A Escolha de Bulma

23 Novos Hóspedes


Foi a primeira a acordar no dia seguinte. Quando tomou consciência dos acontecimentos da noite anterior, um sorriso de felicidade abriu sua boca enquanto espreguiçava o corpo. Ficou surpresa em ver que Vegeta ainda estava ali, dormindo de bruços ao seu lado, completamente nu sob os lençóis brancos. Imaginou que ele iria preferir acordar longe dela ou levantar cedo para treinar, mas pelo visto, ela tinha dado um bom cansaço no sayajin. Ele respirava pesadamente como alguém que não dormia há tempos. Ficou com medo da reação dele ao acordar, talvez não tivesse preparado pra lidar com o tipo de relacionamento que estavam tendo. Bulma na verdade se perguntava sobre que tipo de relação eles tinham e de que modo o contato sexual afetaria na sua convivência com o alien. Ao pensar nisso, encontrou-se impressionada consigo mesma: tinha transado com um alienígena! Quão bizarro era isso? Ela ria de alegria ao mesmo tempo de estranhamento ao perceber que jamais na sua vida se imaginaria tendo relações sexuais com um extraterrestre. Um ser de outra espécie, como ela era louca! Tinha arriscado muito! E se Vegeta gostasse de praticar sexo de alguma maneira impossível para um ser humano? Poderia ter feito o que quisesse com seu corpo e ela, a cientista maluca e inconsequente, nem havia pensado nisso.

Sentou-se na cama em posição de lótus e discou do seu telefone para o da cozinha. Pediu que levassem café da manhã até o seu quarto com a quantidade de comida triplicada. A voz da empregada ao concordar soava estranha, talvez porque todos sabiam o quanto a garota cuidava da alimentação e nunca pedia tanta comida. Depois de terminar a ligação, olhou para Vegeta e lembrou que a primeira vez que havia o visto fora quando estava adormecido e de repente aquele mesmo alienígena estranho agora estava dormindo em sua cama. Teve o impulso de tocá-lo, mas ficou apreensiva com a possibilidade de uma reação negativa por parte dele. Soltou um suspiro longo, quase soando como um arrependimento profundo, e sentou na beirada da cama procurando seus chinelos de algodão com os pés tateando o carpete. Antes que pudesse achá-los, um par de mãos a puxou de volta para a cama e Vegeta a abraçou pela cintura. Sentir o corpo dele pressionando suas costas a fez esquecer de qualquer arrependimento que poderia ter.

– Onde você pensa que vai, terráquea?

– Eu só ia tomar um banho. — ela disse sentindo o aperto dele forçar contra suas costelas. — Você pode vir comigo se quiser.

Ele beijou sua nuca e sem fazer nenhum comentário começou a imitar os movimentos da cientista, seguindo-a até o banheiro. Ela o puxava por uma das mãos até o box quadrangular. Vegeta insistia em puxá-la para si a cada passo que davam e demorou um pouco para ela conseguir se desfazer das garras dele e chegar a abrir o chuveiro. Bulma tentava tomar seu banho como se ele não tivesse ali, mas Vegeta não deixava e invadia seu corpo com suas mãos insistentes. Aos poucos, ela começou a revidar os carinhos, colocando-o contra a parede. Desceu a mão pelas costas musculosas até alcançar a cauda felpuda e começou a massageá-la suavemente da base até a ponta. Começou a beijá-lo do pescoço em um caminho decrescente, até ficar ajoelhada diante dele, frente a seu membro rijo, enquanto segurava a ponta da cauda com uma das mãos. Com a outra livre, Bulma colocou-o dentro de sua boca. Primeiro o lambeu provocantemente, sem cortar o contato visual, e em seguida, introduziu o membro ereto em sua boca, sugando sem pressa, alternando os movimentos com os de sua mão massageando a cauda. Sentia um prazer diferente em tê-lo em sua boca, era uma satisfação que lhe trazia um sentimento de poder por ver o homem que tanto desejava a mercê de seu domínio.

