A Culpa é Minha e das Metáforas

14 Capítulo 14 - Alguns Efeitos duram mais do que Outros


Notas iniciais
Bom pessoal, e agora começa a batalha. Me desculpem se esse capítulo não foi o esperado mas está sendo duro narrar essa fase que o Gus está entrando. Bom, espero que aprovem.

Cheguei em casa exatamente às cinco horas da tarde, passei algumas horas reclamando da vida com Isaac, estava com uma tremenda vontade de ligar para a Hazel mas eu não quero parecer aqueles caras bobos que ligam de cinco em cinco minutos ( não que me falta vontade). No fim de tarde enquanto assistia V de Vingança minha mãe bateu na porta do meu quarto/porão, levantei-me e abri.

– Filho a mãe da Hazel me ligou e estamos combinando tudo. – disse mamãe.

– Tudo o que? – perguntei.

– As necessidades da Hazel, o que ela vai precisar...

– Pensei que ela iria junto.

– Mas ela vai. – disse minha mãe – Não acharia que iriam apenas vocês dois não é?

– É claro, nunca deixem a Hazel e eu a sós se não posso agarrá-la e fazer loucuras. – brinquei.

– Você realmente é um cara de pau querido. – disse mamãe.

– São apenas meu hormônios agitados minha querida.

Estava deitado olhando para o teto ouvindo The Hectic Glow e tendo leves devaneios, por exemplo todas as minhas conversas com a Hazel Grace e todas as minhas tentativas de parecer um cara sexy e atraente, mas eu acho que essas tentativas só me deixam parecer mais bobo do que o normal. O celular estava em cima do meu peito e começou a vibrar. Era uma mensagem, e adivinha de quem? Hazel Grace.

Abri a mensagem e li:

Oi, então tá, eu não sei se você vai entender isso, mas não posso beijar você nem nada. Não que você tenha necessariamente tido vontade de fazer isso, mas não posso.
Quando tento olhar para você desse jeito, tudo o que vejo são as coisas pelas quais vou fazer você passar. Isso talvez não faça sentido para você.
De qualquer forma, sinto muito.

Fiquei lendo a mensagem repetidamente e dizendo pra mim mesmo porque Hazel Grace me magoaria se ela de fato está fazendo da minha vida a mais feliz, e me fazendo sentir o cara mais sortudo. De qualquer forma aprecio aquele jeito deliciosamente protetor da Hazel Grace, segundos depois respondi a mensagem com o meu mais profundo fetiche:

– O.k.

Segundos depois ela respondeu:

– O.k.–– só pra me provocar e atiçar. Não conseguindo controlar meus hormônios inquietos respondi:

– Ai, meu Deus pare de flertar comigo!

Então a mesma mandou sua resposta:

O.k.

Então momentos depois mandei a minha mensagem:

Eu estava brincando, Hazel Grace. Eu entendo. (Mas nós dois sabemos que o.k. é uma expressão bastante "paquerativa". Ela está CARREGADA de sensualidade.)

Instantes depois ela me respondeu:

Foi mal.

Depois disso voltei a ouvir The Hectic Glow e pensar na Hazel Grace, creio que desde o episódio Caroline Mathers ela anda pensativa, tentando se afastar de mim. Tem medo de morrer e me deixar devastado como aconteceu com a Caroline, mas eu lhe digo uma coisa meu velho, quando eu me apaixono sou uma pessoa terrivelmente irritante, e sei muito bem como fazer um pequeno inferno. Não eu não vou desistir.

**

Acordei exatamente às cinco horas da manhã, estava apertado. Coloquei a prótese e fui ao banheiro. A dor no quadril voltou intensamente, parecia que Jason passava a cerra elétrica no meu tronco, caí no chão e comecei a gritar pela minha mãe. A dor latejava, cortava, explodia, minha visão ficava escura e apenas vi a imagem do meu pai me levantando e me carregando até o carro, minha e minha mãe aos prantos. Desmaiei.

Acordei deitado no banco de trás do carro, a dor ainda não havia parado, eu me desesperei e comecei a dizer:

– Esse maldito voltou na melhor parte da minha vida pra estragar tudo.

Minha mãe olhou para trás com o rosto encharcado e ficou dizendo:

– Tudo vai ficar bem meu querido.

– Não, não vai! Vou morrer, vou morrer na melhor parte da minha vida! – gritei – Ele já levou minha perna e agora vai levar toda a minha felicidade! Não aguento. — disse cerrando os dentes de tanta dor.

Eu estava irado em pensar que morreria naquele momento.

Assim que chegamos minha mãe saiu do carro correndo pedir ajuda, um médico alto me colocou em uma cadeira de rodas e me levou diretamente para um oncologista. Enquanto me levavam para o oncologista fiquei pensando quanto o azar gostava de mim, e como eu teria perdido a batalha rapidamente, e que em breve seria mais um enfeite na sala de estar do Anjo da Morte, ou apenas pó, um pó que será levado pelo vento. Fiquei pensando se a morte iria doer, ou se simplesmente cairia em um sono eterno, ou se Jesus me buscaria para fazer parte do seu rebanho ou se simplesmente iria apagar como uma televisão queimada sem concerto. Se acordaria no céu deitado em uma cama de nuvem macia, vestindo uma túnica e tocando harpa. E a última coisa que pensei foi na possibilidade de ficar vivo por mais alguns meses.

