A Encantadora
9 Epílogo
Notas iniciais
Uma garota, de cabelos e olhos castanho-escuros, andava distraidamente pelo campus da faculdade, lendo ao mesmo tempo em que ouvia música, os fones de ouvido bem altos no seu ouvido. Ela tinha curvas elegantes, e não conseguia conter um certo rebolado quando ouvia qualquer melodia.
Do outro lado do campus, um garoto loiro, com o cabelo bagunçado e um pouco comprido, assobiava, as mãos nos bolsos, pensando nas provas que estavam por vir. Na sua mão direita tinha um anel dourado, com o brasão da família, que era influente e no passado já tinha feito parte da nobreza.
Sem que nenhum dos dois percebesse, seus corpos desviaram suas rotas e esbarraram, tirando o garoto de seus pensamentos e a garota de sua concentração.
-Desculpa. – pediram os dois, ao mesmo tempo, o que fez com que ambos rissem um pouco.
-Não te machuquei? Desculpe, estava com a cabeça em outro mundo. – justificou o garoto, tomando a dianteira, antes que a garota o fizesse primeiro. Ele estava impressionado com os olhos dela, eram amendoados, bonitos, apaixonantes.
-Não, imagina. Eu é que estava em outro mundo, lendo e ouvindo música, não tem o que se desculpar. – disse ela, enquanto podia quase jurar que já tinha ouvido a voz dele antes, em algum lugar.
-Qual o seu nome? – ele perguntou, arrogante, tentando impressionar com um sorriso torto que julgava sem sedutor nos lábios.
-December. Dá pra acreditar? Minha mãe não estava inspirada no dia em que nasci. – e riu, acompanhada do outro. – Quando puder, acho que vou mudar pra Ravena. Acho bem mais legal.
-Hm, é um nome legal, mesmo. Mas acho o seu muito mais bonito. – disse ele, jogando seu charme, tentado a conquistá-la.
-Obrigada. – ela sorriu, um pouco encabulada. – Desculpe, mas qual seria o seu?
-Nome?
-É. – então ele tirou um cartão, escrevendo na parte de trás, ‘Johanne’.
-Minha mãe estava inspirada demais, não ligue. – brincou ele, descontraindo também.
-Como se pronuncia isso? – ela riu um pouco mais.
-Jô-rra-nê. – Ele disse, fazendo a garota rir um pouco mais.
Ficaram se encarando, enquanto admiravam um a figura do outro.
-Já não nos vimos antes? – perguntou a garota, quebrando o silêncio.
-Talvez. O mundo é cheio de gente, mas pode ser pequeno quando quer. – respondeu ele.
-Quem sabe em outra vida, não é? – soltou a garota, sem perceber.
-Com certeza. – respondeu ele, também sem querer, enquanto alguns flashes passavam na mente dos dois. – Estava indo almoçar. Não gostaria de vir comigo? – convidou o garoto, oferecendo uma das mãos para ela.
-Adoraria. – respondeu ela, entrelaçando seus dedos com os dele, como se já conhecessem há séculos.
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