A Dama Branca
9 O céu, a Lua e as Luzes da Cidade
Notas iniciais

Subaru presenciou toda a tortura que Shiro passara, sua visão estava um pouco embaçada, e seu corpo não sentia nada, nem dor ou sequer o estímulo para que ele se movesse. Após o Homem bater a cabeça de Shiro sucessivas vezes contra o chão de terra, Shiro desmaiou. O Homem trajado em Preto sorriu mais uma vez, a agarrou pelos cabelos e saiu arrastando seu corpo desacordado, deixando um rastro de sangue que saía da perfuração causada pela bala.
Essa foi a última visão que Subaru teve, antes de perder a consciência por completo.
Após um longo tempo, ele acorda, ainda meio desnorteado devido a pancada na cabeça. Coloca sua mão sobre o rosto e lembra-se de tudo. Uma enorme raiva toma conta de Subaru, que em resposta a esse sentimento dá um soco em uma árvore, a quebrando ao meio.
Seus olhos ardiam em raiva, ódio e desejo de vingança. Ninguém faria o que aquele homem fez e sairia impune disso, não mesmo. Ele caçaria aquele homem até os confins do inferno se fosse necessário.
Imediatamente ele se levanta e caminha confiante e determinado em direção a mansão.
Ele entra na mansão abrindo a porta violentamente. E parte em direção ao seu quarto. Mais uma vez ele cheira o sangue de Shiro que mancha suas mãos, ele precisava guardar aquele cheiro, para poder encontrá-la. Não seria difícil rastrear o cheiro dela, não pra ele, já que dentre osSakamaki ele era o que possuía os sentidos mais aguçados, além do que o cheiro daquela garota era tão forte que ele podia sentir a quilômetros.
Subaru entrou no saguão da casa e começou a subir a enorme escadaria que levava ao segundo andar da casa, e consequentemente ao seu quarto.
De repente Ayato surge a sua frente.
— Porque você está com o Sangue de Shiro em suas mãos e boca, Subaru? Poderia me explicar? – disse Ayato interrompendo o caminhar de Subaru.
— Não enche, Ayato! Não te devo explicações! – retrucou Subaru.
— Tsc... eu já avisei, ela é minha! – continuou Ayato furioso.
— Eu não ligo... – disse Subaru com cara de desdém.
— Então já que ela é sua, deveria ir atrás dela. – disse Subaru por fim tirando Ayato de sua frente e continuando a caminhar em direção ao seu quarto.
— Como assim? Ou melhor... onde ela está? – disse Ayato aparecendo novamente na frente de Subaru.
— Como se eu realmente soubesse! – respondeu Subaru enraivecido – Alguém a levou. Não sei quem, mas ele estava vestido de preto...Eu não consegui ver direito.
— Você está indo atrás dela? – indagou Ayato.
— Não...Estou indo atrás do homem que a levou. Preciso acertar algumas contas com ele. – disse Subaru apertando as mãos.
— Te espero lá fora. – disse Ayato por fim com um leve sorriso.
Já estava anoitecendo quando os dois saíram. Ao chegar na porta frontal da mansão, Yui os surpreendeu, aparecendo na frente deles. Aparentemente ela vinha do Jardim lateral da casa.
— Onde vocês vão? – indagou ela.
— Tsc... Não é da sua conta. – respondeu Ayato rispidamente.
Então, Ayato continuou a ir em direção a garagem da mansão.
— Realmente... isso não é da sua conta. – disse Subaru, seguindo Ayato.
— Vocês vão atrás dela? – perguntou Yui.
Imediatamente Subaru e Ayato viraram para olhar para Yui. Eles estavam surpresos.
— Como você sabe que Shiro não está mais aqui? – indagou Subaru.
Ele era a pessoa que mais sabia do que havia acontecido, e ninguém melhor do que ele para fazer essa pergunta.
— Eu vi um homem arrastando ela pelos cabelos. Ela estava desmaiada e bem machucada... Eu queria ter ajudado, mas fiquei com muito medo de que ele me machucasse também. – disse ela desviando o olhar.
— E porque não nos falou nada? – indagou Ayato em um tom mais alto, ele estava realmente furioso.
— F-fiquei com medo de que ele machucasse vocês também. – respondeu Yui com receio.
— Patético... – disse Subaru, voltando a caminhar.
E assim Ayato o seguiu.
Yui colocou a mão em seu peito e ficou olhando a direção eles seguiam.
Quando chegaram os dois chegaram a garagem, eles olharam para a Limousine, até que Ayato balançou a cabeça em sinal de negação.
— Algo mais discreto seria melhor. – disse Ayato indicando com a cabeça o Asx de cor cinza que se encontrava entre os 5 carros que estavam na garagem.
— Vou pegar a chave. – disse Subaru.
E em um piscar de olhos lá estava ele com a chave em mãos. Rapidamente Ayato pegou a chave.
— Eu dirijo! – disse Ayato piscando o olho direito.
— Você é realmente irritante. – retrucou Subaru.
E assim os dois saíram da mansão. Como não era Subaru que estava dirigindo ele passou a se preocupar com o cheiro que o Sangue de Shiro havia deixado no ar. Como ela havia levado um tiro e estava ferida, seu cheiro estava mais forte do que nunca.
