Notas iniciais
Boa noite... Mais um capítulo! Espero que gostem! (:

* Wheels - Foo Fighters

“Well I wanted something better man

I wished for something new

And I wanted something beautiful

And wish for something true

Been looking for a reason man

Something to lose...”



Ele andava sorridente pelas ruas. Estava feliz afinal de contas. Sentia-se bem e com sorte e a garota que amava estava ao seu lado novamente. O vento estava suave aquela tarde e o dia, lindo. Embora não estivesse voltando para sua casa “verdadeira”, se sentia em casa ali o tempo todo. É como dizem: Lar é onde o coração está.

Retirou as chaves do bolso e abriu a porta. Trancou, já gritando para avisar sobre sua presença.

– Cheguei! – Olhou em volta. – Finn? – Chamou, mais uma vez gritando.

– Na cozinha! – Ouviu a resposta.

Deixou a mochila no sofá e foi ao encontro da voz. Deparou-se com o amigo lavando alguma coisa na pia.

– Oi! – Seu entusiasmo era evidente.

– Oi! – Respondeu com naturalidade. – Como foi na escola?

– O mesmo de sempre... Todo mundo empolgado por ter Quinn te volta!

– Que bom! Ela está bem?

– Sim, ótima... Eu estava me perguntando por que você não foi!

– Bem, eu queria resolver umas coisas.

O tempo todo, Finn tentava esconder sua tristeza do amigo. Conversava arrumando algumas coisas nos armários e tentando disfarçar, mas Sam sabia que tinha algo de errado ali.

– Olha, eu tive dias maravilhosos na casa da Merdeces. É claro que os pais dela estavam lá e por causa disso não podíamos ficar sozinhos, mas foi até melhor. Eles gostam de mim. Mas eu estava com saudades daqui e de vocês. Me desculpa se eu fui um amigo ausente durante esse tempo, mas também todos nós achamos que você e Rachel precisassem de privacidade pra lidar com o que tinha acontecido, já que provavelmente, de alguma forma se sentiram culpados pelo acidente. Principalmente a Rachel. Mas eu não sou idiota... Sei que tem alguma coisa acontecendo. Se você quiser conversar sobre isso, talvez eu possa ajudar...

Finn respondeu apenas com um suspiro cansado.

– Vocês não estão bem, né?

O rapaz o encarou pela primeira vez e coçou a nuca antes de tentar falar alguma coisa. Sabia que se começasse, iria chorar. Não queria chorar. Abriu a boca, mas engoliu todas as palavras e enfiou as mãos no bolso, transtornado. Olhou para os pés e pra frente de novo, fechando a boca e engolindo o choro.

– Cara, eu já chorei na sua frente. Tudo bem se você quiser fazer o mesmo, não vou contar pra ninguém.

É claro que a última parte foi uma brincadeira, Sam sabia que o amigo não se importava tanto em chorar na frente dos outros. Havia brincadeiras entre os amigos de que ele era pior que o Sr. Schuester nesse departamento. Mas naquele momento talvez ele precisasse de um incentivo e aquelas palavras foram o suficiente. Finn se aproximou do amigo e o abraçou, segurando-o pelos ombros. Sam retribuiu, dando dois tapinhas em suas costas. O rapaz alto começou a chorar de forma incontida. Ele precisava mesmo colocar tudo pra fora.

– Tudo bem! – Sam falou.

Finn foi se acalmando depois de alguns segundos e se afastou, enxugando as lágrimas. Com uma das mãos, bateu em um dos ombros de Sam, como se agradecesse. O loiro esperou. Finn respirou fundo e com a voz falha, disse:

– Nós terminamos.

– Eu sinto muito...

– É, eu também. Queria que fosse diferente, mas quem terminou fui eu. – O rapaz puxou uma cadeira e se sentou, cruzando as mãos em cima da mesa.

Sam o imitou, antes de perguntar:

– Por que?

– Porque parecia o certo... Tanta coisa aconteceu nesses últimos dias, nos últimos meses...

– Bem, eu tenho a tarde inteira. – Sorriu abertamente.

Mais uma vez usara as palavras certas. Finn começou a contar tudo o que sentia em relação a Rachel e ao seu comportamento desde o acidente. Ele entendia que não era fácil para ela e admitia que também não era fácil para ele, mas a morena era mais intensa, sentia as coisas mais à flor da pele. Ele desabafou dizendo que não entendia exatamente o que estava acontecendo com ela, o que se passava em sua mente. Era uma angústia constante, principalmente porque ela sempre queria falar sobre tudo, exceto agora. Finn tinha medo dos motivos por trás do seu silêncio.

– Bem, uma Rachel silenciosa também me assustaria... Muito mais do que a Rachel tagarela. – Sam sorriu. Finn franziu as sobrancelhas e olhou para o amigo sério.

