A Escolha de Bulma
22 Eu Nunca
Notas iniciais
– Que tipo de brincadeira? – perguntou o sayajin desconfiado do outro lado da mesa.
– O nome do jogo é "eu nunca" e funciona desta maneira: eu digo alguma coisa que eu nunca fiz, qualquer besteira aleatória e se você já fez essa coisa tem que beber um gole, entendeu? Não vale esconder a verdade!
– Hunf! Que jogo mais estúpido!
– É legal! Vou dar um exemplo... Eu nunca... matei alguém.
Vegeta ficou um tempo parado olhando a garota com aquele jeito sério e rabugento.
– Vegeta, você tem que beber porque você já matou outros seres vivos. Entendeu? É assim que funciona a brincadeira.
Ela ofereceu o copo e ele o pegou nas mãos, tomando quase tudo em um gole só. Bulma percebeu que o sayajin não tinha nenhum costume de beber álcool. Ele torceu o nariz em uma careta.
– Argh! Mas tem um gosto horrível! Como consegue beber isso?
– Não era pra tomar tudo! – avisou a garota com medo de que o rapaz se sentisse mal com aquela virada de copo. – Isso é forte, Vegeta! Tem que ser um gole por vez.
– Como é que eu ia saber? Você não me avisou que era tão amargo!!
– Bem, agora você já sabe. Vai, é a sua vez! – disse Bulma empolgada. – Fala algo! Anda, fala, Vegeta!
– Cala a boca! To pensando! Deixa eu ver... Você não pode ser desonesta, certo?
– Isso mesmo! Não tenho medo da verdade! — disse Bulma sentindo o torpor do álcool lhe abater.
– Eu nunca tive algum envolvimento com Kakkaroto. — disse Vegeta numa tacada só.
– Essa é a sua primeira sugestão? — perguntou sem compreender. – Por que isso assim de repente? Tá com ciúmes, príncipe?
Dizendo isso, ela roçou os pés descalços na perna dele sob a mesa, mas Vegeta fingiu não perceber e ainda tinha os olhos a metralhando com aquele olhar inquisitivo.
– Não vai responder? – indagou irritado.
– Você está vendo minha resposta, eu não bebi! Por que imaginaria algo assim? Ele é meu amigo, só isso. E olha só, eu não gosto de possessividade, tá bom? Você não tem o direito--
– Não começa a torrar minha paciência. – ele reclamou ao interrompê-la. – Vai, sua vez, insolente!
– Eu nunca fiquei impressionado com as habilidades cerebrais da terráquea insolente.
– Como você é convencida, mulher!
– É essa a sua resposta? Por favor, Vegeta, estamos sozinhos aqui. – ela piscou pra ele sugestivamente. – Pra que ser tão resistente?
Ele a encarou por um momento antes de dar um gole no copo. Bulma sorriu ao ver o sayajin rosnar em protesto por ter que admitir aquilo. Na vez dele, Vegeta pensou com cuidado e disse com a mesma seriedade de antes:
– Eu nunca gostei de ser molestado por alienígenas.
O sorriso de Bulma sumiu e o de Vegeta apareceu sorrateiramente ao ver o rosto da garota ruborizar de repente.
– Ora, Bulma! Pra que ser tão resistente? Somos só nós dois, lembra?
Bulma sentiu a ferroada de Vegeta acertar seu orgulho, se deu conta do quanto o grau de intimidade entre eles havia avançado em tão pouco tempo, de modo que se tornava difícil não se sentir vulnerável diante dele. Ficou se perguntando sobre o quanto ele a conhecia. Porém, não era de todo o ruim vê-lo se mostrar daquela forma. Nunca imaginou que um dia ouviria Vegeta lhe falando com tanto atrevimento, enquanto dividiam uísque do mesmo copo. Finalmente, ela suspirou e deu um gole tímido no copo. Ele a olhava com satisfação, os olhos negros perversos brilhando em triunfo acompanhados pelo sorriso se formando no canto da boca. Ela percebeu que poderia pegá-lo desprevenido de outra forma, pois o sayajin já não tinha o menor pudor em trazer assuntos sexuais à tona. Talvez seus sentimentos fossem mais fáceis de se atingir.
– Eu nunca tive um irmão. – ela disse séria.
Foi um chute certeiro e Bulma se surpreendeu ao vê-lo beber um gole.
