A Culpa É De Uma Estrela
17 Louca Por Você!
Notas iniciais
Como eu disse mais cedo, hoje a fic faz um mês de aniversário! Yay! o/ Vamos comemorar?? Não tenho bolo... Tenho uma coisa beeeem melhor!! Um capítulo quentinho e gostoso saindo do forno!! *---------* Enjoy!
*Signal Fire - Snow Patrol
“The perfect words never crossed my mind
Cause there was nothing in there but you...
I felt every ounce of me, screaming out
But the sound was trapped deep in me...
All I wanted, just sped right past me
But I was rooted fast to the earth...
I could be stuck here for a thousand years
Without your arms to drag me out...”
Rachel acordou arrasada. Ela se perguntava o tempo todo como era possível passar por tantas emoções contraditórias num período tão curto de tempo. Perguntava-se tanta coisa. E sua confusão só aumentara depois do que tinha acontecido entre ela e Quinn no dia anterior. Ela não conseguia tirar a loira da cabeça. O gosto dela permanecia em seus lábios e Rachel se arrepiava completamente ao se lembrar do beijo. Não sabia o que lhe aguardava no McKinley naquela segunda-feira. Mas ela estava ansiosa. Seu coração batia com força e milhares de borboletas voavam em seu estômago. Mas era uma ansiedade misturada com angústia. Angústia porque sentir todas aquelas coisas era assustador. E o que, exatamente, ela estava sentindo? Essa pergunta lhe assustava ainda mais.
~~*****~~
Quinn estava nervosa naquela manhã. Ela levantou mais cedo do que costumava e depois de um banho, se arrumou com a calma de uma pessoa que tem todo o tempo do mundo em suas mãos. Escolheu um vestido, botas e passou uma maquiagem leve. Havia apenas um corte pequeno do acidente em seu braço esquerdo. Ela agradecia mentalmente pelos ferimentos terem sido leves e em lugares que ficavam escondidos. Olhou-se no espelho durante um bom tempo. As lembranças do final de semana pareciam um sonho longe e inatingível. Ela queria chorar... De emoção e de angústia. Suspirou pesadamente e direcionou seu olhar para o celular, que repousava em sua penteadeira, bem perto dela. Estendeu a mão direita e apanhou o objeto, criando coragem. Começou a escrever uma mensagem.
~~*****~~
A morena terminava de pentear o cabelo quando ouviu o barulho do celular, indicando uma mensagem. Pensou que fosse de Finn e pegou o aparelho já com um suspiro cansado. Mas o nome na tela fez com que seu estômago revirasse de um jeito tão gostoso, que apesar de toda a confusão na qual ela se encontrava, foi impossível não sorrir. Quinn! – pensou, e abriu a mensagem com receio, como se a loira estivesse lhe observando de alguma maneira.
Bom dia Rach! Como você está? Acho que nós precisamos conversar... Me encontra no auditório antes da primeira aula? Não consigo esperar até o intervalo, então chegarei ao McKinley mais cedo... Você pode fazer o mesmo, por favor? Quero te ver! Xoxo
Rachel estremeceu com os dizeres. É claro que a loira iria querer conversar.
~~*****~~
Enquanto esperava a resposta, se perguntava se tinha feito a escolha certa ao enviar aquela mensagem. Então um pensamento passou sem permissão por sua mente. “Você já fez essa escolha há bastante tempo, não tem mais volta”. Depois do que pareceu uma eternidade, seu celular vibrou em suas mãos, fazendo seu coração vibrar em seu peito também.
Bom dia Quinn! É claro que podemos nos encontrar... Sairei de casa em cerca de vinte minutos, já estou praticamente pronta. Nos encontramos na escola! Xoxo
A loira se levantou, pegou suas coisas e saiu de casa, sem se importar com o fato de que teria que dirigir. Era cedo, certamente. Mas uma hora ela teria que enfrentar esse medo que surgira depois do acidente. Assim como seus outros medos também.
