A Escolha de Bulma
2 Vinte Anos Depois
Notas iniciais
Os enormes e redondos olhos azuis encaravam sua própria imagem no espelho. Penteava os cabelos compridos enquanto procurava um ângulo em que conseguisse ficar feia. Depois de tentar várias poses em frente à penteadeira, não conseguiu achar nenhum. Apesar de não ligar tanto assim para essas coisas, ficava um tanto surpresa quando, depois de algum tempo sem se olhar no espelho, se deparava com o seu rosto refletido sobre alguma superfície espelhada. Ficava um tempo olhando os próprios traços, admirada com a própria beleza. Seus globos oculares quase não tinham espaço no rosto pequeno e delicado de tão grandes que eram. Isso lhe dava um aspecto lírico e inocente, quase infantil. A boca era pequena, mas bem contornada, e de uma cor naturalmente rubra que contrastava lindamente com a pele branca como marfim. Os cabelos eram azuis, de um tom turquesa fora do comum para qualquer humano sobre a Terra. Quando era criança, Bulma não gostava muito de seus cabelos, devido a sua cor nada discreta, mas depois que soube através dos pais que fora um presente dado por sua madrinha, Rita, que tanto adorava, passou a gostar das madeixas. Com o passar do tempo, os fios turquesa contornando seu rosto tão belo era algo que a fazia se sentir especial.
Não eram somente os cabelos. Bulma era de fato diferente dos outros de sua espécie. Sua capacidade cerebral se destacava desde a mais tenra idade, já que ainda antes de completar um ano era capaz de falar fluentemente qualquer palavra de sua língua. Aos dois já sabia ler e escrever. Até completar oito anos de vida, foi submetida aos mais variados testes psicológicos, de QI, e exames neurológicos, que levaram à constatação de que se tratava da criatura mais inteligente de que se tinha registro. Estudou em uma escola especial para crianças superdotadas, onde aprendia adequadamente para uma pessoa como ela, mas também era constantemente observada por cientistas e psicólogos. No entanto, Bulma não se sentia parte daquele grupo de crianças “diferentes”, como sua mãe dizia. Até mesmo lá dentro ela era um ser único, e de novo, não só por causa dos cabelos. Diferentemente de seus colegas de classe, Bulma não possuía nenhuma síndrome, ou qualquer tipo de retardo mental, nem algum distúrbio social-psicológico aliado ao seu alto QI. Isso só deixava a todos os adultos ao seu redor cada vez mais fascinados. Começou a trabalhar cedo na empresa de seu pai, por trás dos bastidores da corporação. Tudo porque se interessava muito em robótica e eletrônica. Fez seu primeiro robô aos nove anos, e seu primeiro objeto-cápsula aos onze. Foi aceita na mais renomada universidade científica do mundo com apenas treze, e após quatro anos terminou a faculdade com um currículo acadêmico brilhante. A esse ponto, todos no mundo científico já conheciam a prodígio Bulma Briefs, por mais que seus pais tentassem protegê-la de qualquer exposição desnecessária. Às vezes a menina sentia que o medo de seus pais era quase exagerado, ainda mais se tratando de um gênio tão esperto como ela.
Agora, aos dezenove anos, Bulma preparava-se para receber o primeiro Nobel de sua carreira. Olhava-se no espelho enquanto penteava os cabelos, sustentando um brilho especial nos olhos, de orgulho, alegria, e superação ao lembrar-se de toda a sua trajetória como cientista e como mulher. Não fazia ideia de como havia sobrevivido a todos aqueles anos de experiências quando criança, que quase lhe pareceram um cativeiro. Ao menos, pensou debochada, continuava belíssima.
Estava brincando de fazer caretas em frente ao espelho, para ver se então se acharia feia, quando sua mãe entrou no quarto.
– O que está fazendo, querida?
Bulma levou um susto que quase a fez cair da cadeira.
– Mãe! O que foi?
– Ora, não queria lhe incomodar, mas o motorista já está esperando por você lá embaixo.
A jovem se levantou empolgada para ajeitar o vestido dourado rente ao corpo. Pelo reflexo do espelho viu o olhar aflito de sua mãe lhe observando. Sentou na cama para calçar o sapato, e depois que o fez, percebeu que a mãe não havia desviado o olhar de preocupação.
– Tem algum problema comigo? Por que tá me olhando com essa cara?
