A Coroa

–Não Sílvia, cancele a viajem, não terá lua-de-mel. Maxon concordou comigo. Perdemos o clima.

*Minha expressão era triste. Olho para baixo e percebo que ela entendeu o motivo do cancelamento da lua-de-mel. Após a morte do rei Clarckson e da rainha Amberly todo o povo de Illéa e o castelo tomaram um ar sombrio. E eu entendo Maxon. Meu pai também faz falta. Pelo menos agora minha família está sempre reunida. Mamãe, May e Gerard se mudaram para o palácio, oque animou um pouco as coisas*.

–Sim, Vossa Majestade.

*Sílvia diz num tom formal e faz uma singela reverência*.

–Me chame de America, por favor. Já não me basta Maxon me chamar de “minha querida”.

*Solto uma leve risada e pôde-se ouvir um eco pelo enorme corredor em que estávamos*.

–Claro, America.

*Sílvia sorri, de forma com que uma parte da minha tristeza sumisse, junto com os problemas que rondavam minha mente com a separação das castas. Eu e Maxon estávamos dando o máximo de nós para que a separação ocorresse rapidamente. As castas, desde o início eram um problema que revoltaria o povo, mas ninguém percebeu esse problema além de mim. Desde o começo eu sabia que não era uma boa ideia*.

*Sorrio de volta e sigo calmamente em direção ao quarto de May. Ela havia ficado muito animada com a mudança para o castelo e com um quarto só para ela. Bato levemente na porta e escuto uma correria no quarto, mas alguns segundos depois Lucy aparece por trás da porta e abre um sorriso*.

–America! Quer que eu avise a May sobre a sua chegada?

*Ela abre mais a porta para que eu entrasse e eu entro. O quarto de May tinha as paredes lilás claras. O quarto era enorme, tinham dois guarda-roupas, uma penteadeira e uma escrivaninha. A cama era enorme, mas não tão grande quanto a do meu quarto.*

–Eu adoraria Lucy.

*Sorrio. Ao ouvir Lucy dizer meu nome e avisar que eu estava ali, May aparece da porta do banheiro cheia de espuma na cabeça e enrolada num roupão*.

–Meri!!!

*Ela diz empolgada e já ia vir correndo até mim, mas eu apenas disse para ela que eu esperaria que ela tomasse o banho, para depois conversarmos. Ela voltou para o banheiro para terminar seu banho e me assentei na beirada de sua cama, peço para que Lucy se assente comigo e ela o faz me olhando com medo do que eu falaria*

–Oque houve Lucy?

*Pergunto ao ver que algo a incomodava. Quando Lucy fica nervosa não para quieta. Ela estava mexendo nos retalhos de sua roupa e não olhava em meus olhos*.

–Fiz algo de errado?

*Havia preocupação em sua voz*.

–Não, não, claro que não. É que...

*Antes que eu pudesse terminar minha fala ouço batidas na porta. Seriam guardas? Estariam ali nos avisando que estávamos sendo atacados? Não, rebeldes não, por favor! Lucy olha pra mim esperando ordens. Penso em algo rapidamente*.

–Quem é???

*grito e logo ouço uma voz familiar*

–Maxon.

*A voz do outro lado da porta diz. Eu e Lucy trocamos olhares*.

*Lucy se levanta e vai abrir a porta. Realmente era Maxon. Ele sorri para Lucy e depois fixa seus olhos em mim*.

–Está quase na hora do jantar, minha querida.

–Não me chame de “sua querida”.

–Tudo bem, America.

*Logo volta seu olhar para Lucy*

–Marlee está precisando das tesouras, mas não as acha. Poderia descer e a ajudar?

–Claro, Vossa Majestade.

*Lucy sai do quarto e desce as escadas indo ajudar Marlee, me deixando à sós com Maxon*.

–Para que as tesouras?

–Como não haverá lua-de-mel, terá um baile, comemorando nosso casamento.

–E quem virá ao baile?

*Maxon entra no quarto e se assenta na beirada da cama de May, ao meu lado e coloca uma mão em meu ombro*.

–Todas as outras 34 selecionadas...

*Maxon se lembra da morte de Celeste e logo se corrige*

–33 garotas e os parentes das tais juntamente com os nossos parentes reais dos reinos da redondeza.

*Celeste. Ela faz muita falta, assim como todas as outras garotas. O palácio estava mais silencioso e tranquilo, mas era tão bom vê-lo sempre cheio de vida, naquela mesma correria de sempre, as aulas de etiqueta e a aula de história, as festas... tudo estava diferente*.

–Quem está aí fora???

*May pergunta de dentro do banheiro e olho para Maxon*.

–Acho melhor você voltar outra hora.

*Digo a Maxon indicando a porta com a cabeça*.

–Por quê?

–Porque ela é uma garota que está seminua. Você é um homem e não pode ver outras garotas nuas.

–Ah, claro.

*Ele percebe a idiotice que acabara de perguntar e sem mais nem menos sai do quarto*.

–Pode sair May.

*A porta do banheiro se abre e ela sai de lá*.

–Quem era?

–Maxon. E trate-se de se trocar, e logo mocinha. Teremos um jantar especial hoje e amanhã terá um baile!

*Digo empolgada*.