A Culpa É De Uma Estrela
24 Meus Pais e Minha Mãe
Notas iniciais
Boa leitura! (:
*Don't Let it Break Your Heart - Coldplay
“When you're tired of aiming your arrows,
Still you never hit the mark
Even in your rains and shadows
Still we're never going to part
Come on baby
Don't let it break your heart...”
Quando Hiram e Leroy chegaram juntos em casa, preocuparam-se ao encontrar a filha esperando-os tão triste. Ela estava na cozinha e uma bandeja repleta de biscoitos encontrava-se no centro da mesa. Os homens imaginaram que aquilo fosse um código para: precisamos conversar, já que não tinha “obrigada” ou “sinto muito” escrito em cima.
– O que aconteceu querida? – Hiram perguntou, sentando-se.
– Eu... – Tentou começar, mas não conseguiu. Apertou os olhos e abaixou a cabeça, começando a chorar. Leroy rapidamente foi pegar um copo de água para a filha, enquanto Hiram se levantava, contornando a mesa para sentar ao lado dela. Passou um dos braços pelos ombros da filha, fazendo com que ela se aproximasse dele.
– Shhh... Está tudo bem meu amor!
Ficou algum tempo aninhando a filha em seus braços. Leroy já estava sentado do outro lado, esperando que ela se acalmasse. Quando isso aconteceu, a garota tomou todo o conteúdo do copo de uma vez, respirando fundo em seguida, antes de começar a falar:
– Eu sei que, quando eu disser, tudo se tornará muito mais real. Principalmente por envolver vocês nisso.
– Mas talvez seja melhor do que guardar só para você... – Leroy comentou, tentando incentivá-la.
– Eu e Finn terminamos! – Saiu mais rápido do que eles esperavam, do que ela própria esperava.
Os Berry se olharam rapidamente, antes de voltarem a atenção mais uma vez para a filha.
– Ah, querida... – Hiram começou.
– Tem mais! – Ela interrompeu. Olhou para os dois lados, para cada um de seus pais, antes de continuar. – Vocês acham possível gostar de duas pessoas ao mesmo tempo?
– É isso que está acontecendo com você querida? – Leroy perguntou.
E então ela contou. Contou tudo o que estava pensando e sentindo. Falou sobre suas dúvidas, medos e sobre tudo o que lhe incomodava em relação a Finn e a tal da outra pessoa. Sobre a confusão que se formara dentro dela. Não entrou em detalhes sobre seus momentos com Quinn nos últimos dias, tampouco citou o nome da loira, alegando que não estava preparada para isso ainda. Disse que a decisão foi do rapaz, mas admitiu que isso tinha passado por sua cabeça também. Eles não lhe pressionaram para saber mais coisas. Não faziam isso. Simplesmente escutaram tudo o que a filha tinha para dizer. O que sabiam era que, segundo ela, sentimentos por outra pessoa estavam começando a aparecer e Rachel não sabia o que fazer com tudo isso.
– Eu nunca pensei que fosse ter dúvidas em relação ao meu relacionamento com Finn. Nunca pensei que pudesse ter espaço para outra pessoa dentro de mim... Como isso é possível? Eu sempre tive essa visão romântica de que quando se ama alguém verdadeiramente, não é possível que outra pessoa apareça e simplesmente mude todas as suas convicções, mas foi isso que aconteceu. E não consigo acreditar que meu amor por Finn não seja real.
– Meu bem, só porque alguém apareceu e fez uma bagunça aí dentro de você, não quer dizer que seu amor por Finn seja menor ou menos real. Essas coisas acontecem... Amor às vezes se transforma. Nossas vontades também! É possível ficar com uma única pessoa a vida inteira. E provavelmente é a melhor escolha que pode ser feita. Dividir as melhores coisas da vida com alguém... Mas você tem dezessete anos. Dificilmente todas as suas escolhas feitas agora durarão para sempre... – Hiram falou, olhando o tempo todo para a filha.
– E tudo bem fazer outras escolhas. Tudo bem mudar suas convicções. Você tem muita coisa pra viver ainda Rachel. E você vai vive-las... Com ou sem Finn! – Leroy falou.
– Eu tenho medo de viver certas coisas sem ele... – Admitiu.
– Ele tem também, tenho certeza disso... Mas vocês precisam viver coisas separadamente. O segredo de todo relacionamento é aceitar a outra pessoa pelo que ela é e ser você mesmo também. Por isso é importante não perder a individualidade Rachel... E não deixar que a outra pessoa perca também.
– Eu sei pai... – Se dirigiu a Leroy. – Você me disse isso outras vezes... Eu também penso assim, mas isso não diminui a minha dor.
– Ah, meu bem... – Hiram começou de forma delicada. – Crescer dói...
~~*****~~
A mulher chegou em casa com algumas compras e foi direto para a cozinha. Separou alguns ingredientes para a janta e foi até o início da escada para chamar a filha.
– Quinn! Cheguei! – Gritou.
– Já vou!