– Oh, Bulma! Não é nada, querida! Você está linda!
Ela se aproximou da filha e tocou uma das mechas azuis de seu longo cabelo ondulado.
– Quando sua madrinha veio me dar seu presente eu não fazia ideia que a pílula transformaria sua genética e faria você nascer com o cabelo azul. É lindo, não? Como uma obra de arte!
– Mãe, você tá bem? – perguntou a moça desconfiada, mas a mãe apenas continuou.
– No dia que ela veio, eu estava no primeiro mês de gravidez, acho que ainda na segunda semana. Todos ficaram surpresos por eu ter descoberto tão cedo. Nos primeiros dias de gravidez eu já sabia. Oh, céus!
Neste momento a Sra.Briefs desabou de chorar na frente da filha. Bulma a olhou espantada sem entender nada do que estava acontecendo. Abraçou a mãe por um instante tentando acalentá-la.
– Mamãe, o que está acontecendo? Do que você tá falando? E por que diabos a senhora tá chorando?
– Ah, Bulminha, minha querida! Eu preciso te contar algumas coisas. Espero que não se importe que seja na noite do seu troféu de cientista.
– É um Nobel, mãe! Você fala como se fosse uma medalhinha pelo projeto de ciências da escola!
– Mas você já tem tantos troféus, Bulma!
– Mas essa noite é diferente. Este troféu é muito importante! Sabia que sou oficialmente a pessoa mais jovem a receber um desses? – perguntou Bulma orgulhosa de si.
– Bem como ela disse que seria! – falou a mãe aflita.
– O quê? Ela quem, mamãe? Você não tá falando coisa com coisa desde que entrou por este quarto!
– É o que estou tentando te dizer.
– Então diga! Tenho que estar lá daqui duas horas no máximo.
A Sra.Briefs respirou fundo antes de começar.
Bem, antes de eu descobrir que estava grávida, eu e seu pai viajamos para o Novo Oriente Norte, porque alguns cientistas estavam participando de uma confraternização por terem conseguido eliminar todos os vestígios de radiação daquele lugar. Você sabe, por causa da Terceira Guerra, há muitos e muitos anos.
– Eu sei, mãe, eu leio livros de história. O que aconteceu nessa viagem?
– Ora, Bulma, me deixe terminar! Como eu dizia, estávamos lá para uma celebração. Ficamos na região das montanhas, para evitar os dinossauros. Era bem seguro e bonito lá! Tanto que eu e seu pai saíamos o tempo todo para passear nas floresta ao redor do hotel. Um dia, após muito caminharmos, encontramos uma cabana de nativos. Imagine! Japoneses de sangue puro! Nem dá pra acreditar, não? Estávamos encantados por aquele lugar e fomos muito bem recebidos. Uma das anciãs no tratou especialmente bem, ela era chamada de Uranai pelos mais novos, assim a chamávamos também. Ela nos acolheu, nos fez comida, nos deu água, e após muito conversarmos ela me parabenizou pelo bebê, falando isto muito naturalmente. Eu não fazia ideia de que estava grávida e ao vê-la falar eu tremi toda! Sem se impressionar com o meu espanto ela disse que seria uma menina.
– Ela adivinhou sua gravidez, mamãe? Por que nunca me contou uma história tão incrível como esta? – disse Bulma um tanto entusiasmada.
– Porque não foi só isso. Ela me disse que tinha certa conexão com o futuro, e que percebeu desde o ventre, que você seria uma mulher de muitas conquistas. Ainda disse que tinha previsto, inclusive, a nossa ida a aldeia. Fiquei com medo, mas como se lesse meus pensamento ela disse “Sei que não acredita. Como prova, te digo que seu marido vai entrar na cabana daqui cinco segundos dizendo que conseguiu capturar uma borboleta pré-histórica com as próprias mãos”. Querida, ela só terminou de falar e seu pai entrou. Ele reproduziu exatamente das palavras que a senhora havia dito. E ainda mostrou a borboleta enorme em suas mãos.
Bulma estava boquiaberta.