– Qual o nome dele? – ela perguntou sem conseguir esconder o interesse.
– Você está quebrando as regras da brincadeira. – ele reclamou mal-humorado.
– Por favor, Vegeta! Não sei nada sobre você.
Ele suspirou de impaciência antes de falar.
– O nome dele é Tarble. – ele disse seco. – É alguns anos mais novo que eu, foi mandado para outro planeta quando ainda era bebê porque não tinha um poder de luta bom o bastante para ser guerreiro de Vegetasei. Desde então nunca mais o vi. Mais alguma coisa que você queira saber, sua intrometida?
– Pobrezinho! O que aconteceu com ele depois que foi embora?
– Eu acabei de dizer que nunca mais vi ele! Você é surda agora?
– Você não fez nada pra impedir que o levassem? Sei que você era só uma criança, mas eu teria tentado alguma coisa.
– Eu tentei, na verdade.
– Sério? Você enfrentou a autoridade do seu pai que era rei pra salvar seu irmão?
– Sim, mas como você disse, eu era só uma criança.
– Bom, você poderia ter ido procurá-lo depois que o seu planeta explodiu.
– Eu fui, mas não consegui me aproximar o bastante da galáxia dele pra tentar fugir com uma nave de Freeza. Além disso, estávamos a caminho de tomar um planeta importante e acabei desistindo. O que eu soube, através de alguns soldados que passaram por lá, é que ele está vivo e vivendo bem.
A cientista se surpreendeu com a honestidade de Vegeta ao lhe contar aquilo. Sabia que era raro o sayajin se expor sobre qualquer particularidade sua, o que a fez se sentir especial por saber que ele confiava nela. Estendeu a mão sobre a mesa, oferecendo-a quase que num gesto automático, e Vegeta descruzou os braços para pegá-la. Sobrepôs a mão grande à dela sem entender muito bem de onde vinham aqueles impulsos inusitados da garota a sua frente. Ela afagou sua mão e seu pulso com os dedos.
– Sinto muito, Vegeta! Espero que ele esteja bem! – disse Bulma com carinho. – Mesmo sendo só um garotinho, sua atitude em tentar salvá-lo foi muito nobre! Digna de um príncipe.
Os dedos de Vegeta começaram a passear pelo pulso pálido da cientista e ela sentiu que a sombra nos olhos dele tinha mudado. Ele a olhava da mão que tocava até a boca entreaberta de Bulma. Às vezes fitava seus olhos azuis rapidamente e logo voltava a olhar seu corpo do jeito mais indiscreto possível. Ela se sentia lisonjeada quando o via a observando daquela forma, mas às vezes Vegeta cruzava esse limite e a fazia se sentir completamente despida com aqueles olhos escuros lhe vigiando.
– Eu nunca tive sonhos eróticos com o príncipe dos sayajins. – ele disse encarando seus olhos com maldade.
Bulma se sentiu violada imediatamente pela suspeita que teve. Teria ele invadido seu quarto de madrugada? Como ele poderia saber de algo tão íntimo? Em vez de beber, encarou ele de volta com indignação.
– Você anda me espiando? – perguntou levantando o tom de voz.
Ele riu sem soltar a mão dela.
– Talvez seu gemido seja muito alto!
– Responde, Vegeta! – disse ela cruzando os braços. – Você anda me observando enquanto durmo?
– Você se sentiria invadida por algo assim? Depois de ter dormido na minha cama? Como você é complicada!
– É bizarro saber que você poderia ir de madrugada...
– Cala a boca! Eu só botei o pé no seu quarto uma vez porque você caiu como um defunto na minha cama!
– Então como você pode ter tanta certeza que eu tive sonhos com você?
– Você falou meu nome enquanto dormia essa noite. – disse ele de braços cruzados. – Algumas vezes.
Ela sentiu o rosto ruborizar. Já era tão comum sonhar com Vegeta que às vezes nem lembrava direito dos sonhos, mal tinha pensado que poderia dar essa de bandeja pra ele. Tentou buscar na memória alguma coisa, mas havia dormido tão bem naquela noite que a impressão fora a de que tivera um sono profundo sem sonhos. Mais surpresa ainda estava por saber que falava dormindo.
