A Deusa Kalena
2 Morcegas verdes
Notas iniciais
Jenna
Entrei rapidamente no shopping como aquele velho maluco pediu.
Eu estava morrendo de fome, então fui a uma lanchonete comprar pães de queijo e algum refrigerante para descansar enquanto minha mãe não chegava.
O meu celular, que estava bloqueado na minha frente, começou a ligar e bloquear, várias vezes. aparecia e desaparecia a hora com a data, e escrevia e apagava coisas num círculo vicioso.
Resolvi ir até a loja em que o comprei, dois meses antes.
– Com licença, moço – chamei – tem algo de errado com meu celular!
Mostrei o aparelho. Ele ficou todo preto, e começou a aparecer letras sortidas, como uma criança num computador.
– Foi isso. Seu celular foi hackeado – ele me disse – segure aí, não saia. Vou chamar o técnico.
Olhei atentamente para o celular. As letras começaram a voar de um lado para o outro fora da tela, formando uma mensagem:
SAIA DAÍ. ISSO É UMA ORDEM. VOLTE PARA CASA RAPIDAMENTE. AH! E FELIZ ANIVERSÁRIO. TE AMO
O celular voltou ao normal.
Ai meu deus! É meu aniversário e eu nem sabia! Se esse hacker me conhece tão bem, pensei, eu acho que realmente devo sair daqui.
E foi isso que eu fiz. Saí normalmente pelo portão principal,hesitante, pensando se seria bom confiar em alguém que praticamente roubou seu celular, mas fui como se nada houvesse acontecido.
Eu estava muito assustada. E era para estar mesmo: haviam seis sombras aterrorizantes, com enormes dentes e unhas afiadas, cada sombra maior que a outra. E estavam me seguindo.
Virei para trás e não havia ninguém. Provavelmente essas sombras não existiam. Mas no chão, elas ainda me perseguiam e quase encostavam em mim, então elas não tinham corpo, o que me animava e me despreocupava. Comecei a andar mais devagar.
Senti algo me puxando pelo braço direito. Olhei, e não havia nada. Fiz uma tentativa inútil de tentar puxar e seguir em frente, que só piorou minha situação.
Minha pele começou a ser furada, três partes do meu braço onde estava sendo puxado estavam sangrando.
Ardia muito. Muito mesmo. Consegui ver que uma sombra encravava suas unhas no meu braço. Enquanto encravava suas unhas na minha pele, me puxava para baixo.
A ardência começou a se espalhar por todo meu corpo, de uma forma em que a dor era tanta que caí no chão. Nisso, minha bolsa estava aberta, e meu celular caiu.
FUJA. VA PARA CASA E NÃO SAIA DE LÁ ATE MINHA ORDEM.
A sombra me soltou, mas não consegui sair correndo. A ardência somente piorou: havia chegado a cabeça.
Mesmo com isso, me levantei. Eu estava me guiando pelas sombras, e , na hora em que elas se viraram, saí correndo.
Eu sou muito lerda para correr. Acho que, por causa do susto, acabei quebrando meu recorde.
Mesmo assim, uma das sombras conseguiu pegar minha perna. Ela começou a me puxar para perto de onde eu estava. Na pressa, dei um baita de um chute no nada, que deve ter acertado sua cara.
Estava escuro, e somente haviam alguns postes de luz para eu enxergar.
Alguma coisa espirrou em mim, e não tive tempo de olhar o que era.
Saí correndo, bem depressa. Notei que, enquanto eu corria, as placas que estavam atrás de mim faziam o mesmo que o celular: as letras se embaralhavam soltas pelo ar, e depois voltavam para a placa.
Outra coisa que acontecia : os postes de luz queimavam enquanto eu passava correndo.
Um último poste de luz no final da rua estava meio… Ligado e desligado
Parando antes de atravessá-lo, pude ver direito: As placas totalmente embaralhadas, os postes partidos ao meio e… Aquilo são as sombras?
Hum, que ótimo, pensei , Estou sendo perseguida por um bando de morcegos gigantes com cara de gente! E pior… nem sei em que rua estou!
– Onde está Kalena! Nos dê Kalena! – disseram em coro — Ou então te levaremos no lugar dela!
– Mas… Espera! Eu nem sei quem é essa tal de Kalena! Como vocês esperam que eu saiba aonde ela está?!
As morcegas gigantes pareciam irritadas e super dispostas a me matar. Suas peles super inrrugadas eram de um verde enjoado, Suas cabeças com olhos vermelhos- sangue espantavam se os juntar com seus cabelos quase extintos , suas bocas cheias de dentes muito pontudos a ponto de fazer facas com eles e seu nariz que nem mais existia.
Ainda tinham suas asas que brotavam das costas, com seus ossos á mostra. Suas garras afiadas eram seguras por longos braços finos, igualmente as pernas. Eram tão esqueléticas que acredito que não comam a muito tempo.
Resumindo, eram um Voldemort mais feinho, monstruoso e sanguinário. Ou melhor, a junção desse personagem com um morcego viciado em sangue.
VOLTE PARA CASA. NÃO DE ATENÇÃO A ELAS. COM AMOR, KALENA.
Nossa! pensei, Seja quem for essa Kalena, está bem encrencada!
– Venha, pequena – disseram em coro – Não a machucaremos. É só nos dar a preciosa Kalena.
Típica fala de alguém que quer te matar.
A morcega mais pequena estava cheia de um líquido espalhado se originando do nariz. Ela parecia ser a mais nova, e eu acho que foi ela quem eu acertei naquele chute.
Ainda haviam mais sete, e uma morcega do meio estava com as garras cheias de sangue. Acho que foi ela quem furou minha pele. Ela estava segurando uma faquinha — provavelmente para me matar, ou, de repente, a tal Kalena- Ela andava, bem calma, na minha direção.
– Se você não quer dizer onde ela está, então te levarei para minha senhora! Uma troca justa! Uma fugitiva pelo filhote!
Ela simplismente esticou as asas e começou a me perseguir.
Na mesma hora saí correndo que nem uma bicha-loka por aí. Virei na rua mais próxima e cheguei em casa.
– Jenna! Aonde você estava?
– Ai, mãe. Você não pediu para eu ir ao shopping com você?
– O quê? Eu não pedi isso.
– Mas então quem... -Olhei para meu celular. Não havia mensagem alguma dela.- deixa pra lá.
No meu braço não havia marca alguma. Ele voltou ao normal.
Então, fui para meu quarto dormir.
BOA MENINA. OBRIGADA, BOA NOITE. FALO COM VOCÊ DEPOIS. BEIJOS, KALENA
Boa noite, Kalena. pensei, Durma bem.
O sono começou a pesar nos meus olhos. De um minuto para o outro, estava dormindo profundamente.
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