A Dama Branca
16 Desespero
Notas iniciais
Oiii!
Sei que dessa vez o capítulo atrasou mais do que o normal, mas é porque eu estava tendo bastante trabalhos na universidade, malditos professores xD
Espero que isso não os deixem chateados.
Bom o "arco" do Ayato termina parcialmente por aqui, nos próximos caps os irmãos aparecerão mais, pois para vcs terem uma ideia do quão grande essa parte ia ficar, eu planejava, desde que os dois chegaram a mansão ser em um só capítulo, o que totaliza +/- os 4 caps anteriores, mas ficou tudo muuuito gigante :3
Gostaria que lessem esse capítulo ouvindo essa musica:
https://www.youtube.com/watch?v=nUygmF7BFfk
E caso ela acabe antes que terminem de ler, é só repetir xD
Espero que gostem,
Boa leitura a todos...
As palavras daquele homem me fizeram estremecer, eu não conseguia mover meu corpo direito. Mas de uma certeza eu tinha, eu deveria proteger Ayato.
Eu não conseguia reagir, eu queria empurrá-lo, mas meu corpo permanecia imóvel, eu estava refém do terror que ele me causava. Á medida que ele foi se aproximando meu corpo ficou completamente rígido de pânico. O medo me tomara novamente, mas dessa vez de maneira mais intensa. Eu só podia sentir o terror aumentando a medida que ele se aproximava, e em reação a isso meu interior era preenchido por um frio inexplicável, eu podia sentir minhas artérias e veias pulsando devido a adrenalina que a situação impunha sobre mim.Por fim ele chegou próximo a mim, nossos corpos se encontravam próximos um do outro e seu rosto se encontrava paralelo ao meu, eu podia sentir a respiração calma dele. E sentir aquilo fez meu pânico aumentar, e devido a isso sentimento em meus olhos começaram a brotar lágrimas. O que ele queria? Eu não conseguia entender o porquê de tanta violência e terror psicológico. — Preencha-se de desespero... – murmurou ele em um tom sinistro ao pé do meu ouvido.Ao ouvir tais palavras um arrepio inexplicável percorreu meu corpo, e meu coração deu um salto, passando a bater freneticamente, meus sentidos pareciam de alguma forma ter se aguçado. Pude ver, de relance, ele enfiar a mão no bolso direito de sua calça, e sacar algo que não consegui identificar, mas que possuía um brilho metálico.Ele moveu rapidamente aquele braço que sacara algo na direção do meu abdômen, e mais uma vez o objeto reluziu com um brilho metálico prateado.Senti meu abdômen ser perfurado, e a lamina rasgar violentamente minha carne. Um misto de queimação e dor invadiram meu abdômen e de lá se espalhou por todo o meu corpo, e em reação a tal sensação arregalei meus olhos, e deles as lágrimas começaram a fluir.Senti algo quente escorrer por minha pele, até chegar em minhas pernas, aquele líquido quente que escorria suavemente era meu próprio sangue.O homem se afastou de mim, ainda com o objeto em sua mão, olhei para o mesmo no intuito de identificá-lo. Pude ver uma faca peculiar, ainda suja com meu sangue, e que possuía cerras largas. Nos lábios daquele maníaco pairava um sorriso diferente de antes, parecia ser um sorriso de satisfação mesclado com sucesso, como se ele tivesse conseguido o que realmente queria.A ferida era realmente profunda, olhei para meu abdômen e a mancha de sangue em minha camisa branca só aumentava. Ver meu próprio sangue aflorar do meu corpo de uma maneira tão intensa fez meu corpo esquentar levemente. Pressionei minhas mãos sobre aquela dolorosa ferida, na tentativa, um tanto falha, de diminuir o sangramento. Depois de alguns segundos pressionando a perfuração em meu abdômen, olhei para minhas mãos e elas estavam completamente banhadas com sangue, meu sangue. Eu não gostava nem um pouco daquilo, embora soubesse que aquilo cicatrizaria rapidamente, minha regeneração não era nem um pouco humana, embora eu não soubesse a origem de tal.Um pensamento estranho começou a brotar em minha mente. Ninguém me faz sangrar... Ninguém me faz sangrar... Não novamente! Isso se repetia várias vezes, e quanto mais isso se repetia, mais quente meu corpo ficava.Enquanto eu tentava controlar e ao mesmo tempo afastar tais pensamentos vi uma silhueta passar rapidamente por mim. Imediatamente virei-me para trás, na direção em que Ayato estava, mas ele não se encontrava mais lá, então voltei a olhar para o homem.Vi, rapidamente, Ayato acertar um gancho de direita no queixo do homem, o arremessando levemente para o alto, e o afastando de mim. Imediatamente, Ayato foi para cima dele, que ainda se levantava, sorrindo de forma macabra. Era isso que ele queria! Por isso o sorriso de sucesso ao me acertar o golpe com a faca.Ele queria que Ayato fosse para cima dele, para o afastar da minha falha proteção. — Pare, Ayato! Não faça isso! – gritei desesperada tentando impedi-lo.Mas era tarde demais, o homem já estava de pé e em um movimento sobre-humano, agarrou Ayato pelo pescoço e o jogou contra a parede. Pude ouvir o impacto do corpo dele contra a parede, e em seguida seu gemido de dor. Porém, antes que Ayato chegasse ao chão, ele o agarrou novamente pelo pescoço e com sua mão livre apontou a faca serrilhada para Ayato, que se encontrava suspenso pelo pescoço e meio desnorteado.
