A Culpa É De Uma Estrela
13 Dando um Tempo
Notas iniciais
*Slow Dancing In a Burning Room - John Mayer
“We're going down...
And you can see it, too.
We're going down...
And you know that we're doomed
My dear, we're slow dancing in a burning room...”
(Flashback On):
Quarta-Feira.
Ela acordou cedo naquela manhã. Bem, mais cedo do que de costume. Não conseguia digerir os acontecimentos recentes, não conseguia lidar com tudo o que estava sentindo. Pegou o celular e digitou uma mensagem rapidamente.
Bom dia!
Não consegue mais dormir?
É... Você também?
É difícil Rach...
Eu sei... Será que podemos conversar hoje? Me encontra no auditório antes da primeira aula?
É claro que sim! Espero você lá...
Bem, você pode me encontrar daqui a pouco no estacionamento?
Ok.
Ok! Me liga quando estiver saindo.
30 minutos?
Ok!
Ok!
Eles se levantaram ao mesmo tempo. Sentaram-se na cama. Finn bocejou e esfregou os olhos. Era horrível ter sono e não conseguir dormir. Rachel espreguiçou. Foram até o banheiro. Lavaram o rosto. Escovaram os dentes. Ele resolveu fazer a barba, desde o acidente estava precisando. Ela prendeu o cabelo e entrou no chuveiro. Tomou um banho rápido. Saiu do boxe enquanto ele entrava. Finn começou seu banho enquanto Rachel, seu ritual matinal. Cremes e tudo o mais...
Finn saiu do banheiro de toalha. Rachel, de roupão. Abriram o guarda-roupa. Ela escolheu um vestido. Ele, uma camiseta, moletom e jeans. Estenderam as roupas em cima da cama. Ela colocava a calcinha enquanto ele, o samba-canção. Abotoava o sutiã enquanto o rapaz colocava a calça. Rachel passou mais um creme pelo corpo. Finn, desodorante e a colônia masculina com o cheiro que ela tanto adorava. Ele sabia disso. Ele já colocava a camiseta quando ela começou a entrar no vestido. Finn levou a toalha ao banheiro e estendeu. Penteava os cabelos com as mãos enquanto Rachel penteava os seus com uma escova, cuidadosamente. Ele sentou-se na cama e começou a calçar os tênis. Ela, já vestida e penteada, levou o roupão ao banheiro. Finn procurava os cadernos para colocar na bolsa. Levou algum tempinho, sua noção de organização era bem primitiva. Ele se deitou no chão e olhou de baixo da cama. Não achou o caderno, achou uma caneta bem legal ao invés disso. Abriu um sorriso. Ele procurara por ela tantas e tantas vezes! “Aí está você!”, pensou. Rachel, já de sapatilhas, dava mais uma ajeitada no cabelo e pegava a bolsa. Guardou o celular. Finn jogou os livros dentro da mochila. Fecharam o zíper. A morena se dirigiu até sua cama e começou a arrumá-la com precisão. Tudo ali tinha um lugar certo. O elástico do colchão, depois o lençol, o edredom, dois travesseiros, depois mais dois, e dois ursinhos. Um era presente de seus pais, o outro, de Finn. Falando nele, o rapaz também arrumava sua cama. Puxou o edredom e com um movimento dos dois braços, o objeto levantou-se no ar e caiu na cama novamente, cobrindo a bagunça de lençóis e os dois travesseiros. Ele sorriu satisfeito. Pegou o celular, a carteira e as chaves do carro. Ficavam na mesinha de seu quarto. Rachel abria a porta ao mesmo tempo que ele. Fecharam. Saíram. Desceram as escadas. Dirigiram-se às suas respectivas garagens. Sentaram-se no carro e fizeram o caminho até o McKinley. Ela escutava Barbra Streisand. Ele, Dashboard Confessional.
Saíram do carro ao mesmo tempo. Andaram na direção um do outro. Sorriram levemente. Ainda eram sorrisos tristes. Não era como se a noite passada não tivesse acontecido, afinal. Ela suspirou.
– Você disse que queria conversar. Também acho que devemos. – Colocou as mãos nos bolsos da calça. Estava inseguro e Rachel sabia disso. Ela estava insegura também.
