Notas iniciais
Oiii gente! Espero que gostem!! (:

* Split Screen Sadness - John Mayer

“All you need is love is a lie cause

We had love but we still said goodbye

Now we're tired, battered fighters

And it stings when it nobody's fault

Cause there's nothing to blame at the drop of your name

It's only the air you took and the breath you left”



Quando Rachel chegou ao McKinley naquela manhã, não sabia o que esperar de sua conversa com Finn. O que ele poderia sugerir ou qualquer coisa do tipo. Ela estava apreensiva. Caminhou pelos corredores vazios lembrando-se dos momentos que tivera ali com o rapaz... E com Quinn. “São tempos difíceis”, ele dissera na mensagem. Era verdade.



~~*****~~

– Oi! – Sussurrou.

Ele virou devagar e olhou em seus olhos antes de responder:

– Oi!

Rachel aproximou-se um pouco mais. Olhando nos olhos dele, ela sentia tanta dor. Sentia a dor de ambos. Sentia sua culpa, ainda que não se arrependesse. E ao se dar conta da ausência de arrependimento, sentia medo. A confissão do que havia feito estava na ponta de sua língua e ela poderia gritar numa tentativa de se livrar daquele nó em sua garganta. Mas faltou coragem, faltou aquela coisa que Rachel Berry possuía dentro de si, mas que no momento, estava tão bem escondida que ela não conseguiria achar. Além do mais, ele tinha algo a dizer. Seria bom que começasse com o assunto.

– Eu fico repassando os últimos dias na minha cabeça o tempo inteiro... Tentando entender em que momento a gente se desentendeu. Eu só... Sinto como se estivéssemos longe sabe? Quer dizer, você está bem aqui, mas é como se eu não conseguisse te alcançar... – Seu tom de voz era carregado de tristeza e ele gesticulava, como se aquilo pudesse reforçar seu ponto de vista. Rachel apenas observava com uma expressão inconsolável. – Como se tivesse um abismo ou algo do tipo... – Ele olhava nos olhos da garota que tanto amava com uma dor que nunca tinha sentido antes. – É uma droga essa sensação de não alcançar a pessoa que você ama...

– Finn, eu... – Ela tentou começar.

– Espera! – Ele balançou a cabeça, fechando os olhos. Abriu novamente. – Eu preciso continuar... Rach, essa é a coisa mais difícil que eu já fiz. E eu preciso de uma coragem que eu não sei se tenho... Eu preciso de muito mais coragem do que precisei quando beijei você aqui ou quando te pedi em casamento... – Respirou fundo. – Eu estou terminando com você! – Os olhos começaram a lacrimejar e ele engoliu com dificuldade.

Rachel soltou um longo suspiro e fechou os olhos, prestes a chorar também. Sentia um nó ainda maior na garganta e respirava com dificuldade. Colocou a mão direita no peito e embora tivesse escutado cada palavra, não tinha certeza se aquilo realmente estava acontecendo. Ela poderia pensar em inúmeras formas de responder. Mas a verdade é que não havia nada a ser dito ou questionado. Os dois sabiam que algo estava se rompendo ali. Ela sabia que tinha errado e se sentia a pior pessoa do mundo. Finn sentia o mesmo. O que ela poderia cobrar dele ou vice-versa? Ambos se sentiam culpados, mas talvez a culpa não fosse de ninguém. Talvez fosse dos dois. Não faria diferença. Rachel tampou os olhos com as duas mãos e começou a chorar. Não se conteve e nem tinha por que. Não na frente dele. Não quando ela era uma pessoa sensível e que fazia questão de sentir as coisas. Precisava daquilo, daquele momento. Tudo estava confuso e suas certezas caíam por água abaixo. Perdiam-se no emaranhado de sentimentos que ela não conseguia controlar. Era mesmo possível gostar de duas pessoas ao mesmo tempo? Ou desejar uma segunda pessoa quando realmente se ama a primeira? Se era apenas desejo, então por que doía tanto? Esse era o problema... Era mais, muito mais. Quinn Fabray era mais. Finn Hudson também. Ele sempre tinha sido. Muito mais do que o quarterback do time de futebol. Ela inclusive dissera isso em uma de suas primeiras conversas. Ele era o rapaz de sorriso torto e olhar despretensioso cuja voz se juntava perfeitamente a sua. Como se tivessem sido feitas para serem ouvidas juntas. Essa era a coisa sobre Finn que tornava tudo tão difícil. Rachel olhava para ele e tinha certeza de que era pra ser. Ela só não esperava que coisas acontecessem. Coisas do tipo que estavam acontecendo no momento. A vida aconteceu. Quinn Fabray aconteceu. E o que puxava ela para os braços da loira era exatamente o oposto do que a atraía em Finn. Se o rapaz lhe provocava certeza, a garota lhe provocava dúvida. E a ausência de planejamento, a imprevisibilidade daquilo tudo era extremamente sedutora. O mistério por trás daqueles olhos verdes cativava Rachel de tal forma que ela não conseguia explicar. Ela era um doce com um bilhete preso, em que se lia: não prove! Rachel provou. Sua escolha, de certa forma, já tinha sido feita. Ela só precisava enxergar.