~~*****~~
Quando Rachel estacionou no McKinley, reconheceu o carro de Judith. Perguntou-se como a mulher faria para ir ao trabalho se o carro estava com Quinn. Chutou-se mentalmente porque aquilo não era a questão. Não era o que a levara até a escola tão cedo aquele dia. Era algo muito maior. Algo que provavelmente já estava no auditório. Suspirou pesadamente, tentando criar coragem. Era só o que ela fazia recentemente, tentar criar coragem. Estava se tornando uma verdadeira briga, uma guerra dentro de si. Rachel se perguntava quantos sairiam feridos daquilo. Qual seria o tamanho do estrago e se não havia mesmo alguma maneira de acabar com tudo sem fazer vítimas. Mas sabia a resposta, ainda que não soubesse o que fazer. Desviou seu pensamento disso por um momento, apenas para conseguir chegar até o auditório sem chorar.
~~*****~~
Andava de um lado para o outro quando escutou passos. A expectativa de que fosse Rachel chegando, fez com que ela parasse, ainda nervosa. Cruzou os braços ao redor do corpo, com a costumeira delicadeza, que em nada revelava seu nervosismo. Mas sua respiração era falha e seu coração lhe denunciaria para o mundo, se fosse possível escutar.
Conforme o som ia chegando mais perto, seu coração também batia mais forte, como se estivessem sincronizados. Fechou os olhos em antecipação e suspirou, tentando se acalmar. Em vão, é claro, como geralmente acontecia com todos os seus sentimentos em relação a Rachel. Quando tentava reprimi-los, eles ficavam cada vez mais fortes e intensos.
Seu nervosismo era quase palpável. Ela duvidava que ele pudesse aumentar, mas, mais uma vez, estava enganada. Todas as sensações se multiplicaram por mil quando seu olhar encontrou-se com o de Rachel, que parecia uma luz vinda do fundo escuro, passando enfim pelas coxias e iluminando aquele palco que era tão seu. E naquele momento, tão delas.
A morena tinha um olhar tão intenso, distante e presente ao mesmo tempo. Era profundo e penetrava dolorosamente na loira, que o comparava ao mar. Um oceano no qual ela se afogaria facilmente. E morreria feliz. Conformada, porque sabia que de Rachel, e de tudo que envolvia a morena, era impossível fugir. Ela tentara tão bravamente, estava exausta. Era hora de mergulhar, sem medo.
– Oi! – Soltou como se sua voz fosse uma gota de lágrima triste, mas doce. Sua voz era doce. “Como as inúmeras balinhas que ela roubou do carro”. Rachel fez a comparação e inevitavelmente, lembrou-se do beijo. Do gosto de menta que permanece na língua mais do que gostaríamos. Do gosto de Quinn, que sequer deveria permanecer, mas teimosamente, continuava ali.
– Oi! – A morena respondeu, sem retirar seus olhos dos de Quinn. Ela não sabia o que estava acontecendo entre elas. Na verdade, ela nunca sabia. Eram como duas peças perdidas de um quebra-cabeça complicado demais. Eram como duas peças que se encaixavam perfeitamente uma na outra. Quinn sentia isso. Rachel era seu encaixe perfeito, de todas as formas possíveis, ela queria que fosse.
– Estou feliz por você ter vindo...
– Eu não poderia deixar de vir...
– Está tudo bem? – Havia tanta delicadeza em sua voz. A atmosfera entre elas era repleta de dúvidas e receios, mas tão, tão leve. Tão pura. E assustadoramente familiar.
– Essa é uma pergunta bem difícil de responder! – Foi sincera. – Assim como todas as outras perguntas passando em minha mente agora!
– Alguma delas tem a ver comigo? – Quinn puxou o lábio inferior com os dentes, insegura. Rachel estremeceu com a pergunta e com a voz subitamente sexy da loira.
A morena manteve o contato visual tanto quanto pôde. Encabulada pela intensidade com que a loira olhava para ela, finalmente desviou o olhar.
– Tudo bem! – Quinn recomeçou. – Estou vendo que você não quer responder perguntas hoje... Talvez queira fazer alguma?
Rachel colocou seus braços ao redor do corpo, se abraçando. Precisava daquilo, os arrepios provocados pela situação estavam deixando a morena com frio, e nervosa.
– Está tudo tão... – Balançou a cabeça de um lado para outro, como se procurasse as palavras certas. Olhou para Quinn novamente. – Confuso!