– Depois que seu pai saiu para capturar insetos para estudo, ela me olhou em um gesto tão sereno, sério, mas que transcendia tanta bondade, que eu imediatamente confiei naquela mulher. E acho que ela já sabia disso. Ela então me disse tudo sobre a sua vida, querida. Que você se chamaria Bulma, que seria extremamente inteligente, tanto racional quanto emocionalmente, que ganharia prêmios em reconhecimento da sua mente brilhante e por seus serviços à comunidade científica. Até mesmo o dia de hoje... Uranai me disse que você se tornaria a jovem de maiores conquistas científicas que este planeta já vira. Disse que ainda que seria uma moça de rara beleza. Mas depois seus olhos entraram em um semblante agourento e eu me arrepiei num instante. Uranai me contou coisas horríveis, querida, sobre seu futuro! Sobre seu envolvimento com seres perigosos de outros planetas, que teria problemas com um dragão misterioso, e sobre umas esferas mágicas que pertenciam a esse monstro... E umas pessoas com cauda de macaco iriam te perseguir, e também um homem verde e alto! Olhe que absurdos, Bulma! – a ansiedade e o medo tomavam conta da sua voz. – Que coisas horrorosas foram aquelas histórias! Ela falava com tanta veemência!
As lágrimas tomaram conta de seus olhos novamente e Bulma se viu mais uma vez sem reação em frente à mãe chorosa, absolutamente chocada com o que acabara de ouvir.
– Papai sabe disso?
– Sabe, mas nunca acreditou na mulher. E ela me disse que ele não acreditaria até o momento em que tudo de fato acontecesse! Mas depois de tantos anos seu pai já deve ter se esquecido de tudo aquilo.
– O que você fez quando ela, essa mulher te contou tudo isso? – perguntou Bulma séria e interessada.
– Fiquei assustada, é claro! Mas depois... Sabe o que ela me disse depois de todos os horrores sobre o seu futuro? Ela disse... Que você salvaria o planeta de um grande desastre! Que você teria amigos incríveis, poderosos, e muito corajosos, e estes amigos lhe ajudariam a salvar a terra. Até me falou que você encontraria um grande amor nessa confusão toda, Bulminha! Que me daria netinhos adoráveis e muito especiais!
– Mamãe, não seja boba! – disse Bulma sem graça. – Não devia chorar por causa disso!
– Ah, o que eu poderia esperar, não é? – disse Sra.Briefs para a filha enquanto secava as lágrimas com um lenço que apanhara da bolsa. – É uma cientista! Cética como seu pai.
– Não, mamãe, não me leva a mal. Estou chocada, só isso! Acho... que acredito em sua história. Sei que jamais mentiria para mim! Mas me diga... o que aconteceu depois disso?
– Ela disse que eu não deveria contar nada a você, caso eu o fizesse, poderia interferir nos acontecimentos futuros. Mas eu achei que deveria contá-la, você já tem idade o bastante para saber lidar com as informações que chegam até você, e eu precisava tirar esse peso da minha cabeça. Não sei se foi a melhor hora para isso, mas eu assistindo a todas as coisas sobre você acontecendo de verdade, não pude me conter! E quando eu vi nos noticiários sobre a descoberta de vida inteligente fora da Terra, eu gelei!
– Os Tullianos? O planeta de Tullian é inofensivo, mãe, nós temos uma ótima relação com eles e...
– Você não entende, Bulma? É só uma questão de tempo até que os seres estranhos te encontrem, e aquelas bolas alaranjadas do dragão do mal!
Bulma sentia seu coração bater rápido, mas conseguia manter uma calma aparente em frente a sua mãe. Estava escondendo as mãos trêmulas no colo das pernas. Seu estômago tomava choques dos calafrios que sentia. Parecia que iria vomitar, desmaiar, chorar, tudo ao mesmo tempo, mas não podia deixar sua mãe saber de sua sensação incontrolável. Era claro que aquela história toda a havia deixado muito vulnerável e Bulma queria de qualquer maneira tirar aquele estresse incômodo de dentro de sua mãe. E para isso, precisava conter suas emoções, ainda que fosse só por uns instantes.
– Mamãe, eu estou bem. Olhe para mim! Eu lá tenho cara de quem se envolve com gente estranha? Minha vida está ótima e eu também! Cada vez mais linda e inteligente! – Bulma levantou da cama e rodopiou em seu vestido longo ao sorrir para a mãe.
– Oh, querida! – a Sra.Briefs sorriu um tanto aliviada ao ver a filha tão resplandecente. – Só me prometa, por favor, que ficará aqui trabalhando. Esse país é bom e seguro pra você. Se precisar viajar, por trabalho ou por estudos, lhe imploro que me avise!
