A Descendente
6 Capitulo 5
Olhei para a garota. Ela usava botas pretas como as dos soldados, uma bermuda justa camuflada e uma camiseta preta.Usava um colar com duas adagas, formando um “X”. Seus cabelos castanhos eram longos e lisos, que quase chegavam aos joelhos, presos em um rabo de cavalo frouxo. Seu franjão levemente bagunçadocobria seu rosto quase por completo, a escondendo, deixando a vista só a boca.Suas adagas eram afiadíssimas, ao ponto de que se roçasse um dedo, poderia abrir uma ferida.Mas olhando suas mãos, percebi que ela usava luvas sem dedo, parecido com as que os motoqueiros usam. Ela demonstrava ter um estilo estranho. Se eu a encontrasse na rua, diria que era uma daquelas garotas que só arrumam confusão.
Era só o que faltava! Encontrar uma garota no mundo dos sonhos que deixou bem claro o carinho que sentia por semideuses.Precisamos despistar logo ela. Caso contrário, poderemos arriscar a vida da Piper ou até mesmo as nossas.
— Tem certeza que não preferem desistir? — disse com uma alegria em sua voz.
Calma aí! Essa garota se diverte lutando com a gente? Que garota insana! Ela precisa urgentemente se consultar com um psicólogo...
— Sinto muito, mas não respondo a retardados mentais— falei, fingindo pesar.
— Então, você não responde por si mesmo? — perguntou ela, sarcasticamente.
Tá. Agora era pessoal. Essa garota estava me dando nos nervos! Sem esperar mais nada, saiu correndo em minha direção com as adagas em mãos.
Os sons das armas eram barulhentas enquanto a garota sem piedade avançava com mais força com as adagas em direção a minha espada, até que ela ficou empurrando suas afiadas armas contra minha contracorrente.
Atrás dela,Annabeth tinha se aproximado com a espada de osso de Drakon. Precisava entretê-la antes que a garota a visse. Segurei firme na espada para que segurasse sua atenção em mim.Annabeth empunhou a espada atrás da garota, mas mesmo assim, ela conseguiu incapacitar a espada com sua outra adaga da mão esquerda. E ficou assim...eu e Annabeth, forçando contra asadagas da garota para suas mãos cederem.
— Dois contra um, isso não me parece muito justo. Isso é tão patético como se fosse preciso dois semideuses para me derrotar? — se virou para mim com seu rosto coberto com o franjão.
De repente, senti o pânico começar a crescer. Apliquei mais força na espada, mas ela não se movia. As mãos dela tremeram um pouco. Forcei mais na esperança que caísse sua adaga, até eu perceber que ela havia me enganado para poder atacar Annabeth com o pé direito. Tentei alertá-la, mas foi rápido o movimento para que Annabeth não tivesse como interceptar o movimento do pé, indo em seu estômago como ela tinha feito com Leo.E fez o mesmo comigo, sendo o pé esquerdo.
Annabeth caiu próxima de Hazel, que segurava Frank enquanto eu parei centímetros perto de Jason. Meu corpo estava caindo, até que senti a grama fofinha.Jason, ao meu lado, tinha um corte no braço esquerdo que ele segurava para tentar evitar mais sangramento. A garota estava vindo novamente atrás de mim e Jason, até que de repente, ela grita e toca a parte de trás de sua cabeça como se sentisse muita dor. Meus lábios se estiraram para os lados num sorriso. Não é á toa que sentisse dor! Leo acertou em cheio em sua cabeça quando jogou uma chave de fenda na sua cabeça.A garota se virou em sua direção, atordoada, e pegou a chave de fenda e olhou dela para o Leo.
— Uma chave de fenda?! — gritou. Leo encolheu os ombros.
— Tinha que parar você de alguma forma! Ou você prefere martelos?
A garota ficou tensa e começou a correr em direção aLeo com uma velocidade incrível.
Antes que ela pudesse alcançar o Leo, Annabeth a parou, jogando as duas ao chão. Eu sabia o quanto Annabeth era boa no mano-a-mano. É incrível vê-la lutando.
As duas começaram a socar uma a outra. Num minuto Annabeth estava por cima. No outro, em baixo. Até que Annabeth tentou ficar em cima, e a garota aproveitou a oportunidade para se afastar.
Elas ficaram se encarando (mais ou menos, porque não tinha como olhar nos olhos de uma pessoa se ela estava com o cabelo tampando o rosto. Me pergunto como ela consegue lutar assim...). Annabeth estava arfando com seu cabelo no rosto como a garota. Parecia durar uma eternidade, até que a garota tomou a iniciativa e correu naquela velocidade impressionante. Annabeth ficou parada, esperando-a chegar.A garota, no momento de dar um golpe, deslizou por baixo das pernas de Annabeth e se levantou com rapidez, e ficou de pé. De costas para Annabeth. E desferiu o mesmo golpe que tinha dado em minha barriga, só que seria nas costas de Annnabeth.
O tempo pareceu parar quando ela chutou Annabeth.Ela foi rápida o suficiente para interceptar o chute que seria em sua medula. Vi um relampejo de sorriso em sua boca. Droga! Ela tinha enganado Annabeth!
Tateei em meu bolso e peguei minha caneta, e me levantei. De jeito nenhum eu deixaria ela fazer mau aAnnabeth sem pagar por isso. Forcei meus pés a correrem até elas.Essa garota merecia morrer...