Com o passar do tempo, Vegeta foi ficando mais impaciente e segurava a cabeça dela para que ele mesmo fizesse os movimentos para dentro de sua boca. Forçava sua pélvis contra seu rosto, mas devagar, segurando-a pelo cabelo, sem deixar de encará-la com seus olhos escuros. Deixava escapar sons abafados, como um ronronar rouco, o que fazia Bulma sentir-se ainda mais excitada. Ela nunca pensou que pudesse ter tanto espaço em sua boca, estava completamente preenchida, mas ele insistia delicadamente e empurrava mais até os limites de sua garganta. Quando a glande atravessou pelas amídalas, Bulma sentiu o estômago vazio protestar pela invasão e os olhos azuis lacrimejaram, deixando um sorriso pérfido escapar dos lábios do sayajin. Quando viu que os olhos da garota estavam muito avermelhados, soltou seus cabelos e deixou que ela fizesse o resto. Bulma voltou a sugar com mais intensidade, agilizando o movimento a medida que os sons guturais indicavam o orgasmo iminente, até que o membro comprimido em seus lábios começou a pulsar sem parar e derramou uma grande quantidade de sémen dentro de sua boca. Instintivamente acabou engolindo, mas deixando escapar uma gota do líquido leitoso, que escorreu pelo seu queixo. Vegeta limpou o rosto da garota e depois a fez chupar o dedo com a última gota que faltava, introduzindo o polegar na boca semi-aberta.

Os dois voltaram a tentar tomar banho juntos, mas era uma tarefa mais difícil do que parecia nos filmes românticos, tudo isso porque Vegeta descobriu os lugares particulares aonde Bulma sentia cócegas e percebeu que havia encontrado uma forma nova e muito interessante de torturá-la. No misto de gritos e risadas da garota, os dois mal ouviram quando um dos empregados bateu na porta do quarto. A mulher teve que falar duas vezes em alto e bom som para avisar que o café da manhã havia chegado. Bulma gritou do chuveiro para que deixassem tudo em cima da cama e antes que pudesse agradecer, Vegeta apertou a curva de sua cintura e ela explodiu numa risada escandalosa pela sensibilidade que sentia na barriga. Por vezes, ele a botava de costas pra ele e usava a cauda para tocá-la atrás dos joelhos, outro lugar sensível que a fazia se debater nos braços dele pelas cócegas que sentia. É claro que a posição também privilegiava sua visão e ele tinha recém percebido que a cientista possuía covinhas nas costas, onde terminava a coluna vertebral. Ela era instigante em cada detalhe e parecia que todo novo contato era uma descoberta mais fascinante que a anterior.

Pressionou o corpo dela contra a parede de azulejos e passeou com as mãos pelos seus braços branquinhos. Bulma sentiu um arrepio, em pouco tempo já estava imobilizada em seus braços enquanto Vegeta a masturbava com uma das mãos. Era um movimento devagar que acompanhava a respiração calma em seu ouvido.

– Vejo que você é cheia de pontos fracos. — ele disse.

Ele virou ela para si e voltaram a se beijar ardentemente. Vegeta ergueu as pernas da cientista e sem nenhuma cerimônia, penetrou dentro dela pressionando-a contra a parede. Foi devagar, mas de uma vez só, se colocando o mais fundo que podia dentro dela. Ele mexia e remexia seu corpo pequeno como se ela fosse uma boneca de pano, e ela que nem era tão flexível assim nem protestava. O ritmo de estocadas era bruto e ele percebia que ela gostava assim. Aquele sayajin parecia ter um dom de interpretar os gemidos da garota e sem muita dificuldade compreendia qual o jeito ou posição ela mais gostava. Ele apenas prestava muita atenção e agia prontamente de acordo com o que ela preferia, mas para Bulma que vivia a sensação à flor da pele, lhe parecia que Vegeta tinha o poder de ler sua mente e descobrir seus segredos mais íntimos. Não era a toa que frequentemente se sentia perseguida e despida por aqueles olhos negros, pois eles de fato já analisavam a cientista há tempos.

A sequência de movimentos foi tão selvagem que Bulma nem se deu conta que haviam estalidos de suas articulações ecoando pelo banheiro. Só percebeu que algo estava errado quando terminaram de tomar banho e ela sentiu as pernas doerem ao caminhar até o quarto. Havia um par de bandejas cheias de comida de café da manhã na beira da cama, mas Vegeta estava mais preocupado com o andar estranho da moça. Ela abriu uma das gavetas do bidê e lhe deu uma bermuda preta que tirou de lá. Bulma vestia um dos seus roupões de algodão e ficou observando Vegeta sentada na cama enquanto ele tirava a toalha enrolada na cintura e vestia a bermuda de pé na sua frente.

– Não me diz que criou um santuário pra mim nessa gaveta? — ele provocou ao reconhecer seus pertences na gaveta que ela acabara de fechar.

Ela estava tão entretida observando o corpo dele que nem ligou para a sua provocação. Os dois se sentaram em cima da cama para comer e Vegeta mais ma vez percebeu a rigidez de movimentos da garota.

