A Cura
8 Capítulo 8 - Diálogos
Final do Capítulo 7:
— O plano inicial será cumprido a qualquer custo. – Diz Jordana,
- Ao menos que... – Alan começa. — ...a lista seja quebrada. Isso! A gente impediu um plano dela! Nós vencemos a morte. Nós vencemos!
Mais uma noite se passa. Todos agora estão mais tranquilos, exceto Alan. Victor não vê problema algum, mas o escritor sabe que Jordana não está bem. Toda a vida, ela sempre foi uma pessoa tranquila, serena e bondosa. Ele nunca se esquece do dia em que eles, junto com Lúcia, estavam brincando de pega-pega na rua há muito tempo atrás e, de repente, Jordana caiu e ralou o joelho. Alan, diante dessa situação, acabou se assustando e, sem querer, pisou na perna de um gato, quebrando-a. Sua prima, com apenas 12 anos e com dor, saiu correndo pela rua e correu uns seis quilômetros até chegar ao veterinário mais próximo. Apesar de que estava exausta e machucada, voltou para casa com um grande sorriso de satisfação por ter ajudado o pobre animal.
Diante da mudança brusca da personalidade dela, Alan chegou a conclusão de que deveria levá-la ao psiquiatra. Ela concorda, então decidem ir ao renomado Dr. Daniel Oliveira, um famoso especialista da cidade. Seu consultório se localiza em uma larga avenida no centro da cidade, em um prédio. Esse edifício é constituído por vidros espelhados e se destaca meio aos outros por sua altura e beleza. Nele, estão localizados os escritórios mais luxuosos. É claro, pode-se perceber que Daniel é bastante rico e bem sucedido. Eles entram no prédio.
- É qual andar mesmo, Alan? – Pergunta Jordana.
- Décimo nono. – Responde Alan.
- Não pode ser.
- O quê?
- É o mesmo andar do quarto de Paulo.
- Ai ai... Fica tranquila que vai dar tudo certo.
- Não vai, não vai, não vai e não vai!
- Calma Jordana, confie em mim.
- Sei...
Enquanto anda pelo hall do edifício, Alan vê um bebedouro. Como está com bastante sede, diz:
- Jordana, pode ir subindo para o consultório. Eu só vou beber um pouco de água.
- Você não vai tomar água. Você vai vir comigo agora. – Diz Jordana, o puxando para o elevador.
Eles sobem, entram no consultório e esperam ser chamados. Ao se encontrarem com o médico em sua sala de atendimento, Jordana sussurra para o seu primo:
- Ele é um gostoso.
- Fale isso para o Victor, hahaha. – Responde.
Ela não disse isso atoa. Dr. Daniel é bastante bonito. Homem jovem, forte, de olhos verdes e cabelo castanho. Quando ele diz “podem sentar nessas cadeiras”, todos percebem o quão bonita e suave sua voz é.
- É você a Jordana Wake? – Pergunta o médico.
- Sim, sou eu.
- Você nem precisa se apresentar, Alan. Eu já li os seus dois livros.
- Sério? E o que achou? – Pergunta Alan.
- Perfeitos. Eu amei o desfecho de Sequestro Psicológico. Ainda bem que o Matthew descobriu que a pessoa por trás daquilo tudo era sua tia e a matou. Ela merecia morrer. Eu falo desse livro pra todo mundo. Você já tem planos para o terceiro?
- Comecei a escrever Tempestade Vermelha, mas dei uma pausa depois do incidente da torre Yin-Yang. Você com certeza deve ter ficado sabendo. Mas que bom que você gostou.
- Que nada. E o que você, Jordana, me diz? O que está acontecendo?
- Posso falar? – Pergunta Alan para sua prima.
- Pode. – Responde Jordana.
- Bom, doutor, de uns dias para cá, depois daquelas mortes todas, ela vem sofrendo uma alteração de personalidade. Às vezes está alegre, outras vezes triste, ama algumas pessoas de mais e odeia outras mortalmente. Parece que ela ficou louca de repente!
- Hum... De repente... Bom, ela anda agindo muito por impulso?
