A Escolhida
1 Capítulo 1 - Feliz aniversário
Hoje, 23 de agosto, é meu aniversário de 16 anos. Eu poderia dizer que não estou muito animada com isso, pois a cada segundo estou ficando mais velha. Minha mãe me obrigou a acordar em plenas 6 da manhã para aproveitar o dia. Tenha certeza que eu tive vontade de matá-la.
Ao levantar, minha mãe e meus irmãos estavam de pé em frente à minha cama com um bolo na mão com uma vela acesa. O que eu fiz para merecer uma coisa dessas?
-Bom dia, flor – disse mamãe.
-Parabéns, Sophie – disseram Adam, Louise e Justin.
-Saiam do meu quarto. Eu quero acordar em paz – disse. Mas, sem querer ser chata e você pode achar que estou errada, mas eu ainda tenho meu direito de privacidade, não é?
Eles saíram e ficaram esperando “pacientemente” por mim na cozinha. Quando eu saí do quarto, a cozinha estava toda decorada com balões, fitas, faixas e essas coisas de festa de criança sabe.
-Mãe, para quê tudo isso? É só mais um dia chato da minha vida – falei.
-Pare de reclamar e venha aqui. Nós não passamos a noite toda fazendo isso em vão, ta bom? Minha filha, nós fazemos isso porque nós te amamos muito – ela disse.
-Mas mãe, a senhora faz isso todo ano! E esse ano eu quero uma festa sabe? AQUELA festa – eu disse. Sabe, toda garota sonha com AQUELA festa de 16 anos, mas minha mãe não entende isso então, fica para a próxima vida.
-Sophie, olha o que a gente fez para você – disse Adam e veio me mostrar um desenho que eles tinham feito.
-Nossa, que bonito! Vocês três que fizeram?
-Foi sim. Olha: essa sou eu, esse é o Justin, você, Adam e mamãe – disse Louise, apontando para cada pessoa no desenho.
-E de quem é esse rosto desenhado aqui em cima? – perguntei.
-Papai. Eu sei que em algum lugar lá de cima ele está sorrindo para nós – ela disse, e então meus olhos se encheram de lágrimas.
-Não chora, Sophie. Aqui tem bolo, olha – disse Justin, com um prato com uma fatia de bolo na mão.
-Obrigada, meu amor – falei, abraçando-o. Eu amava muito meus irmãos, mesmo eles sendo trigêmeos e dando muito trabalho. Eles eram meu tudo.
-Sophie, filha, coma logo ou irá se atrasar para a escola – disse Scarlett.
-Ah mãe, escola? Até hoje?
-Sim senhora! Tá pensando que só porque é seu aniversário que vai faltar aula é? Desde quando, Sophie McQueen?!
-Mas mãe...
-Sem mas. Agora vai. Tome cuidado quando for atravessar as ruas. Não pare para falar com estranhos, e todo o resto que você já sabe e eu estou cansada de dizer. Te amo docinho, tenha um bom dia – falou ela, beijando minha bochecha.
-Tchau mãe, tchau meu amores – falei, soltando beijinhos para todos e indo para a escola.
No caminho da escola, passei na casa do Erik para ver se ele já tinha ido. Por sorte, ele estava saindo de casa.
-Bom dia! – falei, chegando mais perto.
-Sophie! Parabéns! – disse ele.
-Por favor, sem essa. Não é nem um pouco legal ficar cada segundo mais velha. Mas mesmo assim, muito obrigada – falei.
-Qual é, Sophie. Não é todo dia que fazemos 16 anos. Então trate de por um sorriso nesse rosto porque eu não quero ver minha melhor amiga entediada hoje, ta certo?
-Ta bom. Mas só porque é você que está falando isso – disse, rindo. – Agora, vamos para o colégio ou vamos chegar atrasados.
Indo para o colégio, eu contei para ele sobre minha manhã e sobre o desenho que meus irmãos tinham feito. Ele riu de todas as partes em que eu disse que estava “super animada” com a festinha em casa. Ele me contou que mal conseguia esperar para me ver e tirar o tédio das manhãs de segunda-feira. Eu ri da cara que ele fez.