– Tá tudo bem, terráquea?

Pela primeira vez ele pareceu carinhoso ao chamá-la pelo nome que tanto usara de modo pejorativo para desprezar a garota. Parecia verdadeiramente preocupado, o que fez Bulma pensar em alguma coisa para que não se sentisse culpado.

– Acho que eu tava muito enferrujada com tanto estresse.

– Se eu te machucar você tem que me dizer pra eu saber desenvolver um autocontrole maior. — disse ele pegando um pedaço de pão e colocando inteiro na boca.

Bulma tinha esquecido o quanto os sayajins comiam e ficou um pouco assustada com a voracidade com que Vegeta devorava tudo o que via pela frente. O apetite daquela raça era algo que nunca conseguiria compreender muito menos se acostumar, comia como se fosse morrer no dia seguinte, como se fosse a última refeição de sua vida. A cientista mordiscava sua panqueca discretamente, olhando com os olhos arregalados para Vegeta, que comia como um leão faminto ao seu lado.

– Você nunca se engasgou comendo? — ela perguntou.

– Não. — disse ele curto e grosso.

– É que você come tão rápido! Como se a comida fosse sumir se você não colocar tudo na boca de uma vez!

Ele sentiu o tom de censura e lançou um olhar mal humorado para a cientista, que acabou soltando uma risadinha com o jeito rabugento do rapaz. Em pouco tempo eles já tinham comido tudo das bandejas e Bulma começou a acariciá-lo naturalmente, levando os dedos entre os cabelos negros, mas o sayajin passou a se mostrar estranho. Parecia distante e trouxe uma ponta de insegurança na garota, ela logo já estava se perguntando o que havia feito de errado.

De repente, ele se levantou da cama e caminhou em direção a porta. Bulma não acreditava no que via. Ele simplesmente estava indo embora, ficou ranzinza de uma hora pra outra e quis ir embora. Ela entendeu bem o que estava acontecendo, pelo menos achava que sim. Vegeta estava de volta ao seu papel de arrogante, tratando-a com desprezo, como se nada tivesse acontecido. Um estalo na cabeça dele e decidiu por ir embora como se ela fosse nada.

– Onde você vai? — ela perguntou irritada.

– Você sabe que eu tenho que treinar. — respondeu ele mais irritado ainda.

E bateu a porta do quarto ao sair. Bulma afundou a cabeça no travesseiro e sentiu uma raiva profunda, mas acima de tudo estava muito confusa com as alternâncias de atitude de seu sayajin tempestuoso. Concluiu que era ridículo pensar assim, ele não era seu sayajin, ele não era de ninguém além dele mesmo. Livre, indomável e dono do próprio destino. Que ele fizesse o que bem entendesse, ela ia cuidar da própria vida.

Fez todo o trabalho que faltava no laboratório, terminou um dos relatórios a ser mostrado para a NASA, ligou para a sede da Corporação pedindo os relatórios das últimas reuniões e acabou descobrindo da conferência científica que a empresa do pai e a maior agência espacial do mundo promoveriam às vésperas de seu aniversário de vinte anos. Ao anotar o compromisso e ver a proximidade das duas datas, ligou para os pais que estavam de férias e descobriu que a mãe já havia reservado os principais elementos da festa com antecedência. Buffet, bebidas, garçons, decoração, e de quebra, havia ganhado um vestido novo exclusivo de uma das maiores grifes do continente. A Sra.Briefs só contou porque a filha insistiu, pois era pra ser tudo uma grande surpresa, mas no fim das contas foi melhor assim para que a cientista preparasse tudo com antecedência. Faltavam poucas semanas e queria que fosse um evento memorável. Os convites já tinham sido enviados pela mãe que convidara todos que compareceram na festa do ano anterior, acrescentando seus novos amigos do Oriente, é claro.

– Querida, como foi sua primeira noite sozinha na casa? — perguntou a mãe aflita desviando o assunto. — Não vai se atolar em trabalho, ein? Tem que se divertir um pouco!

– Não foi tão solitário. O Vegeta me fez companhia.

A loira soltou uma gargalhada.

– Já? Na primeira noite a sós? Pensei que vocês iam esperar um pouco, Bulminha! Como foi? Aposto que o Vegeta com aquela testosterona toda é incrível na cama!

O rosto de Bulma estava vermelho como um pimentão. A tela da vídeo-ligação mostrava o rosto da mãe contendo um risinho.

– Mãe!!! Pelo amor de deus, mãe! Para com isso!

– Não tente esconder coisas da sua mãe! Vai, fala, ele é bem dotado?