— Pois bem... – disse o homem limpando o canto da boca com as costas da mão que segurava a faca. – há muito tempo não me fazem sangrar. – continuou ele encarando o feixe de sangue em sua mão. – Pena que você não viverá para se vangloriar desse feito. – disse por fim pousando a faca sobre o pescoço de Ayato. — Por favor! Já chega! – implorei aos prantos.De meu olhos brotavam lágrimas incessantes. Minha ferida já havia cicatrizado, mas meu corpo ainda doía e parecia arder em chamas. — Oh meu amor, não chore... – disse ele de forma terna, virando-se para mim. – Sinta desespero! – disse por fim de forma doentia, abrindo mais uma vez um sorriso.Aquelas palavras me fizeram saltar. Vi ele perfurar o ombro de Ayato, em seguida o peito, depois o abdômen e a cada perfuração via Ayato se contorcer e gritar de dor. Os gritos de agonia dele me deixavam ainda mais desesperada, meu corpo estava completamente trêmulo, e meu coração acelerado. — Para! Por favor, para! – gritei desesperada, pousando minhas mãos sobre a cabeça.De meus olhos caiam lágrimas de desespero, eu tinha que fazer algo, antes que fosse tarde demais. Eu tinha que protegê-lo, igual ele havia feito comigo.Movida por tais sentimentos investi em direção ao homem e com uma força que até mesmo eu desconhecia, o empurrei pra longe, afastando ele do Ayato.Ouvi, perto de mim, o que parecia ser o barulho de um metal batendo contra o chão, mas o ignorei.Imediatamente pousei o corpo desacordado de Ayato sobre meu colo, envolvi seu tórax com meus braços e aproximei seu rosto do meu. Eu não conseguia parar de chorar, será que eu havia demorado demais para intervir? Essa pergunta invadia minha mente, e trazia consigo uma sensação que eu não conseguia explicar. — A-ayato! Por favor...acorde! – implorei aos prantos. – Por favor... – murmurei fechando meus olhos e o apertando contra mim.Ouvi algumas risadas abafadas, e quando abri meus olhos, aquele homem estava de pé novamente e começou a vir calmamente em direção a mim.Vê-lo avançar em minha direção fez meu corpo quase queimar de ódio. Ele havia machucado Ayato, se não o matado, e eu jamais perdoaria isso. — Não se aproxime... – disse em um tom ameaçador.A raiva tomava conta de mim, e me ver banhada com o sangue de alguém que tentou me proteger aumentava ainda mais esse sentimento. — Eu disse para não se aproximar... – disse novamente o ameaçando, e apertando ainda mais o corpo de Ayato contra o meu.Minha mente estava envolvida em “Mate”. Essa palavra se repetia várias, e quanto mais ela se repetia, mais meu corpo esquentava, pensei que fosse entrar em combustão instantânea ou explodir ali mesmo, mas senti somente a área ao meu redor ficar distorcida.Pude notar alguns pontos que pareciam poeira saírem do chão e paredes ao meu redor, como se aquelas estruturas maciças e sólidas estivesses virando pó, e o após isso desaparecendo no ar.O homem agachou-se próximo a onde eu me encontrava sentada com Ayato ao meu colo. Ele esticou lenta e levemente seu braço na direção de Ayato. — Não o toque... – ameacei rangendo os dentes.Sua mão começou a adentrar-se na área distorcida, mas quanto a ponta de seus dedos tocaram aquela área ele soltou um leve gemido de dor. Por um momento, pude ver rapidamente o que parecia ser a extremidade de seus dedos virando pó, mas antes que eu pudesse ver com exatidão, ele rapidamente tirou sua mão, ficou de pé, e se afastou de mim e Ayato. — Já é um bom começo... – disse parecendo me encarar, do alto.Eu podia não ver seu olhar e nem entender o porquê daquelas palavras, mas eu sentia que ele olhava fixamente em meus olhos, e que ele possuía algum motivo para chegar até esse ponto, porém não pensei muito nisso. Fiquei por um tempo o encarando, consumida por minha fúria. Eu não o deixaria tocar em Ayato, jamais! Após um tempo, ele abaixou a cabeça, pousou sua mão direita sobre o chapéu e desapareceu, bem diante dos meus olhos.Olhei para os lados, na intenção de me certificar que aquele homem havia mesmo ido embora. Felizmente, não havia mais ninguém no quarto além de mim e Ayato.Um alívio preencheu meu ser, e com essa sensação senti meu corpo esfriar. Assim, tornei a olhar para Ayato, que se encontrava ainda desacordado, e ao ver isso o desespero novamente me invadiu. — Ayato! – chamei por ele, o sacudindo levemente, na tentativa de acordá-lo.