Alan olha para Jordana, e ela para ele, como se estivesse pedindo permissão para falar. Eles se entendem com um olhar e ele diz:
- Quase jogou a Diana Myers no poço de um elevador.
- Nossa. Puxa vida. Sim, entendo. Medo de abandono?
- Hum, nunca tinha percebido isso antes. – Ele pensa bastante. – Hoje, ela não quis subir o elevador sozinha. Quis que eu viesse com ela.
- Acho que entendi. Jordana, você pode aguardar lá fora um pouquinho? – Pergunta o médico.
- Sim. – Ela responde e se retira.
- Alan, sua prima... É prima, né?
- É.
- Bom. Ela, provavelmente, está com um transtorno de personalidade. Boderline, para ser específico.
- Como assim?
- Essas pessoas agem muito por impulso, têm o humor bastante instável, têm medo de ficar sozinhas e autoestima baixa.
- Esses são os problemas que ela anda tendo.
- Isso geralmente é causado algumas vezes por um trauma enorme, ou por um stress muito grande. Com certeza, deve ser por causa do acidente.
- Isso é o menos pior. Poder ter sido uma simples visão, mas veja no jornal, o tempo todo, os sobreviventes que ela salvou estão morrendo. Eu sou um deles. Talvez o maior trauma foi perder o filho. Luís morreu cortado pela quebra de um toboágua.
- Não é nada simples a situação.
- Não é não. Depois disso, sua irmã, Lúcia, teve a perna esmagada por um guarda-roupa e seu rosto desconfigurado por um ventilador que despencou.
- É realmente uma enorme coincidência.
- Não é coincidência. A tão comentada morte da ressonância magnética também era de uma sobrevivente, Alice.
- Bastante estranho, três.
- Ontem morreram mais dois. E foi ontem que os sintomas pioraram.
- Morreram mais? Não é possível! Desculpe ser intrometido, mas como morreram?
- Um teve um choque cardíaco ou embolia pulmonar, não sei dos detalhes ainda. Foi há muito pouco tempo. O outro foi empurrado por uma maca em direção ao vidro do prédio do hospital, o vidro quebrou e ele caiu do 19º andar. Caiu em cima do mastro de uma bandeira e foi empalado. A maca caiu junto, e caiu cima de seu corpo, que já estava fincado no mastro, assim, ele se quebrou em duas partes.
- Meu Deus! Você não ficou muito chocado?
- Aconteceu. Fazer o quê?
- É Alan... Pelo visto Jordana tem muitos motivos para ter boderline. Não vai ser fácil tratar. Quero que você peça a todos que convivem com ela para que sejam pacientes e não a contrariem. Essa doença pode levar ao suicídio. Letícia, vem cá. – Diz Daniel, chamando sua secretária. Ela chega e ele prossegue. – Chame a Jordana Wake, por favor.
A secretária chama Jordana, e ela senta novamente em uma cadeira frente ao psiquiatra.
- Você está com um transtorno de personalidade, mas não se preocupe, você tem motivos para isso. Já conversei com seu primo e sei da situação. Bom, você virá aqui toda semana, e o que eu vou pedir é que você tome estabilizadores de humor, começando agora. Isso vai te ajudar muito. Mas, agora, se você quer melhorar, seja metódica. – Diz Dr. Daniel pegando uma caixa de remédio. Jordana toma um remédio obediente.
- Obrigado doutor. Você nos ajudou muito. – Diz Alan.
- Esse é o meu trabalho! – Diz Daniel com um semblante feliz.
- Tchau. – Despede Jordana.
Eles descem pelo elevador pensando em toda essa situação. Pelo menos agora eles sabem do problema e podem ter um controle. Ao saírem do prédio, Jordana nota um anúncio da novela “Leucócitos do Rancor” com uma foto da Diana no prédio ao lado.
- Será que eu fui muito dura com ela ontem?
- Pelo visto o remédio já está fazendo efeito. – Diz Alan sorrindo.