Judy sorriu e voltou para a cozinha. Tinham combinado de preparar o jantar juntas. Faziam isso algumas vezes. Desde o fim do casamento, a mulher tinha começado algumas atividades diferentes. Primeiro voltou a trabalhar, coisa que não fazia desde que engravidara de Frannie, a pedido do ex-marido. Judy dava aulas para crianças de sexta a oitava série. Nunca parou de estudar, mesmo em casa, lia bastante e fazia cursos pela internet. Ela era inteligente, não foi difícil ser aceita em uma escola novamente. Estava feliz por não ser mais apenas a dona de casa e esposa perfeita. Além do trabalho, em seu tempo livre realizava atividades que sempre lhe despertaram interesse. Tinha entrado pra um Clube do Livro e fazia aulas de francês, além de aprender a cozinhar. Descobriu um verdadeiro hobby na culinária e agora, sempre que tinha oportunidade, ia para a cozinha. Quinn incentivava sua mãe o tempo todo, dizendo que ela era ótima naquilo. E era verdade. Algumas vezes, elas cozinhavam juntas. Judy ficava feliz com isso, pois se tornou uma coisa entre elas, um momento em que podiam conversar sobre o dia e rir de qualquer coisa.
Quinn finalmente estava na cozinha lhe ajudando. Chegou silenciosamente, cumprimentando a mãe com um beijo na lateral da testa e começou a separar os ingredientes, conferindo-os e perguntando exatamente o que deveria fazer. Não demoraram muito, a mesa logo estava servida. Continuaram conversando sobre o dia o tempo todo durante o jantar e em determinado momento, Judith comentou:
– Você precisa convidar seus amigos logo Quinn, eu cozinho pra vocês!
Não era a primeira vez que a mulher sugeria isso. Quinn achava seu entusiasmo adorável. Ela realmente tinha vontade de chamar o Glee Club para uma reunião. Não só para agradar sua mãe, mas também pra estar com seus amigos.
– Tudo bem mãe, vou falar com eles e assim que todos puderem, nós combinamos alguma coisa.
Terminaram de jantar e enquanto Judy colocava as louças para lavar, Quinn tirava e limpava a mesa.
A garota se despediu dizendo que ia repassar algumas lições que tinha perdido. Judy foi tomar um banho. Levou seu tempo na banheira e ao acabar, colocou um pijama e se dirigiu ao quarto da filha. Precisava conversar com ela. Não podia mais deixar passar. Aquilo estava lhe incomodando mais do que deveria. O combinado entre as duas era de que construiriam as coisas aos poucos, dando tempo ao tempo e espaço uma para a outra. Já tinham avançado muito nisso e o relacionamento entre elas era leve e tranquilo. Judy respeitava muito sua filha e procurava não lhe pressionar. Entendia que Quinn sempre fora reservada e tinha seus motivos pra isso. Mas ela precisava saber que sua mãe estaria ali sempre, o tempo todo, em qualquer momento que ela quisesse ou precisasse.
Bateu na porta duas vezes e escutou a resposta:
– Pode entrar mãe!
Girou a maçaneta e enfiou a cabeça pra dentro do quarto, observando a filha virar a cadeira da escrivaninha para olhar em sua direção. Entrou no quarto e se sentou na cama chamando Quinn. A loira atendeu ao pedido da mãe, sentando-se de frente pra ela.
– O que foi? – Perguntou normalmente.
– Eu queria dizer algumas coisas... – Cruzou as mãos, repousando-as em seu colo.
– Ok!
– Eu só... – Sabia que precisava escolher as palavras certas. Não queria invadir o espaço da filha ou lhe causar constrangimento. – Quero que você saiba Quinn, que eu tenho muito orgulho de ser sua mãe. Nós passamos por muita coisa, você passou por muita coisa... E está se tornando uma mulher maravilhosa. Vejo isso todos os dias. Eu cometi erros com você e me sinto culpada por eles até hoje-
– Mãe... – Tentou interromper.
– Não, espera! – Continuou. – Eu só quero que você saiba que não quero errar com você meu bem... Você e Frannie são tudo pra mim! Eu sei que tem alguma coisa acontecendo Quinnie! Quando você quiser me contar, por favor, não tenha medo. Eu vou te apoiar em qualquer coisa, porque eu te amo. Você acredita nisso?
A garota olhou nos olhos da mãe morrendo de vontade de contar tudo, mas ainda não conseguia. Ainda tinha medo. Precisava de mais tempo, talvez só mais um pouco. Apenas respondeu:
– Tudo bem mãe, eu acredito!
– Bom!... Isso é ótimo! – Sorriu com carinho. – Você precisa de ajuda com alguma coisa?
– Não, tudo bem... Já estou acabando!
– Então está bem. Vou para o meu quarto ler! – Levantou-se e se aproximou da filha ainda sentada. Segurou seu rosto com as duas mãos e repousou um beijo em sua testa. – Boa noite!
– Boa noite mãe!
A mulher saiu do quarto, deixando a filha perdida em pensamentos.
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Notas finais
1. Eu sei, e quando digo isso, eu realmente SEI (porque sou leitora também!), que às vezes a gente fica desesperado pra ver interação entre o casal principal da fic (no caso, Faberry!!), mas em alguns momentos acho legal/importante para o desenvolvimento da história mostrar também outros personagens, pois seus sentimentos e suas ações afetam as personagens principais! Espero que vocês entendam e tenham um pouco de paciência...
2. O nome do capítulo é uma referência a um filme: Minhas Mães e Meu Pai (título original: The Kids Are All Right), de 2010. Pra quem não conhece, vale a pena assistir! Recomendo (:
3. Sugestões, opiniões e comentários são sempre bem vindos! Se vocês tiverem uma ideia legal ou alguma coisa que queiram ver na história, me falem! Se for conveniente, eu darei um jeitinho de incluir, ok?
Comentem! (:
Bjooos e até a próxima!
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