Notas iniciais
não tenho nem argumentos para me desculpar pela giganorme demora. Espero ao menos que vocês ainda estejam aqui. o capítulo foi escrito com uma vontade e falta de preguiça que a tempos não acontece. Então aproveitem. Fiquei com medo de botar detalhes demais e ficar muito pesado então... não se sintam mal se resolverem pular um ou dois parágrafos. Mais pro final do cap, tem 3 notas com asteríscos e números. As informações relativas a elas estão nas notas do final :3 boa leitura o/

As estrelas brilhavam no céu e o ar frio deixava Yao e Ivan com total preguiça de sair da cama ou de se soltarem do abraço. Nenhum dos dois lembrava-se de ter dormido tão calmamente assim desde muito tempo. Mais especificamente, desde quando a Guerra começara. Mas enquanto os dois trocavam carícias e compartilhava o calor do corpo, os fatos começavam a se desdobrar conforme os dias e meses foram passando.

Praticamente apenas o Japão permanecia na guerra, todos, inclusive o povo japonês, já contava com a rendição do Japão. A situação estava completamente insustentável e insuportável nas terras nipônicas. Ensanguentado, com olheiras nas olheiras e o cabelo completamente desarrumado, Kiku olhava para a adorada cidade de Tokyo, ou a parte dela que ainda estava de pé. Sabia que era uma questão de tempo, não só o país estava em pedaços, como também o povo morria de fome. A declaração de guerra da Noruega e a derrota do navio americano perante forças japonesas no mês anterior não eram nada que aumentasse ou diminuísse as preocupações de Kiku.

Agosto de 1945 chegou ao território japonês trazendo o frio junto com ele embora não ainda aquele frio de inverno, mas sim o da despedida do verão. Era segunda feira, o dia mal tinha começado. Kiku já estava levantado há muitas horas, na verdade mal dormia recentemente. O japonês ficava mudando de atividade constantemente sem realmente conseguir se concentrar em nada. Não via escapatória para aquilo a não ser se render. Teria que botar de lado sua honra e orgulho em nome do povo. Mal sabia ele que talvez já fosse um pouco tarde demais. Aqueles que não estavam lutando na guerra iam para suas atividades normais como ir para a escola ou para o trabalho, parecia mais um dia normal para o povo japonês. Mas então, um certo “rapazinho”, ou como os americanos preferiam chamar “little boy”, resolveu que esse dia entraria para a história de um péssimo e macabro jeito. Aqueles que estavam mais longes do centro da cidade descreveriam o dia por anos a fio deixando a memória encrustada na memória do povo japonês e do mundo.

Pouco depois das 8 da manhã, houve um estrondo, uma explosão reverberante e, no mesmo instante, um clarão de luz amarelo-alaranjado. De repente, tudo ficou escuro como noite. A cidade entrou em caos. As ruas estavam quentes, casas ardiam, trilhos de bonde irradiavam uma luz sinistra e no local de um templo, pessoas se amontoavam. Algumas respiravam, a maioria estava imóvel. No pronto-socorro, chegava gente correndo, as roupas rasgadas, chorando, gritando. Hiroshima tinha se tornado um verdadeiro inferno.

Obvio que quando a notícia se espalhou, o alarde foi muito. Nunca antes uma arma com tamanha destruição foi vista. Kiku, assim como muitos japoneses, foram à loucura com o fato. Radiação? Isso não era uma coisa muito conhecida na época. Muitas foram às equipes que foram até Hiroshima tentar ajudar sem saber dos perigos de tal ato. Kiku não dormia nem se quer um minuto desde então e isso estava estampado em seu rosto agora bem mais magro. Insistia, insistia com seu chefe por uma total rendição. Aquilo estava além das capacidades de guerra de seu país assim como estava longe de qualquer ação esperada de um ser humano. Infelizmente, qualquer que fossem as papeladas, burocracias e palavras que deveriam ser ouvidas pelas pessoas certas para que uma rendição fosse executada, o tempo não foi suficiente para que a rendição fosse declara, pois dois dias depois, o terror se repetia em Nagasaki.

