A Era dos Tronos
20 Três dragões e um trono
Notas iniciais
Jon, Doutor e Mestre sobem diversos andares para se juntarem ao demais. Todos tentam em vão conter os Vagantes à medida que o exército de mortos atravessa o primeiro portão, correndo no interior de Castelo Black. Alguns irmãos da Guarda, munidos de arco e flechas, eliminam diversos oponentes, mas eles estavam em número muito maior do que poderiam controlar. Selvagens brotam dos corredores e eliminam as criaturas, que agora tentam atravessar o portão externo, que dá acesso ao Norte de Westeros. Se os mortos conseguissem romper a fechadura, tudo estaria perdido. Ao observar tal cena, Jon avisa dois guardas, que apanham barris de óleo para atirá-los nos inimigos sobrenaturais antes de queimá-los sem hesitar, mas já era tarde. Os mortos rompem o portão e atravessam para o outro lado, no entanto se esfarelam ao cruzarem o limite da Muralha.
— Estão vendo isso? — Pergunta Snow incrédulo — O que está havendo?
— Pelo visto as lendas são reais, majestade — Observou o Mestre com astúcia — Há magias que impedem o prosseguimento dos mortos.
— Se soubéssemos o que é, poderíamos usar a nosso favor — Constatou o Doutor atravessando sua espada em um morto antes de seguir com seus companheiros mais acima, onde o Vagante assassinava cruelmente outro Guarda da noite, rasgando sua garganta sem clemência. Outro Vagante emerge da parte superior da Muralha e passa a matar os Guardas da noite, sem se importar com os selvagens e mercenários que vem em seu encalço.
— Tenho uma suposição — Afirmou o Doutor se concentrando mais nos arredores do que no confronto que tinham pela frente — Eles estão matando apenas os Guardas da noite, não seriam vocês o selo mágico que impede a passagem dos Vagantes e de seus mortos?
— Significa que quando matarem até o último irmão da Guarda, eles poderão atravessar sem se importar com nossas tropas — Completou o Mestre ao compreender o que o Doutor dizia.
— Então é por isso que eles não se preocuparam em me matar — Jon olhou para as roupas dos dois senhores do tempo e avançou para cima do Vagante, defendendo golpes de espada e adagas de gelo, girando em seguida pelo chão afim de atacar seu oponente pelas costas, que tomba sem mais insistência.
Assim que seu corpo se transforma em cacos, Jon se volta para os amigos — Suas roupas escuras nos tornaram alvos. Eles pensam que somos da Guarda da noite.
— Mas você é — Lembrou o Mestre confuso.
— Era até eu morrer. Eu voltei dos mortos, o que significa que não reflito em nada nessa proteção mágica — Eles observam aflitos a carnificina se desenrolando no portão, sem ideia de que outras ideias poderiam ter que funcionassem contra os Vagantes.
— Assim que todos os Guardas da noite estiverem mortos, os Vagantes terão sua chance de acabar com tudo — Comentou o Mestre desesperançoso, o que faz Jon encará-lo com uma expressão curiosa — O que foi, majestade?
— Vocês não morrem — Afirmou o Rei do norte descendo apressado os lances de escada que tinham subido, cortando todos os mortos que apareciam em seu caminho até alcançar uma tenda em chamas de onde tira um mapa dos arredores.
— Na verdade nós nos regeneramos e temos uma limite de vezes que podemos fazer isso — Declarou o Doutor ofegante, observando o mapa que Snow segura.
— Conseguem ver? Dois quilômetros ao norte é o que nos separa de uma árvore coração. Todas as estátuas dos deuses estão destruídas, então essa é sua única chance. Peguem sua caixa azul e sigam para a árvore — Snow escreve algumas palavras em um pergaminho e o entrega ao Mestre — Você conhece nossa língua. Façam o juramento e se tornem membros da Guarda da noite. Assim, mesmo que todos morram, o fato de continuarem vivos impedirá que os Vagantes prossigam com seu Inverno — Os senhores do tempo se encaram brevemente antes de abraçarem o Rei do norte, seguindo apressados rumo à TARDIS e à árvore coração descrita. Enquanto isso, Jon se prepara outra vez para a batalha e volta a exterminar os mortos que vinham em seu encalço, cortando pescoços e membros fora com rapidez e agilidade suficientes para não se deixar ser atingido por nenhum adversário.
