A Cor Que Vejo Em Você.

11 Estranho, muito estranho.


Não sabia por qual motivo havia pensado tanto nele naqueles últimos dias, mas estava pensando. Inclusive chegou a sonhar com ele e infelizmente não era algo bom. Sonhou que ele a viu se afogar e deixou que ela morresse, porque estava preocupado demais procurando por Mei.

Era estranho, era muito estranho, mas aquele sentimento de que deveria falar com ele ainda estava ali. Olhava pela janela do carro pensando em todas aquelas coisas, quando chegou à escola e o viu conversar malandramente com Mayumi. Um arrepio percorreu seu corpo.

Então a poderosa Akazawa havia chegado ao colégio em sua grande carruagem branca, a limousine que usava desde o fundamental. Ele revirou os olhos, estava cansado daquele momento de todos os dias, o momento em que o colégio parava para vê-la chegar. Deu um beijo na bochecha de Mayumi e começou a caminhar, colocando seu fone de ouvidos. Não havia percebido que sua atenção estava sendo requisitada até que alguém o parou com a mão em seu braço. Virou-se e no mesmo instante e a sobrancelha arqueou, um sorriso maquiavélico se fez.

- Ora, ora se não é a senhorita Akazawa Izumi. – Disse em um tom debochado.

- Não comece com suas ironias Teshigawara. – Ela disse séria.

- A que devo a honra de ter sido solicitado minha querida amiga?- O sorriso ainda continuava lá e isto a incomodava.

- Eu gostaria de conversar com você. Será que posso? – Ele abriu ainda mais o sorriso.

- Esqueça. – Disse.

- Como é?! – Perguntou parecendo não acreditar ter sido rejeitada por alguém que vivia a seus pés.

- Eu disse esqueça. – O rapaz sussurrou bem ao ouvido da ruiva, que sentiu um leve arrepio correr por sua espinha. Ele sorriu para ela mais uma vez e se virou, mas ela o impediu novamente.

- Pois eu digo que você irá se encontrar comigo às 17h na lanchonete que fica próxima ao parque. Se me deixar esperando, vou fazer da sua vida um inferno. – Ele deu um sorriso de escárnio.

- Acredite queridinha. – Ele segurou seu queixo com a ponta do dedo. – Você já faz. – E o soltou, voltando a caminhar e a colocar os fones de ouvido. Ultimamente não tinha mais paciência para Izumi.

Mas mesmo assim, estava na lanchonete no final da tarde. Ele estava sentado totalmente desajeitado sobre a cadeira quando ela chegou. As nádegas no final do assento, o pescoço encostado no topo da cadeira. Os braços cruzados e o olhar perdido. Ele vestia uma calça jeans e uma blusa branca, por cima um casaco preto fechado até a altura da cintura. Estava vestindo o capuz do casaco.

- Acho muito bom ter vindo. – Disse tirando o capuz de sua cabeça e sentando-se a sua frente. Ele a olhou sério, parecia realmente não querer estar ali.

- Achei que seria interessante ver o que a fez me convidar para sair. – Ele disse olhando para ela, ainda na mesma posição.

- Naoya é sério...

- Naoya? – Ele disse quase a repreendendo. – Teshigawara, por favor. E diga de uma vez o que quer falar. – Izumi franziu as sobrancelhas e automaticamente o rosto se fechou.

- É sobre exatamente isto que quero falar. – Ele pareceu não entender. – Sobre seu comportamento.

Naoya estreitou os olhos. Já era estranho demais o fato dela tê-lo chamado para conversar. Aquela a sua frente, era muito diferente da Akazawa que conhecia e agora ele entendia o quanto o desprezo atraía os olhos de uma pessoa. Será por isso que ela era loucamente apaixonada por Kouichi? Ela achava que sim.

- Não existe nada errado com meu comportamento. – Ele disse a encarando seriamente.

- Pare de agir assim! Você não é assim, Teshigawara! – Ela se exaltou. Ele olhou para cima parecendo pensar em algo.

- Não me lembro da Mei ou do Kouichi terem dito algo assim. – Bastou para enfurecer a ruiva. Ela se levantou.

- Não me interessa se aqueles dois não te disseram nada. EU reparei Teshigawara. – Ele se levantou também e ambos se encaravam sem hesitação.

- Sabe o que você reparou? – Ela continuou do mesmo jeito. – Você reparou que eu não mais me interesso por você. Reparou que eu não mais correrei atrás de você. Reparou que sua presença simplesmente não importa. Reparou que eu te superei e consegui te esquecer. Agora não me venha com essa de preocupação. Tudo o que você quer é que eu continue parecendo um idiota apaixonado. Tudo o que você quer é que parem de comentar que tenho algo com a Mei porque gostava e muito do fato de eu ser apaixonado por você. – O rapaz não disse mais nada e muito menos ela, que continuou estática. Mediante a reação da ruiva, ele olhou para o relógio e viu que estava atrasado. Deu as costas a ela e começou a caminhar.

- Aonde você vai Teshigawara? – Ela questionou. A voz como no dia em que o indagava no corredor.

- Eu tenho um compromisso hoje. – Ele disse sem se virar e saiu da lanchonete, como se nada tivesse acontecido.

Izumi sentiu o ódio lhe tomar de raiva. Ela havia jurado para si mesma que estava indo ali somente para conseguir que o loiro a ajudasse na reconquista de Kouichi, mas era mentira. Ela havia ido ali porque sentia falta do olhar brilhante que ele lhe lançava toda vez que a via.

Era estranho, era muito estranho, mas ela sentia falta de Teshigawara e por um momento pensou em correr e o parar na rua para pedir-lhe desculpa por tudo o que havia ocorrido, mas obviamente não deu asas aquele pensamento. Naoya era um idiota e sempre seria em sua concepção. Embora agora aquilo lhe parecesse muito errado. Bufou. Seus instintos diziam que ela não deveria segui-lo, mas ela fez isso e tal foi seu espanto ao ver com quem ele tinha um compromisso.

Mei. Misaki Mei. A mesma garota que lhe roubara Sakakibara antes. A ruiva trincou os dentes, deu um passo a frente, mas voltou. Aquela não seria a melhor maneira de se vingar do rapaz por tê-la deixado sozinha naquela lanchonete. Ele teria de esperar, teria de aguardar por sua vingança.

- O que está fazendo aqui Mei? – Disse Naoya, surpreso por encontrar a amiga.

- Estou esperando Sakakibara. – Ela disse em seu tom habitual.

- Ah, e por acaso não é aquele ali? – Ele apontou para um rapaz que olhava de um lado para o outro parecendo procurar alguém. A menina que usava um tapa olho sorriu de leve e entendeu que eles haviam se desencontrado. – Vamos. – Disse o loiro. – Eu te levo até lá.

E os dois deram os braços, atravessaram a rua e começaram a caminhar para longe dos olhos da ruiva. Ela não perdeu tempo, logo retirou o celular da bolsa e fotografou o que havia acontecido. Sabia de alguém que adoraria espalhar aquela notícia por toda a escola.

Notas finais
Parece que uma grande confusão está por vir...
Beijo e até a próxima.