– Eu falei seu nome? Só isso? Como você pode presumir que era um sonho erótico, seu pervertido? Provavelmente era um pesadelo! – ela riu com a própria brincadeira achando que sairia do constrangimento daquela forma.
– Não foi só o meu nome. – ele disse sério. – Você pedia pra não parar... pra usar mais força. Você até implorou algumas vezes.
Vegeta a fuzilava com toda a intensidade contida em seus olhos escuros, como se soubesse o quanto aquilo a deixava constrangida e desarmada. As bochechas rosadas de Bulma denunciavam seu desconforto apesar de não ter nenhuma lembrança vivaz daquele sonho. Já tinha tido sonhos assim, em outras noites, dos quais se lembrava bem: ele a tomava a força e a mandava fazer coisas para ele, se recordava de implorar por mais. Eram sonhos meio surreais que só traduziam o seu desejo por Vegeta, mas não sabia que tal sonho havia se tornado tão recorrente.
– Não vai beber? – ele perguntou com aquele sorriso triunfante no rosto.
Ela tomou um pouco do uísque e devolveu o copo à mesa.
– Eu nunca matei ninguém antes de completar a maioridade.
Vegeta bebeu um longo gole do copo automaticamente. Bulma não estava surpresa, sua intenção era de fato mover águas passadas e descobrir mais sobre seu hóspede misterioso.
– Nós éramos obrigados. É comum na nossa tradição inserir soldados em missões desde a infância.
– Você era criança quando matou pela primeira vez? – perguntou ela com asco na voz.
– Sim. E depois que eu e Nappa nos juntamos a Freeza isso se tornou rotina. Éramos meros soldados.
– Eu acho isso um horror! Vocês só vivem de violência! Mas que coisa terrível!
Ele a observou com seriedade por um momento e depois se pôs a falar dando continuidade a brincadeira.
– Eu nunca pratiquei sexo antes da maioridade.
Ela o encarou com os olhos grandes e empurrou o copo na direção dele. Vegeta tomou um gole, ainda fixando os olhos nos dela.
– A maioridade aqui nesse continente é de dezoito anos, só pra constar.
– E você tem...?
– Vou fazer vinte daqui uns dias.
Vegeta se mostrou surpreso.
– Você era virgem quando te conheci naquela cabana?
Bulma sentiu o rosto corar, mas afirmou com a cabeça em resposta sem desviar o olhar.
– O que foi? – ela perguntou ao vê-lo sorrir de deboche.
– Achei que você fosse uma garotinha mais experiente.
– Decepcionado?
– Só esperava um pouco mais de uma vulgar como você.
Ela sorriu e deu um chute de leve na perna dele.
– Eu nunca me apaixonei! – ela disse com um sorriso.
Passaram-se alguns segundos e ela bebeu vendo que aquele silêncio cortante era a resposta de Vegeta.
– Eu nunca fui violado por um homem. – disse ele com o olhar sério pairando sobre ela.
Bulma se surpreendeu em ouvir aquilo, desviou do olhar penetrante de Vegeta naquele momento. Bebeu o uísque e aproveitou pra encher o copo de novo, tentando ocupar as mãos para não tremê-las. Sua voz estava fraca quando voltou a falar.
– Eu nunca violei uma mulher.
– Terráquea? – ele quis saber demonstrando indiferença.
– Qualquer criatura do sexo feminino.
Ele bebeu um gole sem esboçar um sorriso, mas tampouco sem desviar o olhar do seu. Bulma soltou um suspiro, arrependendo-se por ter sugerido uma pergunta tão íntima, pois se cavasse mais no passado de Vegeta talvez fosse apenas podridões desse nível que encontraria pela frente. Ele, por sua vez, percebeu a decepção nos olhos da garota, mas não poderia mentir para ela, não para aqueles olhos azuis lhe encarando com expectativa. Com a esperança de que poderia encontrar algo bom em alguém como ele. Aquela última sequência do jogo alcoólico fez o alienígena sentir uma certa dó da terráquea, pois sabia que nutria sentimentos honestos por ele mesmo sabendo que as possibilidades de ganhar algo em troca eram quase nulas. Queria encontrar alguma razão pra tudo aquilo, uma lógica fonte pra tanto masoquismo numa mente tão inteligente.
– Eu nunca fui violado quando ainda era criança. — disse o sayajin de braços cruzados.