– Mãe, tchau! Tenha uma boa viagem e cuida bem do papai, tá? — disse a garota tentando encerrar a ligação.

– Querida ele te deu prazer oral? — perguntou a mãe preocupada. — Não aceite um homem que não desce a boca lá embaixo por você!!

Bulma desligou o telefone e cortou a fala da mãe no meio. Não conseguia acreditar no despudor da mãe em lhe falar aquelas coisas, nunca iria se acostumar com a maneira tão natural que ela falava sobre sexo. Aquela conversa a fez lembrar dos momentos mais intensos com Vegeta e um arrepio caiu sobre seu corpo, mas a garota imediatamente se obrigou a tirar o príncipe da cabeça.

Voltou a estudar na biblioteca sobre a anatomia dos sayajins, as horas passaram rápido até que ela terminasse a apresentação para a NASA. Só não continuou lá porque foi interrompida por Lukia, uma das empregadas mais antiga da mansão dos Briefs. Viera avisar sobre uma visita insistente na portaria do condomínio que precisava muito conversar com a cientista.

– Algum repórter? Não vou receber nenhum veículo da imprensa em casa.

– Ela mandou dizer que é a namorada de Goku, Senhorita.

Os olhos de Bulma quase saltaram fora das órbitas e ela imediatamente levantou e saiu correndo pelos corredores da casa dizendo para deixarem ela entrar. Estava eufórica por conhecer a garota que conquistou o coração do melhor amigo, era como se já nutrisse sentimentos fraternos pela moça desconhecida, mas ao mesmo tempo sentia uma ansiedade crescente que dizia aos seus instintos que algo de errado poderia ter acontecido.

Esperou ansiosa a presença da garota na frente da casa. Um dos seguranças veio acompanhando uma moça magrinha de longos cabelos negros de mão dada com uma criança de bochechas rosadas. A mulher que caminhou até a entrada da casa era de ascendência oriental, lábios grossos e arredondados, maçãs do rosto proeminentes, olhos castanhos puxados com cílios curtos. Bulma a abraçou com carinho quando a garota lhe sorriu, tinha um sorriso amável com covinhas no rosto e uma franja reta que lhe dava um aspecto jovial e quase infantil. Ela se apresentou como Chichi numa voz tímida.

– Oi, Chichi! E quem é esse pequenino se escondendo atrás de você? — disse a cientista sem tirar os olhos do garotinho de cabelos negros.

– Seja educado, Gohan!

O menino desgarrou das saias da moça e direcionou a mãozinha para cumprimentar Bulma.

– Prazer! — ele disse com a voz doce de criança. — Eu sou Gohan.

Bulma apertou a pequena mão sem responder ao menino. Estava com os olhos vidrados nele, era baixo e franzino, devia ter por volta de sete anos de idade, mas o choque da garota vinha das costas do garoto de onde pendia uma pequena cauda de primata. Sem que Chichi precisasse dizer qualquer outra coisa, ela os convidou para entrar, compreendendo imediatamente o grau de relações entre a moça, a criança e seu melhor amigo.

Lá dentro, na cozinha, Bulma pediu que servissem doces para o menino, mas apesar de flertar com as guloseimas, Gohan manteve a polidez e comeu timidamente de cabeça baixa. Sempre olhando para Chichi, pedindo permissão com o olhar. Bulma resolveu ir direto ao assunto.

– É filho dele?

Chichi fez que sim com a cabeça.

– Vivemos juntos há um tempo, você deve estar achando estranho que ele nunca tenha dito nada pra ninguém.

– Casados? — ela perguntou chocada. — Eu nunca imaginaria...

– Nunca nos casamos oficialmente, mas moramos juntos há oito anos.

– Não dá pra acreditar que ele nunca nos contou! — disse Bulma indignada. — Nem os amigos mais antigos dele sabem sobre vocês!

– Ele sempre me convenceu de que precisávamos proteger Gohan e que pra isso era melhor ficarmos longe. Então, como eu sabia que ele sumia de vez em quando, sempre imaginei que foi para lutar contra inimigos. — disse ela com um sorriso plácido no rosto. — Meu Goku sempre foi assim!

– Mas ele te conta as coisas, eu imagino. Por exemplo, você sabe que ele é de outro...

Bulma media as palavras por conta da presença de Gohan, mas o menino se mostrava tão disperso que mal parecia notar a presença das duas.

– De outro planeta! Sim, ele contou tudo, dos sayajins vindo atrás dele, das esferas, do velho Kame... Meu Goku apenas me manteve longe esse tempo todo para não expor nosso filho a nenhum perigo.

