Harry contou a Rony e Hermione que tinha ido atrás de Justino, mas não o tinha encontrado. Em vez disso, ouviu seus amigos falando que o garoto estava se escondendo dele, Harry, e várias outras acusações que o tiraram do sério, fazendo com que se metesse na conversa e entrasse numa discussão. Disse também que, então, na volta para a sala comunal, tinha esbarrado no Justino já petrificado ao lado de Nick-sem-cabeça, e que em antes de poder sair dali e pedir ajuda Pirraça chegou e gritou a plenos pulmões, fazendo todos saírem de onde estavam, o vendo ali em meio aos corpos. A professora Minerva chegou e o levou até Dumbledore, que disse acreditar que ele não tinha culpa.

O novo ataque deixou todos em pânico — mais pelo fato de Nick ter sido atingido, já que uma coisa que podia fazer isso a um fantasma, só poderia ser algo de poder terrível. Com isso, quase todos os alunos escolheram voltar para casa no Natal.

— Nesse ritmo, seremos os únicos a ficar para trás – disse Rony a Harry e Hermione. – Nós, Draco, Crabbe e Goyle. Que beleza de férias vamos ter!

— Eu não me importo. — disse Harry — Pelo menos assim param de me olharem como se eu fosse atacá-los, ou de me apontarem, ou de vaiarem quando eu passo.

Fred e Jorge, porém, achavam muita graça em tudo. Saíam do caminho para andar à frente de Harry nos corredores, gritando: "Abram caminho para o herdeiro de Slytherin, um bruxo realmente maligno vai passar..."

Percy, por sua vez, desaprovava inteiramente esse comportamento.

— Não é motivo para graças. – disse friamente.

— Ah, sai do caminho, Percy. Harry está com pressa.

— É, ele está indo para a Câmara Secreta tomar uma xícara de chá com seu criado de caninos afiados – disse Jorge, dando uma risadinha debochada.

Gina também não achou graça nenhuma.

— Ah, não façam isso – choramingava todas as vezes que Fred perguntava a Harry em voz alta quem ele pretendia atacar a seguir, ou quando Jorge, ao encontrar Harry, fingia afugentá-lo com um grande dente de alho.

— Essas brincadeiras dos gêmeos não te incomodam, Harry? — perguntou Hermione, ao ver Gina correr para o dormitório após ouvir mais uma brincadeira de Fred sobre isso.

—Na verdade, não, nem um pouco. Pelo menos eles dizem isso porque acham ridículo a ideia de que eu seja o herdeiro de Slytherin.

— Sem contar que parece irritar muito Draco, então só por isso já vale muito. — disse Rony, dando de ombros, e já foi acrescentando.

— E é porque está morrendo de vontade de dizer que o herdeiro é ele – constatou, com ar de quem sabe das coisas, certo do que dizia. – Vocês sabem que Draco detesta quando alguém o supera em alguma coisa, e você está recebendo todo o crédito pelo trabalho sujo que ele fez.

— Não será por muito tempo – anunciou Hermione, com um tom de satisfação. – A Poção Polissuco está quase pronta. Vamos extrair a verdade dele a qualquer momento.

(...)

O recesso chegou e com ele o silêncio profundo no castelo. Harry, Hermione e os Weasley eram os únicos na torre da Grifinória, o que permitia que brincassem de snap explosivo e praticassem duelos.

Fred, Jorge e Gina preferiram ficar na escola a visitar Gui no Egito com o Sr. e a Sra. Weasley. Percy, declarou pomposamente que só ficara para o Natal porque era seu dever, como monitor, ajudar os professores em tempos tão tempestuosos.

No dia de Natal, Hermione, que estava sozinha no dormitório, levantou cedo e foi ver a poção, para acrescentar a ela o ingrediente que faltava. No tempo em que estivera lá, ela aproveitou para pensar mais a fundo sobre o que ficara se cobrando durante muitos dias desde que decidiram pôr aquele plano em ação: em quem se transformariam com a Polissuco, e como tirariam essas pessoas do caminho enquanto se passavam por elas.