Bulma bebeu sem olhá-lo nos olhos. Sentiu o coração dar uma rápida descompassada, já estava bêbada demais pra não se honesta e tinha uma forte impressão de que era impossível esconder alguma coisa de Vegeta.
– Foi no internato. – ela disse depois de um suspiro. – Era uma escola para crianças especiais, possíveis gênios como eu. A gente ficava bastante tempo sob a guarda dos professores e psicólogos, então... Aconteceu. Não foi só comigo.
– O que aconteceu?
– Toques. – respondeu a jovem com franqueza. – Você sabe... Ou não sabe? Bom, alguns raros tipos de terráqueos têm preferência sexual por crianças.
– Vocês são insetos doentios! – disse ele com cara de nojo. – Ele te machucou?
– Não. Geralmente esse tipo de abuso não deixa nenhuma marca. Nenhuma prova criminal, você sabe. Mas já está resolvido, já superei isso há tempos.
Ela esperava que não se arrependesse por ter dividido aquela história com ele. Vegeta não comentou nada, ficou observando seu rosto com a mesma expressão indecifrável que possuía quando resolvia ficar sério. Naquele momento, daria qualquer coisa pra saber o que um alienígena como ele estaria pensando da sua história traumática de infância. Ficaram um tempo se olhando até que Vegeta fez um gesto com a cabeça indicando o copo de bebida na mesa.
– Sua vez.
– Eu nunca me senti sozinha.
Vegeta deu um gole e deixou os cotovelos apoiados sobre a mesa. Viu Bulma imitá-lo e dar um gole no uísque enquanto lhe encarava.
– Isso é irrelevante.
– O que?
– Se sentir sozinho... Não importa!
– Por que você diz isso?
– Você não entende, porque tem outras motivações, mas pra mim, um guerreiro sayajin de sangue puro, a única coisa que importa é vencer a batalha. Sempre.
Bulma o olhou com curiosidade, refletia sobre a perspectiva de vida rígida de Vegeta.
– Você já parou pra pensar que esses podem ser seus últimos anos de vida? Que talvez você possa morrer lutando contra esses andróides ou contra Freeza?
– Sou um sayajin, vivo pra isso. A maioria de nós morre em batalhas.
– Não te incomoda passar os últimos momentos da sua vida treinando? Porque é só isso que você faz!
– Eu gosto de treinar. – ele respondeu singelo. – O que esperava que eu fizesse nesse planeta idiota?
– Podia aproveitar que vai ficar um tempo aqui e viver mais! – disse ela animada. – Experimentar outros modos de vida, deixar essa rigidez um pouco de lado. Nem tudo são batalhas, Vegeta!
– Você só fala besteiras! – ele disse, mas sem esconder o sorriso.
Ria porque a garota estava visivelmente embriagada e falava de um jeito enrolado e estranho. Mais entusiasmada que o normal. Viu as mãos pequenas afagarem seu antebraço apoiado o sobre a mesa. Seu rosto pálido corou de leve quando fez isso, ela olhava a pele dourada do sayajin enquanto deslizava a ponta dos dedos sentindo a musculatura rígida de seu braço.
– Eu posso te ajudar. – ela disse piscando os cílios azulados pra ele.
Ignorando o comentário, Vegeta pegou a garrafa de uísque na mão e analisou o rótulo.
– Seu organismo é bem fraco pra essas coisas, é melhor você parar antes que morra. Mas ainda tem algo que quero saber.
– O que? Pode falar! Ainda estamos jogando.
– Eu nunca tive medo de altura. – falou Vegeta com um sorriso maligno.
Bulma ficou tensa na cadeira, mas bebeu o último gole do copo e encarou a expressão maliciosa de Vegeta com receio.
– Como você sabe? O Goku te falou?
– Claro que não! Não seja boba! Percebi o seu medo naquele dia que te levei pra dormir porque você tava caindo pelos cantos.
– Aliás, sobre isso... Eu gostaria que você não fizesse aquilo de novo, pode ser? Agora que estamos falando disso, é melhor você saber que eu não quero voar por aí com você, tá bom? É da natureza humana ficar com os pés no chão e...
Quando falava, Vegeta se levantou e caminhou lentamente até onde Bulma estava sentada tagarelando.
