A Cura
5 Capítulo 5 - Exame seguro, alegria azul
Final do Capítulo 4:
– E você já sabia disso? Por que não nos avisou? Ela corre perigo. – Diz Alan.
- Deixe de ser superficial e caia na realidade. Ela pulou antes do helicóptero atingir a torre, mas quando caiu no chão, o helicóptero já havia a atingido. Disso eu já sabia. O que você não pode é ficar me interrogando. Vamos lá sim. – Conclui Jordana calmamente.
Os primos vão ao hospital e sobem no elevador até o décimo quarto andar. Eles se encontram com Paulo.
- Alice, onde está ela?! – Grita Alan.
- Está fazendo ressonância. – Responde Paulo.
- Onde?
- No quarto 1401, do outro lado do prédio.
- Achamos que ela é a próxima.
- Você está zoando, né?
Ambos começam a andar rapidamente pelo corredor do hospital. Enquanto isso, Alice está deitada em uma parte da máquina de MRI, prestes a fazer o exame. O médico que a examinará coloca uma espécie de grandes tampões de ouvido nela, e aperta alguns botões.
- Isso é seguro, doutor? – Pergunta a jovem.
- Claro que sim. Não se preocupe. É bem tranquilo.
- Não sei não, ein, esses lugares fechados me dão medo.
- Pode ficar tranquila.
- A radiação não é perigosa não?
- Relaxe, vai ser rápido. Eu só vou apertar alguns botões, e você será levada para lá. É como uma caverninha! É só não mexer, que o resto do trabalho é todo feito por mim.
Quando a moça, deitada, começa a ser levada para dentro da máquina, o médico se levanta e engasga com sua saliva. No mesmo instante, ele escorrega, bate a cabeça na parede do quarto do hospital, desmaiando. Alice, presa no interior da máquina de ressonância, escuta o barulho do homem caindo, mas não consegue sair, então chama por ajuda.
- Doutor? Você está bem? – Pergunta, mas não ouve resposta, então continua – Tem alguém aí?
Sem mexer a cabeça, a única coisa que consegue ver é uma luz azul acima de sua cabeça ficando cada vez mais forte e quente. Por maior que seja a força com que ela feche os olhos, sente que está ficando cega. Coloca sua mão na luz para tampá-la, mas parte de sua pele se queima. Começa a gritar.
- Socorro, Socorro! Alguém me ajude, me tira daqui!
Seria fácil sair de lá se ela enxergasse alguma coisa. Começa a dar socos e chutes cada vez mais fortes na parte interna da máquina para tentar sair. Sem enxergar nada, sente que sua mão está sangrando, e percebe que conseguiu quebrar alguma coisa, mas ainda está presa. Sua ação não ajudou em nada. Gás hidrogênio e hélio começam a escapar dos buracos que ela fez e tomar conta da atmosfera do quarto. A jovem começa a ficar com falta de ar, e a máquina começa a dar grandes estalos e ficar muito quente. Alice precisa sair dali antes que aquilo exploda e a mate de vez, mas não consegue. Depois dos estalos, pequenas explosões começam a ocorrer em várias partes específicas da máquina. Elas atingem suas pernas, suas costas e seus braços. A dor é imensa. Sente a dor da carne exposta e de seu sangue escorrendo, enquanto também sente que seu corpo está apodrecendo por dentro devido à radiação. Seu rosto está roxo e seus olhos rubros. Já está difícil aguentar, mas pior seria se ela desistisse. Aguentando a dor, escuta passos rápidos e a porta se abrindo. Alan, Jordana e Paulo entram correndo no quarto.
- Alice! – Grita Paulo
- Ai meu Deus, tira ela, rápido! – Jordana diz desesperadamente.
- Me tirem daqui! – Grita Alice, chorando, agonizada, sem alguma força.
A luz no interior do aparelho que estava azul, agora está branca e mais forte. A fumaça se intensifica. Os estalos ficam mais altos. Sem haver tempo para tirá-la de lá, Jovem, Alice não aguenta a dor. Apenas escuta um alto barulho e sente seus órgãos internos rasgando, seus pulmões comprimindo, e sua pele queimando. Fecha os olhos. As células começam a morrer. Seus membros corporais se separam e as massas de fogo e fumaça consomem sua vida. A máquina explodiu, destruindo quase todo o quarto. Pedaços de carne humana voam para todos os lados, e Paulo, que estava mais perto do foco explosivo, teve graves queimaduras por toda parte do corpo. O médico, que estava desmaiado no chão, morreu com a explosão.