Para ela, a escolha óbvia eram Crabbe e Goyle: eles eram os melhores amigos de Malfoy, então não havia nada que o garoto não diria a eles. Além de que, as perguntas que poderiam ter que fazer soariam muito mais naturais vindas deles.

A questão seguinte, sobre como os tiraria do caminho, sem correr o risco de escondê-los, eles se livrarem de alguma forma e aparecerem no meio de seu plano, levou um pouco mais de tempo para ser resolvida. Mas, o pensamento de que, afinal, seria mesmo nojento pensar em beber algo com pedacinhos de Crabbe e Goyle, o levou à lembrança dos dois comendo desesperadamente as sobremesas no banquete de iniciação daquele ano, enquanto o restante do Salão cochichava sobre o sumiço de Harry e Rony, lhe dando a ideia de usar algum doce recheado de Poção do Sono para atrair os amigos de Malfoy e deixá-los desacordados em algum lugar por tempo o suficiente para o efeito da Polissuco acabar e, portanto, concluírem seu plano.

Agora ela só precisaria encontrar na Biblioteca um livro que dissesse-lhe exatamente como fazer a Poção do Sono — já que o "Poções Muy Potentes", que haviam conseguido com a autorização de Lockhart, não falava sobre uma poção simples como aquela -, para colocá-la nos pedaços de bolo, que precisaria pegar da mesa de café da manhã, e lembrar-se de pegar o fio de cabelo de Emília Bulstrode, que havia guardado num pequeno frasco em seu malão desde o dia do duelo entre ela e a garota, para colocar na sua parte da poção.

Granger, então, certificou-se de que a Poção Polissuco estava quase pronta antes de sair do banheiro, a partir de onde rumou para a Biblioteca. Não levou muito tempo para encontrar alguns: "Bebidas e Poções Mágicas", "Estudos Avançados no Preparo de Poções", e alguns outros. Ela folheou este dois primeiros em que colocou os olhos e quando encontrou num deles o que precisava, se encaminhou para o Salão Principal, onde pegou da mesa da Grifinória três pedaços de bolo de chocolate — porque, é claro, já estava com fome àquela hora, e comeu o seu enquanto ia ao dormitório buscar seu kit da aula de Poções — no qual haviam os ingredientes básicos de que precisaria.

Depois, de mãos cheias, Hermione voltou ao banheiro da Murta e, uma vez lá, ela dispensou os dois pedaços de bolo a um de seus lados, o kit de Poções para o outro, e mais ou menos à sua frente, o livro aberto na página de preparo da Poção do Sono. Em alguns minutos, ela repassou o processo em sua cabeça e separou os ingredientes, e logo estava preparando a Poção num caldeirão menor que havia em seu kit.

Em alguns minutos, a poção ficara como o livro havia dito que precisava: com cheiro de mostarda e cor púrpura. "Perfeito!", pensou ela, olhando da Poção para os dois pedaços de bolo, antes de colocar-se a fazer o passo final.

(...)

Quando tudo estava pronto e Hermione já havia observado a Poção Polissuco por bastante tempo outra vez, mas Rony e Harry ainda assim não a haviam procurado, ela voltou à Torre da Grifinória, onde guardou seu kit de Poções, os pedaços de bolo cheios de Poção do Sono e deixou o livro para devolver à biblioteca sobre a cama, e depois foi até o dormitório dos garotos, levando seus presentes.

— Acordem – disse em voz alta, afastando as cortinas da janela, para acordá-los.

— Mione, você não podia estar aqui... – disse Rony, protegendo os olhos da claridade.

— Feliz Natal para você também – disse a garota, lhe atirando um presente. – Estou de pé há quase uma hora, acrescentando hemeróbios à poção. Está pronta.

Harry se sentou, de repente muito acordado.

— Tem certeza?

