A Duel of Minds - Sherlock Holmes vs Arsène Lupin
12 Um Novo Amor Para Agnes
Londres, Inglaterra. 5 de Dezembro de 1911.
Residência do Dr. Watson.
Era para ser mais um típico início de semana, sabia Watson, mas desde o “rapto” de sua filha Agnes, a rotina naquela casa havia mudado drasticamente. Seus filhos, Peter e Charles, não mais podiam se deslocar sozinhos pelo bairro, tendo que fazer suas atividades extras sempre acompanhados de um guarda, que por sinal permanecia plantado na porta da residência dos Watson o dia todo, chegando até mesmo a ter um guarda noturno. No início, os meninos se sentiam desconfortáveis por se sentirem cercados por alguém, mas com o tempo, adquiriram amizades com os homens da Lei que supostamente agiam mais como “sombras”, a protege-los dos anseios do temido Arsène Lupin.
Quanto à Agnes, a mais afetada da família, mal saía de casa. Como já havia concluído os estudos, estava proibida de ir à casa de amigas, à Igreja ou qualquer outro lugar que quisesse. Suas precauções eram tanto para protege-la das sanhas do ladrão francês, como também para impedi-la de continuar frequentando às escondidas o tal Clube Sufragista. Watson estava determinado a libertar sua filha dessas ideias feministas.
-Não é justo.
Agnes falou ao vento, naquela mesa de café. Estavam seu pai e irmãos presentes.
-O que não é justo, minha filha? – perguntou Watson.
-Você me proibir de sair de casa enquanto os meninos podem sair acompanhados de um cãozinho de guarda! – reclamou a jovem, irritada. Os meninos entreolharam-se, tentando segurar um riso. Mas Peter acabou por retruca-la.
-Também não foi justo desfalcar meu time de football porque você decidiu ir atrás daquele ladrão! Por causa da minha ausência, minha equipe perdeu e não vamos disputar a final!
-Eu não corri atrás dele! Já disse, ele me enganou. Estava disfarçado!
-Pois você pode enganar o papai, mas não a mim! – retrucou Peter.
-Quietos, os dois! – esbravejou Watson, silenciando a discussão. – Eu não quero mais o assunto Arsène Lupin nessa mesa, compreenderam? Seu tio Sherlock está muito perto de captura-lo, tenho certeza, e assim que ele conseguir, nossa vida voltará ao normal. Agora, preciso que todos aqui colaborem com as medidas de segurança!
Tanto Agnes quanto Peter silenciaram-se, mas não sem antes lançar um ao outro olhares mortais de ódio. Alheio a tudo isso, estava Charles. Comia sozinho, ignorando a briga entre os irmãos.
-Papai, vi que Nancy trouxe lagosta do mercado! Teremos algum jantar especial hoje?
Watson pigarreou. – Sim, teremos visita à mesa essa noite. Trata-se do Inspetor Lestrade Jr. Eu o convidei para jantar conosco.
-Não acredito... – Watson ouviu Agnes reclamar, mas quase que em um sussurro. Para não prolongar aquele clima de guerra à mesa do café, decidiu não retrucá-la. Agnes teria de aceitar o jantar, e principalmente, o jovem Lestrade Jr.
A bem dos fatos, Watson detestava reconhecer, mas a reputação de sua filha Agnes estava agora deveras manchada. Primeiro porque não houve qualquer discrição quanto a seu sequestro, que saiu nas principais páginas de jornais da cidade, e agora Agnes trazia a infeliz alcunha de ser mais uma das vítimas do predador sexual Arsène Lupin. Era o que dizia os olhares insinuantes lançados por todos que lhe perguntavam se ela estava “bem”, mas no sentido do que significava exatamente esse “bem”, e mesmo que Watson afirmasse que chegaram a tempo de impedir qualquer coisa, que ela não havia ficado em seu poder por muito tempo, os olhares insinuantes e descrentes persistiam. Seria cada vez mais difícil arranjar para Agnes um homem que decente para toma-la por esposa. Estava mal falada, isso era um fato, mas aparentemente, não para o inspetor Lestrade Jr.