A cientista percebeu na fala da moça que o sentimento que nutria pelo namorado sayajin era puro e muito forte. Falava dele com um olhar sonhador como o de uma garotinha inocente falando de seu maior herói. Bulma gostou da transparência de Chichi, mas ainda não entendia o que fizera os dois irem parar em sua casa.

– Aconteceu alguma coisa com ele? Quero dizer, eu sempre quis te conhecer, Chichi, eu e Kuririn já desconfiávamos que as sumidas do nosso amigo indicavam uma possível escapada, se é que me entende. — disse Bulma sem querer parecer indiscreta, mas se arrependeu em ter dito aquilo quando viu a face da jovem corar e seus olhos baixarem de vergonha.

Bulma observou melhor a garota de traços mestiços e notou um colar delicado que levava uma cruz como pingente, não uma cruz qualquer, mas justamente aquela que simbolizava uma das religiões mais antigas e conservadoras que ainda existiam no novo mundo. Concluiu então que ela era uma moça mais recatada do que a cientista poderia imaginar. Totalmente diferente de Goku, que apesar de bobo e infantil, era muito solto e despudorado quando se tratava de brincadeiras entre amigos. Percebeu que aquele casal era um vínculo de polaridades.

– Bom, eu fico um pouco preocupada com a aparição de vocês tão de repente. — disse ela tentando consertar a situação. — Goku está bem?

– Na verdade, viemos até aqui porque pensamos que você poderia nos dizer onde ele está. Você é a única pessoa de quem meu Goku guardou o endereço.

Dizendo isso, a face da moça corou de novo e Bulma começou a entender o que se passava, mas por um momento ignorou suas suspeitas pela preocupação que lhe tomou.

– Você tá me dizendo que seu namorado sumiu sem te avisar aonde ia? É bem a cara dele mesmo! Pera aí que já vou resolver isso.

A garota saiu para pegar o telefone e foi digitando números na tela do aparelho. Chichi ouvia a conversa da cientista com Kuririn, este que disse não fazer ideia do paradeiro do amigo alienígena. Enquanto Bulma falava com a voz firme no telefone, ela observava a sofisticação da casa que a amiga de seu namorado morava. Chichi era uma garota do campo e nunca tinha visto um lugar tão luxuoso. Aquela cozinha era enorme e teve a impressão de terem caminhado por entre muitos cômodos até que chegassem ali. Era um lugar extenso e pela janela acima do balcão da pia, via-se um jardim maravilhoso que abrigava uma piscina retangular.

Ao mesmo tempo que se impressionava com a mansão dos Briefs, Chichi olhava a cientista de esguelha, para que não percebesse que estava a encarando, mas a jovem oriental não conseguia deixar de olhar para aquela mulher que só tinha visto pelos noticiários na televisão Era ainda mais linda pessoalmente, tinha um corpo feminino fabuloso e uma pele que parecia ser feita de porcelana francesa. No entanto, estava vestida como uma pré-adolescente, um short jeans meio rasgado, uma camiseta de alguma banda que Chichi não conhecia, e uma camisa xadrez amarrada na cintura. Só faltava um boné e botas de lenhador pra completar o visual desencanado, mas mesmo assim, a cientista de cabelos azuis exalava feminilidade em cada gesto, o que só fez a morena suspeitar mais ainda da relação de seu namorado com aquela moça de beleza exótica.

– Bem estranho! — disse Bulma depois de terminar as ligações. — Ninguém sabe onde ele foi, mas parece que Piccolo foi junto, então podem ter ido treinar. Talvez em Namek, o planeta natal do Piccolo.

– Outro planeta? — indagou-se Chichi sem entender. — Isso quer dizer que...

– Que o seu namorado é maluco! — disse Bulma já ficando meio indignada com aquela história. — Como ele pode ter sumido sem dizer nada pra vocês? Deixando uma família pra trás? Olha, esses sayajins são todos inconsequentes, pelo visto! Chichi, você quer ficar aqui com o Gohan?

– Ficar aqui?

– É! Olha só, eu tenho muito carinho pelo Goku e se você é a família dele vai ser minha família também! Até que ele volte é mais seguro que fique aqui, posso prover tudo pra você e seu filho e além disso nos conheceremos melhor e...

Bulma falava com tanta empolgação que deixou Chichi com medo de interrompê-la.

– Eu não posso aceitar...

– Como assim? Eu posso trazer professores particulares pro Gohan e seria bem interessante ver como anda a saúde dele já que ele é um mestiço e...