Arya Stark continua massacrando os mortos por menor que fosse a chance de vitória. Ela vê quando os mortos rompem o primeiro portão, enquanto milhares deles se amontoam para abrir passagem para os Vagantes. Ao assistir a cena horripilante, a jovem corre na esperança de alcançar a Muralha e ajudar a lutar dentro de Castelo Black.
— Venham comigo — Berrou erguendo sua espada aos céus — Os mortos alcançaram a Muralha, não podemos permitir que eles prossigam — Escutando o que ela havia falado, os soldado se unem à garota e logo correm para atacar os mortos que se dirigem para a Muralha, mesmo que a quantia que exterminassem fosse deveras inferior se comparada aos que conseguiam atravessar.
Arya decepa um zumbi antes de assistir o Rei da Noite derrubar outro dragão de Daenerys, que vinha em seu encalço para impedi-lo de subir a Muralha. Assim que vê o dragão caindo, Iarcleryn sobrevoa a Muralha e passa a incendiar os mortos amontoados, derrubando a pilha de corpos em um estrondo ensurdecedor.
— Acha que conseguimos atrasá-los? — Questionou um soldado de cabelos escuros e barba rala tão assustado que não tinha parte alguma de seu corpo que não tremia.
— Duvido muito — Respondeu a Stark correndo sozinha em direção ao dragão tombado. Ela tenta se aproximar, mas o dragão tenta despachá-la com um golpe de cauda e posteriormente cuspir uma chama tão quente quanto o maior dos vulcões. O soldado medroso se aproxima, tentando convencer a jovem a se afastar dali, mas ela o ignora, se aproximando cada vez mais do local onde uma estaca de gelo havia penetrado, pouco abaixo de sua asa.
— Olha, sei que não sou sua mãe, mas ás vezes todos nós precisamos de uma ajuda, não acha?
— Milady, desista dessa insanidade, vamos acabar morrendo pra esse monstro — O dragão dá um rugido que faz o soldado quase urinar nas roupas, não fosse o frio congelante daquela madrugada.
— Ele não é um monstro, é parte da natureza. Nós somos monstros por pensarmos que tudo que vem da natureza é monstruoso — Arya engole em seco e, segurando com firmeza a estaca, tendo seu pé apoiando no corpo do dragão, ela puxa uma, duas, três vezes a estaca para fora, arrancando alguns tufos de carne e sangue sem de fato conseguir arrancar a arma da criatura. O dragão a encara com um profundo ódio, mas resiste à vontade de queimá-la, vendo que ela tentava arrancar a estaca a qualquer custo.
Subitamente, Arya sai voando com a arma, soltando-a pouco antes dela alcançar a mão de um Vagante branco com a expressão séria. A jovem apanha sua espada e, tendo como alvo o Vagante, parte para o ataque. O soldado medroso apenas observa o desenrolar da luta, até perceber que havia uma adaga de vidro de dragão no chão. Ele ouve um gemido da jovem, que provavelmente tinha perdido a arma durante seu voo, então chama Arya desesperado, tentando enfiar a arma no Vagante sem sucesso. A Stark se desvencilha do inimigo e, correndo para apanhar a adaga, atravessa seu corpo antes que ele alcance seu alvo, o soldado medroso.
— Obrigada, precisava disso — Afirmou se dirigindo ao dragão — Espero que fique melhor — Ela toca a superfície da pele, que logo se refaz, embora de um composto tão duro quanto as escamas da criatura. O dragão a encara fazendo um leve meneio, então ela olha para a cabeça congelada do Vagante morto, que não tinha se desfeito em cacos como os demais, o que a faz ter uma ideia. Montando no dragão, tão apavorada quanto o soldado que a observa, Arya guarda seu vidro de dragão no bolso e se agarra com força na criatura.
— Voa — O dragão fica parado no lugar — Voa, por favor — Pede a garota inconformada, mas a criatura continua parada.
— Eles falam valiriano — Explicou o soldado se aproximando com certo receio.
— Valiriano? — Ela se volta para seu interior e recorda as palavras — Dracarys — Tomando impulso e ajustando suas asas, o dragão levanta voo e parte para o campo de batalha, incendiando centenas de corpos das duas tropas, já que não poderiam se dar ao luxo de perder mais soldados para os Vagantes. Arya não compreende a razão de ter conseguido montar um dragão, mas ignora esse fato para se voltar ao que realmente importa.
