A Droga
2 Os cozinheiros
Notas iniciais
Eles chegaram ao hotel sem saber o que fazer, mas Crânio, como sempre tinha uma solução. Ele havia olhado em um mapa da cidade e achado um laboratório de pesquisa não muito longe dali, bastava eles esperarem até 23 horas e tentar entrar.
Ele contou sua solução para os amigos, já que não podiam contar com a polícia paulista, pois eles não conheciam os garotos e de certo não confiariam neles, tinham de fazer tudo sozinhos. Eles esperaram até às 23 horas jogando Mario no videogame portátil de Chumbinho.
Quando viram que já tinha dado a hora que queriam chamaram um táxi e foram até o laboratório. Estava fechado, claro, mas o problema era como entrar.
Magrí viu que havia janelas baixas, pois não era um prédio. Se elas não estivessem trancadas seria possível entrar por elas. A garota conseguiu abrir as janelas e chamou os amigos para entrarem. Os cinco Karas pularam a janela e estavam, finalmente, conseguindo algum progresso.
Crânio pegou luvas para todos e foi diretamente para o computador enquanto seus amigos olhavam fascinados seu trabalho. Ele olhou já com luvas o que havia dentro do pacote: cristais azuis era claramente Metanfetamina.
Tratou de verificar as digitais no pacote, havia duas: as de Calu e as de Lucas Mendes. Esse era o nome do entregador da droga, ele anotou o nome, mas era uma pena não terem acesso aos arquivos da polícia para descobrir o endereço da casa de Lucas Mendes.
Estavam voltando, na rua do Copacabana Palace, andando e conversando sobre Lucas Mendes, quem ele seria e como descobririam algo mais sobre ele sem a ajuda da polícia.
Magrí viu novamente Rafael passando na rua e o chamou, mas atrás dela, Crânio ainda conversava com Miguel sobre Lucas Mendes.
–Quem seria Lucas Mendes afinal? –Dizia Crânio –Onde ele vive?
–Você disse Lucas Mendes? –Falou Rafael surpreso.
–Sim, conhece alguém com este nome?
–Tenho um primo com este nome, o que tem ele?
–Ouvimos falar que teria uma festa na casa dele e queríamos ir, mas não sabemos onde ele mora. Poderia nos falar? –Mentiu Magrí.
–Ah, claro! Esses primos que não nos convidam para as festas são difíceis. Ele mora na Rua Monsenhor Amorim lá no Engenho Novo.
–Obrigada Rafael, apareça na festa. Precisamos ir agora, estamos um pouco cansados.
–Eu vou também, até mais!
Eles se afastaram de Rafael, mas resolveram discutir o assunto somente ao chegar ao hotel. Decidiram que no dia seguinte iriam até a casa de Lucas e tentariam descobrir algo sobre o caso. Logo os cinco Karas estavam dormindo, tiveram um dia agitado e provavelmente o dia seguinte seria ainda mais agitado.
No dia seguinte pegaram um táxi até a casa de Lucas, não tinha portão ou muro então foi fácil, porém descobriram que ele estava por lá. Não tinha como eles entrarem enquanto Lucas não saísse. Calu deu a ideia deles se esconderem nos fundos da casa e esperarem que Lucas saísse. Foi o que fizeram.
Lá dava pra ouvir o que Lucas falava dentro da casa e às vezes um dos Karas ia até as janelas para olhar o que estava acontecendo. O telefone tocou:
–Lucas falando, novo lote? Certo estarei ai em um minuto, mas para onde levo? Então tá, nos vemos logo.
Ele desligou o telefone e trancou a porta da frente da casa, Miguel viu que ele iria sair pelos fundos e disse para seus amigos correrem rápido. Eles correram como puderam até a calçada e ficaram parados fingindo conversar até que Lucas saísse.
Eles voltaram para a casa, mas as portas estavam trancadas e as janelas tinham grade. Porém Chumbinho havia visto Lucas esconder as chaves em algum lugar num pequeno armário nos fundos da casa, começaram a procurar lá, Crânio achou as chaves em um cestinho com pregadores de roupas.
Destrancaram a porta e entraram, começaram logo a procurar algo que poderia ser uma pista a ser seguida. Crânio procurou no computador, Calu no quarto, Magrí na sala, Miguel no banheiro e Chumbinho na cozinha. Magrí acabou achando uma anotação que poderia ser uma pista para se investigar: “Buscar produto na Rua Vinte e Quatro de Maio, Lavanderia Alfa”.