— Positivo – disse Hermione, empurrando Perebas, o rato, para poder se sentar na beirada da cama de Rony. – Se vamos usá-la, eu diria que deve ser hoje à noite.

Ela ficou vendo Rony abrir o presente que tinha lhe dado. Era um livro intitulado "Novíssimas estratégias para mestres do xadrez". O garoto sorriu, agradecendo a ela, e lhe entregando o seu presente. Hermione o abriu ali mesmo: era uma caixa de balas de caramelo, as preferidas dela.

— Sei que não é muito, mas... — ele ia dizendo, humilde e timidamente, mas ela o interrompeu.

— Obrigada, Rony! Eu adorei! São minhas favoritas. — ela sorriu largo.

— Eu sei. — disse ele baixinho, sorrindo discretamente e corando um pouco.

Rony ainda ganhou o suéter feito pela mãe — cor de tijolo, como sempre -, uma caixa de sapos de chocolate de Gui, um cartão colecionável do goleiro de seu time favorito de quadribol, dado por Carlinhos, e um tinteiro com tinta especial que permitia correções sem borrões — pelo menos era o que dizia a frase no frasco.

No horário do almoço eles foram ao Salão Principal, que estava todo enfeitado. Tinha uma dúzia de árvores de Natal cobertas de cristais de gelo, largas guirlandas de visco e azevinho que cruzavam o teto e caía uma neve encantada, morna e seca.

Dumbledore puxava o coro de músicas de Natal e Hagrid cantava cada vez mais alto. Fred tinha enfeitiçado o distintivo de Percy sem ele perceber, que agora dizia "Cabeça de Alfinete". Ele não entendia porque os garotos ficavam com risadinhas perto dele — o que Rony achou uma ótima coisa, porque podia aproveitar aquela brincadeira por mais tempo, sem todo o sermão que o mais velho teria dado em plena tarde de Natal se descobrisse do que se tratava.

Após o terceiro prato de pudim de Natal, Hermione e os garotos foram para fora do Salão para finalizar os planos para aquela noite.

— Ainda precisamos de uns pedacinhos das pessoas em que queremos nos transformar – lembrou Hermione, num tom trivial – E é claro que será melhor se pudermos conseguir alguma coisa de Crabbe e Goyle; eles são os melhores amigos de Malfoy, que contará aos dois qualquer coisa. E também temos que garantir que os verdadeiros Goyle e Crabbe não apareçam de repente enquanto interrogamos Draco.

"Já tenho tudo resolvido", continuou ela calmamente, não dando atenção às caras espantadas de Harry e Rony. E mostrou os dois pedaços de bolo de chocolate. — "Recheei estes dois com uma simples Poção do Sono. Vocês só precisam se certificar de que Crabbe e Goyle encontrem os bolos. Sabem como são esganados, com certeza vão querer comê-los. Depois que caírem no sono, arranquem uns fios de cabelo deles e escondam os dois num armário de vassouras."

Harry e Rony se entreolharam, incrédulos.

— Mione, acho que isso não...

— Poderia dar tudo errado...

Mas, Hermione estava empolgada demais para lhes dar atenção.

— A poção será inútil sem os fios de cabelo de Crabbe e Goyle – disse a garota com severidade. – Vocês querem investigar Malfoy, não é?

— Ah, está bem, está bem – disse Harry. – Mas e você? Vai arrancar o cabelo de quem?

— Já tenho o meu! – disse Hermione, animada, tirando um frasquinho do bolso e mostrando aos dois um único fio de cabelo dentro. – Lembram que a Emília Bulstrode lutou comigo no Clube dos Duelos? Ela deixou o fio de cabelo nas minhas vestes quando estava tentando me estrangular! E como foi passar o Natal em casa... então só preciso dizer ao pessoal da Sonserina que resolvi voltar.

Hermione saiu apressada para verificar outra vez a Poção Polissuco e Rony se virou para Harry com uma expressão de fim de mundo no rosto.