O Doutor e o Mestre terminam de preparar a TARDIS para a partida, e logo a máquina alcança o lugar estabelecido. Saindo do veículo de transporte cheios de dúvida, os dois encaram uma paisagem coberta de neve, um lugar que outrora teria sido belo agora se vê transformado em escuridão e frio.
— Óbvio que seria tarde — Comentou o Mestre largando sua espada no chão.
— Ou talvez a barreira mágica esteja em pé até agora porque somos membros da Guarda da noite há muito mais tempo do que pensamos — Sugeriu o Doutor correndo de volta para a TARDIS, seguido logo depois pelo Mestre — Há relatos de um tempo em que gigantes tentaram atravessar a Muralha. Nessa época, apenas dois Guardas zelavam o Castelo Black.
— Então somos Guardas da noite há quanto tempo? — Questionou Mestre intrigado.
— Há quase mil anos — A TARDIS se encaixa novamente no túnel do tempo para pousar em uma área plana, cheia de neve e com alguns punhados de árvores nos arredores.
— A árvore coração está aqui — Afirmou o Mestre com sua fé renovada, se ajoelhando perante a árvore com o pergaminho — Assim que fizermos o juramento, vamos nos unir à Guarda da noite desse tempo e ajudá-los a derrotar os gigantes.
— Quem disse que os gigantes foram derrotados? A história diz que eles foram levados daqui — Os dois se encaram tomados por uma ideia genial, então tratam de fazer seu juramento e começar a remontar a rede que interliga as duas TARDISes. Depois de muitas mortes, os dois conseguem convencer as criaturas de que os Vagantes voltariam e precisavam ser detidos, mas que a batalha estava no futuro e não no passado.
Assim que as naves pousam na batalha da Muralha, centenas de gigantes emergem da rede do tempo e começam a pisotear os mortos sem misericórdia, criando um longo rastro de sangue e corpos massacrados pelo caminho. Mesmo assustados, os soldados de Daenerys e de Snow se unem ás criaturas e tratam de recuperar sua vantagem na guerra. Iarcleryn derruba o restante dos mortos acumulados na Muralha, o que leva a atenção dos soldados para os mortos que atravessam o portão. Depois de limparem a passagem, os gigantes invadem o Castelo Black e tratam de cuidar dos mortos restantes enquanto os soldados atacam os Vagantes brancos. Se unindo a Jon, o Doutor e o Mestre encaram o temido Rei da noite, mas agora eles tem a confiança e uma chance a mais.
— Hora de acabar com isso — Declara Snow partindo para o confronto. O líder dos Vagantes defende os golpes e aproveita para espalhar estilhaços de gelo por todos os cantos, matando centenas de soldados e gigantes com uma única magia. Ele acena para um Vagante que vem em seu auxílio, então os dois se preparam para exterminar seus adversários.
O Doutor e o Mestre recuam no primeiro momento, mas o Vagante que tinha aparecido para ajudar na verdade atravessa um pedaço de vidro de dragão no Rei da noite, perfurando diversas vezes seu peito até saírem diversas nuvens cinzentas de seu corpo, que passar a clarear os arredores, ascendendo velas, apagando incêndios e, por fim, esfarelando todos os mortos de seu exército.
A neve começa a recuar, levando consigo a escuridão de seu domínio, até que não se vê mais a extensão daquelas terras. Outra vez eles conseguem avistar as planícies geladas e longínquas e montanhas baixas no horizonte. O sol revela seu brilho por trás das nuvens e os soldados se encaram, percebendo que todos os Vagantes tinham se transformado em cacos, exceto aquele que empunhalou o Rei da noite, que se aproxima sem receio de Jon e dos demais para só então decidir arrancar fora sua máscara e revelar ser Arya. Jon a encara surpreso, sorrindo logo em seguida tamanha era sua alegria. A jovem ajuda o irmão a se levantar, então ele é levado até o centro de um palco improvisado onde todos o aplaudem, até que ele desce dali com a expressão fechada.