Furioso consigo mesmo, se culpando pela morte de seus conterrâneos, Kiku tinha certeza que nunca tinha se sentido tão ruim em toda sua vida. O que não acalmou Kiku foi saber que as bombas jogadas nas duas cidades japonesas foram consideradas como “testes de arma”. Sem forças se quer para sair de seu quarto, a única coisa que refletia que Kiku estava vivo era seu coração batendo no peito, pois, tirando isso, ele realmente parecia um cadáver de tão acabado que ele estava e essa era provavelmente a imagem que o Japão passava quando se rendeu incondicionalmente na metade de Agosto. Nenhum país ousava estender a mão para o Japão, seja com medo da reação Norte Americana ou por guardar mágoas profundas do Império Japonês. Afinal, em tempos de guerra, todos cometem atrocidades mesmo que se considerem os mocinhos.

Setembro já estava chegando ao fim quando Yao via no horizonte as ultimas forças japonesas abandonarem a China. Ouvira falar que o mesmo acontecia em todos os lugares onde o Japão tinha ocupado. Mesmo assim, aquela “vitória” tinha um gosto amargo na boca do chinês mesmo que o sol se pondo no horizonte tentasse melhorar a paisagem enquanto Ivan abraçava Yao pelas costas de forma carinhosa vendo as forças japonesas irem embora. A guerra tinha acabado, mas deixou grandes cicatrizes no mundo. O partido nazista foi declarado ilegal na Alemanha e milhares de vidas foram perdidas de ambos os lados.

–- Ouvi falar que nos Estados Unidos estão comemorando e fazendo festa até nas ruas... – comentou Ivan.

–- Ah não me surpreende. Acho que lá foi um dos lugares que menos morreu gente aru(*1)... – disse Yao suspirando – me pergunto mais como estarão às famílias daqueles que morreram aru.

–- E que não venha uma Terceira Guerra...

–- Nem comente isso aru!! – reclamou Yao irritado – O número de mortos aumenta a cada dia ainda conforme terminam de contar e desistir dos desaparecidos ou quando acham seus corpos! Só aqui já foram até agora uns 10 milhões(*2) aru! E ainda nem terminamos de contar todos os civis e soldados!! – reclamava Yao sentindo as lágrimas encherem seus olhos.

Por mais fortão que Ivan parecesse ser, ele tremia quando abraçou Yao com força e tentava controlar sua vontade de chorar. Mesmo em sua Terra Natal, os números de mortos contabilizados não parava de crescer(*3). Eles não sabiam dizer quanto tempo eles passaram ali se abraçando numa tentativa de o abraço afastar as mágoas e preencher o vazio que havia no peito de ambos pelas vidas perdidas, só sabiam que já estava ficando frio e a lua já estava dominando no seu noturno quando resolveram entrar. Não conseguiam dormir, não conseguiam fazer nada, ficaram apenas em silêncio deitados sobre a cama até o cansaço ganhar sobre eles e os presentearem com uma noite cheia de pesadelos.

Notas finais
*1 - Segundo a tia wikipédia, o número de mortos dos EUA foi de 418.500 pessoas. Sejam elas civis ou soldados. Cerca de 0,32% da população. O que, comparado a alguns países que, realmente é um número mediano. *2 - Segundo a tia wikipédia, 20.000.000 de chineses morreram. Cerca de 3,86% da população da China na época. *3 - 23.100.000 de cidadãos da União Soviética perderam a vida, ainda segundo a Wikipédia. O número corresponde a cerca de 13,71% da população da União Soviética para a época. ~~~~~~~ Bem... com isso terminamos o grande arco da 2ª GM XD comentem qualquer coisa que tenham gostado ou não gostado >.< prometo não demorar mais tanto para postar ^^"