-Ah, Sophie. Hoje não vai dar para voltarmos juntos para casa. Eu sei que hoje é um dia muito especial para você, mas minha mãe quer que eu vá pegar umas encomendas para ela lá no fim do mundo.
-Não tem problema, Erik. E hoje eu quero refletir um pouco sobre minha vida no caminho de volta para casa. Bom, vou indo para a sala. Nos vemos daqui a pouco?
-Claro que sim – ele falou beijando minha bochecha e indo para a sala.
Como todos os dias, a aula estava muito chata. Como minha mãe me obriga a estudar em casa, eu já sabia de todo o conteúdo da aula, então fiquei refletindo sobre minha vida.
Durante minha vida, minha mãe sempre quis que eu fosse uma menina que gostasse de viver, porque ela sempre diz que quando passamos dos 30 anos, começamos a nos arrepender do que não fizemos na adolescência. Eu sempre digo para ela que isso é besteira, que a vida é longa e que enquanto não chegamos aos 45, podemos fazer muitas coisas, mas ela diz que, quando eu chegar aos 30 eu irei me arrepender de tudo que eu não fiz. Minha mãe dá muito medo.
A aula finalmente acabou. Mal podia esperar para ver o Erik novamente. Eu sei que a gente não mora muito longe, que a gente se vê todos os dias e que passamos horas no telefone conversando, mas, em todas as aulas, eu sinto muita falta dele, afinal, ele é meu melhor amigo.
Fui até meu armário para pegar o material da aula de inglês e, por sorte, Erik estava me esperando lá.
-Oi aniversariante – disse ele.
-Eu já disse para parar com isso. Eu estou ficando velha – falei.
-Sai dessa, Sophie. Se você não aproveitar cada segundo da sua vida, irá se arrepender futuramente de tudo o que não fez. Ouça o que estou te dizendo.
-Até você, Erik? Isso por acaso é perseguição em massa? Já basta minha mãe dizendo essas coisas em casa. Dá um tempo.
-Ta bom, parei. Mas se você se arrepender de tudo o que não fez, podemos fazer juntos. Fica dica. Vai para a aula de inglês hoje ou vai fazer que nem na semana passada?
-Não, hoje eu vou. Você vai?
-Mas é claro que vou! Você por acaso já me viu matando aula?
-Quer mesmo que eu responda?
-Não. Vamos logo.
O sinal tocou para a aula e tivemos que nos apressar para chegar ao segundo andar, porque se não chegaríamos atrasados na aula.
O Sr. Müller é uma pessoa legal, mas como professor ele é muito chato. Ele devia ir trabalhar como escritor. Seria muito mais produtivo para ele. Eu não conseguia prestar muita atenção na aula dele porque ele fala muito baixo, calmamente. Resumindo: a aula dele me dá sono.
O sinal tocou mais uma vez, e Erik começou a rir de mim porque eu estava quase sonhando na mesa. A culpa não é minha se o Sr. Müller é professor.
Depois teve aula de física, química, matemática avançada e, para finalizar, educação física. Alguém consegue fazer aula de educação física em uma segunda-feira? Alguém em sã consciência?Se sim, eu infelizmente não consigo.
Na aula de hoje, nós aquecemos como sempre e fomos jogar vôlei. Esportes não é a coisa que eu mais amo fazer, mas eu adoro jogar vôlei. A professora já perguntou se eu não queria entrar para o time do colégio, mas eu disse não. Você não vai querer me imaginar em um campeonato de vôlei. Não mesmo.
Quando a aula acabou, eu fui para o vestiário tomar uma ducha rápida para poder ir para casa. Eu não agüentava mais ficar no colégio.
Indo para casa, comecei a pensar no que eu faria o resto do dia. O resultado foi que eu acabei me perdendo e entrei em um pedaço de floresta que tinha perto de sabe-se lá o que. Comecei então a entrar em pânico.
Fale com o autor