‘ Diana Myers grava mais um novo capítulo da novela pela manhã. O diretor resolveu matar outra personagem. Hoje, ela está mais feliz. Sente-se aliviada de não ter morrido, na vida real e na novela. Ela ama fazer essa novela. O salário dela na emissora é altíssimo. Na saída do set de filmagem, o diretor diz a ela:
- Você é a melhor atriz que eu tenho aqui. Não poderia te tirar. – Então começa a sussurrar. – Tem gente aqui que parece amador. Na próxima novela que eu dirigir, você vai estar novamente.
- Já pensou na próxima novela?
- Não sei de muita coisa ainda.
- Vai ser uma novela daqui do STI, né?
- Claro. Não trabalho no Canal 6 nem morto.
- Você já tem um roteirista?
- Não... Só são planos ainda...
- Pois então eu vou te indicar um. Alan Wake Aires.
- O escritor de Sequestro Psicológico?
- Esse mesmo. Então você já conhece.
- É... Até que ele é bom.
- Ele é ótimo, diretor. Ótimo! – Diz Diana.
Ela sai pela porta e, no caminho, não consegue andar. Está cheio de repórteres querendo saber de tudo. Ela decide responder todas as perguntas, afinal, não tem nada o que esconder (a atriz ama aparecer também). Quem sempre chega à frente, claro, é a Repórter Maria, do Canal 6. Ela começa a falar:
- Estamos aqui com Diana Myers, atriz e sobrevivente da Torre Yin-Yang. Queremos saber de tudo! Diana, o que você diz sobre as mortes de ontem?
- Muito triste. Tentamos salvar Paulo, mas ficamos presos no elevador. Quando chegamos lá, ele já havia morrido.
- E sobre a morte do segurança que caiu do prédio, foi empalado e quebrado ao meio por um paciente obeso que também caiu e morreu?
- Eu morreria daquela forma. Robert pulou em minha direção e me salvou.
- Então depois de ser salva por um segurança morador de periferia, agora você acabou com seu preconceito contra as pessoas menos favorecidas?
- Maria, eu nunca fui preconceituosa. E afinal, você inventa muita coisa, hein?
A repórter fica sem graça e desvia o assunto:
- Então... Ficamos sabendo que você vai mudar de cabelereiro e maquiador. Vai correr o risco de poder ficar feia?
- Eu sou uma diva! Eu nunca fico feia, querida. E você tá precisando se cuidar mais. Muito mais! – Diz Diana, saindo com estilo e abandonando os repórteres.
A atriz entra em sua limusine, e Maria olha com raiva. A repórter chega à central do Canal 6 bastante chateada. O diretor de Central de Jornalismo, Ricardo, a chama para uma conversa.
- Que entrevista horrorosa, Maria. – Diz Ricardo.
- Eu não pensei antes de falar. Eu só queria dizer o que todo mundo pensa.
- Você está sempre querendo queimar a imagem dela. Dessa vez, você saiu queimada. E tem mais: está queimando a imagem do Canal 6! Hoje, você se rebaixou mais ainda.
- Não foi minha intenção.
- Nós, da Central de Jornalismo, temos a missão de passar uma informação limpa e precisa. Sem pessoalidade. Se você tem uma rixa com ela, o problema é seu.
- Mas...
- Mas nada. – Interrompe. – Você se contenha, ainda mais quando é gravação Ao Vivo. Eu só vou te dizer uma coisa: a próxima vez que der uma desviadinha sequer, é demissão na certa.
- Argh... Isso não vai acontecer novamente.
- Promete?
- Prometo.
- Pois eu confio em você. Esqueça do que aconteceu hoje e erga sua cabeça para cima.
Enquanto isso, o motorista da limusine de Diana a levou para sua mansão. A primeira coisa que faz ao entrar é pegar um telefone. Ela está pensando em dar um jantar para eles, que sobreviveram. Afinal, quebraram a lista da morte. Ela liga para Alan, que está na casa de Jordana.
- Alô? Alan?
- Oi Diana. – Responde Alan.
- Pensei em dar um jantar para nós quatro.
- Em virtude de quê?
- Nós sobrevivemos. Nós mudamos os planos da morte. Nós somos demais!
- Ah bom... – Ele diz ironicamente.
- Chame a sua priminha e o marido dela. Nós temos muito o que conversar.