Entramos na sala do Dr. Joseph, meu pai ficou do lado de fora e minha mãe entrou comigo.

– Como se sente Augustus Waters? – perguntou.

– Você está se referindo ao fato de estar morrendo? Ótimo amigão. – respondi.

Minha mãe ficou quieta e o médico me olhou com uma cara tipo “vou dar um desconto, poxa, ele está morrendo”.

– Sua mãe disse que faz um ano que teve Osteossarcoma. – disse Dr. Joseph.

– Sim eu tenho esse câncer às vezes. – brinquei.

– Augustus, pode levar as coisas a sério! – disse mamãe.

Fiquei quieto, a dor havia voltado, ela ia e vinha como um balanço. O Dr. Joseph falava umas baboseiras que eu não estava entendendo pois a dor começou a ficar mais forte a cada segundo, me contraí de dor, ele abriu a porta e gritou pela equipe médica. Alguns enfermeiros entraram na sala e um deles me injetou algum tipo de calmante que me fez desmaiar e a última palavra que ouvi foi:

– Vamos levá-lo para a tomografia.

*

Acordei em um quarto de hospital, tudo era branco, como a Clinica onde Isaac estava internado, percebi que a minha mãe estava sentada em uma cadeira ao lado da cama.

– Deus, é você? – perguntei brincando.

Minha mãe olhou para mim e sorriu.

– Não pensou que iria morrer antes de te infernizar um pouco não é? – perguntei.

Minha mãe sorriu novamente, beijou minha testa, lágrimas começaram a brotar dos olhos dela e caíram sobre o lençol.

– Mãe o que houve? – perguntei.

Minha mãe começou a chorar pra valer, tentei fazer força para levantar mas não consegui. Novamente perguntei:

– Mãe o que aconteceu?

Quando minha mãe ia falar o Dr. Joseph entrou na sala com uma cara péssima e disse:

– Temos que levá-lo a tomografia agora.

Minha mãe concordou com a cabeça. A mesma ainda chorava, os enfermeiros me sentaram na cadeira de rodas e me levaram para a tomografia. Quando chegamos, me levantaram da cadeira de rodas e me deitaram na mesa, foi quando tinha notado que estava com aquelas aventais constrangedoras que deixam suas nádegas a mostra. Como todos estavam com uma cara de enterro quebrei o gelo:

– Não me diga que um desses enfermeiros me viram pelado, quem me trocou?

O médico sorriu e disse:

– Não se preocupe foi uma enfermeira e bem bonita.

Depois disso ligaram a máquina e fui puxado para dentro daquele “circulo terrível”, que mais parecia uma rosquinha.

**

O resultado do procedimento é rápido, depois da tomografia fui para o mesmo quarto em que estava antes. Minha dor já havia passado, estava deitado na cama, batucando as mãos na minha barriga e cantarolando uma música do The Smiths. Minha mãe tinha ido ao banheiro e meu pai estava conversando com o médico. Fazia exatamente oito horas que estava naquele hospital e não estava agüentando mais pedir ajuda para ir ao banheiro.

Dr. Joseph mais dois médicos, meu pai e a minha mãe entraram no quarto, mamãe e papai estavam chorando, o médico segurava um envelope, logo deduzi ser o resultado da tomografia. Também deduzi o porquê do choro dos meus pais.

Peter, eu te digo uma coisa, todos nós sabemos que vamos morrer, que vai viver apenas mais dois meses é terrível, ficar esperando a morte chegar é como esperar a estréia de um filme ou o resultado de uma prova, só que pior. É uma ansiedade horrível. Bom, só para confirmar o que eu estava pensando perguntei ao médico o que estava acontecendo.

Ele olhou para mim e em seguida olhou para o chão, segundos depois começou a falar:

– Augustus, pensamos que você estava SEC mas...

– O câncer deu um jeito de voltar e acabar com o resto de mim.

O médico ficou quieto, minha mãe e meu pai choravam e os outros dois médicos me olhavam com pena.

– Vamos te recomendar a quimioterapia. – disse o médico.

– Pra eu conseguir alguns minutos de vida a mais? – perguntei.

– Sim. – admitiu o médico.

Foi instantâneo, comecei a chorar. A morte não aceitou muito a minha felicidade e decidiu estragar um pouco me matando, chorei sim por ter que ver meus pais sofrendo, deve ser duro saber que seu filho com 17 anos de idade tem apenas mais dois ou três meses de vida. Chorei porque vou ter que deixar aqueles que realmente amo, Hazel , Isaac, meus país minhas irmãs, O preço do Alvorecer, Max Mayhem, e por incrível que parece Uma aflição Imperial.

Limpei minhas lágrimas com o lençol, e em seguida pedi ao Dr. Joseph:

– Posso pelo menos ver a Tomografia?

Ele me entregou o envelope, eu o abri e segurei a prova em minhas mãos, da cintura para cima parecia uma árvore de natal.

O Osteossarcoma havia voltado.

De fato somos efeitos colaterais, só que alguns filhos da mãe vivem mais do que outros filhos da mãe.

Notas finais
Bom pessoal, vou começar a me dedicar por inteiro a essa fic. Obrigada pelo apoio pessoal.