– Você sabe por que eu te chamei aqui? – Aproximou-se da morena devagar, não queria coloca-la numa posição de desconforto.
– Por causa do que aconteceu entre a gente ontem? – Rachel perguntou com a voz insegura, quase inaudível. Quinn aproximou-se um pouco mais.
– Sim e não!
– Quinn, eu...
– Rach! – Interrompeu, repousando dois dedos levemente nos lábios da morena, que tinha um olhar surpreso. – Eu preciso que você me escute... Tudo bem? Depois que eu disser tudo, você pode me perguntar o que quiser ou dizer o que tiver vontade! Mas por enquanto, eu peço que me escute!
– Tudo bem! – Tentou sorrir, mas sua insegurança não permitiu. Quinn estava extremamente próxima e Rachel não conseguia pensar direito. Seu corpo reagia de forma independente quando a proximidade entre ela e a loira era tão grande. Um arrepio gostoso era sentido por cada pedaço de sua pele.
– Eu imaginei isso de tantas formas, tantas vezes... É impossível contar todas elas. E nada do que eu já planejei parece ser suficiente, então vou dizer tudo de uma vez. – O olhar da morena era quase triste, suplicante, e ao mesmo tempo, havia curiosidade em sua expressão. Quinn fechou os olhos pelo que pareceu uma eternidade, e abriu-os.
– Eu sou... Completamente. Apaixonada por você! – Mordeu o lábio mais uma vez e deixou que algumas lágrimas caíssem. Enquanto Rachel se perguntava se tinha escutado direito. Abriu a boca, surpresa. – Eu sempre fui apaixonada por você! Eu já estava com Finn quando aconteceu, mas foi antes da gravidez. Rachel, eu... Eu sou louca por você! Sei que nada do que eu já te fiz condiz com isso, mas eu era imatura, reprimida e orgulhosa demais, fraca demais. – Seu choro aumentava enquanto ela admitia mais e mais seus sentimentos. – Eu fui fraca, eu deveria ter lutado por você... Deveria ter dito o que eu sentia há muito tempo! Mas eu preferi esconder esse sentimento por trás de slushies, maldades, apelidos e desenhos ofensivos. Deus, eu fui tão idiota! – Quinn falou isso com raiva de si mesma, enquanto Rachel começava a chorar também. Ela ainda não tinha certeza se aquilo realmente estava acontecendo. Parecia que em algum momento durante a manhã, tinha caído em um universo paralelo. Mas a questão é que ouvir todas aquelas coisas estava mexendo com a morena de uma forma que ela nunca imaginara. Seus momentos com a loira passavam em sua mente como um filme. Ela lembrava-se vividamente de cada um deles. Ao mesmo tempo, pensava em como Quinn sofrera durante tanto tempo por causa dela. O sentimento de culpa que lhe perturbava desde o acidente, aumentou consideravelmente. Quinn respirou fundo, como se quisesse recobrar suas forças para continuar falando. – Cada vez que eu maltratava você de alguma maneira, eu sofria, chorava sozinha, trancada dentro de um quarto, numa casa onde eu sabia que ninguém me daria forças ou apoio! Cada vez que eu me envolvi com alguém, era uma tentativa de me enganar, de tentar esquecer o que eu sentia por você! E cada vez que eu te via com outra pessoa... – A loira fechou os olhos com dor. – Deus, eu morria por dentro Rachel... Era como se alguém sugasse toda a felicidade e esperança do mundo. Eu pedia pra morrer... Pra não sentir todas essas coisas. Eu nunca odiei você! NUNCA! Mas eu odiava tudo que eu sentia, porque pra mim era horrível pensar que você nunca poderia ser minha! Então, ao invés de fazer tudo para tentar te ter ao meu lado, eu tentava afastar você de mim... Mas tudo que eu queria era você! Eu sou louca por você! – Ela repetiu.