A garota botou força no seu pé esquerdo e pulou, dando um chute na cara de Annabeth enquanto ela ainda segurava seu pé direito. Annabeth caiu com um baque na grama fofinha enquanto a outra caiu de joelhos e se levantou e olhou em minha direção, e começou a correr dos raios de Jason e o fogo de Leo. Corri para ela com minha espada quando uma adaga apareceu em sua mão esquerda, como em um passe de mágica. Embanhei a espada e ataquei a garota. Senti a contracorrente escorregar de minha mão e indo parar a uns dois metros de distância. Me virando para a garota, vi o chute que ia em direção a minha barriga e caí, parando ao lado da minha espada.
— Sério? Você só sabe fazer isso?! — disse irritado.
— Quem é que está no chão nesse exato momento? Para algumas pessoas, isso significa que você perdeu — disse rindo.
Ia dizer algo como “vai sonhando”, mas vi ela se aproximar do Leo enquanto pegava uma corda. Que ficava presa a bermuda camuflada dela(não havia percebido que ela tinha uma corda).
As mãos de Leo pegaram um martelo.
— Parada! Eu tenho um martelo e não tenho medo de usar — tentou falar Leo, quando a garota pulou em cima dele e começou a amarrar seus pulsos e pernas atrás das costas, o deixando imobilizado no chão. — Ei! Para de fazer isso! Tira suas mãos de mim!
Leo ficava gritando e se contorcendo. Seria até engraçado se ela não quisesse nos matar. Essa foi a oportunidade perfeita para agirmos, já que ela estava ocupada com o Leo.
Recuperei minha espada.Annabeth e Hazel já estavam de pécom o Jason com suas espadas postas, até frank que já foi ferido por uma das malditas adagas da garota. Pegou seu arco e flecha e o direcionou para ela, que agora percebeu a ameaça que a rodeava e moveu sua cabeça em nossa direção.Leo queimou suas cordas e se levantou com seus braços pegando fogo. Ficou parada, e simplesmente disse:
— Vocês deviam me agradecer.
— Pelo que? Há! Quase nos matar! Desculpa mais eu não estou com vontade de morrer hoje.— disse Leo, irritado.
— Não, seu imbecil. Por querer ajudá-los! — disse, se virando para mim. — Eu sei onde sua amiga está e vocês só poderão chegar a ela com minha ajuda. Caso contrário, vocês irão... morrer. — Falou dramaticamente e fazendo com que o dedo passasse pelo pescoço.
Antes que respondêssemos, continuou:
— Mas é claro que haverá um preço, porque nada nessa vida é de graça — disse, encolhendo os ombros e sorrindo por baixo do franjão.
— E o que você poderia querer por nos ajudar? — falou Annabeth, desconfiada.
— Fácil! — falou, apontando o dedo para Leo.— Quero que ele seja meu escravo.
Minha boca caiu aberta como a do Leo. A surpresa foi geral. Mas o que ela iria querer com ele? A não ser que...
Dei um olhar de relance e percebi que ela e Hazel pensavam a mesma coisa.Ela deve ter visto algo em nossa cara, porque falou:
— Não é isso o que estão pensando — cruzou os braços e ficou batendo o pénum gesto inconsciente. Se a conhecesse bem, diria que estaria nervosa... Mas acho que nunca poderia saber com certeza. Ela é uma garota confusa.
— Então, para quê quer Leo? — perguntou Hazel.
— Seu amigo Leo— disse, dando ênfase no nome. — pode controlar o fogo, o que me seria muito útil. Ele pode me soltar desse lugar.
— Calma aí! Você está presa aqui?!— Então, quer dizer que ela poderia estar presa aqui como Piper?
— Sim! Estãovendo?! Eu preciso dele! — disse, apontando para Leo. — E vocês precisam... — apontou para si mesma. — de mim.
Olhei novamente para Annabeth em busca de solução, e vi que essa é a melhor condição que tínhamos.
— Como podemos saber que podemos confiar em você?
— Não podem. Mas se quiserem, posso jurar pelo rio Styx que levarei vocês até ela. Uma barganha melhor não encontrarão por aí! — Falou zombeteiramente.Leo escolheu esse momento para se manifestar.
— O que? Sério?! Cara, vocês nem vão me perguntar como me sinto em relação a isso?— falou com raiva. — Cara, ela quase nos matou há uns dez minutos atrás!
Jason chegou perto de Leo e colocou uma mão em seu ombro.
— Leo, você é meu melhor amigo.E de Piper também! Não quer salva-la?!
Leo abaixou a cabeça... Mexeu no cabelo.
— Golpe baixo, cara— disse Leo. — É claro que quero salvar a Pipes. É que eu não quero ser escravo de uma maluca manipuladora!
Andei até Leo.
— Você só precisa soltá-la. Depois disso, não precisa ser mais escravo dela, não é? — falei para a garota.
Leo deu uma última olhada em Jason e assentiu. Me virei para a garota.
— Agora, jure pelo rio Styx.
— Eu juro pelo rio Styx que os levarei até Piper— disse sem se alterar. — Ótimo. Agora, me sigam— falou, e começou a andar sem olhar para trás. — Espero que não se arrependam — disse de perfil.
— Espera, não sabe nossos nomes e não sabemos o seu— tentei dizer.Isso a fez virar, e nos surpreendeu quando começou a falar.
— Seu nome é Percy,Annabeth,Hazel,Frank, Leo e Jason— disse, apontando a cada um de nós.
— C-como sabe? — Realmente achei impressionante. Até porque ela acertou.
— Digamos que eu seja uma boa observadora— sua mão direita começou a afastar a franja do rosto, e o que vi me fez dar um passo atrás.
Senti o sangue abandonar meu rosto. Seu rosto é...
...é...
...é...
— E meu nome é Annastásia Frost.
...idêntico ao da Annabeth!
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