— Eu não mereço esses elogios e aplausos. Deem essas felicitações àquela que destruiu o Rei da noite. Essa é Arya, minha irmã e descendente de Winterfell e de Ned Stark — Snow desce da plataforma, sendo elogiado pelos senhores do tenpo devido a sua humildade. Ignorando os olhares de alguns, ele se senta debaixo de uma tenda e começa a ser tratado, pois haviam diversos ferimentos em seu corpo. A jovem Stark desce da plataforma sem dizer nada, voltando-se ao Doutor para beijar-lhe sem receio algum, sorrindo para ele logo depois, deixando o sujeito completamente constrangido.
Todos gritam e abrem os sorrisos, cantando e dançando em comemoração à sua vitória.
— Agora que vencemos, podemos trazer Daenerys de volta, não acha Doutor? — Indagou o Mestre cruzando os braços enquanto olha para o céu — Logo esses dragões ficarão fora de controle.
— Concordo, meu caro — Os dois não tardam a reconectar sua rede entre as máquinas do tempo e tornar a ligá-las, vendo loho em seguida um cansado Drogo se estirar no chão com uma abalada e oprimida Daenerys — O que aconteceu, majestade? — Perguntou o Doutor esticando seu braço para servir de apoio à rainha.
— Tentaram me rechaçar — Explicou a rainha olhando para Jon Snow com certo alívio, que logo é substituído por fúria ao ver que todos o olham com profunda admiração, que é compartilhada com Arya. Diferente dos irmãos Stark, a Targaryen sequer era levada em consideração. Assim que todos voltam a King's Landing, as três grandes autoridades de Westeros se reúnem na sala do Trono de ferro, onde Daenerys observa com frieza seus convidados: Tyrion Lannister e Jon Snow.
— Nossos amigos senhores do tempo se foram depressa, não? — Questionou Tyrion cutucando o que ele presumia que passava pela cabeça dos outros dois.
— Eles disseram que fizeram sua parte e que o restante depende exclusivamente de nós, então se foram com Rose Tyler e minha amiga, Clara Oswin — Explicou a Targaryen reparando as bandeiras com o símbolo de sua casa que haviam sido implantadas recentemente.
— Eles são gênios. Sem dúvidas sabiam que essa história terminaria desse jeito — Constatou Jon cutucando a espada em sua bainha, ao tempo que a rainha encara sua longa barba.
— Esperamos tempo demais para nos reunirmos — Lembrou a rainha indignada — Mas não há outra forma de terminar. Fiz o que pude para assegurar o destino de Westeros. Matei aqueles cães Greyjoy antes que viessem atrás de nós — Ela olha para Tyrion, então desvia seu olhar para Jon — Salvei sua irmã.
— Muitas vidas poderiam ter sido salvas se você tivesse permanecido na batalha — Argumentou o Rei do norte sem intenção de perder a calma — Não fosse a habilidade de Arya e sua sorte em ter encontrado o raro Vidro de fogo, não sei se o desfecho teria sido favorável a nós.
— E você Tyrion, algo a acrescentar? — Perguntou Daenerys convencida de que aquela reunião tinha se tornado inteiramente desnecessária.
— As terras dominadas outrora por Baelish, bem como o Vale e as Ilhas de Ferro ficarão sob minha guarda, debaixo do leão de Castlerey Rock.
— Eu continuarei comandando o norte, mas espero que a coroa do sul não interfira tanto nos assuntos nortenhos — Advertiu Jon com seriedade.
— Espero que tenham uma boa vida dentro de seus castelos. Se não querem minha ajuda, encontrarei quem queira. Agora, se me dão licença, tenho mais o que fazer — Tyrion e Jon se encontram do lado de fora de King's Landing, arrumando os últimos preparativos para sua viagem quando encaram uma última vez a cidade.
— Eles estão em boas mãos — Declarou Snow esperançoso — Ainda não acredito que ela seja tão parecida assim com o pai dela.
— Não é isso que me preocupa, sou eu mesmo. Prometi proteger Castlerey Rock e o Vale de Daenerys, ainda mais depois do que ela fez. Não sei até onde levar minhas ações para que Daenerys não as interprete mal.
— Ainda bem que Sansa está com você. Espero que nossa chegada em Castlerey Rock seja breve.
— Será, ainda mais depois da rota mais simples que construímos.
— Jon Snow e Tyrion Lannister, os reis mais improváveis de Westeros — Comentou Snow achando graça no que dizia.