As lágrimas molhavam suas mãos, caindo pelos vãos entre seus dedos. Era um choro audível e sofrido. Os ombros tremiam. Pensou que fosse desabar, mas não foi o que aconteceu. Ao invés disso, sentiu braços fortes fecharem-se ao redor de seu corpo, protegendo-a. Era algo que ele fazia bem. Retirando as mãos do rosto, retribuiu o abraço, cravando as unhas curtinhas no tecido da camiseta. Apoiada em seu peito, permitiu que os tremores percorressem seu corpo. Ela sentia que ele chorava também. Ouvia o choro. Sentiu-se ainda pior por ver que ele sequer se importava com seu próprio sofrimento, pois afagava suas costas com uma das mãos e com a outra, segurava protetoramente em sua nuca, como se pedisse silenciosamente para que ela não sofresse. Sentiu seu corpo sendo guiado até algum outro canto do palco. Ela ainda se apoiava nele. De olhos fechados, sentiu quando o rapaz começou a se afastar e com os dois polegares, enxugava seu rosto delicadamente. Abriu-os e sua vista estava embaçada por causa do choro. Deparou-se com as lágrimas que preenchiam os olhos dele também. Finn começou a sentar e ela imitou o gesto. Pela primeira vez percebeu que estavam em um tapete e que algumas almofadas repousavam ali. De frente um para o outro, ainda chorando e com expressões de desespero e angústia, não sabiam o que fazer para diminuir a dor. Finn respirou fundo e com a voz falha, disse:

– Vamos ficar bem! Tudo vai ficar bem... – Tentou sorrir, mas seus lábios tremeram e o choro aumentou. Ele não estava feliz e tinha dificuldade em acreditar em suas próprias palavras. Segurava com as duas mãos o rosto da morena, olhando dentro de seus olhos. Rachel não sabia o que dizer. – Vem cá! – Inclinou o corpo e foi puxando a garota para deitar em seu colo. Ela foi. Deitou em seu peito, enquanto ele lhe abraçava e afagava suas costas, tentando acalmá-la e se acalmar junto.

Nenhum dos dois saberia dizer a quanto tempo estavam ali quando Rachel resolveu quebrar o silêncio pesado entre eles:

– Eu fico esperando o momento em que meu pai vai entrar no quarto e me acordar, dizendo que eu já dormi demais. E eu vou levantar aliviada por perceber que tudo está em seu devido lugar... Mas isso não acontece! Entende?

– Eu sei o que você quer dizer... – Ele respondeu com a voz de choro. Não havia mais lágrimas, mas o resquício delas estava em ambos. Não se encaravam. Encontravam-se exatamente na mesma posição.

– Tem tanta coisa acontecendo e eu me perdi no meio de tudo isso... – Ela suspirou e foi saindo do colo dele, colocando a cabeça em uma das almofadas, com uma mão por baixo. Finn se virou, deitando de lado, para que pudessem se olhar. – Você acha que essa é a melhor forma de resolver? – Referia-se ao término do namoro, citado anteriormente.

– Eu tenho medo de que seja a única Rach! – Ela simplesmente continuou olhando. – Eu estou fazendo isso porque eu amo você... Nem tudo o que a gente quer é o melhor pra nós! Você é a melhor garota que eu já conheci. – Ele apoiou uma das mãos em sua nuca, acariciando a pele exposta. – Você é linda, inteligente, talentosa... Você é incrível e merece uma vida que eu não posso te dar. Não agora...

– Eu queria tanto dizer que tudo vai se acertar se a gente continuar tentando, se a gente se esforçar o bastante, mas eu nunca estive tão confusa como agora! E por mais que machuque, você tem razão. A gente não pode continuar assim...

– Eu não posso ir pra Nova York sem saber o que eu quero, não posso viver na sua sombra ou impedir que você brilhe... Você é uma estrela Rachel, você foi feita pra brilhar! Eu ainda não descobri o que eu quero, mas sei exatamente o que não quero...

– E o que é?

– Prender você! Eu não quero e não posso fazer isso. Não posso porque eu te amo... Não quero você presa em mim, vivendo de espera. Rach, Nova York, a Broadway é seu lugar! É o que você quis a vida inteira, muito antes de mim.

– Pode ser, mas eu lutei tanto por você...