– Bulma! Eu só vim até aqui porque encontrei o seu endereço escrito num pedaço de papel dentro de uma das roupas do meu Goku. — disse Chichi mostrando-se firme e depois olhou para o filho. — Gohan, querido, você pode nos esperar ali fora da cozinha?

O menino obedeceu educadamente pedindo licença antes de sair do cômodo. Bulma olhou para a moça de cabelos negros e tentou adivinhar o que pensava.

– Pera, você achou que Goku estivesse tendo alguma relação adúltera comigo? — aquilo lhe parecia tão absurdo que a voz da cientista quase soltou uma risada de escárnio.

– O que você pensaria no meu lugar?

Um forte vínculo de empatia criou-se na mente da cientista e imediatamente ela soube que aquela era uma mulher com a qual se identificava. Era completamente diferente dela, mas havia algo ali que se enganchava com sua personalidade.

– Eu entendo, mas... não precisa se preocupar com isso. — disse a cientista tentando parecer mais séria vendo que a garota estava realmente acreditando naquela possibilidade. — Goku nunca trairia as pessoas que ama e... digamos que ele não faz meu tipo!

Nessa hora, uma presença entrou na cozinha e assustou a visita com sua voz grosseira. Bulma imediatamente reconheceu Vegeta e seu comportamento nada civilizado. Estava possesso por ter sentido um ki muito potente para um ser humano que rapidamente percebeu pertencer ao menino Gohan. Até que Bulma explicasse toda a situação e acalmasse o sayajin, levaram alguns minutos de discussão e insultos gratuitos. Chichi os observava com os olhos arregalados, pois mesmo tentando baixar o tom de voz para a criança não ouvir, não fazia a menor diferença pra quem estivesse perto.

Bulma achou mais prudente omitir a parte da história sobre Goku não estar mais no planeta Terra. Não sabia que tipo de reação poderia surtir em Vegeta, já que sem seu maior rival por perto, o ser mais poderoso daquele planeta era ele e ela tinha medo do que ele seria capaz de fazer se soubesse da ausência do único capaz de detê-lo.

– Eles vão ficar aqui enquanto Goku estiver treinando. — ela explicou. — Vê se não assusta eles, tá bom? Você vai ter que se comportar!

Ele a olhou irado. Estavam no corredor entre a cozinha e a dispensa de comida, mal sabendo que dava pra ouvir tudo o que diziam pelo volume das vozes.

– Por que você insiste em me dar ordens, mulher? Quem tem que se comportar aqui é você, sua imbecil! Você que é a terráquea malcriada e me deve respeito!

– Ah! Por que você é o "senhor príncipe dos sayajins"? — ela zombou. — Você está fora da jurisdição do seu reinado, Alteza! No meu planeta, são as minhas regras que valem!

Ele estava prestes a revidar, mas um choro de criança cortou o duelo verbal de supetão e Bulma saiu correndo de volta para a cozinha. Nada de mais havia acontecido, Gohan tinha apenas escorregado e batido o joelho no chão, mas seu choro fazia tudo parecer como um grave acidente. Chichi acudia o menino enquanto Bulma observava a manha da criança sem compreender como aquele poderia ser filho de um sayajin. Pensou que Vegeta deveria ter achado o mesmo, mas ao olhar pra trás viu que ele já tinha desaparecido na primeira oportunidade. Bulma mordia-se de raiva, pois achou que depois da noite de tiveram Vegeta passaria a se comportar de um jeito diferente, mais gentil ou quem sabe até mais amoroso, mas aparentemente as grosserias do alien só tinham piorado com a intimidade que havia se estabelecido entre eles.

Focou em animar a criança e apresentar a casa para os dois. Chichi havia concordado em esperar por seu namorado na casa dos Briefs, porque por tabela poderia conhecer melhor a vida que Goku lhe escondia, principalmente tratando-se da amizade com a bela cientista. Aos poucos, as duas foram se afeiçoando e trocando histórias de suas vidas pouco semelhantes. Deixou a mãe e o filho em um dos melhores quartos do terceiro andar da mansão, mas afastados do corredor onde ficavam o seu quarto e o de Vegeta. Era melhor pra todo mundo que fosse daquele jeito, pensou a cientista.