– O que pretende fazer? – ela disse se levantando e ficando de frente pra ele. – Se você resolver bancar o engraçadinho eu nunca mais conserto aquela sala de gravidade pra você! Ouviu bem? Nem construo robôs pra aperfeiçoar seu treino!
Ele a pegou pela cintura e deslizou as mãos pelas costas puxando-a para perto dele. O corpo de Bulma já estava meio mole por conta do álcool, mas aquela pegada a fez despertar de repente, não só por ter o abdômen rijo colando na sua barriga e o peitoral definido pressionado contra seus seios. Algo dentro dela lhe dizia que estava prestes a experimentar algo muito desagradável e ao olhar a expressão de Vegeta soube que estava certa.
– Você é uma mulher muito metida, sabia? – disse ele com um dos cantos dos lábios curvado em um sorriso maldoso.
Ela mal teve tempo de protestar, em poucos segundos e numa velocidade desumana, Bulma se encontrou gritando enquanto Vegeta a segurava acima da casa dos Briefs. Eram cerca de mil pés que a separava do chão do quintal. Ao olhar para baixo ela quase desfaleceu com a tontura, sentiu todo o corpo amolecer nos braços de Vegeta que, nessa hora, a apertou mais forte contra o seu corpo. Ela não conseguia sequer falar alguma coisa, a voz não saía, tinha a impressão de que poderia vomitar a qualquer momento. Abraçou o pescoço de Vegeta e colocou seus pés em cima dos dele. Estavam os dois abraçados um no outro flutuando no céu quando ela resolveu parar de olhar para baixo e levantou o queixo para olhar pra cima. Se deu conta de que nunca havia visto um céu tão estrelado, aquelas estrelas pareciam estar tão próximas e preenchiam a visão para todo lado que ela olhasse.
Aos poucos, seu coração que antes batia como um tambor foi se acalmando, até ela se sentir especial por estar vivendo aquela experiência. O vento gelado refrescava seu rosto corado pelo álcool ao mesmo tempo em que o contato com a pele quente de Vegeta não permitia que sentisse frio. Estava se sentindo segura mesmo naquela situação, mais segura que qualquer pessoa no mundo. Abraçou Vegeta com mais força e sentiu os braços e a cauda do sayajin retribuírem o aperto.
– Eu nunca tinha visto as estrelas tão de perto! – ela disse ofegante, ainda sentia a adrenalina. – São lindas vistas daqui!
– Você gostou? – sussurrou colando os lábios na orelha dela.
– Sim! Quero dizer, você poderia ao menos ter me perguntado se eu queria dar uma volta pelo céu. Seria mais educado!
– Bulma, posso te levar pra dar uma volta?
– Pensei que você já...
– Responde! – interrompeu ele com o tom imperativo. – Posso?
– Tá bom, tá bom! Pode, mas pra onde você vai me levar?
– Pro chão! – disse ele no ouvido dela.
Os dois caíram em queda livre, mas era Vegeta que guiava o percurso sabendo que o corpo humano era pouco resistente ao impacto da gravidade. Bulma soltou um grito desesperado, era como se tivesse na descida de uma montanha russa sem estar com a trava de segurança. Ele a abraçava e ria como um lunático do desespero da garota e o que pareceu durar muito tempo, na verdade foi uma queda de segundos até despencarem na piscina. Ela percebeu que ele diminuiu um pouco a velocidade antes de mergulhar com seu corpo na água. A cientista sentiu o cloro ardendo nas narinas quando voltou à superfície. Seus corpos já tinham se separado e agora ela via o sayajin rindo alto na sua frente.
– Não dá pra confiar em você! É inacreditável! Qual a necessidade de fazer algo assim? Você é doente! – ela gritava. – É um louco! Para de rir, seu macaco idiota!
– Eu tento curar seus medos e é assim que você agradece?
Bulma jogou água na cara dele tentando esconder o sorriso em vão.
– Seu idiota! Quase tive um infarto!
Algumas gotas ondularam a água da piscina e Bulma notou que Vegeta ficou um pouco apreensivo ao reparar as gotas caindo do céu. Estava começando chuviscar mais forte quando ele a olhou com os olhos arregalados procurando alguma resposta.
– Que foi? – ela perguntou sem entender.
– Que coisa é essa? De onde tá vindo isso?
Bulma começou a raciocinar. Era a primeira vez em muito tempo que chovia naquela região por conta do verão ameno. O estranhamento de Vegeta aos pingos de chuva era evidente.
