A Crise De 1929
4 Capítulo três.
Notas iniciais
A visão do ambiente da cidade estava cada vez mais deplorável, infelizmente, dentro do hospital não era muito diferente.
Jovens feridos e muitas vezes mutilados estavam jogados nos corredores a mercê do tempo.
Com a visão horrenda Alice reprimiu a sensação de náusea que a atingiu.
- Leve-me logo até Jasper, não aguento mais um minuto aqui.
A cada passo dado parecia que o coração de Alice sairia por sua boca.
A dor da dúvida se alojava em seu peito, tudo aquilo era inexplicável, aconteceu muito rápido e a pegou de surpresa. Alice achava que a qualquer momento surtaria, sentia falta do toque dele, de seu abraço, dos seus lábios colados nos seus.
Edward segurou os ombros de sua irmã ao perceber o quanto ela estava aérea. Lentamente ele foi a guiando em meio aos enfermos até o quarto, razoavelmente confortável, onde Jasper estava.
Os lábios de Alice empalideceram-se e em seguida todo seu corpo ficou trêmulo e um soluço, alto o suficiente para que Jasper ouvisse, escapou por seus lábios.
- Eu não posso perdê-lo. – sussurrou apertando a mão do irmão.
- Não fale assim...
Edward suspirou abrindo a porta do quarto dando chances para que o jovem moribundo avistasse com muita dificuldade a baixinha de aparência frágil que tentava a muito custo aparentar ser forte.
- Jasper... – gaguejou a garota aproximando-se sem desviar os olhos da perna do amado. Uma delas estava enfaixada e a outra com várias fraturas expostas. – O que fizeram com ti? – Começou a soluçar subindo o olhar para o rosto carregado de dor dele.
- A...lice. – tentou falar, mas a única coisa que escapou por seus lábios foi um algo e desesperado gemido de dor.
- Não fale nada. – A voz abafada de Alice soou distante aos ouvidos de Jasper. – Você vai ficar bem. – Ela aproximou seus lábios dos do rapaz. – Eu te prometo meu amor.
Naquele momento, os olhos de Jasper se fecharam lentamente, sua respiração aos poucos foi aos poucos diminuindo a força.
- Jasper. Jasper. – Choramingou Alice. – Jasper, volte para mim.
- Alice. – Edward se aproximou segurando a cintura da irmã a afastando com cuidado de seu cunhado.
- Jasper. – murmurou.
- Shiii... Shiii... – sussurrou Edward tentando tranquilizando-a. Ele a virou em sua direção e suspirou. – Ele apenas dormiu pequena. – Edward acariciou o rosto da irmã. – Isso é um bom sinal, mostra que o remédio está fazendo efeito. Lembra-se do que o papai dizia? – Alice assentiu. – Então... Os remédios estão dando essa sensação de sono para ele e já que Jasper está um pouco mais debilitado do que o normal acabou dormindo. – sorriu de lado.
- Me promete que ele não vai morrer. – As lágrimas mais uma vez estavam em seu rosto.
- Ele não vai minha pequena.
- Posso ficar aqui... com ele? – sussurrou Alice.
- Aqui não é ambiente para damas Alice.
- Meu lugar é aqui, ao lado de Jasper. – suspirou. – Assim como seu lugar é ao lado de Katniss.
Um sorriso bobo surgiu nos lábios de Edward ao lembrar-se da bela Katniss.
— Ainda nem ao menos tive a oportunidade de cortejá-la.
- Falo com ela por cartas. – Alice sorriu um pouco. – Ela também está encantada por você meu irmão. Se eu fosse você me afastaria ainda hoje dessas lutas tolas e iria ficar com ela. Morro de medo de uma nova guerra.
- Não posso abandonar meu legado Alice. Amo Katniss, quer dizer, pelo pouco que a conheço... Ela é doce Alice, tem uma personalidade frágil, me lembra muito você...
- Por que não a chama para ficar aqui por uns tempos? Você vai ter que ficar aqui até Jasper ficar completamente curado... Não é? Tenho certeza que tio Joseph e tia Sophie não iriam se opor ao verdadeiro amor.
Edward riu discretamente das palavras da irmã mais nova.
- Tens razão Alice. Telefonarei para Katniss assim que chegar em casa.
- Você irá agora meu irmão. – Alice se levantou. – Quero que resolva sua vida, não sou eu ou Jasper que vai tardar seu destino e bom, também quero ficar um pouco sozinha com ele.
- Tem certeza?
Alice assentiu com um sorriso esperançoso nos lábios.
- Vá e mande lembranças para Katniss por mim.
Edward sorriu beijando a testa da irmã.
- Deixarei o carro aqui disponível para você.
Com cuidado pegou o paletó e o vestiu saindo do quarto fechando a porta do quarto.
O ar de Nova Iorque naquele dia estava pesado naquela tarde.
Em todas as ruas, a cada esquina poderia ser visto jovens, crianças e idosos pedindo esmola.
A igreja estava amarrotada de pessoas desabrigadas implorando por um prato de comida e rezando diariamente por uma luz divina.
- Em que você se transformou minha amada Nova Iorque. – sussurrou observando todos os cantos do lugar onde nasceu.
- Senhor... – Uma criança loira de aproximadamente seis anos coberta por um pó preto. – Por favor, deixe-me limpar sua chaminé... Por um pedaço de pão. — A garotinha choramingou afrouxando o aperto de suas mãos ao redor do braço de Edward. – Me desculpe senhor.
- Como se chama pequenina? – Edward se abaixou analisando o rosto dela de perto.
- Alice. – sussurrou olhando atentamente o rosto dele. – O senhor é lindo. – falou rindo baixo.
- Alice? – Edward sorriu encantado pela garotinha. – Minha irmã também se chama Alice, Alice Cullen, hum, e você também é muito linda.
- Sou? – A garotinha sorriu largamente visivelmente animada.
- Claro que é. – O sorriso de Edward aumentou ainda mais. Seu maior sonho era ser pai e a garotinha na sua frente aguçou ainda mais seus extintos paternos. – Onde estão seus pais? – perguntou olhando para os lados em busca de algum adulto igualmente loiro igual à garotinha.
A menininha olhou para o chão e soluçou novamente.
- Não sei. – sussurrou. – Moro no orfanato.
- Orfanato. – Edward repetiu aquela palavra com amargura. – Vamos para a minha casa, mas antes... O que acha de comprar algumas roupas para você?
- Comprar roupas? – Os olhos da menina se arregalaram. – Nunca comprei roupas... – concluiu pensativa.
— Sempre há uma primeira vez para tudo. – Edward pegou a mão da pequena menininha e a levou em direção a uma famosa loja de roupas infantis ignorando qualquer olhar preconceituoso direcionado a eles.
[...]
Em uma das pequenas mãos da menininha estavam várias sacolas e na outra uma boneca de porcelana.
Em momentos de crise qualquer doação poderia ser vista como loucura.
- Gostou dos presentes? – o tom de Edward era extremamente feliz e paternal.
- Sim. Gostei muito. – Alice olhou para Edward. – Amei tuuuuuuudo isso. – sussurrou sorrindo.
Edward entrou em sua casa, levou a pequenina em seu colo e a levou até o banheiro onde ambos fizeram uma bagunça e por fim, caminharam até a cozinha onde Edward se deparou com a figura de uma mulher morena, Isabella.
- Quem é você? – gaguejou Edward espantado.
Ao virar-se os olhos achocolatados de Isabella arregalaram-se.
“Alice vai me matar” – pensou.
- Edward. – Sorriu.
Isabella já estava ferrada então... Iria entrar fundo nessa história.
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