— Você já ouviu falar de um plano em que tantas coisas pudessem dar errado?

Os dois amigos colocaram o plano em prática: ficaram rondando o saguão deserto depois do chá de Natal, esperando Crabbe e Goyle, que tinham sido deixados sozinhos à mesa da Sonserina. Harry equilibrara os bolos de chocolate na ponta do corrimão. Quando viram Crabbe e Goyle saindo do Salão Principal, ele e Rony se esconderam depressa atrás de uma armadura próxima à porta de entrada.

— Como pode ser tão tapado? – Rony cochichou em êxtase quando Crabbe apontou alegremente os bolos para Goyle e os pegou. Sorrindo, idiotamente, enfiaram os bolos inteiros nas bocas enormes. Por um momento, os dois mastigaram vorazes, com expressões de triunfo no rosto. Depois, sem a menor mudança de expressão, desmontaram de costas no chão.

O mais difícil foi colocá-los no armário, depois foi só pegarem os fios de cabelo: Harry pegou de Goyle e Rony o de Crabbe. Pegaram também os sapatos dos dois, pois eram demasiados grandes em comparação aos próprios. Então correrão para o banheiro onde estava Hermione e a poção.

Hermione mexia a poção e uma fumaça densa saía do box em que estava. Puxando as vestes para proteger o rosto, Harry e Rony bateram de leve na porta.

— Mione?

Hermione estava ansiosa, e abriu a porta rápido:

— Vocês conseguiram? – perguntou ela, sem fôlego.

Harry mostrou os fios de cabelo de Goyle.

— Ótimo. E eu tirei escondido estas vestes da lavanderia – disse Hermione, mostrando um pequeno saco. – Vocês precisarão de números maiores porque vão ser Crabbe e Goyle.

Os três espiaram dentro do caldeirão. De perto, a poção parecia uma lama escura e espessa que borbulhava devagar.

— Tenho certeza de que fiz tudo direito – disse Hermione, nervosa, relendo a página manchada de "Poções muy potentes". – Parece que o livro diz que deve... depois que bebermos a poção, teremos exatamente uma hora antes de voltarmos a ser nós mesmos.

— E agora? – sussurrou Rony.

— Separamos a poção nos três cálices — ela indicou os copos — e acrescentamos os cabelos.

Com o coração um tanto descompassado, Hermione serviu grandes conchas da poção em cada cálice. Depois, com a mão trêmula, sacudiu o fio de cabelo de Emília Bulstrode do frasco para dentro do primeiro cálice.

A poção assobiou alto, como uma chaleira fervendo e espumou feito louca. Um segundo depois, mudou de cor para um amarelo doentio.

— Grrr, essência de Emília Bulstrode – disse Rony, olhando-a com nojo. – Aposto que tem um gosto horrível.

— Ponha os fios na sua, então – disse Hermione.

Harry e Rony colocaram os fios nos seus cálices e estes assobiaram e espumaram: o de Goyle mudou para um cáqui cor de piolho, e o de Crabbe para um castanho encardido e escuro.

— Calma aí – disse Harry quando Rony e Hermione estenderam a mão para os cálices. – É melhor não bebermos tudo aqui... Quando nos transformarmos em Crabbe e Goyle não vamos caber no boxe. E Emília Bulstrode não é nenhuma fadinha.

— Bem pensado – disse Rony, destrancando a porta. – Ficaremos em boxes separados.

— Pronto? – perguntou Harry do seu box.

— Pronto – responderam as vozes de Rony e Hermione.

— Um... dois... três...

Hermione virou o conteúdo do cálice o mais rápido que pôde: o gosto era horrível, parecia fruta quase podre. O estômago dela se contorcia e uma sensação de queimação se espalhou, fazendo-a perder o ar. A pele do corpo borbulhou e pelos começaram a crescer por todo seu rosto e braços.

"Pelos?!" ela se questionou, intrigada, e logo depois praguejou mentalmente.