– Desculpa, vou fechar minha boca grande. – Voltou a ficar sério.

O rapaz continuou contando sobre os desentendimentos que tiveram, sobre as brigas e o pedido de “tempo” que ela fizera na quarta-feira. Sam admitiu que todos no Glee Club tinham percebido o clima, mas acreditaram que era tudo por causa do acidente. Que ainda se sentiam culpados ou coisa do tipo. Finn continuou contando as coisas e em como eles pararam de se falar depois de sexta e ficaram totalmente distantes durante o final de semana inteiro.

– Mas aí chegou domingo...

– O que aconteceu no domingo? – Sam perguntou.

– Eu fui até a casa dela! Eu sei que ela tinha pedido um tempo e tudo o mais, mas eu senti saudades, queria tentar conversar de novo ou só ver ela... Sei lá. Fazia uma semana do casamento, do acidente. Eu fiquei aqui pensando nisso e não tinha ninguém pra conversar, porque você estava com a Mercedes e o Kurt tinha saído com o Blaine. Eu meio que surtei... – Sam concordou com a cabeça. – Então eu fui até lá... Os pais dela disseram que ela tinha dormido fora, na casa da Santana. E foi aí que eu lembrei que Santana tinha comentado algo sobre os pais dela viajarem no final de semana. Imaginei que todas estivessem juntas então... Brittany e Quinn também!

– Faz sentido...

– Pois é... E por isso ela provavelmente estaria de bom humor e talvez fosse mais fácil! Mas eu tava tão enganado! Os pais dela me deixaram esperar no quarto e disseram que iam comprar alguma coisa pra fazer o almoço. Fiquei um pouco constrangido imaginando que ela tivesse contado sobre o “tempo” porque ela conta tudo pra eles. Mesmo assim eu resolvi ficar, eu precisava demais ver ela...

– E o que aconteceu quando vocês se viram?

– Quando ela chegou, eu estava saindo do banheiro e-...

– O que você tava fazendo no banheiro? – Sam interrompeu, verdadeiramente curioso.

– Sam! Foco!

– Ok, desculpa!

– Como eu ia dizendo... Ela ficou surpresa e quando eu disse que sabia que não deveria procura-la, mas estava com saudades, ela pareceu tão triste, tão longe... Eu não entendi, fiquei achando que era tudo minha culpa e que estraguei o final de semana dela sabe... Ela não conseguia me olhar direito e aquilo acabou comigo cara! Ela nem respondeu e eu já tava pedindo desculpas e dizendo que tinha sido um erro.

– Ela não falou nada?

– Eu não sei se ela ia dizer, porque logo depois de ter admitido o que eu tinha ido fazer ali, percebi que ela tava arrasada e falei “Desculpa Rach, foi um erro ter vindo aqui. Você me pediu um tempo porque precisa de privacidade também. Eu vou embora, está tudo bem!”. Mais ou menos isso...

– E ela?

– Ah, nada né... Eu saí do quarto logo depois. Eu tava tão arrasado com tudo, foi uma merda.

– Foi isso que te fez querer terminar?

– Eu não quis terminar, mas eu senti que era o certo, sabe? Você já fez alguma coisa que não queria, mas precisava fazer?

– Várias... Acho que crescer é sobre fazer coisas que você precisa, mas não quer.

– É um saco quando as prioridades não se alinham aos nossos desejos. Quer dizer, nossos desejos deveriam SER as prioridades, mas aí a gente cresce e descobre que não é bem assim.

– Na verdade, nesse caso é exatamente assim. Seus desejos não podem se resumir a uma única pessoa ou a vontade de ficar com ela. Rachel soube como transformar seus desejos em prioridade, ou inclui-los nisso. Você também vai saber quando souber o que quer.

Finn observou o amigo por um tempo, antes de dizer:

– E esse é o motivo pelo qual eu achei melhor terminar. Eu tive essa conversa com o Kurt no domingo a noite e ele me fez enxergar muita coisa... Eu não quero ser um peso na vida da pessoa que eu amo, foi isso que eu disse pra Rach também. Eu não quero ser carregado, não quero impedir que ela voe ou brilhe porque ela foi feita pra isso. Dói mais do que qualquer coisa abrir mão de quem você ama. Mas a gente precisa disso... Quando a hora chegar, se ela estiver sozinha, a gente recomeça e eu vou adorar viver tudo de novo.

– Até lá, você já sabe o que fazer?

– Não... Mas estou louco pra descobrir! – Abriu o sorriso torto e encantador de sempre, ainda que triste.


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Notas finais
E aí pessoal?... Vou tentar escrever outro ainda hoje pra postar de madrugada ou amanhã cedo, ok? Ok!

Beijos! (: