A Culpa é do Destino
2 Capítulo 2 - Entrando na Augustuslândia aos poucos.
Notas iniciais
— Nunca se sabe... — rimos — Mas aceito sua carona.
— Então vamos? — ele me disse, indo em direção ao carro um pouco... velho.
— É seu carro? — perguntei.
— É. — ele riu — Bem, não é o carro do sonhos de alguém, mas eu posso te garantir que não vai acontecer nada, em relação ao carro. Eu dei uma risada e entrei no carro.
— É bem confortável, até deixa a má aparência de lado. — me sentei no banco do passageiro, e Augustus do meu lado. Eu deveria avisar para minha mãe sobre a carona dele, sobre ele estar me levando para casa, e bem... sobre ele.
— Então, Hazel Grace, onde você mora?
— Ahhh.. Eu moro na... — antes que eu pudesse terminar de responder, ele me interrompeu.
— Tive uma ideia melhor. Levo você até a minha. — ele deu um sorriso de orelha a orelha.
— Não vá se animando, Augustus Waters — dei uma de difícil — Eu não lhe disse se aceito seu convite ou não.
— Por favor, vai! — ele me falou, fazendo uma carinha de cachorrinho. Ah meu Deus, como Augustus Waters é lindo!
— Tá. — respondi — Só porque você pediu...
— Eu sei que você adoraria ir para minha casa.
— Bobo.
Então fomos para casa dele... Aí está a prova viva de que a frase: "Ninguém é perfeito" é real. Augustus Waters sabe ser lindo, sabe convidar uma garota para sua casa, e sabe fazer piadinhas que às vezes são até desnecessárias, mas de dirigir não entende nada. Ahhhh... Quando achei que estava ficando com um cara perfeito, e que nós iríamos nos casar e ter 500 filhos na nossa casa de ouro em Paris! Chegamos até a casa dele.
— Chegamos. — falei.
— Sim. — ele fez cara de desconfiado — Como você sabe que chegamos?
— Eu moro ali. — disse apontado para uma casa pequena, porém arrumada.
— Ah, é? — ele olhou para minha casa — Eu moro aqui.
— Ah.. — olhei em volta. Somos vizinhos mesmo? Eu sou vizinha de Augustus Waters, um cara bonitão, maior de idade, que ainda está no ensino médio? — Então somos vizinhos?
— Se sua definição para "vizinho" for morarmos lado à lado, bom, tecnicamente somos vizinhos. — adorava quando ele fazia suas piadinhas sem graça... — Vamos entrar?
— Pode esperar um minuto? — falei — Não dei notícias para minha mãe, e ela acharia que voltaria com Kaitlyn e sua mãe para casa.
— Ah, claro.
Ele saiu do carro, e fechou a porta. Ficou encostado no carro, me olhando até minha casa. Entrei, e só escutava gritos de minha mãe com coisas do tipo: "VOCÊ ESTÁ BEM?", "ONDE VOCÊ ESTAVA?". Somente bufava.
— Mãe! — gritei — Eu estou bem. Estava no colégio, e um amigo me trouxe.
— Colégio? Amigo? — ela perguntou, parecendo surpresa com o que eu havia dito — Ahhh, que bom minha filha. — ela começou a dar um monte de abraços e beijos e mim.
— É mãe. — falei num tom deprimido — Colégio, amigo. Ou melhor, Augustus. Ele é nosso vizinho, e está me esperando lá fora. Vai me apresentar a família e casa dele. Beijo. Ah, e não, não aconteceu nada de ruim com os meus pulmões hoje. Tchau! — dei um beijo nela. Acho que ela não havia gostado muito da ideia de eu sair com um cara que havia acabado de conhecer, e também ido para a casa dele. Mas fui do mesmo jeito.
Saí de casa e Augustus estava me esperando.
— E aí, é pra hoje, Hazel Grace? — ele gritou do outro lado da calçada, ainda encostado em seu carro.