- Nãããããããão! – Grita Jordana, desesperada.
- Oh não! Paulo, você está bem aí? Chamem os médicos! Socorro, alguém nos ajude! – Grita Alan.
A mídia é instantânea. A terceira sobrevivente faleceu. Com exclusividade, o Canal 6 passa a cobertura completa do caso, e, no mesmo instante, a casa de Diana fica rodeada de repórteres. Para ter paz, decide dar entrevistas nos jardins de sua mansão. Ela desce, e, como sempre, a primeira repórter a chegar na frente é Maria, que começa a falar para a câmera
— Pelo visto, o caso Yin Yang passou de coincidência para o sobrenatural. Estamos aqui na casa da atriz Diana Myers, uma das pessoas que desceram da torre poucos minutos antes do acidente, e todos estamos preocupados. Diana, já se foi a terceira sobrevivente, Alice, que também morreu de forma brusca. O que era pra ser um simples exame de ressonância magnética se tornou em uma fatalidade. Você acha que corre perigo?
- Eu estava tranquila e despreocupada até esse acontecimento, mas agora estou com muito medo.
- O que você vai fazer a respeito?
- Eu contratei dois seguranças 24h, que estarão ao meu lado durante toda a parte do dia, me seguindo e me protegendo dos perigos. Mas eu estou realmente aterrorizada.
- Independente de proteção ou não, você pode estar correndo perigo. Alice estava com um médico no quarto do hospital, e mesmo assim, os dois faleceram. Um amigo que tentou salvá-la está internado devido à queimaduras.
- Eu realmente não sei o que posso fazer. – Diz a atriz, chorando.
- Você acha que é a próxima a morrer?
- Muitas pessoas desceram comigo. Eu queria encontrar com todas elas, pois somente elas podem me ajudar. Não tenho mais nada a declarar, estou exausta.
Diana Myers entra para sua casa e dorme. Na manhã seguinte, pede para seu secretário ligar para os outros sobreviventes. Todos concordam com um encontro, e se encontram na casa da celebridade. Chegam Jordana, Victor, Alan e Robert. Eles sentam nos sofás luxuosos da sala de estar e começam a conversar.
- Vocês que não estavam comigo e com a Jordana, eu vou falar. As mortes seguem uma ordem cronológica – Diz Alan.
- As pessoas estão morrendo exatamente na mesma ordem em que morreriam no acidente da torre. – Completa Jordana.
- Você quis dizer que, na torre, primeiro morreria seu filho, depois sua irmã, depois a Alice? – Pergunta Diana.
- Exatamente... É algo muito macabro. Eu me lembro de exatamente tudo que ocorreu na visão. Uma lembrança terrível.
- E você pode falar quem morria depois da Alice?
- Bem... Eu vi que o helicóptero atingiu você e o Paulo, e ouvi terríveis estalos de ossos quebrando. Vocês foram arremessados pro chão
-Oh não, que terrível! Mas quem, eu, ou o Paulo, morreu primeiro?
- Não vi. Eu ainda estava no alto da torre.
- Eu não quero morrer tão cedo... Estou com medo.
- Temos que ficar em alerta – Completa Victor -, nós só não estamos com Paulo porque o hospital não permite visitantes no estado em que ele tá.
- Eu sei que pode custar caro, — Diz Alan -, mas nós temos que ficar todos juntos. Esses dois seguranças que você contratou não vão ajudar em nada. Nós cinco temos que nos proteger.
- Não há uma maneira de acabar com isso? – Pergunta Diana.
- Pesquisei a respeito na internet e não encontrei nenhum caso semelhante. Quando pesquisei por visões, premonições, a única coisa que encontrei foi o conceito propriamente dito. Mas numa página que entrei sem querer, achei umas traduções de hieróglifos de estudos de medicina egípcios. – Responde o escritor.
- E o que eles diziam?
- O primeiro dizia que o “plano inicial seria cumprido a qualquer custo”.
- Isso pode se referir à morte. – Exclama Robert, que até então estava calado.
- Bem, sim. O segundo falava que “a besta que causou a doença, acabará com ela, por mais interminável e incurável que ela seja”.
- Mas... Já que temos que ficar juntos, para onde vamos?
- Vamos para minha casa, que fica mais perto do hospital onde Paulo tá. Assim, ficaremos mais em alerta. Agente tem que acabar com isso logo.
Notas finais
http://www.youtube.com/watch?v=KRfp7qS9Db0
Obrigado por lerem!
Fale com o autor