Mais tarde, depois de jantarem juntas, conversaram por um bom tempo. Bulma reparava com agrado o jeito contido com que Chichi contava sobre sua experiência de ser uma mãe tão jovem, até as roupas daquela moça pareciam recatadas demais para sua idade. Bem diferente da camisola de seda que Bulma vestia por cima da lingerie preta. Às vezes o contraste da aparência das duas era tanta que a cientista sentia-se um pouco vulgar em se vestir daquele jeito na frente de uma moça religiosa e tão comportada. Antes que pudesse ficar tarde, Chichi resolveu levar Gohan para dormir e Bulma prometeu que levaria alguns itens básicos para o quarto deles. Já nutria uma preocupação forte por aqueles dois, mãe e filho, que lhe pareciam ambos tão frágeis. Quando desceu as escadas para procurar mantimentos na dispensa, Bulma se pegou com raiva de Goku. Estava imensamente decepcionada, pois afinal de contas, que tipo de pai de família abandona a mulher e o filho pra ir treinar em outro planeta? Sem nem ao menos avisar ninguém? Eles nem ao menos eram casados, sendo que a garota era visivelmente religiosa e tradicional, um outro desrespeito de Goku. Por que escondera ela esse tempo todo? Por que eles tem um filho de sete anos, moram juntos, mas nunca se casaram? Aquela história parecia cada vez mais estranha, só fazia Bulma desconfiar do caráter incorruptível do amigo, que a deixava numa sinuca de bico com a família do rapaz.

De repente sua vida tinha sofrido uma reviravolta inesperada e agora ela se sentia responsável pelo menino simpático e sua mãe recatada. Se via dentro daquela dispensa procurando tudo que pudesse ser útil a uma mãe e sua criança, mas não entendia muito de maternidade e acabou escolhendo itens aleatoriamente, levada pelo instinto. Ela foi pegando lenços umedecidos, sabonetes anti-sépticos, sais de banho, algodão, remédios e esparadrapos, alguns chocolates, colocando tudo em uma cesta de madeira. Aquela dispensa de alimentos e utensílios era tão grande que quase parecia um pequeno mercado particular dos Briefs e Bulma mal tinha reparado que já estava no fim do último corredor de estantes e não havia mais nenhum canto daquela dispensa que não havia sido checada por seus olhos atentos.

Estava prestes a fazer o caminho de volta quando, do outro lado da sala, a porta da dispensa fechou numa batida forte e as lâmpadas que iluminavam os corredores foram desligadas de uma vez só. Mas além disso ela não ouviu nenhum barulho, o que a fez largar a cesta na prateleira ficar petrificada no canto aonde estava. Ouviu passos lentos e sorrateiros andando pelo chão da dispensa e seu coração acelerou tão rapidamente que despertou o divertimento daquele com quem dividia o escuro. Aquela sequência de acontecimentos foi tão assustadora que mesmo depois de reconhecer a risadinha abafada de Vegeta, ela ainda temia pelo que poderia acontecer. Foi uma das situações mais estranhas pela qual teve que passar, não enxergava um palmo a sua frente, ouvia os passos vindo de uma direção incerta, e além de tudo, aquilo a fez lembrar da primeira vez que Vegeta despertou de seu coma e a encurralou de surpresa num dos corredores da cabana. A sensação de impotência a deixou extremamente desconfortável, mesmo tentando repetir para si mesma que aquilo deveria ser só mais uma brincadeirinha do sayajin.

– Com medo, terráquea? — ele disse numa voz que Bulma quase não reconheceu.

Sim, tinha medo, apesar de não ter dito nada em resposta. Sentia muito medo, pois lembrou-se que aquele era um assassino, uma criatura estranha de outra espécie, um torturador, um estuprador, o que ela estava pensando, afinal? Que iria mudá-lo? Que sua bondade atravessaria seu coração de pedra? O tom de voz e o modo lento como se aproximava, sem saber de onde ele vinha, fez Bulma sentir que estava sendo cercada por um carrasco. Então era assim que suas vítimas se sentiam. Então é assim que ele soa quando está caçando alguém. Aquele terror psicológico estava deixando a garota mal e ela podia ter certeza que ele sabia disso, que ele tinha conhecimento do quanto ela odiava se sentir indefesa. Que ele fazia de propósito.

Sentiu a presença masculina se aproximando pela sua frente e encurralando-a contra as prateleiras. Ele não disse nada quando começou a tocá-la, passou a mão pela camisola de seda e acariciou a parte de baixo da lingerie. Ela sentiu a respiração se aproximar de seu ouvido enquanto as mãos deslizavam pelo seu corpo sob a camisola.

– Vegeta, eu preciso entregar umas coisas pra Chichi. — disse Bulma tentando parecer normal. — Dá licença, por favor?

– Não.