— A-ayato...por favor, acorde! – murmurei novamente com a voz trêmula.Lágrimas começaram a brotar novamente dos meus olhos. — P-por favor, não me d-deixe... – murmurei aos prantos.Minhas lágrimas quentes caiam em seu rosto frio. Olhei para sua camisa branca, que agora se encontrava manchada, quase que completamente, de carmesim. Ele havia perdido muito sangue. Sangue... é isso! Meu sangue poderia ajudar, afinal era disso que ele se alimentava, além do mais ele estava sem beber quantidades significativas de sangue a um bom tempo.Rapidamente olhei a minha volta em busca de algum objeto cortante, e vi um pouco distante de mim a faca serrilhada daquele homem. Então era aquilo que havia feito o som metálico que eu havia ouvido. Sem hesitar muito me estiquei para pegá-la, quando aquele objeto estava ao alcance de minha mão o agarrei com toda a força. Me ajeitei de forma que a cabeça de Ayato ficasse pousada sobre minhas coxas, e dei um corte profundo horizontal em meu pulso.Senti uma ardência e uma dor impactante, mas me mantive forte, ele precisava daquilo. Observei por alguns segundos na espera de que meu sangue brotasse daquela ferida, e quanto pude ver aquele líquido viscoso emergir da ferida, em um movimento rápido pousei meu polegar sobre o queixo de Ayato, tentando fazer com que ele abrisse levemente sua boca, para que meu sangue pudesse gotejar em sua garganta. Mas estava um tanto difícil mover seu maxilar, e devido a isso meu sangue escorria mais sobre seu rosto do que para dentro de sua boca.Como eu faria ele beber o sangue? Uma ideia mirabolante, e um tanto ousada surgiu em minha mente, e se eu mesma desse o sangue a ele, de boca a boca? Pensar nisso me dava certa vergonha, mas não era hora para isso, então novamente cortei meu pulso mas dessa vez mais fundo, para que demorasse um pouco mais para minha regeneração fazer efeito. Pousei meus lábios sobre a ferida e suguei com vigor, minha boca foi preenchida por um gosto adocicado de ferro. Senti certa vontade de cuspir, mas me contive. Assim, pousei minha mão sobre o rosto de Ayato e aproximei meu rosto do dele, até que nossos lábios se tocaram.Seus lábios estavam gélidos e entreabertos, então em forma de um beijo deixei o sangue passar da minha boca para a dele. Repeti esse processo umas duas vezes, mas ele não acordava. Eu faria isso quantas vezes fossem necessárias, ele tinha que acordar! Ele não podia me deixar dessa forma.Novamente repeti o processo pela terceira vez, cortei meu pulso novamente, pois o corte já havia regenerado, porém eu suguei com o máximo de vigor que eu podia, e mais uma vez minha boca havia se enchido com aquele líquido de sabor ferroso adocicado. E mais uma vez o envolvi em um beijo, deixando o sangue fluir de minha boca para a dele, mas dessa vez senti sua língua envolver a minha e rapidamente afastei meu rosto do dele.— Porque parou?! – perguntou ele como a voz fraca.Meu interior foi preenchido por uma alegria inexplicável, que eu jamais havia sentido em toda minha vida. Relevei o que ele havia dito, pois entendi muito bem a malícia naquelas palavras, mas ao invés de ficar brava eu sorri, e depois não consegui conter meu choro. — Ayatoooo! – murmurei abraçando-o e me debulhando em lágrimas.Querendo ou não aquelas lágrimas eram de felicidade.
Notas finais
Bom, é isso...espero que tenham gostado e que não fiquem chateados devido a demora.
Para auxiliar na imaginação, deixo pra vcs a imagem da faca:
http://www.casatatica.com.br/produtos/161/p185b79eg4g3g1ha116dh41t1re5.jpg
Mais uma vez, muito obrigada a todos que comentaram, que favoritaram, e que acompanham a fic!
Muito obrigada, de verdade...
Beijoos e até a próxima! o/
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