os dentes para aqueles lobos enormes.

-Erik, o que você ta fazendo?!

Ele começou a rosnar para os lobos. Erik estava rosnando!

-Bebê, o que ta acontecendo?

Ele estava se arrepiando, e rosnando cada vez mais alto. Agora eu estava ficando com medo. O que estava acontecendo?

-Sophie, vá embora – ele falou.

-Não vou não! Me diga o que está acontecendo agora!

Então ele virou um lobo enorme. Enorme mesmo. Eu fiquei totalmente plamastificada. Ele era um... Como era mesmo a palavra? Ah, lembrei. Erik era um LOBISOMEM. What the fuck was that?

Comecei a tremer. Eu não conseguia acreditar no que estava vendo. God, eu tinha um amigo lobisomem.

Então, o que aparentava ser a matilha rival da noite passada começou a chegar. Então quer dizer que, além de eu ter um amigo lobisomem, ele era da matilha rival da que tentara me atacar noite passada? Cara, minha vida é uma beleza.

Eu apenas corri. Eu não podia ficar ali. Se acontecesse algo com Erik, eu me sentiria culpada. Era melhor eu nem ver o que aconteceria dali para frente. Corri até chegar em casa. Não olhei para trás nem para os lados. Minha vida estava se transformando em um pesadelo. Tenho certeza de que se eu descobrisse que era uma vampira ou lobisomem não iria ficar surpresa.

Entrei e bati a porta com força. Minha mãe olhava com cara de desespero para mim, sem entender o que estava acontecendo.

-Minha filha, o que houve?

-Não posso falar mãe. Onde estão Adam, Louise e Justin?

-No quarto. Sophie me conte o que está acontecendo.

Saí correndo até o quarto dos meus irmãos, e ainda pude escutar minha mãe gritar:

-Sophie!

Mas eu não dei bola.

Abri a porta com tudo e eles se assustaram ao me verem eufórica.

-Sophie, o que houve? – perguntou Adam.

-Olha, independentemente do que houver, eu amo vocês. E se acontecer alguma coisa, cuidem da mamãe por mim, certo?

-Que papo é esse Sophie? – perguntou Justin.

-Quando eu puder e se eu puder eu conto pra vocês. Até lá, não posso contar nada.

-Por que Sophie? – perguntou Louise.

-Olha, eu ainda não sei direito o que tá acontecendo, mas eu prometo que assim que eu souber eu conto pra vocês. Esse é o nosso segredo, combinado?

-Tudo bem – eles responderam.

-Amo vocês. Boa noite.

-Boa noite Sophie.

Saí do quarto deles e fui imediatamente para o meu. Tudo estava muito confuso, era muita informação de uma vez só. Achei que essas coisas só acontecessem em filmes, mas enfim.

Me joguei na cama e comecei a pensar por que tudo isso tava acontecendo comigo. Primeiro eu fui atacada por uma matilha de lobos gigantes e quase morri no dia do meu aniversário. Depois um grupo de garotos esquisitos vem falar comigo. E para finalizar, descubro que meu melhor amigo é um lobisomem. Não tem como piorar.

Acabei me distraindo e peguei no sono. Não consegui dormir direito, e no meio da noite acordei suando frio. Tudo vinha à tona em minha mente. Não resisti e liguei pro Erik.

-Erik?

-Oi Sophie. O que foi?

-Eu preciso falar com você. Pode vir aqui em casa?

-Agora?

-É.

-Vou trocar de roupa e já to indo.

-Ok. Te espero na varanda.

Desliguei o celular. Vesti meu roupão e fui sentar-me na varanda. A lua estava linda; ela estava cheia. O vento não estava forte. A noite estava agradável.

Não demorou muito para Erik chegar.

-Oi – falei.

-Oi. O que aconteceu?

-Eu só quero esclarecer tudo o que aconteceu hoje. Ou ontem, não sei. Por que você não me contou antes?

-Eu não sabia como você reagiria. Tinha medo de que você se afastasse de mim.

-Erik, acorda. Eu sou sua melhor amiga desde... Sempre. Eu sempre te contei tudo, você sempre contou tudo para mim. E por que não isso?

-Acredite, não seria fácil de aceitar. Eu ainda não aceito tudo isso direito.

-Você poderia ter confiado um pouco mais em mim. Com certeza se você tivesse me contado antes teria sido mais fácil de aceitar do que está sendo agora.

-Desculpe Sophie.

-Tudo bem. Tem mais alguma coisa que você queira me contar que também tá escondendo de mim?

-Eu sei quem são aqueles garotos que foram falar contigo no colégio.

-Quem são?

-Eles também são lobisomens.

-O que? Há mais de duas matilhas aqui?

-Não. Eles são da matilha que te atacaram.

-Como você sabe disso?

-Posso reconhecer o cheiro deles de longe. Não há duvidas de que são eles.

-O que eles querem comigo?

-Você é a Escolhida deles.

-Eu não sou um objeto para ser escolhida.

-Você não entende Sophie. A matilha deles quer você.

-Eu já disse que não sou um objeto.

-Me escuta garota. Cada matilha tem que possuir uma fêmea que possui pelo menos um descendente que já foi um lobo. Essas são as Escolhidas.

-Eu não possuo nenhum descendente lobisomem.

-Tem certeza? Se não possuísse eles não teriam te escolhido.

-E como eles sabem que eu tenho?

-Pelo cheiro do seu sangue.

-Tá. E se eu não quiser ser da matilha deles? Se for para ser de uma, quero ser da sua.

-As coisas não são tão fáceis assim. O líder da minha matilha também te quer como Escolhida, mas para isso, ou ambas fazem um acordo ou...

-Ou o que?

-Teremos que ver qual das duas conseguirá seu sangue primeiro.

-Fácil. É só eu dar meu sangue para você.

-Não é assim. É tipo um jogo de caça em que nós somos os caçadores e você é a vítima.

Permaneci em silencio e imóvel, e ele falou levantando-se:

-Sinto muito. Boa noite.

E foi embora.

Notas finais
reviews? xx
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.