– Você nunca tinha visto chuva? – ela perguntou incrédula. – Não chovia no seu planeta?
– Isso é chuva?
– É água, não se preocupa! Vem de um processo químico natural das nuvens lá no céu.
Ele estendeu a mão pra ver as gotas caírem na sua palma. A chuva foi ficando mais forte e Vegeta tinha o olhar impressionado de uma criança vendo algo fantástico pela primeira vez. Bulma achou tão bonitinho vê-lo com uma expressão inofensiva no rosto que deixou um sorriso escapar de seus lábios.
– Eu já tinha ouvido falar sobre isso, mas nunca fiquei tempo o bastante em nenhum planeta pra que eu pudesse ver com meus próprios olhos.
Bulma ainda sorria quando se aproximou deslizando o corpo na água. Ele ainda olhava para o céu com curiosidade.
– Vegeta... Obrigada por ter ajudado a salvar o meu pai. E por ter me protegido. Eu nunca agradeci direito, mas quero que saiba que eu confio muito em você. É estranho dizer isso, mas... gosto de quem você é, Vegeta.
Ele olhou pra ela em silêncio. Sorria pra ele com os cílios longos piscando por causa das gotas de chuva que caíam no seu rosto. Vegeta a tomou nos braços e enlaçou uma de suas coxas com a cauda, erguendo-a ao lado do corpo. Bulma pegou na sua nuca e lhe deu um beijo de leve nos lábios, que Vegeta correspondeu calorosamente, penetrando sua língua com vigor. As mãos rapidamente começaram a percorrerem pelo corpo curvilíneo, deslizava e apertava, num ritmo que começou a deixar Bulma sem fôlego. Ela respondia às carícias com mordidas e arranhões que só o faziam avançar mais. Estava com as pernas grudadas na cintura dele, em pouco tempo Vegeta estava os levando para a borda da piscina. Então, Bulma sentiu a mão canhota adentrar a parte de baixo da sua roupa com avidez. Interrompeu o beijo para abraçá-lo e falar-lhe ao pé do ouvido.
– Vegeta... – ela sentiu a língua dele passar pelo lóbulo da orelha ao falar e sua voz saiu mais afetada que o normal. – Me leva pro quarto. Eu quero te ter na minha cama.
Sem responder, Vegeta a segurou com mais firmeza no colo e saiu da piscina flutuando com seus corpos pela chuva. Voou rapidamente para a sacada do quarto da cientista e empurrou a porta de vidro sem desgrudar os lábios dos dela. As roupas pingavam no chão de carpete deixando um rastro de umidade por onde passavam. Ele deitou o corpo encharcado de Bulma na cama e observou a roupa úmida no seu corpo enquanto se despia. Os cabelos molhados estavam grudados no pescoço pálido, o tecido fino revelando detalhes de suas curvas, os pés brancos de unhas vermelhas pingavam provocantemente à sua frente. Em poucos instantes, estava sobre ela, rasgando suas roupas sem pensar, mas ela não se opôs. A cada peça que destruía, parava para beijar a pele exposta, rapidamente viram-se completamente nus sobre a cama. Vegeta soltou um forte suspiro ao olhar o corpo de Bulma embaixo do seu, começando uma série de carícias com a boca partindo do pescoço da garota. Secava as gotas de chuva com a língua, ora sugando, ora mordendo, passando pelos seios cheios e pálidos como se estivesse há tempos esperando por isso. Bulma estava em êxtase, se contorcia de excitação ao sentir aquele corpo musculoso e molhado sobre o seu desejando-a com tanto fervor. As mãos exploravam tudo o que podiam, com a boca ele respondia aos gemidos dela, prestando atenção na intensidade da voz, do que ela mais gostava de sentir.
