A Doce E Fria História De Amor Do Dragão
11 Cicatrizes no coração
Notas iniciais
desculpem a demora
Ivan percebeu que aquilo que Yao havia escutado havia abalado o chinês. Yao parecia num estado de transe e meio triste, escutar que os irmãos queriam se separar havia machucado ele um pouco... ou muito.
- Yao? — perguntou Ivan — Está tudo bem?
- A-ah? H-Hum... s-sim... está tudo bem aru.
Yao deu um sorriso falso e abraçou fortemente seus irmãozinhos caçulas.
- Vocês não vão me deixar né aru?
- Não — disse Long
- Queria que ficássemos todos juntos — disse Mei com algumas lágrimas.
- Vou falar com os outros aru. Onde eles estão?
Yao então pegou na mão de seus dois irmãozinhos que foram lhe mostrando o caminho enquanto eram seguidos por Ivan. Chegaram então no lugar onde Lien conversava com Kiku e Hyung tentava ouvir a conversa num esconderijo um tanto óbvio. Xiang tentava puxar Young para longe da conversa, mas este tentava com todas as forças se aproximar de Lien e Kiku para ouvir mais. Ao verem Yao todos travam e ficam olhando para ele.
- O que está acontecendo aqui aru?
- Eles querem se separar! — disse Xiang.
- Por quê?
- Queremos ser independentes — disse Lien
- Ainda estão muito pequenos aru. — respondeu ele.
- Já crescemos bastante. — rebateu Kiku.
- Não cresceram o suficiente aru.
- Eu já cresci bastante... mas você não percebeu ainda — disse Kiku.
Yao soltou um pesado suspiro. Pensar naquilo estava começando a dar dor de cabeça e mais tristeza nele, não gostava de se imaginar sem os irmãos por perto ou sozinho. Acabou nervosamente mandando todos para o seu devido quarto, pensaria nisso com calma com o tempo e com certeza ficaria de olho nas saídas e no corredor dos quartos dos irmãos durante a noite.
Depois de Lien, Kiku, Hyung e Young terem ido para seus quartos, Xiang, Long, Mei e Ivan ficaram olhando para Yao esperando que ele fizesse ou dissesse algo, ele parecia bem pensativo. Irado, Yao acabou indo para seu quarto e fechando a porta com força.
Long e Xiang se entreolharam e foram para o quarto, mas Mei parecia um tanto triste. Ela foi até Ivan e puxou levemente a sua calça para que ele notasse a pequena menina, este se abaixou com um sorriso gentil e viu as lágrimas nos olhos da garota.
- Vai ficar tudo bem? — perguntou ela
- Vai sim — respondeu Ivan fazendo carinho na cabeça da pequena — vá para seu quarto que eu vou cuidar do Yao tá bom?
A menina afirma com a cabeça e vai indo para seu quarto. Depois de ter certeza que ela entrou no quarto, Ivan foi até o quarto de Yao. O russo o encontrou deitado na cama de costas para a porta. Foi indo silenciosamente até ele e se sentou na cama.
- Ivan... — disse Yao sem se virar para o russo — eu sou uma pessoa ruim aru? Um irmão ruim?
- Na verdade você é quase o pai deles, Yao.
- Porque eles querem ir embora desse jeito aru?
- Acho que isso é algo inevitável quando se é um país. Hora ou outra se busca a independência.
- Não quero ficar sozinho aru.
- Não vai — respondeu Ivan deitando-se ao lado de Yao e o abraçando — eu vou ficar sempre aqui.
Yao que estava com o emocional meio abalado, nem pensava mais em afastar Ivan, ele se virou para ele se aconchegando nos braços do maior enquanto ainda estava com um semblante triste no rosto. Ivan deu um doce beijo na testa de Yao e os dois acabaram dormindo ali, calmamente e enroscados um no outro.
Mesmo tendo dormindo abraçado com alguém que era tão importante para ele, Yao não deixou de ter pesadelos durante a noite, sonhava com seus irmãos o abandonando, sonhava com ele ficando sozinho e solitário. Ivan acordava toda hora preocupado com o chinês que falava durante a noite e fazia expressões que preocupavam o russo. As horas passavam, e os dias também.