– Vamos ali! – Apontou para o meio fio, onde ambos se sentaram.
O céu estava nublado naquele dia, combinando perfeitamente com o humor de ambos e com tudo o que estava acontecendo. Eles olhavam para a rua, quando Finn falou:
– Você me culpa pelo que aconteceu? Ou por qualquer outra coisa, sei lá...?
– Não, eu não culpo você Finn! – Ela chacoalhou a cabeça. – É claro que não! Eu só... – Virou-se para ele. – Muita coisa aconteceu ao mesmo tempo, sabe? Numa hora estávamos felizes, ansiosos por causa do casamento. Em seguida, preocupados com o tempo e então, uma angústia enorme aparece por não saber se uma pessoa importante para nós estaria viva ou não. Em seguida o alívio, ela estava. Mas desacordada, o que causou outra preocupação. Alívio de novo porque os exames não acusaram nada de grave. Impaciência porque era horrível não tê-la ciente de tudo. Mais alívio porque ontem ela acordou, e alegria ao saber que não houvera sequelas. E então... Dúvida... – Ela fez uma pausa antes de concluir. – E culpa!
– Mas ela está acordada agora! Eu sei que fui injusto no que disse ontem, peço desculpas mais uma vez! Podemos vê-la hoje, finalmente... Eu tenho certeza de que tudo ficará bem e...
– Você está perdendo o foco, não é essa a questão! – Ela o interrompeu, balançando a cabeça. – Não chamei você aqui para falar sobre a Quinn!
– Certo! Você precisa me ajudar aqui Rach, qual é o problema? Sou eu?
– Não Finn! Eu já respondi essa pergunta... O problema sou eu!
– Ok! – Ele desviava o olhar para os lados sem movimentar a cabeça. – Eu sei que quando uma garota diz isso a um cara, ela quer dizer que o problema é com ele sim, na verdade! – Olhou para ela com aquele biquinho e uma expressão séria.
– Pode ser, mas eu não sou qualquer garota e você não é qualquer cara... – Ele olhava para ela atentamente. – Tudo que aconteceu... Foi como um alarme, um sinal ou algo assim. – Finn franziu as sobrancelhas. – Quer dizer, as pessoas nos avisaram Finn, ninguém realmente concordou com o nosso casamento agora! Nós não estamos preparados... Você nem sabe o que quer...
– Eu quero você! – Ele respondeu rapidamente.
– Eu sei... E o que mais? O que mais você quer? Porque eu tenho meus sonhos e pretendo realizá-los. Uma vez que eu estiver lutando por eles, você vai sentir falta de ter sonhos também. Vai sentir um vazio que eu não conseguirei preencher, nem tenho essa pretensão...
– Você acha que eu ficaria a toa em Nova York?
– Não, mas você claramente ainda não sabe o que fazer. Você nem sequer tem certeza se quer mesmo ir para Nova York comigo, caso contrário não teria sugerido outro lugar!
– Mas é porque se vamos construir uma vida juntos, nós dois temos direito de pensar nas possibilidades, no que nos agradaria.
– Finn, você tem razão! Mas acontece que eu não vou pra nenhum lugar que não seja Nova York! A Broadway está lá e esse é meu sonho. Ficar com você também é, mas eu não quero ter que abrir mão de algo que eu quis a vida inteira por causa disso. Eu posso me arrepender, mas preciso tentar! A nossa diferença é que eu sei exatamente o que eu quero... Você não! Isso não é um problema, você ainda vai descobrir, mas eu não quero atrapalhar nisso. Eu não quero mais ser egoísta, não quero machucar as pessoas com isso! E se seu sonho estiver em outro lugar? Você vai se prender em uma cidade por minha causa? Vai abrir mão do que você deseja por mim? Percebe como isso é exatamente o que eu não quero fazer? Então não quero que você faça também!
– Eu só pensei que não teria problema se eu escolhesse meus sonhos baseado nos seus, pra que a gente pudesse ficar juntos.
– Agora você pode não ver nenhum problema nisso... Mas um dia os problemas vão aparecer. Você pode se tornar amargo por não ter lutado pelo que queria e então, mesmo sem querer, você vai me culpar! Não é isso que eu quero pra gente. E tenho certeza que você não quer também...