As duas choravam. Quinn sentia dor e alívio ao mesmo tempo. Rachel, apenas dor, e uma sensação desconhecida no peito. Ouvir todas aquelas coisas da loira era bem mais do que lisonjeiro, era surpreendente e maravilhoso. Alguma coisa dentro dela explodia em um milhão de pedacinhos, como fogos de artifício. A morena lembrava-se do beijo e do que ela tinha sentido. Pensava no que Quinn estava lhe fazendo sentir naquele exato momento. Colocou as duas mãos no rosto, escondendo-se e chorando mais. Chorando porque sua confusão aumentara e tudo que Rachel conhecia estava mudando com aquela revelação inesperada.
Ela sentiu os braços da loira envolvendo-a delicadamente. Sentiu o abraço carinhoso e repleto de alguma coisa que ela tentara desvendar durante o final de semana inteiro, e que agora, fazia todo sentido. Rachel correspondeu o abraço. Não havia sequer outra possibilidade. Ela retribuiu com força. Agarrava-se a loira, como se quisesse confortá-la, depois de tanto tempo, por tudo o que ela havia passado. Rachel não conseguia imaginar o quão grande tinha sido a dor da loira e isso lhe deixava angustiada. Mesmo que não pudesse dizer todas aquelas coisas, Quinn mexia com ela.
As duas se precisavam. Precisavam uma da outra. Quinn sabia e Rachel sabia também. A loira afastou-se, tentando conter o choro. Enxugou os olhos da morena, que se arrepiou com aquela atitude. Quem era aquela garota a sua frente? Quem era aquela mulher? Tão frágil, tão vulnerável, e ainda assim, cuidando dela. Quinn era surpreendente de uma maneira que deixava Rachel sem ar. A morena imitou o gesto da loira, levando suas mãos ao rosto dela e afagando carinhosamente, limpando suas lágrimas. Movida pelo sentimento guardado durante tanto tempo e pela intensidade ali presente, Quinn se aproximou de Rachel e lhe beijou. Suas mãos repousavam na face da morena, segurando seu rosto. O beijo era tão delicado, tão puro. Não passava de um encostar de lábios. Rachel afastou-se, abaixando a cabeça, repentinamente ciente de que estava cometendo o mesmo erro pela segunda vez, com a mesma pessoa. Mas não parecia um erro, não era assim que ela sentia. Quinn não percebeu a intenção da morena de se afastar, então simplesmente colou suas testas, usando os polegares para acariciar aquele rosto macio da garota que ela tanto amava. Rachel suspirou:
– Eu não posso! – Falou baixinho, ainda motivada pela sensação de culpa. Mas esta era cada vez menor. Rachel sabia que queria aquilo tanto quanto a loira. Queria de novo.
– Não foge de mim! – Quinn sussurrou com a voz rouca. – Não foge!
Aproximaram-se novamente, motivadas pelas palavras da loira. Quinn uniu seus lábios com força. Esmagou os lábios de Rachel com os seus. Os braços da morena foram parar ao redor do pescoço de Quinn, enquanto a loira continuava segurando seu rosto. Quinn puxou o lábio inferior de Rachel com os seus. A morena suspirou completamente entregue ao momento. A loira entreabriu seus lábios, passando sua língua pelos lábios da morena, que deixou um som de aprovação escapar de sua boca. Quinn começou uma carícia deliciosa na língua de Rachel com a sua. Ambas se puxavam de encontro uma com a outra, como se seus corpos pudessem se fundir. O beijo se tornava mais quente, mais necessitado. Era como se Quinn estivesse penetrando a boca de Rachel com sua língua. Ela empurrava com força, fazia movimentos de vai e vem, enquanto a morena sugava aquela língua deliciosa com seus lábios. Gemidos baixinhos escapavam de suas bocas. Rachel segurava na roupa da loira com força, puxando o tecido. Quinn concentrou-se em morder os lábios carnudos da morena, finalmente iniciando o rompimento do beijo. Elas precisavam de ar. Quinn precisava muito de ar. Com um único selinho, afastou-se, arrastando sua boca suavemente pelo rosto de Rachel, que respirava com dificuldade e abraçava a loira com certo constrangimento, sem saber o que fazer. Mas nenhuma das duas tinha força ou vontade de sair dali. Completavam-se como duas peças de um quebra-cabeça, de uma forma doce, como balinhas de menta roubadas de um carro.
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Notas finais
Beeeeijooos e até o próximo!
That's all folks! ;)
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