— Daenerys também, afinal ela é outra Targaryen no poder.
— Quem sou para discordar de Tyrion, "o Sábio"?
— E quem sou eu para duvidar do irmão de Arya, "Cavaleira alada"? — Sorridentes, os dois amigos se encaminham pelas florestas na companhia de seus guardas para longe de King's Landing indo em direção a Castlerey Rock, enquanto o vento frio do inverno sopra as árvores e faz milhares de folhas voarem pelos ares para dentro e para fora da cidade, indicando a natural instabilidade da vida.
Prólogo:
— Derrotamos a Escuridão em Westeros — Afirmou Rose ao ter noção do que tinham feito.
— E agora, Doutor? — Questionou Clara se jogando em cima do painel da TARDIS — Acho que depois das recentes experiências seria bom tirar férias.
— Quem dera Oswin, temos muito trabalho pela frente. Sou o Doutor de todos os Doutores. Milhares de realidades esperam por nós, nosso trabalho apenas começou — Exclamou o Doutor se dirigindo a uma alavanca.
— Sabe que aquilo nunca vai terminar, não é? — Perguntou o Mestre arrumando sua gravata borboleta.
— Aquilo?
— Eu passei todo esse tempo com eles e cheguei a essa conclusão. Esse mundo foi feito a partir de guerras e delas ele vai viver. Não tem nada que possamos fazer a respeito disso — Clara e Rose olham para o Mestre com expressões de censura, mas o Doutor apenas sorri animado.
— Concordo com você, meu caro, mas até certo ponto. Essas pessoas viverão em conflito por muito tempo, mas não voltarão a entrar em guerra aberta devido a preocupação de ambos com o povo e com seus deveres. Quando as pessoas fazem algo bom juntas uma vez, mais cedo ou mais tarde terão de abrir mão de suas diferenças e se unir fixamente — O Doutor segura as mãos de suas parceiras — Não precisa haver perdedores — As duas esticam suas mãos para o Mestre, que as segura ainda hesitante, mas o Doutor tratou de soltá-las para enfim puxar a alavancs, ativando as rodas perpendiculares da TARDIS, adentrando uma dimensão muito além do espaço-tempo.
— Devíamos visitá-los quando não tivermos muito a fazer — Sugeriu o Mestre em um tom veemente.
— Não podemos.
— Que história é essa?
— Para certificar que a Escuridão não tentaria passar para outras realidades por meio do passado do que vivenciamos, tive de isolar a realidade do expectro intenespacial. Nunca mais veremos Westeros, ao menos não essa versão.
— Isso tudo é medo do Doutor se apaixonar? — Questionou o Mestre cruzando os braços, o que deixou tanto Clara quanto Rose perplexas? O que teria acontecido na Muralha que nenhuma delas sabia?
— Eu já tenho uma paixão desde sempre, meu caro — Defendeu-se o Doutor apertando mais botões para finalmente encaixar a TARDIS em algum universo.
— Sei... Isso não o impede de ter duas.
— Vai parar com essa provocação, Mestre?
— Sabia que eu adoro quando me chama de Mestre? Mostra o quanto é subordinado.
— Faça-me o favor.
— Cheguei a conclusão que o Doutor gosta de sofrer. Se privando de tudo e todos sempre que possível. Agora que ganhou algo tão grande quanto tudo o que já fez, abre mão sem mais nem menos.
— Não estou abrindo mão de ser o terceiro Doutor das realidades.
— Não é disso que estou falando.
— Esqueça, Mestre. Nunca vai conseguir tirar essa cabeça dura dele. Ninguém conseguiu até hoje — Observou Clara afastando um senhor do tempo do outro — Talvez por isso ele tenha chegado onde ninguém chegou.
— Foi como eu lhe disse assim que nos conhecemos, Rose — Lembrou o Doutor se virando para a jovem — Existem milhares de mundos, milhares de Westeros e milhares de Doutores, mas como eu, não existe nada igual — Puxando uma alavanca que joga todos para trás, o senhor do tempo sorri insanamente se segurando firme no painel enquanto a TARDIS atravessa novamente um portal do tempo — Sei que isso é coisa da minha próxima encarnação — Vociferou emocionado à medida que a máquina balançava — Mas ainda assim é muito bom dizer. Gerônimo!
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