A Crown For A King
3 O Rei Usurpador
Notas iniciais
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roberth baratheon
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Havia um milhão de canções sobre o que um homem sentia nos frágeis instantes que antecediam o seu fim. Nos tênues minutos que separavam o tudo do nada, sua vida inteira deveria passar diante de seus olhos, te preenchendo com a coragem necessária para aceitar a morte como uma velha amiga. Tudo o que Robert Baratheon conseguia contemplar em seus minutos finais, no entanto, era um vazio sufocante. Havia dor, havia um cheiro pungente de podridão, havia um amargo vazio. E era isso. Nada após o nada.
Você provavelmente não esperaria isso de um rei. Um Baratheon de Ponta Tempestade. Um homem que começou uma rebelião, aniquilou uma dinastia e tomou a coroa com a força bruta de seu martelo de guerra. Robert havia sido uma lenda em seus anos de juventude, um guerreiro nato, um rapaz cheio de vida e vigor. Era irônico, então, pensar na figura decadente em que se transformara. De certo modo, a morte lhe seria um presente, algo pelo que esperava há muito, afinal, uma parte dele havia morrido com ela.
Não era estranho, portanto, que tudo o que contemplasse fosse o nada. No fim das contas, ele era nada, desde que ela partira. Um buraco havia se aberto dentro dele no instante em que a perdera, o tornando oco, vazio e incompleto. Passara os anos seguintes, tentando preencher esse vazio com todo tipo de excesso que apenas a realeza teria o luxo de possuir. Tentando desesperadamente sentir-se completo. Nunca conseguiu. Lyanna Stark era tudo o que Robert Baratheon se lembrava de já ter desejado e era a única coisa que jamais poderia ter. Rhaegar Targaryen a havia roubado dele, o condenando a ser incompleto pelo resto de sua miserável existência.
Matara cada Targaryen que conseguira alcançar, martelara o peito de maldito Príncipe Dragão – destruindo sua ridícula armadura de rubis – até que não restasse nada além de um corpo sem vida. Conquistara sete reinos, havia se tornado um rei e casara-se com uma das mulheres mais belas e ricas de Westeros. Nada disso lhe deu qualquer conforto. Odiava ser um rei. Detestava as responsabilidades, as intrigas palacianas, a falta de ação, a maldita coroa lhe pesando a cabeça. Não fora feito para governar e sabia disso. Robert Baratheon fora moldado para a guerra e, uma vez que a guerra chegara ao fim, lhe tirando tudo o que já amou, nada restara dele.
Então, tentou preencher seus espaços vazios com tudo o que pode. Ouro, festas, vinho, comida, mulheres, sexo... Nada foi o bastante. E o que conseguira após todos aqueles anos? Um reino decadente, um casamento miserável, com uma mulher detestável e que o abominava – e os deuses eram testemunha de que ele havia dados motivos de sobra a Cersei para isso –, três filhos legítimos, com os quais nunca conseguira se conectar, e uma infinidade de bastardos, pelos quais nunca fizera nada. Em resumo, falhara como governante, como marido e como pai. Era um rei e, ainda assim, o mais medíocre e infeliz dos homens.
Além disso, por toda Westeros ainda o chamavam de Usurpador. Destronara um Rei Louco, que sentia prazer em queimar pessoas vivas e nunca fizera bem a nenhum deles, e mesmo assim, sua legitimidade ao trono era questionada aos sussurros, por onde quer que passasse.
U-S-U-R-P-A-D-O-R.
De certa forma, era verdade. Usurpara algo que não era seu por direito. Conquistara o trono pela força, derramando sangue e deixando uma pilha de cadáveres destruídos no caminho. Ainda assim, se era um usurpador, Rhaegar Targaryen também era. O galante Príncipe de Pedra do Dragão havia usurpado o que era do Lorde de Ponta Tempestade. Sequestrara e estuprara Lyanna, a deixando para morrer sozinha, roubando de Robert toda a vida que poderia ter tido. O condenando, assim, a passar seus últimos instantes remoendo um poço de arrependimentos e amargura, e contemplando o vazio enlouquecedor de sua existência. No fim, não havia nada e quando a morte finalmente lhe concedeu seu beijo misericordioso tudo o que o sentiu foi alívio.
Os sinos tocaram três vezes. Lentos e fúnebres.
O rei estava morto.
Fundira-se finalmente ao nada que tomara conta de sua alma muitos anos atrás.
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