— Claro que sim! — falei indo em direção à ele. Entramos em sua casa, era quase do tamanho da minha. Havia um corredor enorme cheio de quadros nas paredes, mas resolvi não perguntar. A mãe de Gus estava provavelmente fazendo o almoço, pois um aroma delicioso estava vindo da cozinha, mas não vi seu pai.
— Oi, mãe! Esta é a Hazel Grace, do colégio. — Augustus falou para sua mãe, me apresentando.
— Olá, Hazel Grace. — ela disse para mim, e sorriu.
— Pode me chamar só de Hazel, Augustus que me insiste em chamar pelos dois nomes. — sorri de volta.
— Tudo bem. Vai ficar para o almoço?
— Ah, tudo bem, se você está pedindo. — dei um sorriso para a mãe de Gus, e fui para o quarto dele. Ok, ok, a minha casa era do tamanho dele e tudo mais, mas o quarto parecia um santuário! Era enorme e tinham videogames, um computador, uma cama que aparentemente era maior do que a minha... Um verdadeiro santuário.
— Este aqui é o planeta de Augustuslândia. — mais uma piadinha boba e sem graça de Augustus. Mas eu ri.
— Augustuslândia? É um tipo de remédio para câncer? — zombei.
— Tipo isso. — ele respondeu — Bom, pensando bem, não necessariamente isso. Mas aqui já estiveram presentes alguns remédios para câncer. — ri novamente.
— Ah, Gus. — sentei e suspirei — É mais fácil zombar de uma doença quando você tem a doença, né?
— Pensando bem, é sim. — rimos e ficamos 5 segundos nos olhando, até ele falar outra coisa, é claro, Augustus Tagarela Waters... — Do que você gosta de fazer, Hazel Grace?
— É só Hazel. — falei. Não que eu não gostasse do jeito que ele falava os meus dois nomes, era super sensual e formal, mas acho que já éramos amigos para ele me chamar só pelo primeiro nome.
— Prefiro os dois. — ele retrucou — Mas tudo bem, só dessa vez. Do que você gosta de fazer, Hazel? — falou. E depois sussurrou: — Grace.
— Gus! — falei rindo e joguei uma almofada nele. — Só Hazel. E a só Hazel gosta de ler livros, assistir realitys shows à tarde e depois dormir conectada à um aparelho. E você, só Augustus? — ele riu.
— Só Augustus gosta de zumbis, videogames, e de videogames com zumbis.
— Nossa, como a vida do só Augustus é chata né... — falei ironizando. Ele riu e respondeu "muito chata". Mas antes que pudéssemos continuar o começo de uma longa conversa, a sra. Waters nos chamou para o almoço. Ela tinha feito um bife com salada, mas havia esquecido de avisar de que eu não como carne, então comi só a salada mesmo. Tivemos uma demorada e chata conversa com a mãe do Gus sobre meu diagnóstico, o que eu faço no meu dia à dia, quem eu sou e etc, esse tipo de coisa que uma pessoa pergunta para outra. Augustus parecia entendiado e me pediu para que assistisse um filme com ele, e eu aceitei. Confesso que não foi nada legal, pelo visto Augustus Waters é viciado em zumbis, e me convidou para assistir um filme só deles, e o filme passou mais devagar do que a conversa com sua mãe.
— Gus, o filme tá muito chato. — falei. Acho que esse já era o meio do filme.
— Chato, Hazel Grace? — ele falou, parecendo imitar uma pessoa desesperada — Você chama um filme cheio de zumbis, ação e sangue de "chato"?
— Você realmente gosta de zumbis. — ri. — Acho que já é hora de eu ir para casa, e você não vai querer ir para lá, tenha certeza.
— E por que acha isto?
— Minha mãe. — me espreguicei — Ela vai começar a perguntar como estou, se estou bem, se doeu alguma coisa, vai perguntar se eu estou com fome, e se eu disser não, vai falar que estou adoecendo. É, ela tá meio maluquinha, mas as mães são assim.
— E como são. — ele riu. — Bom, então eu te levo até a porta.