Calu anotou o mesmo e eles seguiram para a lavanderia, porém um tanto desanimados, o que uma lavanderia teria envolvida com um laboratório de drogas? Crânio lhes respondeu dando-os esperança:
–Os laboratórios de drogas precisam de um comércio para fazer lavagem de dinheiro, também precisam de um lugar em que não se desconfie para produzir sem chamar atenção da polícia. Este lugar pode ser o esquema de lavagem de dinheiro, mas creio que seja o laboratório de produção já que o “produto” é buscado lá.
Ao chegarem à lavanderia ela estava fechada, porém eles repararam que havia algo parecido com um jardim nos fundos e resolveram olhar o lugar. Procuraram no chão, entre arbustos, e finalmente Miguel achou uma porta no chão escondida entre os arbustos.
Eles resolveram que não abririam a porta, os cinco Karas encostaram os ouvidos na porta tentando ouvir algo, conseguiram. Era uma voz masculina rouca e baixa, ele falava para alguém começar a quebrar os cristais. Era de fato o laboratório.
Chumbinho achou melhor eles esperarem o cair da noite para entraram no laboratório e foi isso que fizeram, foram até a Pedra da Gávea e esperaram o anoitecer, voltaram até a lavanderia e não ouviram voz ou barulho algum vindo do laboratório.
Entraram e encontraram barris com substâncias químicas e máquinas que exalavam um cheiro desagradável, porém não tinham provas, nomes, nada. Magrí achou melhor eles dormirem em um canto no laboratório e esperarem até que os cozinheiros da droga chegassem e eles descobrissem algo, fizeram.
Na manhã seguinte, Calu que não havia dormido viu os cozinheiros entrando e acordou os amigos. Os homens vestiram macacões amarelos e máscaras, começaram a fazer a droga e conversar. No meio disto descobriram o nome dos cozinheiros: André e Davi.
Após isso ficaram lá por cerca de mais uma hora no canto esperando que os homens saíssem, esta hora chegou. Eles foram falar com o “Patrão” do qual não foi dito o nome. Os cinco Karas aproveitaram, pegaram dois objetos que teriam as digitais dos cozinheiros e resolveram falar com a polícia.
Eles saíram pela porta escondida e chamaram um táxi para a delegacia mais próxima, ao chegarem lá disseram que tinham informações sobre a produção de Metanfetamina no Rio de Janeiro e queriam falar com o delegado, após muito esforço conseguiram alguns minutos no escritório do Delegado Garcia.
–Nós somos de São Paulo e ajudamos a polícia lá, -Crânio começou a explicar –Começamos a investigar sozinhos e agora com informações viemos lhes pedir ajuda. Descobrimos primeiramente, através das impressões digitais em um pacote o nome do entregador da droga: Lucas Mendes. Somos por coincidência conhecidos do primo de Lucas, Rafael Mendes. Conseguimos o endereço dele e achamos anotado em sua casa “Buscar produto na Rua Vinte e Quatro de Maio, Lavanderia Alfa”, fomos até esta lavanderia e encontramos uma porta no chão, escondida entre os arbustos nos fundos da lavanderia. Escondemos-nos lá e descobrimos que os cozinheiros se chamam André e Davi e pegamos estes objetos com as digitais deles quando eles saíram para falar com um patrão que não mencionaram o nome.
–Garotos, bom trabalho e muitíssimo obrigado por nos dar estas informações. Agora mesmo irei enviar viaturas para pegarem os bandidos e, vocês poderiam ir com eles para mostrar a porta?
–Claro e obrigado pela atenção Delgado Garcia.
–Eu é que agradeço garoto.
Os cinco Karas foram com duas viaturas até o local do laboratório, eles chegaram silenciosamente para não alarmar os cozinheiros. Os policiais abriram a porta escondida e viram os cozinheiros que já haviam voltado ao trabalho.
Os cozinheiros se deixaram ser levados para uma das viaturas e pelos policiais e nada falaram em sua defesa, protesto ou qualquer coisa para livrarem-se da situação. Foram até a delegacia sem dizer apenas uma palavra, nem ao menos falaram quando se encontraram com o delegado.
O delegado agradeceu os garotos e disse-lhes que iriam informa-los se pegassem Lucas Mendes ou achassem o cabeça de todo o crime, se não descobrissem o “patrão” chamariam os garotos para ajuda-los nas investigações.
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