Ele estava comprimindo o corpo sobre o dela enquanto lhe enlaçava em seu aperto. Bulma teve a impressão de estar sendo sujeita a uma provação de autoridade.

– O que? Me solta, seu macaco idiota!

– Você quer que eu te solte? — ele perguntou com teatralidade, fingindo indignação.

Uma de suas mãos desceu para dentro da calcinha e deslizou os dedos na umidade que tomava o seu sexo. Bulma se sentiu mal por não conseguir controlar o próprio corpo, era como se ele o controlasse melhor que ela mesma. Ela ainda mantinha as mãos apoiadas na estante atrás de si, não queria retribuir nenhuma daquelas carícias pra que ele não pensasse que ela gostava de ser tratada como uma presa. Quando um dos dedos pressionou delicadamente sobre o seu ponto mais sensível, Bulma soltou um gemido involuntário e em seguida mordeu o lábio inferior reprimindo-se, sabendo que não precisava responder a mais nada. Os lábios de Vegeta vieram contra os seus com ferocidade e a onda de torpor abateu sobre os dois. Beijavam-se com uma gula sôfrega, agora os braços da cientista o envolviam e puxavam-no para si, enquanto ele a erguia de modo que ficasse apoiada em uma das prateleiras, com as pernas abertas contra sua pélvis.

Nenhuma peça de roupa foi arrancada ou tirada. Vegeta habilmente introduziu o membro pela lateral da calcinha, puxando o tecido pro lado e penetrando com cuidado. Bulma tinha notado que ele sempre colocava com calma, lentamente, o único momento em que ele parecia ter alguma gentileza com o seu corpo. Instantes depois e ele já voltava a ser um amante voraz, batendo o corpo contra o seu com força. Ela arranhava as costas dele, adorava sentir os músculos daquelas costas sob a ponta de seus dedos, e ele parecia gostar porque toda vez que ela o arranhava com mais força, ele estocava mais rápida e intensamente. Em algum momento, ela pensou que rasgaria de dentro pra fora, até que começou a sentir um músculo macio acariciar seu clitóris. Percebeu que a maciez vinha dos pêlos da cauda que lhe tocava com delicadeza. Ela não entendia como ele podia sincronizar dois movimentos diferentes ao mesmo tempo, mas a sensação era boa e foi se tornando crescente. Quando estava muito próxima de atingir o orgasmo, Vegeta começou a sussurrar no seu ouvido de uma forma quase agressiva.

– Diz que você é minha! — disse com o maior tom imperativo que sua voz possuía. — Fala! De quem você é?

Ela parecia protestar em ceder àquilo e vendo isso, ele começou a desacelerar os movimentos vendo o corpo da garota entrar em desespero. Puxou-o para mais perto e lhe arranhou as costas com toda a força que tinha, justamente com a intenção de revidar aquela tortura, mas ele parecia não sentir nada.

– Não, não para!! — ela implorou em seu ouvido.

– Então diz quem é o seu dono. — disse Vegeta enquanto diminuía o ritmo das estocadas lentamente.

– É você! — ela respondeu ao pé do ouvido enquanto puxava-lhe os cabelos da nuca. — Eu sou só sua. Completamente sua!

Ele voltou a adentrar em seu corpo com força enquanto a ouvia se render em seu ouvido. Bulma chegou ao orgasmo com a mesma rapidez e intensidade que ele estocava para dentro dela. Seus gemidos proferiram um som tão alto, que Vegeta lhe calou a boca com uma das mãos.

– Você é minha! — ele sussurrava em seu ouvido enquanto ouvia seus gemidos de prazer. — Você é minha, Bulma!

Quando ele também chegou em seu ápice, ela ainda sentia a sensibilidade do orgasmo intenso e mordia com força a mão que lhe calava os gemidos. Suas pernas tremiam e ela não conseguia andar depois de terem terminado, estava totalmente sem forças. Ele a levou no colo para os andares acima até chegarem no corredor de seus quartos. Bulma protestou quando viu seu corpo sendo levado para sua cama.

– Não! — ela disse num gemido fraco. — No seu quarto!

Vegeta pareceu bufar de impaciência, mas levou a garota para dormir na mesma cama que a sua.

– Como você é apegada! — ele disse provocando-a.

– Só não dou um tapa nessa cara porque não tenho mais forças pra nada. — ela respondeu afundando a cara no travesseiro de Vegeta.

A verdade é que ele tinha razão, ela já se sentia completamente apegada e domada por suas mãos hábeis de sayajin. E ao menos para ela, não tinha mais volta.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.