A jovem abraçou sua mãe fortemente e olhou o relógio analógico no alto da parede do quarto.
– Não se preocupe comigo! Sou muito inteligente e sei me defender muito bem, mamãe, você sabe! Obrigada por me contar tudo.
– Queria, acho que você precisa ir. – disse Sra.Briefs também olhando para o relógio ao se desfazer do abraço. – Seu trofeuzinho te espera! Não vou te atrapalhar, vou ver como estão os preparos para a sua festinha de recepção, quando voltar da premiação.
– Claro, vá sim! – sorriu a garota. – Tenho certeza que eu vou amar tudo.
Ao se despedir da mãe e vê-la sair pela porta do quarto, Bulma não relaxou a musculatura e olhou para as próprias mãos que ainda tremiam descontroladamente. Tentou ensaiar um mantra para si, na tentativa de se acalmar um pouco. Depois de ficar alguns minutos respirando fundo, se sentiu menos nervosa, mas seu coração ainda estava agitado. Conhecia muito bem aquela sensação. No entanto, fazia muitos anos que havia se sentido assim pela última vez.
Bulma se olhou no espelho novamente e sentou-se em frente à penteadeira para checar sua maquiagem. Uma de suas mãos, em um gesto quase automático, abriu uma das gavetas da penteadeira. Seus olhos se dirigiram para o conteúdo dentro da gaveta, e com o reflexo da luz, as três esferas alaranjadas brilharam lá de dentro.
Bulma não sabia como conseguiu se controlar na frente de sua mãe ao ouvir todas aquelas constatações sobre sua própria vida. Alienígenas, seres verdes, rabo de macaco? Fora a arrepiante menção sobre as esferas pertencerem a um dragão! Se a tal Uranai do Novo Oriente Norte estivesse certa, e Bulma acreditava piamente que sim, seu futuro de acontecimentos horríveis já estava acontecendo.
Lembrou-se da primeira esfera que encontrou, há onze anos atrás. Na época achou que era algum tipo de pedra preciosa e levou ao laboratório, onde descobriu que a pedra alaranjada cintilante não continha qualquer material conhecido na mineralogia. Sua composição química continha elementos desconhecidos da tabela periódica conhecida pelos humanos. Ao encontrar a segunda em um museu de cultura Oriental Antiga, leu que a pedra esférica fazia parte de uma lenda e de uma história muito cultivada pelos extintos japoneses do passado, e descobriu que era chamada de Dragon Ball – Bola do Dragão. A lenda dizia que existiam outra como aquela, mas que foram perdidas há séculos, a ponto de ter se tornado uma história para crianças. Nada dizia sobre sua função ou origem, muito menos mencionava a participação de um dragão maquiavélico nessa história toda. Mas lembrava-se claramente das palavras da mãe ao citar as “esferas mágicas”.
Ouviu alguém bater na porta que a Sra.Briefs deixara aberta. Era Charles, um dos seguranças que a acompanhava em algumas solenidades e eventos festivos.
– Já estamos atrasados, Srta.Briefs.
– Já estamos indo, Charles, Não se preocupe. – disse Bulma ao chavear a gaveta contendo as esferas. – E vê se para de me chamar de Senhorita Briefs. Não tenho um nome lindo a toa, tá bom? É Bul-ma!
O segurança riu divertido e passou a guiá-la até a limusine que a esperava em frente à mansão dos Briefs.
Bulma ainda estava com o corpo tomado pelos efeitos do nervosismo em uma mistura de medo e excitação, algo muito familiar, o que a fez lembrar-se de sua infância no internato para crianças superdotadas.
Quando ainda tinha oito anos, Bulma estudava em uma das escolas para mentes brilhante, bancada pelo dinheiro investido de seu pai. Sua rotina era um pouco diferente a e uma criança normal: brincava de construir robôs pela manhã e à tarde estudava as profundezas os ramos da ciência moderna. Nos fins de semana, via sua psicóloga, e às vezes era submetida a mais um exame neurológico. Todavia, algumas imagens dessa época Bulma gostaria que pudesse esquecer, como em uma vez que um de seus psiquiatras a colocou n colo e acariciou suas coxas de um jeito que a fez querer chorar.
Ao entrar na limusine, Bulma lembrava-se desses e outros motivos que a fizera tentar fugir do internato, aos nove anos, em uma noite fria de inverno. Como era muito inteligente, saberia se virar sozinha, e até tinha planos para construir uma mini-nave espacial naqueles próximos anos.
