Os três estavam ali se encarando enquanto Ivan observava atentamente aos irmãos e Yao mexia a boca sem emitir som algum pensando no que falar. O clima havia ficado tenso de uma hora para outra e pela cara de Mei, ela estava bem irritada com a situação. Enquanto olhava para os dois asiáticos, Ivan começava a se sentir culpado... Se não tivesse dado aquele livro para Yao, aquela briguinha entre Yao e Mei nunca estaria acontecendo. Ivan agora só torcia para que tudo pudesse ocorrer bem... E independente do resultado... Iria pedir desculpas para Yao trocentas mil vezes.

Depois de alguns minutos de completo silêncio, Yao finalmente falou algo.

– V-Você não gostou do livro aru? – perguntou o chinês ainda incrédulo.

– Não mesmo!! – respondeu Mei.

– De nadinha? Nem de um capítulo aru?

– Não!

– Página?

– Não!

– Parágrafo?

– Não!

– Linha?

– Eu já não disse que eu não gostei do livro?!?! – disse Mei com aparentemente mais raiva ainda.

– Não precisa ficar tão irritada aru! – disse Yao – Eu não gostei totalmente dele... Mas teve muitas partes que eu gostei.

– Pois eu não gostei de nada! – exclamou Mei – Por favor não me diga que você pretende fazer isso na China!

– P-Pra falar a verdade eu pretendia assim aru.

– ARGHH!! Já vou avisando! Se você tentar fazer o mesmo... Eu vou embora!!

– NÃO VAI NÃO ARU! — gritou Yao já começando a perder a paciência.

– C-Calma... – disse Ivan se colocando entre os dois numa tentativa de acalmar um pouco a situação — Tenham calma. Da?

– Não! — exclamou Mei – Você quem deu aquele livro pra ele... Se tudo isso não der certo, que é o que eu acho que vai acontecer... Não quero que leve meu povo a ruína também.

– Você nem é necessariamente um país aru! É só uma província! – disse Yao seriamente mas logo seu olhar de raiva se dissipou notando que não deveria ter tocado naquele assunto e ao ver a expressão de Mei, ele se arrependeu mais ainda – M-Mei...

Mei estava com uma expressão de choro enquanto tentava segurar as lágrimas de rolarem por sua face. Ela acabou não conseguindo segurar as lágrimas e ao sentir as primeiras lágrimas rolando por sua face, ela deu as costas para os dois e começou a correr.

Um pé de Yao avançou querendo ir atrás da irmã enquanto o chinês esticava a mão em direção a ela, mas logo ele se retraiu e ficou lá parando triste e cabisbaixo não se achando no direito de ir atrás dela. Yao entendia, por um lado ela estava certa, eles tinham que fazer o melhor para a nação deles, para o povo deles, e Yao estava cada vez mais sendo impulsionado não pelo dever com o seu povo, e sim pelo seu amor por Ivan, e apesar do sentimento puro que isso envolvia, nem sempre poderia trazer algo de bom levando-se em conta que os dois são países.

Ivan olhava para Yao sem saber o que fazer e sentindo-se extremamente culpado por tudo aquilo. O russo foi se aproximando lentamente de Yao e colocou a mão delicadamente sobre o ombro dele.

– Yao... – disse Ivan mas nem teve tempo para Yao dizer nada pois ele afastou a mão de Ivan de seu ombro.

– I-Ivan... D-desculpe... M-me de um pouco de tempo por favor aru. – disse Yao tentando controlar sua voz chorosa apesar as lágrimas rolarem sem parar pelo seu rosto.

Abaixando a cabeça com vergonha do que tinha causado, Ivan ficou quieto encarando o chão enquanto Yao se recuperava. Não se achava no direito de abraçar o amado para acalma-lo... E mesmo se o fizesse, duvidava que Yao deixasse vendo que só com Ivan simplesmente tocando em seu ombro, o chinês já havia repelido a mão do russo.

Yao fungava enquanto tentava se controlar para não cair num choro desesperado. Sua irmãzinha, sua querida irmã caçula, a última que lhe restava, estava tão perto de ser perdida. Yao chorava, fungava e tentava inutilmente limpar as lágrimas com a roupa de sua manga até que Ivan decidiu que não importa se Yao queria ou não ser tranquilizado por ele, ele tinha que ao menos fazer o amado parar de chorar. Ivan avançou até Yao e o deu um forte abraço, abraço o qual Yao não correspondeu.