O jovem inspetor da Scotland Yard procurou Watson pessoalmente em seu consultório, depois do sequestro. Assegurou-o de que ainda estava interessado por Agnes e de que confiava em sua palavra quanto à sua “virtude” estar preservada. Sua firmeza em buscar um relacionamento sério, com pretensões de casamento, era o que Watson mais buscava naquele momento, e por mais que o jovem inspetor não fosse exatamente o marido ideal que idealizava para sua filha, parecia ser estar a melhor opção dentre as possibilidades. Agnes dava cada dia mais sinais de rebeldia, de modo que Watson só enxergava no casamento uma chance de redenção. Certamente a responsabilidade de uma vida de casada, e quem sabe, uma posterior gravidez, um marido para cuidar e amar, a fariam enxergar no sufragismo uma causa perdida, até mesmo utópica.
Mas agora precisava aproximá-la de Lestrade Jr. e faria isso a todo custo.
Londres, Inglaterra. 5 de Dezembro de 1911.
Bairro de Whitechapel.
Um olho roxo. Bem a merda que ele precisava.
Lutar em um clube de luta clandestina não era a forma que gostaria para ganhar dinheiro, mas diante do risco de ser quase descoberto, foi o que pôde arranjar. Por quanto tempo, pensava? Sim, havia sido o único a apostar em si mesmo, havia arrancado uma boa grana de apostas, mas também deixado um pessoal bastante irritado por aquele lugar. Já lutara por mera diversão nos lugares mais sujos de Paris, apenas para treinar suas habilidades, mas agora era diferente. Não era entretenimento que buscava, mas dinheiro, e o londrino não era muito diferente do parisiense quando se tratava de conseguir uma grana alta lutando sujo. E Lupin não estava acostumado a isso. Não conseguia simplesmente morder seu adversário, cuspir ou qualquer outra tática de baixo nível! Por Deus, um deles chegou a acariciar seus testículos só para desconcerta-lo — e conseguiu! E agora, estava com o olho roxo por isso.
Olhou para aquele espelho trincado. Ao redor daquele quarto sujo de pensão, úmido, só conseguia pensar na França. Deveria estar na Riviera Francesa, à beira da praia, arquitetando o roubo a algum grã-fino, e não naquele festival de selvageria que era Londres. Mais precisamente, Whitechapel.
Mas uma coisa Arsène não conseguia deixar de se perguntar: como o detetive descobriu seu paradeiro? Não fazia a menor ideia. Talvez tenha sido ousadia demais ao ter “roubado” não uma joia, mas a filha de seu melhor amigo. Por isso tudo deu errado. Já roubou muitas coisas, mas jamais uma pessoa. Na verdade, nem existe “roubo” de pessoas. Isso se chama sequestro.
-Acho que estou indo longe demais nessa vingança. – murmurou, limpando um corte no canto da boca. Estava cansado, exausto. Queria ir para casa, voltar a ser o temido Arsène Lupin, e não aquele ladrãozinho vulgar da City. Por quê devo insistir com algo que não está me levando a lugar algum?
Essa vingança nem faz o menor sentido, pensou. Era o objeto de desejo de um homem morto há quase vinte anos, e que sequer Arsène conheceu, mas que ele aceitou por ser direcionada a alguém que julgava ser um adversário formidável – e que inclusive está demonstrando isso. Aquele menino na City, me vigiando... Isso era coisa dele, com certeza! Por isso agora estava enfurnado em ringues de luta clandestina, longe das carteiras alheias. Essa competição mais parece uma tola briga de gato e rato, sendo eu o maldito rato! Sim, pois aquele quarto nojento de Whitechapel mais parecia uma toca de rato! Nunca alguém fez com que eu me sentisse tão acuado, pensou Arsène.
-Isso está indo longe demais. Sou um ladrão, não um sequestrador. Se continuar a seguir por esse rumo, vou acabar cometendo um assassinato!
