A Dolorosa História de Thomaz Blauth
1 Capítulo Único
Notas iniciais
Eu sempre sofri muito na minha vida, acho que isso acontece com pessoas como eu.
Sempre fui magro demais, alto demais, branco demais, esquisito demais.
Devo todo o meu sofrimento ao meu pai, Richard Blauth, 46 anos, dono de uma loja de bebidas, ele sempre foi muito ruim na minha vida, então isso ajuda a não me sentir tão mal em relação ao que eu fiz.
Queria justificar que tudo que fiz em minha vida foi por um razão, ver a felicidade nos olhos de minha mãe, Samantha Blauth, 39 anos, loira, olhos azuis, minha mãe sempre foi muito linda e sempre teve um coração bom, nunca entendi o motivo de ela ter casado com um monstro como o meu pai.
Eu tinha 13 anos quando aconteceu, era uma noite de sexta-feira e já passava das onze quando meu pai chegou em casa, minha mãe tinha deixado eu assistir o especial de desenhos que estava passando, eu estava na sala quando ele entrou com tudo pela porta da frente.
De onde eu estava dava para sentir o cheiro forte de bebida, ele foi cambaleando para o quarto, mas parou quando me viu.
— O que faz acordado até essa hora, moleque? – Pergunta com a voz rouca.
— A mamãe me deixou assistir TV. – Digo com a voz trêmula.
— Já falei pra puta da sua mãe que não é pra deixar você ficar acordado até tarde. – Grita comigo e me segura pelo braço, me puxando até meu quarto, ele me joga na minha cama e sai do aposento, descendo as escadas.
Eu levanto da cama e o vejo pela fresta da porta com uma garrafa em uma das mãos e fósforos na outra.
Quando ele entra no quarto, eu vou até a porta do mesmo e o vejo jogando o líquido da garrafa na minha mãe a fazendo acordar assustada.
— Isso que eu vou fazer é pra você aprender a não me desrespeitar, sua vagabunda. – Diz ele com ódio na voz.
A cena que presenciei foi a coisa mais aterrorizante que eu já vi, minha mãe implorava e meu pai ria, ele acendeu um fósforo e jogou nela, meus olhos brilhavam com o fogo que se espalhou por todo o corpo da minha mãe, se concentrando em seu belo rosto. Eu estava paralisado, mas eu voltei em mim e desci as escadas correndo, pegando o telefone e ligando para a emergência, mesmo que meu pai queira me bater depois, tocar fogo em mim, eu não me importava com nada no momento, além de minha mãe.
Meu pai desceu as escadas quando ouviu o som da ambulância e olhou furioso para mim, a sirene da polícia também ecoava na frente de nossa casa, mas não tinha sido eu que chamei.
Meu pai saiu correndo e fugiu pela porta dos fundos. Eu abri a porta para os policiais junto dos paramédicos e eles subiram rapidamente, eu sentei no chão e comecei a chorar chamando por minha mãe.
Um policial veio até mim e começou a fazer perguntas, depois eu fui com o mesmo policial até o hospital.
Eu ouvi um médico falar para o policial que a situação de minha mãe estava difícil e que se ela sair dessa com vida, teria seqüelas para a vida toda.
X X X X X X X X X
Três semanas depois e minha mãe estava melhor, ela teve queimaduras de terceiro grau e perdeu a visão do olho esquerdo, mas estava viva e bem. Eu tive que ficar na casa da minha tia por parte de mãe e hoje minha mãe finalmente ia voltar para casa.
Quando entro no quarto de hospital onde ela está, a cena que vejo me deixa em pedaços, minha mãe, a mulher que eu mais amo em minha vida, estava horrível. O rosto dela estava todo queimado com várias cicatrizes, o olho esquerdo que ela tinha perdido a visão, estava totalmente branco e com uma grande mancha ao redor, mas não é apenas seu rosto que está queimado, eu vejo seus braços e toda a parte descoberta de seu corpo, tudo está queimado e com várias manchas, algumas manchas pretas e outras de cor acinzentada.
Ela está chorando e pede para eu não olhar para ela. Eu chego mais perto e seguro em suas mãos.
— Mamãe, você está linda. – Digo com lágrimas em meus olhos.