Os dias que se seguiram se passaram meio melancólicos e um tanto silenciosos. Os irmãos asiáticos mal conversavam entre si com exceção de Lien e Kiku que vez ou outra conversavam escondidos de Yao. Algumas noites Yao ficava de olho no corredor do quarto dos irmãos juntamente com Ivan que ficava ao seu lado temendo que algum deles fugisse. De dia, tinha reuniões com o Imperador e o Czar juntamente com Ivan.
Certo dia, Yao havia caído no sono no corredor e Ivan o pegou delicadamente no colo e o levou para a cama e o cobrindo.
- Ivan... — disse Yao abrindo minimamente os olhos — fique aqui comigo aru...
Ultimamente estaca sendo assim, Yao parecia com medo de perder qualquer pessoa que era importante para ele, e Ivan era um deles. Ivan atendeu ao pedido, ficaria lá mesmo se Yao não pedisse, andava muito preocupado com ele e isso o impedia de ele contar algo que estava para acontecer que em nada tinha haver com os irmãos de Yao, tinha haver com o próprio Ivan, mas não queria deixar o chinês mais abalado do que já estava. Planejava contar isso desde o começo, mas não conseguia.
Yao também aparentava sem forças para afastar Ivan, praticamente todos os dias eles dormiam abraçados, mas Ivan não ousava fazer nada além de dar alguns doces beijos e abraços no chinês.
O sol raiou e inundou o quarto de Yao vindo pela janela, ele abriu os olhos e esperou ver Ivan ao seu lado na cama, mas dessa vez não o viu. Ele se levantou com pressa da cama, o procurou pelo quarto, mas não o achou. Ainda não era o dia de ele voltar para a Rússia. Yao saiu correndo pela enorme a casa a procura de Ivan, no meio do caminho se encontrava com alguns de seus irmãos como Xiang e Hyung que perguntavam o que acontecia, mas Yao continuava correndo a procura do russo sem responder as perguntas.
Suas opções de quartos, jardins e cômodos diversos para procurar estavam se esgotando quando ele encontrou o Imperador jogado no chão. Ele estava com uma expressão um tanto estranha e lesada, descabelado, também estava com alguns hematomas e cortes pelo corpo. O cômodo mostrava evidentes sinais de um grande desentendimento ou até mesmo uma luta, vasos estavam jogados no chão quebrados, almofadas espalhadas e rasgadas, tapetes torcidos e tinta derramada.
Yao foi apressado até o imperador que estava meio desorientado.
- Yao? — perguntou o Imperador — ainda bem que alguém chegou.
- Há quanto tempo está aqui aru?
- Não sei dizer...argh... minha cabeça dói.
- Quem fez isso com você aru?
- N-Não lembro direit- — ele mal terminou a frase e vomitou no caro tapete enquanto Yao se afastou com nojo e tampando o nariz.
- Ugh! Isso é nojento aru!
- ...
- Não se lembra de nada mesmo aru?! Temos que chamar os guardas ou sei lá!... E você tá cheirando a álcool aru... certeza que não andou bebendo e acabou arrumando briga com alguém aru?
- N-Não... acredito que não seja isso... ou... acho que me lembro de ter bebido sim.
- O que bebeu deve ter sido forte para te deixar desse jeito aru.
- Com ele chamou mesmo?...
Enquanto o Imperador tentava se lembrar do nome da bebida que havia tomado, Yao notou um papel colocado de um modo que todos pudessem ver. Ele deixou o Imperador tentando se recordar das coisas e foi ler o papel que tinha uma porca caligrafia, como de uma criança que estivesse começando a aprender chinês.
"Aprendi bastante sobre suas táticas de guerra e sobre seu exército. Usarei tal aprendizado com sabedoria para tomar de vocês territórios interessantes. Sim, eu embebedei o Imperador e nesse momento já deve ter o encontrado morto. Seu império cairá e se formará a grande Rússia"
Yao ficou de olhos arregalados ao ler aquilo, lágrimas queriam se formar mas segurou as lágrimas ao máximo. Havia um erro no bilhete, o Imperador ainda estava vivo, alguma coisa deve ter acontecido.
- Ah sim, lembrei agora o nome da bebida... — continuou o Imperador ainda sem se lembrar da provável briga que quase o levou da morte.
- Também já sei qual foi aru... — disse Yao tristemente amassando o bilhete de declaração de guerra — Vodka.
Notas finais
o que vai ser dele agora?
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