-Mas é o que você deveria fazer agora, Arsène! – interrompeu Josephine, aborrecida. Ela estava sentada sobre a cadeira daquele quarto alugado, vestida em seu característico uniforme de governanta, que não deixou de usar nem mesmo quando revelou que era ela a verdadeira dona de absolutamente tudo. Só não foi enterrada com aquele uniforme porque uma costureira tratou de lhe providenciar um vestido decente para ocasião, mas até em seus pensamentos aquela senhora insistia a aparecer assim, tal como as memórias que lhe ocuparam por toda a vida.
-Não vou matar o mounsier Holmes, Josephine! Por favor, não insista!
-Pois deveria! Ele matou o homem que te providenciou todo a riqueza que tivera acesso pelo resto da vida! E não se esqueça, ele abandonou você e sua mãe a sangue frio! Já parou para pensar como tudo teria sido diferente se ele tivesse reconhecido você como filho? Mas não, ele preferiu atirar um cheque gordo em sua mãe e pedir que ela se livrasse de você...
Arsène tentava tampar seus ouvidos, mas sabia que era em vão. A voz de Josephine ressoava em sua mente, dentro dela, não naquele quarto. E vinha em meio aos seus pensamentos aqueles dias longínquos de sua vida, onde perguntava a seu pai – que agora sabia ser de criação – Théodore quem afinal era sua mãe. “Ela infelizmente morreu em seu parto, mon petit” e assim morria o assunto. Anos depois soube a verdade: sim, sua mãe havia morrido de parto, e abandonada por seu pai. Uma pobre solteira grávida em Londres, abandonada pelo homem que a desgraçou, decerto mais preocupado com sua reputação...
-Vingue-se dele, Arsène! Vingue-se! Destrua o que ele tanto tentou proteger a vida inteira! Destrua a reputação dele, como detetive, como homem... Destrua-o, Arsène! Reduza o bom nome dele a cinzas! Faça-o desejar a Morte!
-BASTA! – gritou o jovem, ordenando que Josephine se calasse. – BASTA!
Virou-se, furioso.
Ela não estava mais lá. Melhor assim, pensou. A última coisa que precisava era ter Josephine a atazanar seus ouvidos, ainda mais depois de morta.
Abriu a janela de seu quarto. De tão emperrada pela ferrugem, era até difícil, mas conseguiu. A vista não era das melhores, precisava reconhecer. Chaminés e mais chaminés de fábricas, a poluir o céu de Londres, telhados que necessitavam de uma reforma, e o céu cinzento de poluição e nuvens pesadas de Londres. O cheiro, então... Este era insuportável. Não à toa seu quarto era o mais barato, pois ficava bem em frente a um vendedor ambulante de peixes. Estava prestes a se sentir arrependido por ter aberto a janela quando algo chamou-lhe a atenção.
Era um homem. Carregava em uma bolsa uma série de cartazes. Estava colando em uma das paredes sujas de Whitechapel um cartaz, mas chamou de imediato a atenção de Lupin pelo tema dele: um elefante, se equilibrando em um banquinho, e ao lado dele, um palhaço. Grimaldi Gran Circus...
Um circo! Não haveria forma melhor de se deslocar pela cidade de maneira itinerante e sem levantar suspeitas, e ainda por cima, poderia ter acesso à maquiagem dos atores, e quem sabe, recompor as ferramentas necessárias para voltar a utilizar disfarces! Tudo que precisava fazer agora era achar esse bendito circo e, claro, oferecer a ele seus serviços de ilusionista. Lupin considerava-se tão excelente em truques de mágica quanto em roubar, e sabia que tinha condições de desbancar qualquer mágico mambembe que trabalhasse naquela lona. Quem sabe essa não seria sua oportunidade de se reerguer e se colocar mais uma vez no jogo...