— Eu te amo meu bebê, me perdoa por fazer você passar por isso. – Ela diz e eu a abraço por um longo tempo.
Desse dia em diante as coisas foram bem difíceis para nós dois, mas estávamos levando, ficamos morando com a minha tia e eu nunca mais vi meu pai.
Passou um tempo e minha mãe não saia de casa, não trabalhava e ficava sempre no nosso quarto chorando, a única vez que ela saiu depois do ocorrido foi apenas pra pegar as cartas, mas um homem a olhou e a mesma saiu correndo e nunca mais tirou os pés de dentro de casa, eu não sabia o que fazer pra reverter essa situação, até que um dia eu tive uma idéia.
Cheguei da escola e subi as escadas correndo com o coração na mão.
— Mãe, o correio chegou, tem uma carta pra você. – Disse ofegante por ter corrido.
— Uma carta para mim? De quem? – Pergunta com a voz chorosa.
— Não sei, não tem nome. – Respondo simplesmente.
— Abra para mim. – Fala sentando na cama.
Eu abro a carta e começo a ler:
Querida Samantha,
Quando eu a vi, achei que era a coisa mais linda que já tinha visto em toda minha vida. Nunca antes imaginei que pudesse existir uma pessoa tão bela assim como você, mas você não sorria, eu fico imaginando como deve ser seu sorriso que, com certeza, deve ser tão lindo quanto você. Seus olhos não tinham brilho e isso me deixou triste, espero que saibas o quanto é linda, tanto por dentro como por fora.
Graciosamente, Seu admirador secreto.
Quando terminei de ler, minha mãe sorria com lágrimas nos olhos, e eu vi que tinha funcionado.
Depois desse dia eu comecei a escrever uma carta por semana, e minha mãe ficou mais sorridente e mais alegre, ela parou de chorar o dia inteiro no quarto e voltou a fazer tarefas de casa, ela só não ia trabalhar, pois tinha receio, mas foi um grande avanço.
Quando completei 16 anos, minha tia faleceu, e deixou a casa para nós, minha mãe ficou abalada, mas eu não a deixei voltar a afundar.
Quando fiz 18 anos, eu e minha mãe estávamos bem e felizes, eu trabalhava e estava no último ano escolar, ela abriu uma pequena confeitaria e nós estávamos realmente bem, ela ainda recebia as cartas e nunca desconfiava de ser eu, mas um dia Ele apareceu.
Era em um sábado à noite e minha mãe insistiu que eu deveria ir a uma festa idiota de um garoto da minha escola, depois de tanto pedir eu resolvi ir mesmo com receio.
A festa estava muito chata, pois eu não conhecia ninguém, então resolvi voltar pra casa.
Quando chego vejo que a porta está aberta, vou correndo em direção ao quarto de minha mãe e a vejo no chão toda ensangüentada, já sem vida, não tenho tempo para chorar, pois vejo uma sombra atrás de mim e viro rapidamente, vejo meu pai, com uma faca na mão direita.
Eu não sei o que houve comigo, mas parti pra cima do mesmo e iniciamos uma briga, eu jogo a faca longe e começo a dar socos em seu rosto, ele cai no chão e eu não paro, até perceber que ele está desmaiado.
Eu estou ofegante, e vejo que sua pulsação estava muito fraca. Corro até meu quarto e pego algumas coisas e um dinheiro que eu estava guardando, pego meu celular e ligo para o Carl, um policial amigo da minha família.
— Alô.
— Carl, aqui é o Thomaz, minha mãe está morta, meu pai a matou, ele está desacordado e eu estou fugindo. – Digo rapidamente e desligo o celular jogando ele na parede.
Vou até o quarto de minha mãe e agarro seu corpo desfalecido, dou um beijo em sua testa e vou embora sem rumo algum.
Alguns dias depois vejo no noticiário local, que meu pai chegou ao hospital sem vida, e os policiais disseram que ele tinha matado ela e depois se matou, mesmo desconfiando disso, eu sabia que o Carl iria me ajudar.
Eu permaneci na cidade, todos os dias visito minha mãe no cemitério e todos os dias eu deixo uma carta que sei que nunca será lida.
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