Ficou um tempo deleitando-se nos seus seios, mordiscava os mamilos rosados para ouvi-la gemer mais alto, enquanto deslizava uma das mãos até seu sexo. Percebê-la tão molhada o fez descer com a boca até lá embaixo, sentindo o cheiro doce e feminino que tanto o excitava concentrado em um único lugar. Se tinha algo que Vegeta quis desde o momento em que passou a prestar atenção naquela terráquea era vê-la daquele ângulo. Sempre quis conhecer todos os detalhes de sua intimidade, a cor, a textura, o cheiro, o gosto, a sensibilidade. Não se surpreendeu ao perceber que era pálida e rosada como eram suas outras características. A púbis possuía uma fina tira de pelos turquesa esparsos, que tinham o mesmo perfume de seus cabelos. Tocou a penugem azul com a ponta dos dedos até deslizar para a parte mais molhada. Nunca a tinha visto tão bonita, de cabelo molhado, nua, as bochechas coradas, exalando o seu perfume doce e suave, gemendo só para ele ouvir. Ela era uma tentação irresistível.
Bulma fechou os olhos pelo prazer de sentir a boca quente de Vegeta. A língua no seu clitóris tinha um ritmo lento e contínuo de quem sabe exatamente o que está fazendo. Ela ficava ainda mais surpresa a cada vez que as carícias avançavam, porque era óbvio que Vegeta era muito experiente, o que de certa forma a intimidava, pois sua situação era exatamente a oposta. Sentia a língua inteira deslizar devagar da entrada até o clitóris. Por vezes ele sugava, para em seguida beijar com a língua. Seu corpo já dava os primeiros espasmos ao se aproximar do orgasmo, já não continha o volume dos gemidos sôfregos, mas quando estava prestes a gozar ele parou de repente e voltou a se colocar em cima dela.
– Por que você parou, seu idiota? – ela reclamou com a voz manhosa.
Ele riu e voltou a beijar seu pescoço, deixando marcas evidentes pela forte sucção. Beijava-a enquanto roçava a pélvis entre as pernas abertas dela, que por sua vez, não aguentava mais aquela urgência em tê-lo dentro de si. O membro rígido deslizava pela vulva com força, mas languidamente, sem a menor pressa por parte dele. Ela continuava a sussurrar, tentando conter a impaciência, pedindo pra ele colocar logo.
– Implora. – ele lhe disse ao pé do ouvido.
– O que? E eu preciso?
– Implora! – ele disse novamente de modo mais imperativo.
– Argh! Vegeta! Eu te odeio!!
Ele lhe calou com um beijo ardente e prendeu os pulsos dela contra o travesseiro como se estivessem algemados por suas mãos. O modo que a língua de Bulma respondia fazia a sua ereção pulsar sobre o sexo dela. Quando ele estava prestes a ceder, a voz da cientista quebrou os ruídos de estalidos.
– Eu imploro, eu faço o que você quiser! Por favor, Vegeta! Eu preciso ter você dentro de mim! Por favor!
Ele a olhava com a maior expressão de triunfo que já tinha visto no rosto do sayajin. O sorriso malicioso voltara aos seus lábios.
– Mas alguém que você odeia? Dentro de você?
Ela estava incrédula. Já esperava, pela personalidade de Vegeta, que ele ira querer dominar a situação, mas não imaginou que sua obsessão por controle beirava o sadismo. Ao mesmo tempo que sentia a excitação de tê-lo colado no seu corpo, gostaria de poder dar uma bofetada naquela cara lhe olhando com superioridade.
– Como você pode ser tão mau? Tá me torturando!
Ele sentia o corpo da garota de enroscar no seu, se esfregava e implorava por ele de uma maneira que Vegeta nunca imaginou que pudesse fazer. Era um lado completamente diferente que Bulma estava lhe mostrando sem a menor vergonha ou pudor. Não era mais a cientista nerd e desajeitada dentro do macacão de laboratório, nem a garotinha mimada por baixo dos vestidos florais. Se oferecia a ele como uma fêmea no cio, sensual e animalesca, seus gestos eram tão primitivos de modo que contrastavam com sua aparência de boneca de porcelana. Parecia estar possuída.
