A Cor Que Vejo Em Você.
4 Livrando-se da culpa.
O celular já havia despertado várias vezes, mas ele não teve animo para se levantar. Sabia que teria de enfrentá-la e não queria isso, só queria paz. O celular despertou mais uma vez e ele se deu por vencido, teria de se levantar e ir ao colégio.
No caminho, encontrou algumas garotas que o olhavam e cochichavam, será que a aquela altura todos já estavam sabendo? Provavelmente sim, a boca grande de Teshigawara sempre causava essas coisas.
Entrou no colégio e a primeira pessoa que avistou foi o amigo, rapidamente se dirigiu até ele.
- Bom dia Kouichi-kun! – Disse o loiro animado.
- Você já espalhou a novidade? – Ele disse como se estivesse cansado.
- Eu não! – O rapaz logo levantou as mãos em sinal de defesa. – Não disse nada a ninguém além da Mei.
- Então foi à própria Izumi quem fez isso. – Ele revirou os olhos.
- Talvez ela só tenha contado para uma amiga que tratou de espalhar a fofoca. – Disse Naoya, dando de ombros.
- Você sabe muito sobre ela, não?! – Observou Kouichi.
- São anos de convivência e a maioria das amigas que ela tem só estão ao seu lado por dinheiro.
Teshigawara estava certo, Akazawa não tinha amigos de verdade, porque as que ela teve morreram na calamidade e o ensino médio não era como ensino fundamental. Se você tinha sobrenome e dinheiro, você tinha muitos amigos.
Mas o que fazer se ela gostava disso, se ela gostava dessa vida. Assim ela mandava em todos, assim ela estava sempre por cima. Se ela estava feliz, isso ninguém sabia. A única felicidade que Izumi teve foi namorar Kouichi, mas ela era muito amarga. Por isso o perdeu. Ela não entendeu que o rapaz não era um de seus empregados que ela pudesse comandar. Ele era seu namorado e deveriam caminhar lado a lado e não ela a frente.
Naoya sabia de tudo aquilo, mas não se permitia aproximar. Ela sempre o desprezou e nunca quis sua companhia. Nunca quis sua amizade e muito menos seus sentimentos. Ela sempre agira da mesma forma e quando ele tentava se aproximar ela fazia como na tarde anterior quando foi extremamente grossa e desligou o telefone. As palavras de Kouichi eram verdadeiras, ela estava insuportável.
Eles conversaram por mais um tempo até que todo o pátio parou em uma roda. Mei de um lado e Izumi de outro.
- Satisfeita? – Disse a ruiva.
- Satisfeita com o quê? – Disse Mei séria como sempre.
- Com o fim do meu namoro. Assim o caminho ficou livre para você. – Ela disse autoritária.
- O término do seu namoro não tem a ver comigo Akazawa. Isto é um problema seu e de Kouichi.
- Ah! Não vai me dizer que não ficou feliz?! Pensa que eu não o vi em sua casa ontem?
Todos começaram a cochichar.
- O que você viu? – Perguntou Mei, querendo que ela respondesse.
- Eu o vi com você! – Gritou a menina.
- Você o viu me levar em casa a pedido de Teshigawara.
Os comentários aumentaram.
- É isso mesmo Akazawa eu pedi para que Kouichi a levasse em casa. Algum problema com isso? – O rapaz falava sério de uma maneira que ela nunca tinha visto antes. Ele se colocou a frente de Mei, assim como Kouichi.
- Não tente insinuar que gosta dela, quando todos sabem que você sempre foi apaixonado por mim. – A menina disse seca.
- Ninguém está insinuando nada aqui. Você é que quer culpá-la por seus próprios erros. – Disse Sakakibara serio.
- Cala a sua boca Kouichi! – Ela se irritou. Porque diabos todos defendiam a Mei? Sakakibara iria responder, mas Misake segurou a mão do rapaz que entrara na discussão e ele a olhou. Ela balançou a cabeça negativamente e ele entendeu, os dois deram as costas e saíram andando.
A menina ficou rocha de raiva, todos que estavam de platéia saíram cochichando e ficaram no pátio somente ele e Naoya. Ele a olhava muito sério.
- Você está bem Akazawa?
- O que te interessa? Não era isso que você queria? Ver-me longe de Kouichi?
- Claro que não...
- Pois fique sabendo que nós vamos voltar e assim como aquela Misaki idiota, você vai se dar mal.
O rapaz nada mais disse, apenas deu-lhe as costas e deixou-a sozinha. Ela olhou para um lado e para outro, não tinha ninguém. O sinal já havia tocado e todos estavam em suas salas.
Ela sentiu seus olhos encherem-se de lágrimas, mas tratou de secá-las. Ela era Akazawa Izumi não se abateria por uma simples discussão.
A culpa toda era de Mei ela tinha certeza, mas porque a culpa era de Mei? Porque Kouichi sempre a defendeu? Porque Kouichi sempre a quis por perto? Talvez fosse, mas alguém precisava ser o culpado e só podia ser ela. Porque a própria queria assim. Ela decidiu que a culpa era de Mei e assim foi.
Nos corredores, nas salas, nos pátios, nos banheiros e no refeitório todos comentavam sobre o acontecido e olhavam para Mei de uma forma diferente. A menina percebeu isso, assim como Sakakibara e Teshigawara.
Mas Mei era experiente, não se deixaria abalar por uma coisa dessas. Já havia passado por muito pior durante a calamidade. Fofocas eram apenas fofocas e verdades nunca existiram nelas.
Depois do término da aula, Sakakibara e Teshigawara se encontraram para conversar sobre o assunto.
- Eu lhe disse que era Akazawa. – Afirmou Naoya.
- Ela quer de todas as maneiras culpar a Mei. Não entendo. – Disse o menino inconformado.
- Não acha que é melhor para vocês darem um tempo? Pararem de andarem sozinhos um pouco?
- Eu não vou ficar longe da Mei porque Izumi está louca! – Protestou Kouichi.
- Então se prepare para os aborrecimentos. – Avisou Naoya.
- Eu já estou aborrecido. – Disse o rapaz encostando a cabeça na parede e fechando os olhos.
Eles estavam à porta da sala de Mei e ela saiu encontrando os dois rapazes ali. A menina apenas começou a caminhar e eles com ela, os três perceberam muitos olhares sobre si e Naoya achou melhor se aproximar mais. Envolveu Mei com um braço e começou a caminhar com ela, deixando Kouichi somente ao seu lado.
O rapaz falava tantas besteiras que acabou fazendo com que Mei sorrisse e com ela Kouichi também. Akazawa viu a cena e era isso que a consumia de ódio. Mesmo que fosse séria, mesmo que não demonstrasse sentimentos, as pessoas amavam a Mei e se sentiam bem ao seu lado.
Notas finais
Beijo e até a próxima.
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