- Chamo.
- Só isso mesmo lindão, tchau.
- Adeus.
Ele se vira para Jordana e diz:
- A Diana nos convidou para jantarmos lá.
- Aquela metidinha?
- É... – Ele concorda pensando nas palavras do médico. – Você vai?
- Mas é claro que vou. Comida de rico é tudo de bom.
- Jordana... E cadê o Victor?
- Ele está na escola. Hoje é o último dia de trabalho, amanhã ele entra de férias. O coitado vai ficar praticamente o dia todo passando a nota dos alunos que pegaram recuperação em história.
Diana pede para sua melhor cozinheira, Lourdes, fazer um verdadeiro banquete. Um pernil bem temperado e um frango suculento. Além disso, arroz, uma salada com queijo, e de bebida, bastante vinho. Ah, é claro. Um bolo típico que oferece a todos que a visitam. Ao anoitecer, a campainha toca.
- Quem é? – Pergunta Diana.
- Sou eu, Alan.
Ela abre a porta e vê Alan e Jordana, então pergunta:
- Onde está seu marido, Jordana?
- Você quis dizer o Victor? Chame-o pelo nome.
- Nossa... Então tá. Onde está o Victor?
- Já era pra ele ter chegado.
Victor ainda não havia chegado, pois o novo diretor da escola o chamou para uma conversa. Já é noite e só estão os dois no local. O expediente acabou e muitos já estão de férias.
A escola está deserta. Um típico cenário de filmes de seriais killers. Todas as portas fechadas, quase todas as luzes apagadas, algumas acesas, porém fracas. A porta principal está aberta e venta muito forte. Tão forte que uiva com um lobo em seus dias de lua cheia. Muitos não gostam disso, mas ele alivia o imenso calor que faz no local.
Ignorando o cenário, Victor pensa: o que seu chefe queria falar com ele? E se for demissão? Muitos já foram demitidos durante o mês todo. O professor está com bastante medo, mas entra na sala tranquilo e pensando positivo.
- O senhor deseja falar comigo, Diretor Benício?
- Sim Victor. Sente-se, por favor.
- Tudo bem.
- Esse ano foi muito lucrativo para todos nós. Percebemos que você se empenhou bastante no trabalho e obteve bons resultados. Ótimos resultados, mas eu comprei a escola com uma perspectiva de mudança. Nosso objetivo é tornar a melhor escola da cidade. O problema é que não conseguiremos se continuarmos com a equipe antiga. Foi por esse motivo que demiti a Sra. Aparecida, antiga supervisora do ensino fundamental. Acredito no seu potencial de ensino da disciplina de história, mas uma mudança será necessária. Agradeço pelo seu empenho de ter trabalhado aqui, mas eu te despeço.
Essas palavras o atingiram como um ônibus em alta velocidade, estilhaçando toda sua alegria em pequenos pedaços de mágoa. Sua lucidez foi esmagada em uma simples frase. “Eu te despeço”. Victor não escuta nada, somente essa frase, que repete de forma assombrosa.
- Eu entendo. – Diz sem pensar, e levanta da cadeira.
- Amanhã nos acertamos.
“Acerto uma serra no seu pescoço”. Ele sentiu uma vontade tremenda de falar isso. Não teve coragem. A escola, os colegas, os alunos. Isso era sua vida. Isso era sua alegria. E caramba, seu salário era ótimo. Agora ele está desempregado e sem rumo. Tudo bem que o governo oferece o seguro desemprego. Se não fosse esse auxílio, ele estava perdido. Pelo menos o governo é bom. Mas isso não interessa, pois, para ele, trabalhar é bom. Ficar sem fazer nada é horrível. Qual será o sentido da vida no dia em que não precisarmos fazer nada? Trabalhar muito é sinônimo de saúde e capacidade. “O que Jordana irá pensar dele?” Pensa. A reação dela é imprevisível devido ao transtorno.