A pequena Bulma havia adentrado o bosque que cercava a instituição, com apenas sua mochila de escola nas costas. Seu coração batia a mil. Nunca se sentira assim antes, e ao ver as luzes de lanternas ao longe lhe procurando, começou a sentir a descarga de adrenalina que tomava conta de si. A menina começou a correr sem olhar para trás, estando decidida de que não se submeteria mais àquelas experiências e abusos. Merecia viver como uma criança comum e saudável.
Quando tentava correr mais rápido, tropeçou na raiz de uma árvore velha. Foi então que ficou cara a cara com uma estranha bola laranja de superfície cintilante e espelhada. O artefato parecia estar ali há séculos: coberto parcialmente por musgo e envolvido por gravetos de raízes menores ligadas àquela em que tropeçou. Foi difícil de tirar a pequena esfera dentre os galhos e ramos, parecia que pertencia à floresta, estava quase grudava a ela. Arrancou a esfera de seu ninho e guardou-a em no bolso de seu casaco imediatamente. Antes eu pudesse se reerguer, um dos guardas a levantou pela mochila e sua fuga havia falhado.
Mas o pequeno achado abrigado em seu bolso lhe rendera bons frutos. Bulma criara um aparelho magnético, como um GPS, que detectava outras esferas compostas pela mesma química daquela que achara no bosque. Para a sua surpresa, descobriu que havia outras seis, possivelmente iguais àquela que já possuía.
Depois dos casos de abuso serem descobertos por seu pai, o Sr.Briefs puniu os responsáveis e tirou sua filha do internato antes que aquilo pudesse se tornar um escândalo internacional, o que só prejudicaria ainda mais a vida conturbada de sua única filha. Ser educada em casa por seus pais e professores particulares deu a Bulma maior grau de independência, o que a fez programar viagens de férias para localidades próximas das esferas que tinha detectado com sua invenção. Guardou o segredo a sete chaves, e antes de descobrir da sua vida futura pela voz de sua mãe, mal sabia a Sra.Briefs que Bulma já comprara a passagem para o Novo Oriente. As esferas restantes estavam lá, sendo que três delas encontravam-se quase num aglomerado entre si, muito próximas uma das outras. Sua maior preocupação era com a última esfera: encontrava-se em uma área inóspita para seres humanos, habitada por animais jurássicos. Ela não fazia ideia de como chegaria lá, mas seu instinto lhe dizia que precisava tomar todas as esferas para si, que poderiam ser de um valor inestimável.
Bulma acordou de sua imersão em suas memórias quando a limusine deu um solavanco que a fez bater com a cabeça no teto do carro. Esse tipo de coisa não a incomodava, no entanto. Tinha uma relação muito complexa com acontecimentos ruins, desde que passara aqueles anos infernais no colégio interno. Lembrou-se de quando seu pai contratara uma psicanalista das mais renomadas no mundo todo, para tentar explicar e acalentar as dores que a ela possivelmente sentiria por conta dos abusos sexuais. O diagnóstico de Bulma a surpreendeu: Era viciada em adrenalina.
– Mas como? Vício em adrenalina! O que isso tem a ver com meus traumas de infância? – perguntava Bulma a psicanalista quando descobriu seu tormento.
– É um milagre que você não tenha sofrido de outros problemas, na verdade. Você é uma menina verdadeiramente forte. É incrível que tenha aguentado tudo que lhe passou sem comprometer seu futuro como mulher. Algumas pessoas acabam desviando suas tensões para lugares improváveis, como no seu caso. E você gosta demais de desafios, Bulma, até mesmo dos que lhe trazem perigo. Isso lhe causa prazer e até alegria, o que não é ruim, mas essas suas viagens inconsequentes, os esportes radicai que pratica, são vestígios das tragédias do seu passado. É bom e admirável ser destemida, mas tome cuidado com seus limites: Você tem sua vida para proteger!
Bulma lembrava das palavras da psicanalista como se as estivesse ouvindo naquele momento. Quando menos esperava, a limusine já havia chegado no evento. E estacionara em frente ao teatro onde aconteceria a premiação. Antes mesmo de seu motorista abrir-lhe a porta, Bulma já via a quantidade de fotógrafos vindo para cima do carro e quando saiu do veículo, pensou que ficaria cega com eles.
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