Uma onda de pânico terrível começou a consumi-la ao perceber o que havia acontecido: o fio de cabelo que havia encontrado não era de Emília: era um pelo de gato. A transformação terminou, mas, é claro, estava incompleta, já que aquela poção não servia para animais.

Antes que pudesse se desesperar mais, ouviu a voz de Goyle do box ao lado.

— Vocês dois estão bem?

— Estou – veio o rosnado profundo de Crabbe de outro box.

Ela não respondeu — estava assustada demais para isso. Ainda pôde ouvir Crabbe mais longe:

— Isso é incrível, incrível.

— É melhor irmos andando – disse Goyle – Ainda temos que descobrir onde fica a sala comunal da Sonserina. Só espero que a gente encontre alguém para seguir...

Rony, que estivera observando Harry, disse:

— Você não sabe como é esquisito ver o Goyle pensando. – Bateu então na porta de Hermione. – Vamos, precisamos ir...

Sua voz, mais aguda do que o normal, respondeu.

— Eu... eu acho que afinal não vou. Vão indo sem mim.

— Mione, nós sabemos que a Emília Bulstrode é feia, ninguém vai saber que é você... — disse Rony, tentando convencê-la.

— Não... verdade... acho que não vou. Vocês andem depressa, estão perdendo tempo... — ela disse depressa, achando melhor não dizer o que havia acontecido, porque os garotos iriam querer tentar reverter ou ajudá-la de alguma forma, e não tinham tempo pra isso.

Harry olhou para Rony, intrigado.

— Assim você está mais parecido com o Goyle. É assim que ele fica toda vez que um professor faz uma pergunta.

— Mione, você está bem? – perguntou Harry através da porta.

— Muito bem... muito bem... — mentiu, o choro preso na garganta — vão andando...

— Na volta nos encontramos aqui, está bem? – falou ele.

Hermione ouviu a porta do banheiro abrir e assim que ficou sozinha começou a chorar. Pegou o livro e começou a procurar quais eram as consequências para aquilo. Mas, conforme folheava, só achava mais coisas que não tinham nada a ver com o que procurava.

Então, só podia esperar o efeito da poção passar e ver o que aconteceria: sentou-se sobre o vaso e ficou chorando baixo, quando percebeu uma coisa ainda mais esdrúxula: tinha-lhe crescido uma cauda.

De repente ouve um barulho no cano e quando ela olhou para o lado, a cabeça de Murta apareceu na parede do box, espiando para dentro, já reclamando:

—Quem é que está chorando aqui? Pare de chorar! Este é o meu banheiro! Só eu posso chorar aqui e... — mas, ela parou de falar quando viu o estado de Hermione. E então desatou a rir, descontroladamente. Um riso estranho, misturado a um tom de choro.

Hermione chorou ainda mais com aquilo e ficou sentada, exatamente aonde estava, com as mãos cobrindo o rosto.

(...)

Depois de uma boa hora, Hermione ouviu a porta do banheiro abrir, se fechar, e agora a voz ofegante de Rony preenchia o local.

— Bom, não foi uma perda total de tempo. Sei que não descobrimos quem é o atacante, mas vou escrever a papai amanhã e dizer para ele revistar embaixo da sala de visitas de Malfoy.

Rony então socou a porta do boxe de Hermione.

— Mione, saia daí, temos um monte de coisas para lhe contar...

— Vão embora! – disse Hermione esganiçada.

Harry e Rony se entreolharam.

— Qual é o problema? – perguntou Rony. – Você já deve ter voltado ao normal agora, nós...

Mas a Murta Que Geme atravessou de repente a porta do boxe. E toda feliz disse:

— Aaaaaah, esperem até ver. Está horrível...

Hermione, então, concluiu que não havia mais como se esconder: abriu o trinco da porta e saiu, soluçando, as vestes cobrindo a cabeça.

— Que foi que houve? – perguntou Rony, inseguro. – Você continua com o nariz da Emília ou coisa assim?