O aroma do sangue dela levava para a cidade, então Ayato e Subaru se encaminharam para lá.
Uma colegial caminhava em um passeio adjacente a rua, ela estava a caminho de sua casa, após uma tarde de estudo na biblioteca. Era quinta-feira, o tempo estava fresco e a lua se encontrava deslumbrante no céu. O trafego de veículos não estava muito intenso, mas o de pessoas sim.
A estudante parou em frente a faixa de pedestre esperando que o sinal verde abrisse, para que assim ela pudesse atravessar. O sinal para veículos ficou vermelho e o de pedestres verde. E assim a garota começou a caminhar para atravessar a rua, até que um Pajero Dakar preto ultrapassou o sinal vermelho, quase a atropelando na faixa de pedestres. A garota leva um extremo susto, e salta em direção a calçada de onde ele havia partido. Ela se agacha ao chão ainda em choque com o acontecido, sua respiração era rápida e seus olhos se encontravam arregalados.
Não era só ela que havia se espantado com aquilo. Todos as pessoas que caminhavam por ali ficaram assustadas.
— Você está bem, querida? – disse uma mulher desconhecia que caminhava pela rua.
A garota olhou para a mulher e respondeu assentindo a cabeça.
A mulher esticou sua mão para ajudar a garota se levantar, quando ambas escutaram uma explosão, e viram ao longe o carro, que acabara de quase atropelar a garota, explodir.
A explosão não se assemelhava a uma detonação de explosivos, mas sim uma explosão energética. As duas voaram longe com a onda de impacto que a explosão causara. A garota sofreu pequenas escoriações, já a mulher acabou batendo a cabeça na parede e ficou insciente, mas todas as outras pessoas que estavam mais perto, morreram.
Podia se ver que as construções que rodeavam o epicentro da explosão foram totalmente destruídas, sobrando somente escombros e dentre alguns escombros chamas, e havia muita poeira no ar. Os destroços do Pajero Dakar e os arredores ardiam em chamas, e dentre as chamas a colegial viu alguém sair.
— O que é aquilo?! – murmurou ela.
Ela se aproximou um pouco, mas deixando uma distancia segura do acontecido, assim ela pôde ver as características da pessoa.
Era uma garota, que aparentava ter por volta de 17 anos, ela estava vestida com o que parecia ser uma camisa de força e uma saia de colegial, mas a camisa e a saia se encontravam queimadas em muitos pontos, podia-se ver parcialmente a lateral das langareies de coloração branca que ela usava. Sua bochecha, parte dos braços, pernas e pés ainda queimavam, era possível ver pequenas labaredas de chamas saindo das feridas que pareciam ser extremamente profundas.
Ao observar aquilo com os olhos cerrados a estudante percebeu que suas feridas estavam diminuindo de tamanho, até que se cicatrizaram completamente, extinguindo o fogo que ainda as queimava. Ela segurava em sua mão direita o que parecia ser uma cabeça humana. Os longos cabelos brancos da garota voavam ao vento, e o fogo não conseguia queimá-los.
A estudante não acreditava no que acabara e ver. Seus olhos estavam arregalados e ela se encontrava perplexa. De repente a garota que ela observava, olhou para o lado rapidamente, e sumiu diante de seus olhos.
Ela começou a ouvir sons de sirene, e depois viu que o socorro havia chegado. Ambulâncias, carros de polícia, os bombeiros e a imprensa chegaram ao local. Ela finalmente estava salva.
O rastro do sangue de Shiro levou Ayato e Subaru até o centro da cidade. Haviam milhares de pessoas lá. Era possível ver as luzes vermelhas das sirenes de ambulâncias, bombeiros e carros policiais. Também havia luzes brancas de câmeras de filmagem e flashes de câmeras fotográficas.
Ali estava um caos. O cheiro de fumaça os atrapalhava a sentir o aroma que os havia guiado até ali.
— Como vamos achá-la no meio dessa confusão? – perguntou Ayato.
— Não sei... Acho que é melhor nos dividirmos. – respondeu Subaru.
— Certo! – assentiu Ayato. – Vou para a direita e você para a esquerda e nos encontramos aqui em 2 horas.
— Feito! – concordou Subaru se encaminhando para a esquerda.
E assim os dois se separaram.
Subaru procurou por uma hora e meia, nenhum sinal da Shiro nem daquele Homem. Aquela parte da cidade estava realmente vazia, parecia que todos se encaminharam para o incidente. A maioria das lojas se encontravam fechadas, provavelmente pelo mesmo motivo da ausência de pessoas na rua.
Estava ventando bastante, e dentre uma das lufadas do vento, ele pôde sentir o aroma do sangue de Shiro. Automaticamente Subaru olhou para o alto dos prédios, e lá no fim da rua pôde ver a silhueta de alguém de longos cabelos no terraço do prédio mais alto daquela parte da cidade. Parecia ser Shiro. Então ele começou a caminhar mais rapidamente na direção do prédio, e quando mais ele se aproximava, mais aumentava a certeza de que aquela era realmente quem eles procuravam. Achando ela, ele acharia o soldado, o qual ele com certeza mataria.
A parte externa do edifício era composta somente por vidros e ele parecia ser estritamente comercial, possuindo 42 andares no total. Decidido Subaru continuou a caminhar na direção do edifício, de Shiro e de sua vingança.
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