— Obrigada. — falei e fomos. Gus me levou até a porta e ficou me observando mais uma vez até eu chegar na porta de minha casa. Entrei, e pude ver pela janela que ele ainda ficou observando, mas com um sorriso maior no rosto. Sorri também. Mas, para acabar com essa felicidade toda, minha mãe saiu do quarto toda endoidada, cheia de perguntas.
— Filha, onde você estava? Eu nem sei quem é esse tal de Augustus... Vai que ele estava querendo se aproveitar de você? Ah meu Deus, nem pense nisso Sara, nem pense. Ah, você está bem? Sentiu alguma dor?
— Estava com o Augustus sim, mãe. Ele é um cara bem legal e super gente boa. Ah, estou bem. E antes que você me pergunte uma ficha completa, vou dizer resumidamente para você: Alto, moreno, bonito. 18 anos, estuda comigo. Mais alguma coisa?
— 18 anos e estuda com você? Hazel, esse não é o tipo de cara que pais gostariam que sua pobre garotinha de 16 trouxesse para casa, e nem fosse para a dele. Você sabe o que este garoto está falando para você? Podem ser mentiras, talvez, quem sabe! Ou também ele pode querer se aproveitar de você por causa da sua doença? Vai saber, existem tantos loucos por aí... — minha mãe falou, ela parecia realmente estar preocupada.
— Não mãe, não é nada disso. — falei me sentando no sofá, eu já estava cansada — Augustus Waters está com essa idade no colégio pelo mesmo motivo que eu. — aqueles palavras pareceram aliviantes para ela — Ele também voltou à estudar recentemente por conta do câncer, mamãe.
— Câncer? Ah. Então Augustus Waters tem câncer? — ela falou — Já apresentou o Grupo de Apoio para ele? Pode ser bem legal. — ela sorriu.
— Quer deprimir o garoto também? — ri, mas ela não gostou do comentário — Estou brincando! E ele já conhece o Grupo. Vou convidá-lo para ir comigo no final de semana, ok?
— Ok! É... você já comeu alguma coisa?
— Comi na casa do Augustus, mãe. — bufei.
— Isso eu já poderia imaginar. Eu quis dizer na escola. — ela me olhou mais profundamente, e percebeu que a resposta era um não — Hazel, você está se alimentando direito, não está?
— Mãe, eu não comi na escola não. Eu não estava com fome e... ah, não sei. Só não estava com fome. E "me alimentei direito" — imitei a voz dela — na casa do Gus. Agora eu vou para o meu quarto, tomar um banho. — falei e já me via subindo escadas.
Subi e fui tomar um banho. Como não iria para lugar nenhum, coloquei uma camiseta normal e uma calça jeans. Penteei meus "longos" cabelos e fiquei o resto da tarde assistindo à TV com minha mãe. Foi chato, muito chato. Mais chato do que a conversa com a mãe do Gus, e mais chato do que o filme com zumbis do Gus. Agora tudo o que eu penso está envolvendo o Gus. Gus. Gus. Gus. Gus. Gus... Fiquei perdida em tantos pensamentos com Gus que me esqueci de ligar para Kaitlyn. Liguei o celular e vi "20 ligações perdidas de Kai". Eita menina desesperada... Por que não tentou ligar para minha mãe? Liguei para ela:
— Oi!
— AMIGA DO CÉU, VOCÊ TÁ BEM?
— Aham, tô ótima. E para de gritar porque não sou surda.
— Ah, ok. Mas enfim, onde você tava? Fui embora do colégio com a minha mãe porque havia esquecido que você iria vir com a gente.
— Ah tá, que isso! Vim com o Augustus Waters.
— Com o Gus? Aí sim, tá virando pegadora.
— Pegadora nada! — ri — E somos só amigos.
— Só amigos?
— É! Só almocei na casa desse e assistimos um filme super entediante sobre zumbis.
— Aham, sei!
— É isso mesmo.
— Vou fingir que acredito. Amiga, agora tenho que sair, vou dar uma passada no shopping com a minha mãe agora, beijo.
— Beijo.
Ela desligou. Já eram mais ou menos sete horas da noite, e deduzi que daqui à alguns minutos, minha mãe iria entrar no quarto falando que era o horário dos remédios...
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