A Decisão

1 Capítulo Único


A dor era insuportável, era apenas isso que eu pensava naquele momento. Como eu não queria ter feito essa burrada, agora eu devia estar escolhendo para qual faculdade eu iria, mas estou tentando um bebê de um homem que nem sabe que estou aqui.

Gritei de dor novamente, mas a enfermeira ainda continuava segurando os meus pés para que eles não subissem ao fazer a força.

- Continue, querida – dizia a médica me incentivando.

- Não consigo! – exclamei.

- Falta pouco.

Mesmo faltando muito, eles sempre diziam a mesma coisa: “Está acabando, você está indo bem”. Eu queria sair logo daquele lugar e entregar o bebê par o primeiro casal que eu achasse que poderia cuidar bem dele.

- Vamos, vamos! – ela repetia.

Eu estava cansada para ter outra contração, mas não dava para parar naquele momento. Forcei mais uma vez e dessa vez a médica me disse:

- Já consigo ver a cabeça. Vamos querida, falta pouco!

Desta vez eu acreditei e empurrei com todas as forças que eu tinha. Ouvi o choro de um bebê logo em seguida e soltei o peso de meu corpo na cama. Eu não aguentava mais, pensava que ia desmaiar. Então, ouvi a voz da médica.

- É um menino!

Mas não pude nem sequer ver o seu rostinho que a equipe de enfermeiros logo o retirou da sala de parto, apenas ficando eu e uma enfermeira que não tinha as feições muito amigáveis. Eu fiquei tranquila a princípio, os médicos sabem o que fazem, mas a demora de trazê-lo de volta era imensa. Eu queria vê-lo.

- O que está acontecendo com o meu bebê.

“Meu”... Da onde eu tirei isso – pensei.

A enfermeira não queria explicar logo de imediato, então disse que ele ficaria bem. E continuou a limpar um material com álcool que cheirava muito forte.

- Ficaria?! Não quero que ele seja tirado de mim. Quero vê-lo! – gritei.

Mas quando disse aquelas palavras, a mulher parou de fazer o que fazia e disse:

- Para que você quer tanto vê-lo? Ele não irá para adoção?

Ele realmente iria para uma família, ele teria uma. Ao contrário de mim que sempre morei em muitos lares. Se puder chamá-los desse modo. Pensei nele, um bebê... para adoção... ele viveria como eu, vagando de casa em casa. Então, era por isso que queria vê-lo, não quero dá-lo para outras pessoas. Ele era meu e eu não o dividiria com ninguém.

- Vou levá-lo para casa comigo. Ele não irá para adoção. – falei com firmeza e parecia que havia convencido a enfermeira, pois ela não disse mais nada.

- Bom saber que irá ficar com ele. – disse a médica na porta do quarto.

Ela segurava uma trouxinha azul nos braços e claro que era o meu bebê. Eu queria tanto segurá-lo!

A médica atravessou o quarto em minha direção e me entregou-o. Visualizei o rostinho e beijei sua testa. Ele era muito parecido com o pai, cabelos castanhos e o nariz com o mesmo formato. Mas eu o amava da mesma maneira.

- Vou te levar para casa... Eu te amo

FIM

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