Ao vê-la arfando de olhos fechados, corada e de lábios semiabertos, penetrou dentro daquele corpo delicado com o maior cuidado, vendo a sua reação. Percebeu logo que era uma mulher de tato sensível, o que o obrigou a se conter e ter um pouco de paciência. Penetrava nela com profundidade, mas com lentidão, só aumentou o ritmo quando Bulma começou a pedir mais, com mais força, e ele obedecia. Não conseguia parar de olhar para a expressão de prazer no rosto sardento da cientista, a cada estocada mais forte sua boca fazia um movimento diferente. Às vezes abria mais, em outros momentos mordia o lábio inferior. Ele ainda tinha os pulsos finos presos em suas mãos pra ter certeza que ela era dele naquele momento, não havia nada que pudesse fazer para escapar, mas o que o enlouquecia era a sua receptividade. Ela queria estar ali, estava se entregando deliberadamente e o mais delirante era que parecia gostar de ser dominada por ele. O ritmo das estocadas foi ficando mais rápido e mais violento, ele já não conseguia conter a própria força, sentia que estava se perdendo dentro dela. Viu seu corpo feminino contraindo, as leves contrações viraram espasmos e logo ela estava entrando em um estado de descontrole total do próprio corpo, o obrigando a pressioná-la com mais força sobre o colchão. Quando a viu gemer num orgasmo mais intenso, estocou com tanta força e tão profundamente que até esqueceu que poderia machucá-la daquela forma. Sentiu seu líquido jorrar pra dentro dela e depois escorrer pra fora à medida que ele ainda a penetrava até que suas forças se esgotassem.
Quando haviam terminado, Vegeta ainda segurava os pulsos de Bulma com força. Ficou um tempo sobre ela, os dois em silêncio, com as respirações ofegantes e os corpos suados grudados um no outro. Quando voltou a si, desconectou-se de seu corpo com cuidado, vendo que ela permanecia de olhos fechados numa expressão de exaustão. Deitou ao lado dela na cama e esperou a garota recobrar os sentidos. Depois de longos minutos em silêncio, Bulma se aproximou de Vegeta e se aconchegou no seu tórax musculoso. Num gesto natural, ele acariciou os cabelos azuis e lhe deu um beijo no alto da cabeça.
– Eu te machuquei? – ele quis saber.
– Um pouco, mas nada que eu não tenha gostado. – disse ela sinceramente. – Não precisa se preocupar!
Bulma era sempre pega de surpresa pelas polaridades que compunham a personalidade de Vegeta. Há pouco personificava o príncipe maquiavélico e dominador, mas agora mostrava-se preocupado com a sua integridade física enquanto lhe acolhia em seu colo.
– Vegeta...
– Hum?
– Você tem alguma limitação física quando se trata de sexo? Quero dizer, você consegue ter uma ereção a qualquer momento?
– Por que eu não conseguiria? – perguntou ele no tom irritadiço que já lembrava o típico mal humor.
– Então se eu quisesse fazer de novo não teria nada te impedindo? – ela perguntou levantando a cabeça para olhá-lo.
– Talvez o volume da sua voz irritante me impeça. Por que você não consegue falar baixo, mulher?
– Meu deus, Vegeta! Deixa de ser grosso! – ela disse se afastando e sentando na cama. – Eu não tô falando alto! E não tem ninguém em casa pra ouvir!
– Você só sabe falar!! Será que dá pra calar a boca por um minuto?
Ela viu que ele já estava voltando ao normal, desviando o olhar e cruzando os braços sentado na cama. Se aproximou dele, na tentativa de reverter a situação, e o abraçou com delicadeza. Deu-lhe um beijo no rosto e uma mordida no lóbulo da orelha.
– Desculpa! – ela disse baixinho. – Mas... se você me der o que eu quero, prometo que fico quietinha.
Ele a pegou pela cintura, levantou todo o seu peso e a pôs de frente pra ele em seu colo. Sem ver nenhuma resistência, Bulma começou a beijá-lo novamente, mas dessa vez tudo fluiu com mais calma e ternura. Seu beijo era mais doce e ele correspondia moldando-se aos seus carinhos. Ela afagava seu rosto e pescoço com as mãos pequenas, sentindo o toque de Vegeta imitar suas carícias suaves nas suas coxas. Descendo as mãos até os ombros ela podia sentir o quanto ele estava mais relaxado. Era tão raro vê-lo daquele jeito, calmo e gentil, que não tinha como Bulma não se sentir completamente derretida. Apesar da convivência com Vegeta sempre ter sido como dividir uma jaula com um tigre, naquele momento sentia que tinha uma fera totalmente domada sob o toque de suas mãos. Desfrutavam de uma química sexual quase telepática, e como num êxtase profundo de uma nova descoberta, haviam finalmente encontrado uma sintonia onde não se brigavam e não se machucavam com palavras e gestos rudes. Simplesmente se entendiam daquela forma, sem nenhum esforço.
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