Ele sai desnorteado pela porta da escola. De manhã, foi difícil estacionar. Teve que colocar seu carro a dois quarteirões. Agora, todo mundo resolveu sumir e a rua está deserta. Está chuviscando. Ele começa a andar. A escuridão da cidade não incomoda. Nada o incomoda mais do que a perda do emprego. Andando pela rua, Victor começa a refletir sobre o seu trabalho. Tudo era tão bom. Na verdade, quase tudo. A família sempre era deixada para traz. Se o perguntarem quantos momentos marcantes passou com Luís, a resposta será sempre a mesma. Nenhum. A rotina era sempre a mesma. Levantar cedo, ir para a escola, trabalhar no turno da manhã, almoçar em um restaurante próximo do trabalho, dobrar no turno da tarde. Voltar para casa e começar a elaborar atividades e a corrigir avaliações até 22h. Depois dormia. Isso se repetia praticamente todos os dias, com uma mudança ou outra. Não havia tempo para levar Jordana ao hospital para tomar quimioterapia. Quem fazia isso era Alan. Se ele pudesse voltar no tempo faria tudo diferente. Trabalhou e se esforçou muito, mas, ao fim, foi demitido.
De repente, seus pensamentos são interrompidos com uma buzina alta. Ele se assusta. A adrenalina é liberada pelo corpo. Sua pupila dilata. Sua pele empalidece. Seus músculos contraem. Seus batimentos cardíacos aceleram. Com a visão aguçada, olha para o lado direito do cruzamento e vê um caminhão em alta velocidade.
- Jesus! – Grita.
O caminhão, com um farol alto, bate em um sinal do outro lado da rua, derrubando-o, então começa a vir em sua direção. Ele vem e bate em um poste ao seu lado. Então para. O caminhoneiro desmaia. Tzzz. Victor escuta o barulho de fios elétricos se rompendo. Eles começam a cair em sua direção, junto com o poste rompido, curvando-se lentamente. Olha para seu lado esquerdo. Um muro. Olha para seu lado direito. Um caminhão. Olha para frente. Um poste caindo. Então, decide que o caminho mais adequado para a fuga é andar para trás, apesar de vários fios caídos e dependurados. Se ele encostasse, morreria eletrocutado. Não há tempo de pensar. O poste está caindo rapidamente. Portanto, se agacha. Arrasta-se no chão para sair da área de risco. Seu tênis do pé direito agarra em um prego, então o tira com o outro. Vendo que jáa conseguiu passar debaixo dos fios, se levanta e corre. O poste cai. Muitos fios encostam-se ao caminhão e nas pequenas poças d’águas formadas pelo chuvisco. O fogo começa a incendiar a região.
- Socorro, ajudem! Tem um homem alí dentro! – Grita Victor.
No momento, a atenção de dois homens, um negro e um branco, que estavam andando pela rua é roubada. Eles escutam os gritos e enxergam o incêndio. Correm em direção a Victor, e o branco pergunta à ele:
- O que está acontecendo?
- Tem um homem preso no caminhão! Ele está desmaiado!
- Vamos ajudar. – O negro diz. Então começam a correr.
- Não vão! O caminhão pode explodir!
- Que se dane. – O homem branco diz.
Eles vão em direção ao caminhão e tentam abrir a porta, mas não conseguem. Ela não abre de forma alguma. O fogo está cada vez mais perto do caminhoneiro. O caminhão começa a incendiar. Percebendo o risco de explosão, o negro se afasta e diz:
- Vem. Não dá mais.
O branco persiste e quebra o vidro da porta. Puxa o caminhoneiro pelo braço e consegue retirá-lo do automóvel.
- Consegui! – Diz.
Essas palavras foram em vão. Quando pensa em correr com o homem no braço, não percebe que seu sapado está preso em um prego. Com um sorriso no rosto, o caminhão explode. O negro, perto de Victor, diz:
- Porra!
Incendiando no fogo, o corpo do homem que ajudou é empurrado ao chão pela explosão e arrasta dez metros pelo asfalto. O que estava sendo ajudado então acorda do desmaio. Acorda para morrer. Sendo carbonizado, é lançado em direção ao semáforo que foi meio derrubado por ele mesmo. Sua cabeça, com a pele derretida, amassa. Victor está muito assustado. O homem negro também. Os outros dois estão mortos e jogados. Jogados como lixo.
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