– E valeu a pena... Não valeu? Tudo que nós dois vivemos até agora! Eu não estou desistindo de você... Estou te deixando livre pra ir atrás dos seus sonhos porque eu preciso encontrar os meus. Tudo o que eu queria era construir uma vida ao seu lado... Eu ainda quero e fazer o que eu estou fazendo, dói demais... Mas eu prefiro sofrer agora do que te fazer sofrer mais tarde. Enquanto eu não me encontrar, nenhum lugar no mundo vai ter coisa alguma pra mim!

– Você tem razão... Dói! Eu sempre achei que pudéssemos nos encontrar um no outro, que eu pudesse ser seu lar e você o meu... Sem que a gente precisasse se anular! Eu não serei incompleta sem você Finn, mas pensar em te deixar me assusta porque é como se eu estivesse abrindo mão de um pedaço de mim...

– E como você acha que eu me sinto agora? Você é a melhor coisa da minha vida Rachel! Eu te amo! Mas amor não é o suficiente... Amor não é tudo o que você precisa, como dizem! Ou talvez seja... Mas amor se desgasta. E eu não quero isso pra gente!

– Não é o que eu quero também... Eu me sinto um pouco boba sabe... Por acreditar que é possível lutar com todas as suas forças e vencer tudo juntos... Qualquer medo e qualquer obstáculo. Eu via a gente assim sabe... Como se tivéssemos um amor impenetrável e capaz de tudo! – Ela estava sendo sincera. Ao pensar nesse amor impenetrável, se referia a um amor que não permitisse terceiros. Ou dúvidas.

– Você não é boba, isso tudo é verdade! Mas os obstáculos que eu não consigo vencer me transformam num peso pra você... Eu estou fazendo tudo isso exatamente porque eu te amo tanto e acabaria comigo te ver infeliz... Principalmente ao meu lado. Rach, você sabe que eu não vou pra Nova York... Você acabou de dizer que não seria incompleta sem mim... Bem, é assim que eu tenho sido sem você... Incompleto! Porque eu não me encontrei. Eu não sei quem eu sou... Eu preciso me sentir inteiro pra ser inteiro com você... Se a gente continuar desse jeito, eu nunca vou poder te oferecer o melhor de mim e uma hora você vai sentir falta de alguma coisa e nem vai saber o que é. Porque eu também não saberei. E eu não acho justo te dar uma vida pela metade. É errado... Eu sinto como se estivesse te usando, apesar de todo o amor que eu sinto por você!

– Sabe, dói ainda mais quando eu percebo que tenho sido egoísta durante todo o tempo em que estamos juntos e que talvez, se tivéssemos enxergado tudo isso antes, talvez se eu tivesse olhado melhor pra você, não estaríamos passando por isso agora. Eu pedi um tempo porque eu queria colocar tudo no lugar, não terminar. Mas se eu for sincera comigo mesma e com você, tenho que admitir que todas as outras coisas na minha vida saíram do lugar também.

– Você não é egoísta, não diga isso! E você me enxerga melhor do que qualquer outra pessoa...

– E você me conhece melhor do que ninguém Finn! Nós deveríamos estar fazendo planos juntos sabe...

– Deveríamos Rach? Eu amo você, mas a gente não sabe nada sobre a vida e sobre tantas coisas... E não podemos descobrir juntos enquanto eu não souber o que fazer! Eu não quero abrir mão de você... Eu não estou desistindo, eu estou adiando. E quanto eu conseguir melhorar o que falta, eu vou te procurar e vou lutar por você e te amar por todos os dias da minha vida!

Rachel olhava para aquele rapaz a sua frente e enxergava o homem que ele estava se tornando. Ela sentia orgulho e independente de qualquer coisa, sentia amor. Sentia um alívio misturado com angústia e não conseguia entender.

– Você sabe que existe a possibilidade de eu não esperar por você, certo? – Ela tinha que dizer.

– Eu sei... Mas é um risco que eu preciso correr! – Sorriu triste.

Rachel, apesar de qualquer coisa, entendia os motivos de Finn. Ela também tinha os seus. Talvez a escolha dele tenha sido um sinal para que ela começasse a fazer as suas. De qualquer forma, despedidas machucam e sentimentos não se perdem da noite para o dia. Ela suspirou e se apoiando em um dos cotovelos, olhou nos olhos dele antes de repousar um beijo tímido em seus lábios. Algumas coisas terminam como começam. E é verdade quando dizem que todo fim é um novo começo. Nesse caso realmente era. Para os dois. Em partes, sempre seriam Finn e Rachel... Mas também precisavam crescer. E às vezes, quando as pessoas crescem, o fazem separadamente.


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Notas finais
E aí meus amores, gostaram? Hehehe Acho que vai ter muita gente glorificando de pé né... Kkkkk!! Comentem, significa muito pra mim! Hoje voltei em todos os capítulos e deixei estrelinhas pra vcs nos comentários... Quem sabe assim estimula a competição... Muahahahaha! XD

Beijooos