– Me desculpe Yao... – disse Ivan abraçando o amado com força e de forma protetora.

– N-Não p-p-prec-cisa... P-pedir d-desculp-pas a-a-aru – disse Yao entre fungados.

– Não, eu preciso sim. Se eu não tivesse dado aquele livro para você... Isso não teria acontecido.

– V-Voc-cê d-deu a-a-aquele l-livro p-pens-sando e-em a-ajudar aru... N-não t-teria c-como v-você a-adiv-vinhar que i-isso a-acontec-ceria aru. – disse Yao finalmente abraçando o amado de volta.

– Isso não faz com que eu me sinta menos culpado. – disse Ivan pegando delicadamente o rosto de Yao e lhe dando um delicado selinho nos lábios – E-eu vou tentar arrumar tudo isso.

– N-Não... A M-Mei e-está c-certa... N-não deveríamos deixar n-nossos s-sentimentos atrap-palhar nossos deveres c-como países aru. – respondeu Yao soltando-se do abraço de Yao e se afastando alguns poucos passos dele.

– Y-Yao... v-você...?

– D-Desculpe Ivan... – disse Yao recomeçando a chorar.

– NÃO! NÃO PENSE EM FAZER ISSO QUE ESTÁ PENSANDO! — disse Ivan o abraçando com força começando a ficar com os olhos mareados já percebendo o que o pequenino chinês pensava em fazer.

– É-é o m-melhor aru... – disse Yao entre soluços agarrando-se ao sobre tudo de Ivan.

Ivan pegou o rosto do menor delicadamente e o olhou nos olhos profundamente. Os olhos agora vermelhos e inchados de Yao que chorava sem parar e os olhos claros de Ivan que já davam sinais de lágrimas querendo rolar pela pele tão branca do russo. Ivan passou carinhosamente sua mão no delicado rosto do chinês com um olhar que expressava séculos de saudade embora eles estivessem tão perto um do outro.

– P-Por favor Yao... – disse Ivan já não conseguindo segurar as lágrimas – Não me deixe...

Yao virou a cara mordendo o lábio inferior. Doía muito nele se quer pensar naquilo, mas sem dúvida era o melhor a fazer. Abriria mão de seu amado pelo seu povo. Frases melodramáticas como “você é minha vida” podem ser bonitas mas o fato que tanto Yao como qualquer outro país, viviam graças ao povo e em prol do povo. Reconhecer isso, fez o chinês perceber que estava deixando seus interesses pessoais interferirem com o real motivo de sua existência, sua nação.

Querendo deixar aquele adeus o menos doloroso possível, Yao se solta dos braços de Ivan lentamente deixando um Ivan atordoado sem saber como reagir mas antes que pudesse se afastar o suficiente de Ivan, algo acontece. Yao não soube dizer se um dos dois havia escorregado, se Ivan foi para cima dele de propósito para aquilo acontecer ou um pouco dos dois, mas quando o chinês percebeu, estava deitado na neve com Ivan sobre ele sentindo as lágrimas do amado pingarem sobre o seu rosto.

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– T-Tem certeza q-que quer fazer isso? – disse Ivan em meio a suas lágrimas com um certo desespero na voz.

– É o melhor para nossa nação aru – disse Yao não conseguindo mais chorar, não havia mais lágrimas para chorar.

– Eu te amo.

– Eu também de amo aru.

– N-Não mereço nem um beijo de despedida?

Yao coloca a mão delicadamente sobre uma das bochechas de Ivan e lhe da um doce, carinhoso, romântico e demorado beijo que por mais demorado que fosse, não poderia matar a saudade que os dois já sentiam um do outro. Enquanto seus lábios estavam unidos, uma lágrima escorre pelo rosto de Ivan e bate no rosto de Yao que já havia recomeçado a chorar.

Depois de vários longos minutos que para os dois mais pareceu rápidos e breves segundos, eles se separam, cada um indo para seu lar sem trocar mais uma palavra se quer.

Notas finais
queria pedir uma coisa....
POR FAVOR NÃO ME MATEM