Notas iniciais
desculpa a demora minna >

Dezembro de 1919, a primeira guerra mundial havia acabado a pouco mais de um ano e agora a neve caia lentamente sobre a pequena cidade de Biysk, na Rússia, onde um homem alto de cabelos bem claros andava com outro homem sendo este moreno, baixinho e de olhos puxados.

- E-Eu v-vou c-congelar! a-aru... n-nunca m-mais v-ven-nho t-t-e v-visit-tar n-no i-i-inverno. — dizia o chinês trincando os dentes e tentando se aquecer com os próprios braços ao redor do corpo.

- Vai dizer que não valeu a pena vir finalmente me visitar? — perguntou Ivan tirando o próprio cachecol e botando ao redor do pescoço de Yao.

- N-Nunc-c-a d-disse i-isso a-aru. — disse Yao desviando o olhar um tanto corado.

- Hora vamos... nem está tão ao norte assim, peguei a cidade ao sul mais perto da China que havia e é bom fugir das cidades maiores.

- C-Concordo... m-ma-as v-v-amos s-s-s-sair d-desse f-frio aru.

- Da.

Ivan então puxou Yao para dentro de uma pequena loja onde várias pessoas estavam amontoadas conversando e cochichando coisas em russo enquanto tentavam ver algo que estava mais a frente.

- Pra que essa muvuca toda aru? — perguntou Yao feliz em estar num lugar mais quente apesar de não gostar de todo aquele calor humano.

- Você já vai ver.

Ivan, segurando Yao pelos ombros, foi empurrando o chinês pela multidão às vezes tendo que abrir espaço com seu braço enquanto os dois avançavam em meio a aquele mar de pessoas. O chinês se perguntava exatamente o que eles estavam indo fazer ali, até que chegaram à parte mais a frente onde umas mesas separavam a multidão de uma parte mais vazia onde havia uma família reunida sorrindo para um estranho e grande aparelho preto o qual um homem mexia e então fazia sair uma luz seguida de fumaça. Yao fez uma cara de desentendimento, mas imediatamente Ivan explicou o que acontecia ali.

- Vamos tirar uma foto — disse Ivan.

- Uma o que aru?! Aquele treco que rouba a alma das pessoas?*

- Deixe de besteira Yao, ele não rouba a alma das pessoas.

- Claro que rouba aru!! Prende naquele pedacinho de papel aru!

- Aquilo é só uma foto, Yao, uma recordação.

- Não!! É um roubador de almas aru!!!

- Essas pessoas me parecem muito bem mesmo depois da foto roubadora de almas como você diz — disse Ivan indicando a família que havia acabado de tirar a foto e agora ia embora.

- M mas... a-ah... b..

- Anda Yao! — disse Ivan o puxando para mais e mais perto da maquina fotográfica.

Quando viu Ivan, o fotógrafo abriu um pequeno sorriso, aparentemente o conhecia. O fotografo abriu o caminho para dar passagem para Ivan e Yao tirarem a foto, o que deixou algumas pessoas com raivas pois eles mal haviam chegado ali, a razão de eles poderem tirar antes, foi o simples fato de que Ivan, assim como algumas poucas pessoas na multidão, já haviam marcado para tirar a foto.

Lentamente, o russo foi puxando o chinês para o lugar separado para as pessoas posarem para a foto e Yao, o pobre Yao, não conseguia esconder o seu medo de ter sua alma roubada a qualquer momento. Ao ver o nervosismo do menor, Ivan deu uma leve risada e não resistiu a provocar o chinês um pouco. Ivan desceu a mão e apertou de leve a bunda de Yao que num piscar de olhos corou loucamente e se virou constrangido para Ivan colocando as mãos nas nádegas.

- N-Não faça isso aqui aru!!

- Mas você estava tão nervoso... tem que ficar mais calmo Yaozinho.

- Não me chame de Yaozinho aru!

- Sou seu namorado... não posso te dar um apelido fofo?

- P--... Ba... M... Aiyaaa!! Vamos logo tirar essa foto roubadora de almas aru!

Meio nervoso, Yao se posicionou na frente da câmera agarrando-se as suas próprias vestes por puro nervosismo. Ivan foi chegando por trás dele com um leve sorriso atraindo o olhar de Yao que o olhava com o canto do olho preocupado que ele fizesse alguma coisa.

- Ok... — disse o fotógrafo — sorriam, no 3 tirarei a foto. 1... 2....

Antes que o fotógrafo chegasse no 3, Ivan puxou rapidamente o rosto de Yao o dando um doce beijo fazendo a multidão se assustar com a reação e também com a cena de ver dois homens se beijando, Yao mal teve tempo pra reagir, a foto acabou sendo tirada daquele jeito mesmo.

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O fotógrafo lentamente saia de baixo do pano que era acoplado a rústica máquina fotográfica olhando a cena embasbacado assim como algumas pessoas na multidão. Ivan lentamente se separa de Yao ficando com seu típico leve sorriso enquanto Yao mudava sua cor facial de rosa para vermelho.

- N-Não d-devia t-ter feito i-i-isso aru. — disse Yao acanhado.

- E-Erm... — disse o fotógrafo ainda desconcertado — a-a f-foto ficará p-pronta em alguns dias... e... e... mandaremos p-para o endereço registrado.

- Da. — disse Ivan calmamente entregando o dinheiro para o fotógrafo e então indo embora do lugar com Yao enquanto eram seguidos pelo olhar das pessoas ali dentro.

Novamente em meio à neve que havia do lado de fora, Yao ralhava com Ivan enquanto tentava se esquentar de qualquer jeito possível.

- N-Não d-d-devia t-ter feit-to a-aquilo aru. — disse ele tremendo de frio.

- Mas ai não teríamos uma foto tão bonita — disse Ivan abraçando Yao para esquentá-lo e então fazendo o chinês corar — e você ainda está com sua alma não é?

- Estou... — disse Yao fazendo um biquinho — vai ficar implicado com isso eternamente né aru?

- Claro que não. Só um pouquinho já está bom de mais. Da?

Yao encarou Ivan, o qual deu uma leve risada.

- O que achou do livro que eu te dei Yao? — perguntou Ivan.

- Ainda estou pensando um pouco sobre ele aru... não concordo com tudo... mas no geral parece uma boa ideia aru.

- Por enquanto tem dado certo aqui em casa.

- Quem sabe não acontece o mesmo lá em casa aru? Se der certo... seria melhor do que a situação que está agora — disse Yao dando de ombros.

- Eu não gosto daquele livro — disse uma voz vindo de trás de uma árvore.

- M-Mei? — disse Yao reconhecendo a voz e então logo depois vendo ela surgindo de trás da árvore — O que está fazendo aqui aru?

- Seguindo vocês pra ter minha fonte vital de yaoi. O que mais? — disse ela cruzando os braços se mostrando um pouco irritada.

- Você não parece exatamente feliz... — disse Ivan notando a cara de emburrada da garota — tudo isso é por causa do livro?

- É! Eu odiei aquele livro!! O-d-i-e-i!!

Notas finais
* - é... quando a maquina fotografica mal tinha sido inventada, muita gente achava que ela ia roubar a alma.

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vai rolar treta no proximo cap? >