– Mas você está pensando muito longe e...
– Eu estou mesmo! É isso que se faz quando você quer construir uma vida com alguém! E é isso que você não tem feito. Finn, você pensa tanto no agora, no hoje, e esquece que planejar e tentar ver as consequências de nossas atitudes no presente é importante para o futuro! Quando eu contei para Quinn que íamos nos casar, ela me aconselhou a não fazer isso. Porque nós somos jovens demais e uma das coisas que ela disse, foi que nós, mulheres, não sabemos o que vamos querer daqui a alguns anos. E isso está certo, as coisas mudam. E é assim pra todo mundo.
– Eu pensei que a conversa não fosse sobre a Quinn... – Ele usou um tom de voz um pouco arrogante. – E ela não é a melhor pessoa pra dar conselhos sobre relacionamentos e tudo mais...
Rachel olhou para ele um pouco indignada, antes de dizer:
– Isso é tão, tão chato... Você não deveria dizer essas coisas, ela é nossa amiga! Sofreu um acidente porque ia para o NOSSO casamento, com o qual ela nem sequer concordava, mas resolveu nos apoiar mesmo assim!
– Eu só estou dizendo que a opinião dela não pode ser tão forte a ponto de você...
– Olha! – Ela o interrompeu um pouco impaciente. – Não vamos perder o foco novamente, não é só isso! Não estou tomando decisões baseada na opinião alheia sobre nós dois. Agora é você que tem que me ajudar aqui Finn... Eu sinto que não estou conseguindo te fazer entender o que eu quero!
– Então só me diz de uma vez! Eu entendi tudo! Relacionamentos são complicados, você está confusa, somos muito jovens, eu não sei o que eu quero... Me diz de uma vez! Nesse momento, o que você quer? – Ele perguntou como se a resposta fosse a coisa mais importante do mundo. Rachel respirou fundo e olhou em seus olhos.
– Eu quero um tempo! – Finn ergueu uma das sobrancelhas e abriu a boca, confuso. Ele olhou para ela e viu que Rachel lacrimejava. Aquilo era como se fosse uma repetição da noite anterior. Finn estava tão angustiado e agora sabia que a conversa, em nenhum momento, teve o objetivo de fazer com que ambos se sentissem melhor. Ele respirou fundo e falou:
– Por que?
– Por causa de todas as coisas que eu já disse! – Ela capturou uma lágrima com uma das mãos. – E porque eu quero que você comece a pensar em si mesmo! Você está sempre pensando em todo mundo, menos em você! – Ela passava a língua pelos lábios e limpava mais lágrimas. – Por favor, Finn, tente descobrir o que você quer e se seus sonhos se alinharem aos meus, então saberemos o que fazer.
Ele levantou com certa dificuldade. Rachel ficou lhe observando enquanto ele respirava fundo, alisava a camiseta por baixo do moletom e observava os carros passando. O rapaz olhou para baixo e estendeu a mão para ela. Rachel aceitou. Segurando uma de suas mãos, ele finalmente disse:
– Tudo bem! – Abriu o sorrisinho de lado que tantas vezes fizera o mundo de Rachel virar de cabeça pra baixo. – Se você quer um tempo, então teremos e eu vou pensar em tudo que você me disse! Eu posso fazer isso e posso dar o que você quer. – Ele acariciava a mão dela delicadamente. Olhou para baixo e levantou o olhar. Não havia sinal de lágrimas ou qualquer outra coisa, mas Rachel sabia que aquilo não estava sendo fácil para ele. Ela o conhecia muito bem, afinal! Com a mão livre, o rapaz acariciou a face dela e segurou sua nuca. Aproximou-se e repousou um beijo em sua bochecha. – Eu te amo Rach! – Soltou a morena e se afastou. Virou as costas, enfiou as mãos nos bolsos, e foi andando em direção ao carro. Os ombros caídos, a cabeça baixa.
Rachel colocou os braços ao redor do próprio corpo, triste, mas ao mesmo tempo, estranhamente aliviada.
(Flashback Off)
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Notas finais
Uma boa notícia: Próximo capítulo teremos Trindade Profana! Muahahahaha!!
See ya! ;D
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