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Não era todo dia que lagosta era servida à mesa, por isso os meninos se saciaram com a iguaria. Havia também vinho, mas Watson permitiu que os meninos bebessem nada mais que meia taça, no que foi recebido por eles com grande aprovação. Nem sempre as visitas na casa dos Watson eram das mais animadas. Em geral, Watson chamava para jantares assim seus colegas de profissão, geralmente médicos de conversa entediante que falavam de pacientes, congressos e artigos acadêmicos, mas esse não era o caso de Lestrade Jr., que tinha uma boa e divertida conversa.
-Eu já joguei football algumas vezes, mas não sou tão bom assim! Me disseram que você fez três pontos em uma só partida, é verdade? – perguntou o inspetor a Peter.
-Sim! Foi o meu recorde, mas sempre deixo pelo menos um ponto em cada partida!
Agnes observava o inspetor Lestrade Jr. – que pediu para que ela passasse a chama-lo de Gary, no que ela não aceitou. Não era lá de se jogar fora, precisava reconhecer. Tinha um bom porte, o que fazia jus à quantidade de esportes que dizia praticar. Tinha o rosto bem barbeado, as costeletas aparadas e o cabelo castanho quase na altura dos ombros, mas chamava-lhe a atenção as bochechas, um tanto cheias. Lembrava-se de ter lido nos livros de seu pai que o Inspetor Lestrade tinha a aparência de um buldogue, e pelo visto o jovem Gary Jr. havia herdado um pouco de seu pai. Mas apesar da conversa descontraída, que por vezes fazia Agnes se esquecer de que estava com um homem da Lei sentado à mesa, não conseguia sentir absolutamente nada de diferente por ele. O enxergava como uma pessoa... Normal.
Não era o mesmo que Arsène Lupin, concluiu.
Paralisou-se. Por quê, de todos os homens da face da Terra, tive que pensar justamente no maior patife deles? Ele me enganou, e por mais que tivesse afirmado que nada faria comigo, deveria estar mentindo. Afinal, que outro intuito ele teria com aquele sequestro?
Uma coisa não contou a Watson, muito menos a Holmes, por medo de julgamentos. Mas ela o viu se trocar. Sim, por trás de um biombo, pois ele fora cavalheiro o bastante para não se despir em sua frente, mas Agnes viu o suficiente de sua silhueta para saber que seu corpo era bem definido, ainda que magro. Se Holmes e Watson não tivessem aparecido a tempo... Muito provavelmente ela estaria em seus braços. Ainda que uma única vez. E esse pensamento a perseguia constantemente.
-E você, Agnes?
A jovem, que estava cortando um pouco de salada em seu prato, sentiu-se pega de surpresa. No que eles estavam falando, afinal? Estava tão distraída que mal prestara atenção naquela conversa à mesa.
-Me desculpem, mas... Do que estavam falando mesmo?
Watson e Lestrade Jr. se entreolharam. Coube ao mais velho responder.
-Ora, da Noite de Natal! Lestrade Jr. estava aqui a me perguntar dos presentes que gostaria de receber. Disse a ele que você tem predileção por livros de romance, muito embora também goste de bombons! O que prefere, minha filha?
-Ah, sim. Realmente. – respondeu Agnes, ainda desconcertada pelos pensamentos que acabara de ter. Lestrade Jr. a observava como uma incógnita.
-Não entendi, senhorita... Prefere livros ou chocolate? – perguntou, confuso.
-Deve ser o vinho. Sabe, Agnes não está acostumada a bebida alcoólica e uma mera taça pode deixa-la um tanto catatônica. – desculpou-se Watson.
-Compreendo. – limitou-se a responder Lestrade Jr. Watson pigarreou, tentando mudar aquele estranho clima que havia se instalado à mesa. Ao ver Nancy se aproximar com a sobremesa, sentiu alívio. Bastava conversar com o jovem inspetor sobre doces, e ele esqueceria um pouco da estranha reação de sua filha, que mais parecia estar com a cabeça nas nuvens com algo. Espero que não seja quem estou pensando, torcia o médico.
