A Droga
9 Código Morse, a salvação
Chegaram a Goiânia naquela noite, já tinham a reserva em um hotel agendada por Jéssica, à antiga secretária de Garcia. Eles estavam cansados e foram dormir pouco depois de chegarem, os policiais em um quarto, os garotos em outro.
Na manhã seguinte começaram a observar Rafael de longe, mas ele só ia a lugares normais. Pela manhã ele foi a uma padaria, comeu e voltou para a casa onde estava. Começaram a se perguntar de quem seria aquela casa. Na hora do almoço ele foi a restaurante bastante simples, perto da casa. Ficou no hotel até o final da tarde, foi para uma praça e deu algumas voltas correndo, voltou para a casa, tomou banho e foi numa peça de teatro. Nada demais, como ele conseguia esconder tal coisa tão bem?
Os policiais ficaram vigiando 24 horas ao dia enquanto Magrí, Crânio, Miguel e Calu voltavam para o hotel de noite, dormiam e voltavam no dia seguinte.
Naquela manhã, Rafael foi novamente para a mesma padaria, voltou para o hotel e na hora do almoço foi novamente para o mesmo restaurante. Seria ele um homem de hábitos?
Porém, após algumas horas no hotel depois do almoço Rafael pegou seu carro e foi em direção à estrada, os policiais junto com os quatro Karas foram atrás do bandido, mas em um certo ponto ele deixou seu carro e começou a caminhar. Eles tentaram acompanha-lo, mas acabaram por perdê-lo em meio todas aquelas árvores.
Eles continuaram por procurar Rafael ou algum lugar onde Chumbinho poderia estar, mas não acharam. Estava quase anoitecendo e eles resolveram que iriam dormir por lá e achar o garoto no dia seguinte.
Magrí tinha algum receio de dormir no chão, ela temia bichos, então eles dormiram debaixo de um Ipê amarelo que tinha um tapete de flores abaixo, mas eles sentiam muito frio e Calu deu uma ideia para se aquecerem:
–Vamos nos abraçar para reter nosso calor, sempre fazem isso nos programas de sobrevivência na selva.
Fizeram, mas ainda sentiam muito frio, o calor que os queimava de dia era tão intenso quanto o frio na noite. Crânio, após alguns minutos de frio mesmo com a ideia dos abraços de Calu, se lembrou de algo importante para não morrerem com o frio.
–Não podemos dormir no chão, como fui burro! O chão frio retém nosso calor fazendo com que fiquemos com mais frio e provavelmente se dormíssemos aqui chegaria a um ponto de morrermos congelados.
–Podemos subir nesta árvore e tentar nos deitar, cada um em um galho.
–Pode ser –Disseram os outros.
Todos subiram na árvore e logo estavam dormindo, exceto por Calu que não conseguiu, ele desceu da árvore e resolveu andar, olhar a dança das estrelas em volta da Lua e apreciar a natureza.
Ele achou cajus não muito longe dali, pegou alguns e voltou para o Ipê, se sentou no tapete de flores e comeu os cajus ao mesmo tempo em que pensava naquela viagem, deveria ser uma viagem para descanso, somente para que eles conhecessem as maravilhas do Rio de Janeiro e depois voltassem para São Paulo, para o Colégio Elite e para os crimes daquela cidade, dos quais eles resolviam com a ajuda do amigo, Detetive Andrade.
Calu adormeceu sem perceber, mas não muito depois ele acordou sentindo uma dor em seu braço olhou para o local, estava queimado e descendo de sua blusa de frio uma lagarta. Ele havia sido queimado e aquilo doía imensamente.
Ele pegou no local para ver se era grave, mas doeu ainda mais do que antes.
–Ai! Ai! Ai! –Ele gritou.
–Calu, o que aconteceu? –Disse Magrí assustada.
–Eu fui queimado por uma lagarta, está queimando meu braço.
–Alguém tem fita adesiva? –Crânio.
–Pra que isso?
–Água gelada também é bom, para queimaduras de lagartas serem aliviadas basta colocar fita adesiva e gelo, mas sei que não temos gelo então pode ser água gelada.
–Não temos –Disseram os outros.
–Podemos enrolar com uma folha grande.
Magrí e Miguel foram procurar uma folha grande o suficiente enquanto Crânio ficava com Calu e os policias continuavam a dormir. Foram cada um para um lado.
***
Na cabana, Chumbinho ouviu gritos, o homem ao seu lado dormia. Ele reconheceu a voz de Calu e resolveu sair da cadeira, ele não conseguiu, mas conseguiu se arrastar com a cadeira até a parede da cabana.
Ficou com o ouvido colado na parede à espera de mais vozes, seus amigos estavam a sua procura. Ele sabia que seria salvo pelos Karas, seus Karas!
***
Miguel achou uma folha grande e foi para o outro lado à procura de Magrí, não achou e presumiu que a garota estaria junto com Crânio e Calu, foi até os dois, mas ela não estava lá. Ele ajudou a enrolar a queimadura de Calu com a folha, mas preocupou-se com a garota e resolveu procurá-la.
***
Magrí, ao andar no mato achou uma cabana e pensou que Chumbinho poderia estar lá. Bateu na parede: Um longo, dois curtos, um longo, um curto, três longos, um curto.
A garota havia dito “Você está ai, Chumbinho?”, ela esperou reposta e logo a obteve: Um curto, um longo, um curto, um longo, um longo, três curtos, dois longos e outro curto. “Estou aqui, irei tentar pegar a chave com o homem que está aqui e passarei pela porta.”
Chumbinho se arrastou com a cadeira até o homem adormecido e se abaixou com dificuldade para pegar as chaves, se arrastou novamente até a porta e novamente se abaixou e empurrou a chave pela fresta da porta.
Magrí pegou a chave e abriu a porta tentando fazer silêncio, conseguiu aparentemente o homem tinha um sono pesado. Ela desamarrou Chumbinho, trancou a porta e foi com o garoto para o local onde estavam os policiais e os outros Karas.
Eles foram até lá e todos abraçaram Chumbinho, Miguel acordou os policiais adormecidos na árvore e os informou o local da cabana.
Chumbinho e Magrí foram guiando os outros até a cabana, chegando lá Magrí destrancou a porta e os policiais algemaram o homem. Voltaram para o carro em que estavam e foram até a casa em que estava Rafael.
Pegaram-no dormindo e também o prenderam. Chamaram um avião no Rio e voltaram e prenderam os bandidos.
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