A Dama de Preto
1 O escuro
Notas iniciais
Andar de noite em uma rua escura sem um único sinal de vida apenas para chegar em casa logo depois de um longo dia de trabalho era quase suicídio.
Mas ainda sim, resolvi tomar esse caminho. Pouco me importava o que aconteceria, não tenho nada que possa ser roubado além de 2 reais.
Aquele lugar era definitivamente deserto, não se via uma alma sequer. Nem casas eu conseguia ver, apenas jardins, postes de luz e alguns bancos de madeira decorados com algumas rosas.
Caminhava em um ritmo normal, por mais que quisesse chegar logo em casa. Mas isso só me cansaria mais. Olhava ao redor para ter certeza que não havia nada e estava certo, voltei para frente de novo e vi que não estava certo porra nenhuma.
Havia uma garota lá com aparentemente 19 anos como eu, ela vestia um belo vestido preto cheio de detalhes e babados que chamavam a atenção. Ela estava ajoelhada com a cabeça no banco e seus cabelos igualmente negros caiam em sua pele incrivelmente pálida, parecia estar chorando.
Aquilo não iria me espantar, afinal, era apenas uma garota qualquer. Seguia em frente com a intenção de ignora-la, com certeza não seria eu que me intrometeria no assunto dos outros. Assim que passei ela, dois passos depois, ouvi alguém falar.
-Hey...você... — O som vinha da garota de preto, a voz era chorosa como esperado. Não tinha mais ninguém lá, ela estava falando comigo. Não respondi, com isso ela continuou- Por que me ignorou? Sou tão miserável assim?
-Ahn...está falando comigo? — Ela ignorou.
-Conquistar inimigos por causa disso me torna fraca? — Ela continuava com o rosto no banco e com aquela voz. Suspirei e fui para perto dela, larguei a minha mala no banco e me ajoelhei perto dela.
-Ninguém é fraco por ser miserável. Talvez ser um seja uma qualidade já que todos são iguais aos outros, não se menospreze. — Disse sem saber ao menos o que disse, ela ficou em um longo silêncio até ela levantar seu rosto junto com sua franja, revelando seus olhos vermelhos. Não por chorar, sua íris era literalmente vermelha. Ainda saiam lágrimas de seus olhos, mas ela dava um sorriso.
-Obrigada... — Ela se levantou e começou a andar em frente com a cabeça abaixa até do nada se fazer uma neblina fazendo ela desaparecer.
-Essas garotas fazem drama por tudo. — Resumi me levantando e pegando minha mala e partindo para a minha casa.
No dia seguinte...
Me levantei ás 6 da manhã em ponto, o dia era nublado assim como a previsão havia dito. Isso compensaria o calor que estava fazendo essas semanas.
Fazia minha higiene matinal e colocava uma calça moletom cinza e uma camiseta preta. Era sábado, não sairia de casa. Pelo menos, não tão cedo.
Descia a escadaria de minha casa enorme para apenas uma pessoa morar sozinha, tive uma surpresa quando desci.
A casa estava arrumada de uma noite para a manhã, sendo que ela estava completamente desarrumada. Vi um bilhete em cima da mesa da sala de estar.
"Bom dia!
Arrumei a casa e fiz o café-da-manhã para você, querido! Espero que tenha um ótimo sábado!
Beijos!"
Não reconhecia a letra, era bonita e inclinada. Talvez tenha sido a minha mãe que tenha passado pela minha casa e resolveu arrumar as coisas para mim como de costume. Tinha que lembrar de ligar para ela depois e agradecer.
Como escrito, o café-da-manhã estava pronto. A mesa estava cheia de comida que eu nem sabia que tinha em casa, me sentei escolhendo o que iria fazer.
Peguei o café e o coloquei na caneca, o estranho é que ele estava mais preto que o normal, ela deve ter achado que eu gostasse de café extremamente forte. Peguei um pão francês e manteiga e aproveitei a manhã desse jeito. Liguei a TV para ver as notícias antes de resolver fazer algo lá fora.
Aparecia uma mulher alta e bonita que era a repórter com um casaco vermelho e seus cabelos castanhos e ondulado caindo nele com uma ambulância atrás.
-Liore Horang de 17 anos foi encontrada ontem em uma rua que se passava por deserta morta. A suspeitas que foi um assassinato ou até mesmo um suicídio pois havia cortes de facas em seu coração. A vítima está sendo levada nesse momento para os cientistas fazerem exames e descobrir o culpado. — Depois dela dizer isso, passou para a outra reportagem.
Hm, aquela rua não era a que eu estava ontem a noite?
Fui interrompido pelo som de meu celular, que era alto o bastante para chamar a atenção de qualquer um. Olhei na tela quem estava me ligando, era Ian, um colega de trabalho.
-Olá Richard! Te acordei? — Ele falou do outro lado.
-Não, já havia acordado á pouco tempo.
-Ah, que pena! — Brincou. — Bom, eu só queria dizer que você esqueceu o seu rascunho no trabalho e eu o peguei. Pode passar no meu apartamento agora para pegar?
Merda! Eu não queria sair de casa hoje.
-Está certo, quando posso buscar?
-Poderia ser agora? Daqui a pouco terei que sair. Se importa?
-Não, já estou indo. Até.
-Até! — Ele desligou.
Não estava tão mal vestido, estão fiquei assim mesmo, apenas coloquei um tênis, minha carteira e meu celular e fui em direção a sua casa a pé, o ônibus qual pegava cometeu um grave acidente felizmente quando eu não estava dentro, então prefiro não arriscar minha vida nele.
Andei olhando as pessoas felizes para um sábado de manhã e nublado, vá entender.
Enquanto olhava para o lado me esbarrei em alguma coisa, ou melhor, em alguém.
-Ah, sinto muito. — Falei olhando para baixo pois a pessoa era um tanto baixa e via a garota de ontem com as mesmas roupas olhando para cima e me encarando.
-Você está aí! Estava te procurando agora! — Ela falou sorrindo mais alegremente que ontem. — Queria te agradecer por ontem, foi muito gentil de sua parte!
-Isso...não foi nada. — Respondi.
-Gostou da surpresa que eu te fiz hoje, querido? — Querido? Tentei ignorar.
-Hã, sinto muito mas...que surpresa? — Ela ficou em um breve silêncio e com uma expressão surpresa, porém logo trocou para uma risada longa.
-Você é de fato muito esquecido! Bem, esqueça...desde que você esteja bem. Você está bem, certo?
-Estou, eu acho...
-Então tá! Vamos nos encontrar mais tarde, ok? Preciso fazer umas coisas hoje para você, mas é surpresa! — Ela pôs o indicador na boca. — Até mais!
Ela saiu andando bem rápido e eu não pude responde-la, algumas pessoas olhavam para mim de forma estranha mas eu ignorava esse olhares e voltava a seguir o meu caminho.
Que garota estranha.
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