Com o término do jantar, Watson e Lestrade Jr. ainda ficaram por um tempo a conversar na sala. Tomavam licor e conversavam sobre trabalho e política, assuntos bem típicos de homens, pensava Agnes, que só queria que toda aquela situação entediante terminasse o quanto antes.
-Filha, poderia acompanhar o gentil inspetor até o portão? – pediu Watson, enquanto se despediam. Sabendo que não tinha muita escolha, Agnes obedeceu a seu pai, levando o inspetor até o portão tal como se ele fosse uma criança, incapaz de simplesmente ir embora por seus próprios meios.
-O jantar foi esplêndido! – disse Lestrade Jr., enquanto caminhava em direção ao portão, ao lado de Agnes. – Foi muito bom estar com a senhorita, Miss Watson. Espero que possamos repetir essa ocasião mais vezes...
-Não tenho tanta certeza assim, Mr. Lestrade.
O rapaz tomou-se de surpresa. – Não compreendo. Fiz algo de seu desagrado?
-Você parecia mais determinado a impressionar a meu pai e meus irmãos, portanto penso que talvez esteja mais interessado em tomar a um deles por esposo.
As palavras zombeteiras de Agnes horrorizaram o jovem inspetor.
-Mas é claro que não! – retrucou, um tanto indignado. – A senhorita era o centro de minhas atenções, não seu pai ou a qualquer um de seus irmãos. E ademais, é muito importante conquistar a simpatia de sua família, se é de nosso desejo nos casarmos.
-Seu desejo, você quis dizer. E do meu pai, preciso admitir. Mas não meu. – respondeu Agnes, com rispidez. Estava a abrir o portão, já um tanto irritada.
-Mas o que devo fazer para amolecer esse seu coraçãozinho de pedra, Miss Watson?
A jovem suspirou. Que sujeitinho insistente, esse inspetor...
-Você quer mesmo conquistar meu afeto, Inspetor Lestrade Jr.? Pois bem. Para começar, me tire desse cativeiro. Estou há dias proibida de sair de casa por causa daquele maldito ladrão, enquanto meus irmãos podem ir para onde bem entendem, desde que acompanhados por um policial. Mas eu não posso. Sou uma prisioneira dessa casa.
-Então é isso? – riu o inspetor, como se estivesse diante de uma tarefa muito fácil. – A senhorita deseja passear um pouco?
Agnes suspirou.
-Sim, estou muito cansada de permanecer enclausurada nesse lugar.
De braços cruzados, o Inspetor Lestrade Jr. encarava Agnes pensativo. Olhava para seu gracioso rosto, que não deixava de ter sua beleza nem mesmo diante de seus traços emburrados de impaciência. Seus cabelos loiros, presos a um penteado trançado, e seus olhos suplicantes por algo que a libertasse de todo aquele marasmo que deveria ser a casa do Dr. Watson. Talvez esse fosse o caminho, pensou. Mostrar a ela que ele não era um simples policial burocrata, mas que poderia proporcionar a ela uma amizade, diferente do que ela detinha com suas amigas da boa sociedade. Como não houve o dito amor à primeira vista, talvez fosse melhor construir algum tipo de companheirismo, e aí, então, Miss Watson estaria com seu coração aberto ao amor, da mesma forma como já estava o seu.
-Posso conversar com seu pai, se quiser. Pedir para leva-la a um passeio. Tenho certeza de que ele não recusará quando souber que a senhorita estará acompanhada comigo. O que acha?
-Ah, ótimo! – concordou Agnes. Apesar de não gostar nem um pouco de Lestrade Jr., viu no jovem inspetor a oportunidade de sair das amarras de seu pai, ao menos enquanto Arsène Lupin não era apanhado por Sherlock Holmes. – E para onde me levará?
O inspetor sorriu. – Vou pensar em algo que será de seu agrado, pode confiar.
-Será uma surpresa, então?
-Exatamente, Miss Watson. Vamos ver se consigo surpreendê-la... – comentou o inspetor, despedindo-se com um sorriso vitorioso.
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