Hermione deixou as vestes caírem e Rony recuou contra a pia.

O rosto da garota estava coberto de pelos negros. Os olhos tinham virado amarelos e orelhas compridas e pontudas espetavam para fora dos cabelos.

— Era um pelo de g-gato! Em-mília Bulstrode deve ter um gato! E a poção não deve ser usada para transformar animais!

— Uau! – exclamou Rony. Ele achou melhor não fazer brincadeira alguma dessa vez: ela estava realmente muito abalada.

— Vão caçoar de você horrores! – exclamou Murta, feliz.

— Tudo bem, Mione – disse Harry depressa. – Levamos você para a ala hospitalar. Madame Pomfrey nunca faz muitas perguntas...

Ela, no entanto, não queria ir à Ala Hospitalar. Não queria ser vista daquele jeito.

— Tem que ir, Mione, já era para ter passado o efeito. Não pode ficar assim. — insistiu Rony, preocupado.

— E se alguém me ver? — falou ela, entre soluços.

— Não tem quase ninguém no castelo. Vamos rápido. — afirmou Harry.

—Certo... — ela fungou outra vez — Então vamos.

Murta Que Geme despediu-se dos garotos com uma risada gaiata.

— Espere até todo mundo descobrir que você tem rabo!

Hermione choramingou com aquele comentário e parou aonde estava, olhando para trás.

— Não posso fazer isso.

—É claro que pode. Vamos, rápido. — disse Rony.

—Já sei! — falou Harry, de repente — ... Fiquem aqui escondidos neste armário que eu já volto.

Harry empurrou os dois para o armário de vassouras mais próximo e saiu desembestado. Rony, um pouco sem graça de ficar ali sozinho com ela, ainda mais no estado de choro em que ela estava, tentou animá-la.

— Não chore, Mione, vai ficar tudo bem num instante. Madame Pomfrey cura qualquer coisa. — falou ele, aos sussurros, dando tapinhas sem jeito em seu ombro.

Hermione baixou a cabeça um pouco mais e apenas suspirou profundamente. Harry voltou logo, trazendo a capa de invisibilidade.

— Pronto, Mione, ponha isso até chegarmos lá.

— Ótima ideia, Harry! Vamos logo! — encorajou Rony, saindo do armário primeiro e ajudando a amiga a colocar a capa.

Harry e Rony foram juntos na frente e Hermione sob a capa foi atrás deles, com a mão no ombro de Rony, para evitar que esbarrassem nela. Porém, não encontraram ninguém no caminho e antes de baterem na porta da enfermaria, Hermione tirou a capa. Madame Pomfrey abriu e arregalou os olhos.

— Mas o que é que você andou fazendo, menina?

Hermione não disse nada, já começando a chorar de novo.

— Venha... venha... vamos resolver isso. — disse a curandeira, dando espaço para a garota, sem fazer mais perguntas.

Harry e Rony fizeram menção de entrar também, mas ela os barrou.

— Já fizeram o seu dever de trazê-la, agora é comigo, sim? — acrescentou, fechando a porta na cara deles.

Os dois foram diretamente para o dormitório, para não terem que responder perguntas sobre Hermione, e também para poderem comentar sobre o que haviam descoberto com Draco.

— Se Draco não é o herdeiro e nem sabe quem é, não tenho mais ideias de como descobrir. — disse Harry, comendo um quadradinho de chocolate que havia ganho de Hagrid de Natal.

—Também não sei. — confessou Rony, e se lembrou de sua teoria — Se isso já aconteceu há cinquenta anos, não pode ter sido o pai de Draco da primeira vez também.

Harry assentiu, desanimado.

—E agora não podemos fazer mais nada. Vamos esperar que Hermione volte e ver o que ela acha.

—Certo. — Rony concordou, e se empertigou nada cama — Enquanto isso, que tal uma partidinha de xadrez? Prometo pegar leve.- disse ele com um pequeno sorriso, se levantando da cama e pegando o jogo no malão.