A Coroa Olimpiana - Interativa
27 Capítulo 26
Notas iniciais
Nicolas andava e andava em círculos enquanto esperava pacientemente Ashley.
– Demorei? – A garota falou ao passar pela porta prateada do “chalé” de Atena.
– Não seria mentira se eu dissesse que gosto de esperar. – Um sorriso malicioso pintou a cara do príncipe.
A Selecionada revirou os seus olhos, apesar de ter um sorriso divertido nos lábios.
– Mudando de assunto, eu não sabia que príncipes podiam sair em público com roupas tão informais. – Ela falou referindo-se a camisa polo azul e a calça jeans do príncipe. – Mas eu gostei.
– Nem príncipes, nem princesas podem, mas ninguém precisa saber que eu estou com essas roupas. – Nicolas falou com um sorriso travesso. – E eu não sabia que filhas de Atena podiam sair em público mais bonitas que filhas de Afrodite.
Ashley passou as mãos pelo seu vestido creme, as ondas – e o vestido – dele terminando nos joelhos.
– Só manjando nos elogios, não é mesmo? Em qualquer caso, obrigada, pensei que o meu cabelo um pouco mais curto não ficaria bom, mas você provou o contrário. – A filha de Atena disse sorridente, assumindo um ar informal.
Os dois continuaram andando, ultrapassando os inúmeros corredores do Olimpo para chegarem ao jardim, onde depois de alguns minutos encontraram o mar.
– O que você acha? – Nicolas perguntou á Ashley enquanto sentava-se em um banco, a fim de apreciar o crepúsculo.
– Incrível... – Ela começou a dizendo, sentando-se ao lado de Nicolas. – Mas aonde o mar começa e aonde ele termina? Quer dizer, estamos no Monte Olimpo e, diferentemente da Terra, aqui não é um lugar redondo onde não é possível que as águas tenham início e fim.
– Diz o meu pai que este mar foi uma criação de Poseidon quando ele estava apaixonado. Sendo que quando foi criado pelo deus, o mar era simplesmente uma poça d’água, que alimentado por sonhos bons, crescia e crescia sem parar, sem nunca ter por onde terminar.
A garota, apesar de um pouco confusa, assentiu e deitou a cabeça no ombro de Nicolas, ambos observando juntos o final daquele dia.
...
Mary terminava de se arrumar. Prendeu os cabelos negros num coque, passou uma maquiagem clara e ajeitou o seu longo vestido negro que demarcava bem a cintura. Estava pronta para um encontro.
A filha de Melinoe esperou Nicolas do lado de fora do chalé, e não demorou muito até o príncipe chegar.
– Vamos? – Ele perguntou gentilmente enquanto estendia o braço.
– Vamos. – Ela respondeu segurando no braço do príncipe, sentindo a fofa e macia seda do paletó bege do semideus.
Os dois andaram juntos, mas não demoraram muito, pois pararam em frente e uma grande, exuberante e porta dourada: a porta do “chalé” de Zeus.
– Pode entrar. – O príncipe falou sorridente, apontando para o “chalé”.
– O que? – A Selecionada perguntou sem acreditar no que ouviu. O “chalé” de Zeus não era um simples “chalé”, ah não, ele era, praticamente, o quarto do príncipe.
– Ah, perdão se eu não expliquei, mas eu queria que pudéssemos ter um jantar romântico, mas o Olimpo é muito vigiado á noite e toda hora iriamos ser perturbados por alguém, então resolvi pedir para que entregassem o jantar no quarto, tudo bem para você?
– É claro!
Então ambos entraram pela grandiosa porta.
Mary não pode conter a admiração pelo “chalé”, pois ele tinha o triplo de tamanho de todos os outros, e, além do que necessitava ter para um quarto comum (cama, guarda-roupa e banheiro), ele continha uma enorme televisão, algumas escrivaninhas, uma enorme estátua de Zeus, uma estante de livros, e ainda de sobra um espaço livre.
Então a garota descobriu o mais especial de tudo: uma varanda com vista para o jardim traseiro olimpiano. O lugar era cercado de inúmeras flores, no centro uma mesa não muito grande e duas modernas cadeiras frente umas as outras.
– Parece que você descobriu o nosso lugar para jantar. – Um Nicolas surgiu pela trás da porta de vidro.
Não demorou muito até que o jantar fosse servido (apetitosos frutos do mar), e os dois semideuses pudessem aproveitar a comida enquanto uma brisa noturna envolvia-os.
E para fechar com chave-de-ouro, os dois passaram a noite em uma maratona de filmes, com direito a pipoca e refrigerante, como se não tivessem toda as barreiras da Seleção, mas fossem amigos de longa data.
E quem sabe, mais do que amigos.
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